Excelentíssima senhora
diretora da Editora da Fundação Universidade do Amazonas, Suely Oliveira Moraes
Marques, nestra da UFAM; neste ato
representando a Magnífica Reitora da UFAM, A Excelentíssima Senhora assistente social Dra. Márcia Perales Mendes
Silva excelentíssima senhora e ex-diretora da Editora da Universidade Federal do
Amazonas, Iraildes Caldas Torres,
professora doutora da UFAM e iniciando em Paris seu pós-doutorado - por isso
não compõe a mesa - excelentíssimo Dr. Djalma Almeida, MD Juiz do Tribunal
Regional do Trabalho, excelentíssimo senhor deputado estadual Luiz Castro, nas pessoas de quem cumprimento todos os
membros da mesa, escritores que também
lançam suas obras, amigos, convidados e presentes nesta solenidade de
lançamento do livro “O CAMINHO NÃO
PERCORRIDO”:
Minhas Senhoras,
Meus Senhores:
Tenho muito a agradecer e nada a pedir.
Inicialmente agradeço aos meus pais biológicos Paulo e Josefa Costa, aos meus
“pais adotivos”, Dulce e Teomário Costa, a Deus e todos os amigos do passado e
do presente que me ajudaram a concretizar esse sonho que parecia impossível.
Mas nada é impossível quando se sonha porque todo
sonho que se sonha junto, se transforma em realidade.
Em uma turma de 36 mulheres e apenas 4 homens no
Curso de Serviço de Serviço Social, em 1995, me senti incomodado. Mas não foi
totalmente esse incômodo que me fez produzir um TCC tão ambicioso, como
explorar a razão homens não queriam cursar serviço social, o que influiu na
decisão de explorar esse tema. No ano de 1995, acompanhei divulgações de um
cidadão gaúcho defendendo a independência do Rio Grande do Sul do restante do
Brasil, e uma das justificativas era de que a Amazônia era um “apêndice
econômico para um país”. Pronto: cruzei essa ideia nazista, xenofóbica e
ridícula com dados históricos e descobri que durante o período áureo da
borracha, o Amazonas já havia quitado sozinho, mais de 40% da dívida externa
brasileira em libra esterlina. Estava concluído o objeto de meu TCC.
Apresentei o projeto à professora orientadora
Iraíldes Gonzaga Torres e ela me questionou: “você vai conseguir fazer tudo
isso a que se propõe?”. Essa resposta lhe foi sendo dada quando quase toda
semana lhe entregava um capítulo pronto!
Lia tudo e dizia: “nada a mudar. Está ótimo!”
Com a motivação de minha orientadora, mergulhei nos
livros e pesquisei mais ainda, até que no final, na defesa do projeto, recebi a
nota máxima. Não tinha desejo de transformá-lo em livro, mas circulei com a
obra encadernada embaixo do braço por vários dias, mostrando às pessoas e
pedindo suas opiniões. Um dia, encontrei a Dra. Ivete Ivo Barros e lhe mostrei.
Ela ficou com tudo e quando voltei para pegá-lo, me perguntou: “você não pretende publicar isso? Eu lhe
ajudarei, buscarei patrocínio!” Confesso que não era meu desejo porque já
tinha deixado exemplares de meu trabalho no departamento e na biblioteca do
Curso para consultas futuras, além do mais, não teria dinheiro para bancar a
publicação. Com a ajuda da Dra. Ivete, do Dr. Raimundo Quirino e do médico e
empresário Francisco Garcia Rodrigues, proprietário da Concessionária, decidiu
custear a primeira edição do livro O
CAMINHO NÃO PERCORRIDO – A trajetória dos assistentes sociais masculinos em
Manaus, pela Imprensa Oficial, em 1995, mesmo ano em que me formei.
Agradeço também ao sociólogo Mário Jorge Correa, que prefaciou a primeira
edição da obra e que fiz questão de permanecer com ela nessa nova edição
reescrita, ampliada e revisada pela Editora da UFAM. A todos, meu muito
obrigado de coração!
Meu modesto e despretensioso trabalho monográfico
cresceu, colocaram fermento em seu interior e alcançou outros horizontes: o
livro foi citado em várias outras obras científicas, sendo uma das mais
importantes no livro A ASSISTÊNCIA SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE, da
teórica social nacional Marilda Iamamoto. Na sua obra, além de constar na
bibliografia, ela fez questão de colocar nota de rodapé dizendo ser o primeiro
livro analisando o universo masculino que lera. Depois disso, o livro esgotou e
17 anos depois, alcança esse significativo momento para mim, motivo pelo qual
mais uma vez agradeço o empenho de todos que se envolveram direta ou
indiretamente na conclusão desse projeto, desde a pessoa que fez a capa até aos
gráficos que o imprimiram, porque sem eles, nada seria possível.
