segunda-feira, 9 de maio de 2011

FILMES LIVRES, MAS NÃO TÃO LIVRES ASSIM!!!!


Levei pela primeira vez meu filho a um cinema quando tinha apenas seis anos de idade. Todo serelepe, largou minha mão e saiu correndo pelo escuro, seguindo somente as luzes amarelas colocadas ao chão, indicando emergência.
Sentando-se na poltrona, percebeu que o cinema era escuro demais e pediu que eu acendesse as luzes e, em seguida, pediu o “controlho” para ligar a televisão grande, ou seja, a tela.
Eu disse a ele que não podia acender as luzes e que não haveria controle algum para ligar a televisão grande, porque aquilo era um cinema.
Ele nunca tinha entrado em um cinema e fomos ver um filme de sessão livre. Só que antes de projetarem a exibição do filme livre, exibiram vários treleres de filmes adultos de violência e outros gêneros adultos.
Meu filho, vendo-as, perguntou-me: “é isso que o senhor e a mamãe assistem quando vêm ao cinema, e nunca me trazem junto?” Respondi que era. Em seguida ele voltou a me perguntar, espantado: “é isso que vocês assistem, por isso eu não posso vir junto?”. Respondi “sim” mais uma vez.
Ora, se o filme é para criança, livre, o CONCINE – Conselho Nacional de Cinema, deveria orientar que fossem exibidos apenas treleres de filmes para crianças, e não filmes para adultos, com a famosa frase ao final: “consulte e verifique a faixa etária desse filme”.
Quando decidi ir ao cinema com minha esposa assistir ao filme “Bruna Surfistinha”, observei muitas garotas adolescentes entrando com seus pais para assistir ao mesmo filme também.
Não estou defendendo a volta da censura, mas somente que  Decreto número 93.882, de 23 de dezembro de l986, que dispõe sobre a criação do Conselho Nacional de Cinema, que tem por finalidade disciplinar as atividades cinematográficas em todo o território nacional, por meio de normatização, controle e fiscalização  e dá outras providências, vinculado ao Ministério da Cultura, seja modificado para que só exibam treleres de filmes infantis, quando o filme for para crianças.
 Ou então, que seja instituída novamente a presença dos agentes pagos ou voluntários do Juizado de Menores que ficavam nas portas dos cinemas verificando uma a uma a idade das pessoas menores que entravam.
Olhavam as identidades e a foto até se convencerem que a pessoa tinha mesmo a idade que constava na CI, muito embora nos anos 70 fosse muito difícil ou quase impossível se falsificar uma Identidade.
Lembro com saudade do “Xerife” que era uma espécie de fiscal no antigo e já demolido Cinema Guarany, de propriedade de Adriano Bernardino que, à porta, com uma bota de caubói e uma estrela de xerife ao peito  - daí seu apelido - conferia a idade das pessoas que entravam nas sessões “não recomendadas para crianças”.
Eu mesmo usava calças de bocas largas, sapatos tipo Luiz XV, branco e preto, para parecer mais alto e tentar enganá-lo, mas não conseguia porque ele sempre levantava a minha calça e constatava meu sapato alto e não me deixava entrar.
E dizia: “tá tentando me enganar, é? Aqui você não entra!”. E não entrava mesmo! Por mais argumentos que tivesse para usá-los na hora.
Muito raramente, esse expediente surtia efeito e  não assistíamos filme “não recomendado para menores” que, perto dos que exibem hoje, ficavam todos no chinelo! Os tempos mudaram, a vida mudou; acho que só eu não mudei; mas estou tentando!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

