sexta-feira, 14 de março de 2014

DEVER PENSÃO ALIMENTÍCIA É PRISÃO. DESVIAR RECURSOS PÚBLICOS É PRISÃO DOMICILIAR!


Incrível!


Políticos que desviam milhões em recursos públicos, oriundo de impostos que todos pagam, quando são condenados, mesmo que tardiamente, podem cumprir suas prisões em regime semiaberto, mas  esse tipo de beneficio foi negado ao pai de família que deve merrecas de pensão alimentícia por questões sociais. Eles  devem ficar presos, mesmo em selas separadas! Foi isso que aprovaram os deputados federais na reforma do Código Civil: os devedores de pensão alimentícia deverão ficar presos e não podem sair para trabalhar ou procurar um emprego. 


Mesmo ficando em cela isolada, o simples fato de se saber que a pessoa já cumpriu prisão, é um fator de exclusão social, queiram ou não! Mas os políticos não pensam nisso, não percebem que deve haver casos e casos, situações e situações! Não, por um pagam todos. Não estou defendendo o devedor porque ele sabe que tem uma responsabilidade a cumprir, afinal, ele fez um filho! Estou chamando a atenção para uma questão política e social, principalmente. 


Com tanta falta de emprego, prender o pai de família por dever pensão alimentícia não me parece ser a melhor solução – oferecer oportunidade de emprego, qualificá-lo para o mercado de trabalho, me parece ser o primeiro caminho de uma solução. Há alternativas e o encarceramento não deve e nem pode ser a primeira delas, por ser mais eficiente, barata e destruidora de vidas humanas!


Dentro do aspecto social, defendo que primeiramente o devedor deveria se submeter a uma entrevista social, depois ser avaliado quanto suas questões de habilidades e só em último caso, de posse desse levantamento, o juiz decretaria a prisão do devedor. Trata-se mais de uma questão social do que moral. Várias vertentes e variáveis sociais precisam ser analisadas e, por fim, decretada a prisão do devedor porque ninguém deve porque quer, ninguém é irresponsável ao ponto de abandonar seus filhos – mas existem casos e casos e precisam ser analisados por uma avaliação social, sociológica, histórica, moral etc.


Fazendo um paralelo com os políticos que aprovaram a decisão, quer dizer que desviar milhões dinheiro público, quando condenado – o que é raro no Brasil -a pena poderá ser cumprida no regime semiaberto, mas  um pobre pai de família que deve migalhas, precisa ficar preso? Onde é que está a lógica nessa medida?  


Também são pais que sofrem, choram, se humilham pedindo emprego, mas ninguém os leva a sério. Depois de presos como se fossem bandidos, mesmo em celas separadas, ninguém vai querer saber o motivo ou a razão da prisão. Vão taxá-lo de bandido! E o pior é que existem muitas empresas que negam empregos só porque a pessoa está com o nome sujo na praça, como se costuma dizer quando a pessoa que deve tem o nome registrado no SPC ou no Serasa! 


Incrível, mas isso é verdade! 


Os legisladores conseguiram transformar um grande e grave problema social e um mero caso de prisão em celas, mas eles fazem de tudo para sair delas, em caso de condenação como está sendo no caso do mensalão do PT! 


Mas se recusam a aprovar lei para tratamento para beneficiar os dependentes químicos,  criar um programa para destinar recursos para construção de hospitais, ambulatórios ou qualquer outro tipo de ação pública que venha ao encontro a essa necessidade ou, então, transformar os três anos de internamento compulsório em pena de retorno à sala de aula, estudo, qualificação técnica, enfim!

quinta-feira, 13 de março de 2014

VIDA E MORTE! (especialmente para o amigo Carlos Lopes, do Blog Gandavos)



Para o amigo Carlos Lopes, pelo falecimento de seu pai.

Também conheci seu pai, o Zé das Máquinas. Não como eu gostaria de tê-lo conhecido porque passei em seu Estado, Pernambuco, mas ele já estava internado e você, amigo e companheiro, cuidando dele. Como bom filho, você deu de presente, o livro com as memórias dele, ainda em vida, no dia de seu aniversário. Eu, modestamente, tive o orgulho de prefaciá-lo.

Nas entrelinhas de sua obra “A saga de um Pedro – amor e luta traçando destinos”, observei cuidadosamente o grande amor com a qual descrevia as memórias de seu José dos Santos Gonçalves, conhecido como “Zé das Máquinas".