A maioria aqui presente deve saber que passei por
onze cirurgias no cérebro desde 2006, vítima de empiema cerebral e duas
infecções hospitalares, fiquei dez dias em coma, 45 sem memória total e mais 15
sem fala, sofri derrame, trombose e aos médicos que me acompanharam até os dias
de hoje, meus sinceros agradecimentos. Mas não faria justiça nesse momento se
não mencionasse o nome de meu neurologista, Dr. Dante Luis Garcia Rivera, dos
muitos, em Manaus e em São Paulo, que me atenderam. Por isso não os nominarei! Durante
todo esse difícil processo, tive sempre o apoio do administrador de empresas Dr.
FRANCISCO SALDANHA BEZERRA, presidente da FETRANORTE e dos Conselhos Regionais
Norte do SES/SENAT, com o qual trabalhei durante 28 anos ininterruptos, em
várias funções.
Também alguns presentes
devem saber que cheguei a me desesperar quando soube que as bactérias borrélia
e serrátia eram incuráveis. Mas Deus nunca me abandonou e me manteve vivo para
testemunhar esse acontecimento que teve na professora doutora Iraíldes minha grande aliada, divulgando meu trabalho e
falando sobre a obra para outras pessoas do Serviço Social em eventos técnicos
que participava, chegando, posteriormente, ao conhecimento da professora
doutora Cléria Bueno, para quem enviei um exemplar e decidiu usá-lo como base
para sua tese de doutorado defendida na Espanha, sob título de “AVES
RARAS NA PROFISSÃO: O PSICÓLOGO E O ASSISTENTE SOCIAL NO EXERCÍCIO
PROFISSIONAL”, a quem agradeço pela dedicatória a mim feita em seu
trabalho.
Tenho muito que agradecer aos professores do Curso
de Serviço Social, que não os nominarei porque temo em esquecer algum, mas
saibam os senhores mestres que de cada um retirei alguma coisa positiva para
minha vida e com cada um aprendi algo que não sabia e que todos foram
importantes em minha vida. Mas, faço uma referência especial à professora de
nosso departamento que não está mais presente entre nós, a também advogada Rita
de Cássia Montenegro, professora do Departamento do curso de Serviço Social e
que ministrou a “Aula da Saudade” para os formandos da turma de 1995.
Minhas Senhoras,
Meus Senhores,
Estou construindo minha história. Depois de
aposentado por invalidez perdi muitos amigos; outros apareceram e ficaram. Dos
que se foram não sinto saudades ou lembranças positivas. Dos novos que
chegaram, saibam que me deixam alegria, emoção e muito carinho.
Sou um passageiro nessa vida, mas não estou aqui de
passagem, mas construindo minha história, com os cacos que restaram. Tenho uma
missão por certo porque Deus não me teria deixado vivo após onze cirurgias até
hoje se não reservasse uma missão especial. Já me disseram que minha missão é
escrever. Eu acredito que seja e sou feliz por isso, sou feliz com o que faço,
sou feliz pela esposa Yara que tenho, sou feliz por sentir a felicidade nas
pessoas que estão em minha volta, enfim, sou feliz porque a felicidade não é
ter dinheiro, comprar coisas, mas apenas ser simples e completo com você mesmo,
fazendo aquilo que lhe dá prazer. E eu sou feliz!
Se esqueci alguém me perdoem: mas todos foram
importantes em minha vida e meu caminho, até mesmo os que me abandonaram pelo,
porque terei a oportunidade de acolhê-los mais na frente, porque Deus me
permitirá fazê-lo!
Não posso esquecer, porém, de minha professora
Heloisa Helena Corrêa da Silva que dedicou a mim seu livro “EXPRESSÃO DA ASSISTÊNCIA
SOCIAL NO MÉDIO JURUÁ – AMAZONAS”, com essas palavras “E EM
NOME DE CARLOS COSTA ESTENDO MEUS AGRADECIMENTOS AOS DISCENTES QUE APOIARAM MEU
AFASTAMENTO PARA A QUALIFICAÇÃO DOCENTE”, além de ter escrito a meu
pedido e, ao jornalista e professor Garcia Neto, que contribuíram com essa obra
reescrita e ampliada. Isso me emocionou muito, professora doutora e ao
companheiro e amigo de 32 anos de jornada. Eu os quero muito bem, saibam disso!
Para encerrar ao meu discurso que pretendia breve,
reafirmo que não tenho tempo para odiar ninguém, não tenho tempo para sentir
mágoa de ninguém porque me falta tempo para amar a todos que me amam, ou seja,
vocês, meus amigos aqui presentes nesse lançamento.
Um abraço a todos e muito obrigado!
Carlos Costa