PROJETOS CLONADOS NAS ASSEMBLÉIAS LEGISLATIVAS


“No Brasil, não precisamos de mais leis. Precisamos de homens públicos que observem (e cumpram) as leis existentes. Tem que se observar o conteúdo e não a forma” declarou o Ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, à Isto É Independente, página online da Revista Isto É.
Prática muito comum no período colegial, a conhecida cola está voltando com muita força nesse início de legislatura na Câmara Federal, principalmente entre os políticos de primeiro mandato; mas não ocorre somente com estes, não. E a moda parece que pegou, porque deputados das Assembléias Legislativas dos Estados também copiam projetos tanto da Câmara Federal, como de outras Assembléias; mas, normalmente, estes são considerados inconstitucionais e rejeitados de pronto, porque ferem a Constituição Federal.
Nesse caso, o “control c” “control v” funciona perfeitamente e os campeões de “fraudes” são, até agora e disparados os irmãos Prado, Wellington e Elismar, o primeiro deputado federal e o segundo estadual. Muitas vezes os projetos estão copiados sem revisões e apresentados com os mesmos erros originais do autor do projeto.
Secretário-geral da mesa da Câmara Federal por 20 anos, Mozart Vianna, hoje no gabinete do senador Aércio Neves,  disse que nunca viu nada parecido ao que os irmãos Prado fazem, conforme declarou a Isto É independente.
A deputada federal Rebecca Garcia (PPS-AM) que também foi vítima de uma dessas clonagens pelo deputado Roberto de Lucena (PV-SP), mas  tirou por menos e disse: “nem sei o que falar. É uma pena. Vai ver que ele foi mal assessorado”. Foi não, deputada Rebecca, foi uma cola intencional mesmo!
“Do início dos trabalhos até agora foram apresentados 777 projetos de Lei. Graças à iniciativa dos “copistas”, a quantidade clonada já representa metade dos projetos”, escreveu o site http//www.istoe.com.br/reportagens/página 129095 _A +FAMÍLIA + QUE +COPIAVA/6, do dia 4/5/2011.
Na Câmara Federal, Wellington Prado protocolizou 114 propostas. Na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, seu irmão “colão” Elismar Prado apresentou nada menos que 243 projetos de lei clonados, o que representa 45% do total apresentado à ALE mineira.
Mas não se engane não eleitor: nem sempre o deputado que mais apresenta projetos de Lei é o melhor e nem sempre é o que melhor representa os interesses dos eleitores, pois muitas vezes o deputado sabe que o projeto é inconstitucional, mas apresenta assim mesmo, com a esperança de vê-lo aprovado, só para depois fazer demagogia.
A Constituição Federal está aí mesmo para dar uma lição a esses falsos legisladores, que não se dão a nenhum trabalho de  apresentar um projeto de lei fruto de pesquisa e que não incorra em inconstitucionalidades.

VIATURAS POLICIAIS NÃO USAM CINTO DE SEGURANÇA!

A regulamentação do uso de cinto de segurança, dispositivo de defesa de ocupantes de quaisquer veículos, regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito, é obrigatório! Mas você já viu alguma vez algum policial dentro uma viatura, seja PM ou civil, usando esse dispositivo tão vital à vida?

Confesso que eu nunca vi! E não é de hoje que observo isso! Toda viatura que passa ao meu lado em baixa ou alta velocidade olho, olho e não vejo um policial da PM com o cinto de segurança afivelado em seu corpo. Logo, que moral os fiscais da Prefeitura terão para fazer cumprir esse dispositivo legal se as viaturas policiais não podem ser multadas?

Pelo que li e analisei, o uso do cinto é um dispositivo que impede a projeção do passageiro para fora do veículo em caso de alguma colisão. O cinto de segurança também é obrigatório em aviões e quaisquer outros tipos de veículos motorizados.
Muitas pessoas não gostam de usá-los por achar incômodo ou por medo de ficar presos em caso de acidentes. Mas o valor da multa para quem não usa cinto é hoje de 500 euros em Portugal e só R$ 150 reais no Brasil. Apesar disso, como viaturas policiais são isentas de quaisquer pagamentos de multas caso estejam em perseguição a bandidos, mesmo excedendo a velocidade, com o giroscópio e a sirene de alarme devidamente ligados, para variar um pouco eles também não usam o cinto de segurança!