Mesmo abalado e talvez inconsolável pela perda de seu pai, quero que você compreenda que na vida um sol tem que morrer porque um outro em seu lugar, precisa brilhar também.  Não quero dizer que o amigo não tenha alcançado brilho próprio!

Tudo bem que pode parecer simplória  minha definição da lei natural de vida e morte.

Mas é assim que tem que ser, queiramos ou não. Ninguém poderá mudar essa realidade. Podemos, no máximo, nos preparar para recebê-la, como venho fazendo há 7 anos. Mas, confesso amigo, nem eu mesmo sei se estarei preparado e seguir junto do criador de todas as coisas! Acho que não estarei e meus amigos com certeza lamentarão minha partida. De certo dirão que parti tão jovem ainda, como é comum acontecer; ou dirão que teria o direito de viver um pouco mais. Mas DEUS me deu 11 chances de viver entre vocês, me permitiu viver ainda de forma produtiva e relativamente feliz porque ninguém pode se dizer feliz vivendo sempre dopado por remédios diários.

A vida é dual, sempre foi. Para que exista a morte, é porque em algum momento existiu vida, se não a morte do que não teria sido gerada como também não poderia ser explicada.

Receba meu abraço fraterno, amigo, Carlos Lopes, de uma pessoa que conheceu seu pai pelas suas descrições e pelo prazer que tive de apresentar sua magnífica obra “A saga de um Pedro – amor e luta traçando destinos”.

Despeço-me com carinho do companheiro que me resgatou do fundo do poço de meu próprio desconhecimento e me fez o que sou hoje: ainda nada!

Carlos Costa

O POETA




POETA GOSTA DE SOLIDÃO
E, QUANDO QUER  PRODUZIR UM POEMA
PODE SE SENTIR SÓ EM MEIO A UMA MULTIDÃO!

POETA GERALMENTE É UMA PESSOA TRISTE;
MAS RESISTE À SOLIDÃO,
MESMO TRISTE EM MEIO A UMA MULTIDÃO!

POETA VIVE A VIDA INTENSAMENTE
E MESMO QUANDO ESTÁ TRISTE,
PERMANECE INTRIGANTE!

ESSE É O POETA!

quarta-feira, 12 de março de 2014

AS NOVAS QUESTÕES SOCIAIS DO BRASIL


Historicamente estruturado em cima de uma matriz transformadora da sociedade, talvez por falta de outra opção na época de sua origem, o Serviço Social não é transformador; no máximo, poderia ser e se apresentar como um agente de transformação social dos agentes sociais, dos seres humanos como um todo, ou apenas como uma porta por onde pode entrar a ideia coletiva de transformação, desde que as pessoas ou a sociedade aceitem essa mudança, como o resultado de uma implosão interior, de dentro para fora. Mas o Estado também precisa fazer sua parte!

Diante do dinâmico mundo tecnológico de hoje, novas demandas sociais, ainda imperceptíveis, começam a surgir, que não só a luta capital x trabalho, questões sociais. Mas, sobretudo, questões capital x trabalho x tecnologia x desenvolvimento x sociedade moderna e dinâmica x tecnologia + internet.

Na faculdade, comecei a analisar todo o processo social também por uma linha darwiniana, mas os professores nem sempre aceitavam porque o curso tinha que se voltar à transformação social, e K. Marx sempre tinha que se fazer presente, em qualquer trabalho escrito ou defesa oral., Discordava porque Marx não consegue explicar tudo, principalmente na atualidade dos fenômenos sociais.

Pela teoria evolucionista de Charles Darwin, conseguia explicar fenômenos sociais do contraste entre miséria x riqueza, pelo aspecto natural porque para que exista uma coisa sempre há necessidade de uma origem anterior e o seu contrário tem que existir, a outra também tem que existir. Mas fui tolido nas minhas posições por alguns professores marxistas que me contestavam e hoje não me acho mais em condições de desenvolver a ideia, por questões de saúde frágil, mas até minha questão de saúde também encontro resposta no darwinismo: para que exista uma doença é preciso que exista a saúde ou vice-versa.

Uma coisa não pode existir sem o seu contrário equivalente!