Há argumentos para essa prática: os policiais têm que descer rápido das viaturas porque se não os perseguidos fogem! Pode até ser um argumento plausível, só que diante da Resolução eles estão errados! Estatísticas demonstram que o uso do cinto de segurança reduz tanto a gravidade quanto a ocorrência de ferimentos!

Os novos fiscais que estão sendo contratados para trabalhar no trânsito têm que entender que todos são iguais perante a lei; infelizmente uns querem ser sempre mais iguais que outros: motoristas bêbados, sem habilitação, drogados que sempre entram e saem pela porta da frente dos Distritos Policiais porque mesmo sob essas circunstâncias gravíssimas, nunca tiveram a intenção de matar!

Outro grave problema no trânsito do Brasil, além da falta do uso de cinto de segurança pelos policiais militares, é o excesso de equipamentos que estão sendo instalados em carros: o DVD é tão ou mais perigoso que o uso do telefone celular enquanto a pessoa está dirigindo. Se um motorista olhar para o DVD e dirige ao mesmo tempo, poderá cometer um grave acidente, até mais grave que usar um simples celular ou deixar de usar o cinto.

Diante disso, defendo mais uma vez uma total revisão do Código Brasileiro de Trânsito  porque muitas tecnologias foram criadas e incorporadas aos automóveis, depois da edição da  Lei Nº 9.503, DE 23 de Setembro de 1997 e não estão contempladas dentro da Lei.

Com a palavra as Polícias Militares de todo o Brasil! Ou retiram essa obrigação para todos os motoristas, ou os Policiais Militares têm que usar o cinto também!
Afinal, pela Constituição “todos são iguais perante a lei”!






segunda-feira, 2 de maio de 2011

POR QUE BIN LADEN FOI EXECUTADO?


Osama Bin Laden está morto. Foi assassinado pelos Estados Unidos, depois de várias tentativas frustradas de sua captura pelo Exército americano, embora não possamos esquecer do que aconteceu há 10 anos passados, no dia 11 de setembro, nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos, com a ajuda da inteligência do país, fez o que o ex-presidente Busch prometeu, mas não cumpriu. O mais estranho é que todos os países e todas as mídias estão enaltecendo esse assassinato! Mas agora é que passaremos a ter pequenos, mas permanentes atentados.
Tivesse Bin Laden sido preso como o foi o ditador iraquiano Saddan Hussein, seria submetido a um julgamento, mesmo que no final fosse condenado  à forca, como aconteceu no Iraque!
O mercado financeiro imediatamente ficou otimista, mas se diluiu em seguida porque a célula montada por Bin Laden é quase indestrutível,  pois uma  não sabe nada sobre a outra!
Não adianta prender uma só pessoa da El Quaeda, ou a Célula, porque não se conseguirá fazer com que eles falem, até porque eles não se conhecem!
Ao contrário do que a imprensa está noticiando, fez mais mal que bem o assassinato do terrorista! Ele merecia isso, com certeza, mas também merecia um julgamento, como o fizeram com o Saddam, que terminou na forca.
Discutem-se agora as falta de uma prova concreta, quem fez o exame de DNA ou quem fotografou o terrorista! Isso tudo não tem a menor importância, mas tenho uma resposta provável: tudo foi feito pelo próprio Exército. Também discutem porque o corpo não foi filmado e porque o ele foi jogado no mar!
No Iraque, encontraram Saddam dentro de um buraco, barbado, maltrapilho, nada parecendo com  os seus dias de glória e terror às minorias étnicas! No caso de Osama Bin Laden por que não fizeram o mesmo? Saddam foi julgado, sentenciado e enforcado por uma decisão de um Tribunal constituído só por americanos! O mesmo poderia ser feito no caso de Bin Laden! Por que isso não aconteceu?
Não estou fazendo a defesa do terrorista!
Recordo que certa vez entrevistei o jurista Carlos de Araújo Lima e lhe perguntei porque sempre defendia crimes bárbaros e recebi dele a resposta que nunca mais esqueci: “eu não defendo crimes bárbaros; mas somente o direito de o criminoso ter direito a um julgamento justo, por pior que tenha sido o crime!”.
É o que deveria ter ocorrido com Bin Laden, mas não ocorreu!.

domingo, 1 de maio de 2011

MÚSICAS DE UM PASSADO QUE NÃO ESQUEÇO


                “Fui ao tororó/beber água e não achei/encontrei pela morena/Que no tororó deixei...”, “Eu vou/eu vou/pra casa agora eu vou...”. E fazia continência, como se tivesse marchando mesmo!
                Fui despertado de meu sono em supermercado que costumo frequentar em Manaus, aos sábados, e fiquei surpreso ao ver quem as entoava era uma criança de no máximo uns 6 anos de idade, dando seguidas voltas em torno de sua mãe.
                - Senhora, senhora – perguntei à mulher a quem ele volteava, imaginando ser sua mãe -  quem ensinou essas músicas para essa criança? Ele canta e ainda as interpreta! Incrível! Nunca vi uma coisa dessas entre crianças!
                - A avó as ensinou e nunca mais ele as esqueceu e sempre que pode, as canta até hoje!
                Fiquei surpreso e feliz ao mesmo tempo. Surpreso por ser uma criança e feliz porque passei a entender melhor os psicólogos infantis que defendem a teoria de que as crianças nascem como se tivessem no cérebro uma folha de papel em branco a ser preenchida com as lembranças do tempo.
                Talvez seja por isso que meu filho até hoje decorou e sempre entoa uma música que eu cantava próximo ao ventre de minha esposa, quando estava grávida – “Era um garoto/que como eu/amava os Beatles e os Roling Stones/Girava o mundo/sempre a cantar/as coisas lindas da América...” para acalmá-lo, sempre que  se agitava e chutava muito. Depois que eu cantava meu filho que ainda ia nascer se acalmava.
                Mais novo ainda, recém-nascido, pedia emprestado um aparelho de som com essa música só para cantá-la. Nunca esqueci os momentos felizes que a mim proporcionou, no colo de sua babá,  rindo dele próprio e de suas próprias brincadeiras.
                Talvez fosse por isso que a criança estava entoando as músicas que a avó as ensinou. Fiquei encantado com a precocidade da criança, feliz por ouvi-la e por ter sido acordado dos remédios controlados que tomo para não ter novas convulsões, com músicas tão agradáveis.
                Comecei a rir dentro de mim mesmo, lembrando das brincadeiras e músicas que entoei no meu passado, quando não se tinham tantos apartamentos, mas sim casas com quintais, terrenos baldios, onde praticávamos as brincadeiras e as cantorias.
                Mário Ypiranga Monteiro, um dos maiores folcloristas do Amazonas, com o qual tive algumas desavenças pela imprensa no passado, se dedicou a pesquisar essas músicas e propor a criação de cirandas, onde eram cantadas as músicas pesquisadas por ele. Era um pesquisador tão detalhista, que explicava em seus livros como deveriam ser compostas as rodas de cirandas e entoado as músicas resgatadas e por ele. E muitas o foram através de suas pesquisas.
                O pesquisador já faleceu. Hoje é nome de Rua em Manaus e só me resta lembrar essas coisas boas de um passado não tão distante. Com saudades!
                Felicito o Secretário Municipal de Esporte e Lazer de Manaus, Fabrício Lima, um jovem ainda, por estar resgatando as brincadeiras de minha infância – perna de pau, canga-pé, barra-bandeira, bolinhas de gude, 31 alerta e muitas outras de minha infância e de tantos outros que, como eu, já passaram dos 50 anos e hoje só têm lembranças e saudades!