Não desejo dizer que o Serviço Social não deva continuar cumprindo sua missão transformadora: deve sim, mas só conseguirá transformar alguém que realmente deseje mudar de vida, de opinião, de caráter. Sempre disse que toda transformação deve vir como um parto: de dentro para fora e não de fora para dentro como sempre desejou que fosse a profissão de assistente social.

Hoje, assisti a divulgação do resultado de um ano da decisão da internação compulsória dos drogaditos em São Paulo. O que vi, pelos resultados, reforçou mais ainda a opinião que formei, de que o Estado Social também precisa fazer sua parte para ajudar no processo de transformação de todos os seres humanos, oferecendo políticas públicas em todas as áreas sociais e a possibilidade de tratamento dos doentes que mendigam nas ruas para poder comprar e consumir uma pedra de crack, por exemplo, fazendo e cumprindo tudo o que determina o artigo 5o dos Direitos Sociais garantidos constitucionalmente pela luta dos movimentos sociais organizados.

Mas nem isso é cumprido!

Para piorar um pouco mais, agora os movimentos sociais – com algumas exceções – se transformaram em movimentos de destruição e baderna, destruindo tudo o que encontram pela frente.  Toda a estrutura moral, social e política da sociedade informatizada precisa ser repensada, uma nova teoria social precisa ser criada para explicar os atuais fenômenos sociais – rolezinhos, manifestações violentas quebra quebra.

Também precisa ser explicada a razão de a sociedade ficar tão violenta!

Seria a falência do modelo do Estado Social? Talvez! Mas que precisa de um profundo estudo social, ah, isso precisa sim! Mas não desejo realizar essa pesquisa porque minha saúde frágil não me permite mais.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A FAMÍLIA CHENG E AS COXINHAS DE GALINHA!


 (uma visita às lembranças de um passado)


Depois de adquirir uma coxinha de galinha na Padaria Conde, na Avenida Joaquim Nabuco e saboreá-la com minha esposa dentro do carro estacionado, me vi caminhando apressado pela Rua 24 de Maio, no centro de Manaus, para adquirir uma coxinha de galinha produzida pela família Cheng – pai, mãe, filho e filha -  desde as primeiras horas da manhã. Logo cedo, se comprava ainda quente, saindo do forno como se diz: depois, continuavam mornas porque ficavam em um recipiente aquecido por lâmpadas. Era tudo feito de macaxeira ralada manualmente!


Também na Rua 24 de Maio, funcionavam lado a lado, o Curso Pré-Vestibular Objetivo e a sede da Procuradoria Geral de Justiça (Ministério Público) Lotava de alunos, quando a Universidade do Amazonas divulgava o resultado do vestibular. O Curso Objetivo, um dos primeiros a existir em Manaus, promovia a festa dos aprovados e raspava a cabeça dos alunos que desejassem. Era um grande farra que eu, mais tarde, como jornalista, passei a escrever matérias. Até banda de música era contratada para alegrar a festa dos aprovados. Muita bebida era distribuída para quem desejasse. Era um acontecimento na cidade e o Objetivo pregava a relação dos aprovados na parede e fazia propaganda nos jornais dizendo que era o que mais aprovava!


Ah, que saudades sinto do procurador, Luis Verçosa, o ¨Lulu¨ para os mais íntimos como eu, de seu irmão, o desembargador Mário Verçosa, que foi presidente do TJ-Am. Ambos simples, sinceros e amigos. Recebiam-me a qualquer hora e prestavam as informações que buscava para JORNAL A NOTÍCIA, onde comecei a carreira de jornalista, aos 19 anos. Certa vez, cheguei a ser convidado para visitar a casa do desembargador Mário Verçosa, na Rua 24 de Maio, próximo a Avenida Getúlio Vargas, antiga, simples, com tinha uma biblioteca grande, cheia de livros diversos - os de direito eram a maioria. Fiquei encantado. Hoje a casa virou um hotel. Voltemos à crônica, antes que eu divague demais e canse os leitores com inúteis memórias de uma época que nunca mais será como fora no passado!


Junto com as coxinhas, um risoles, no Lanche Ziza's, localizado no térreo do Edifício Cidade de Manaus, adquiria milk sheik e os levava para os advogados Carlos Abner de Oliveira Rodrigues, com maior tempo de graduação,Guilherme Mendonça Granja, menos experiente, mas profissional dedicado, que mantinham escritório no segundo andar do Edifício e, algumas vezes, também os recém-formados João de Deus Gomes dos Anjos e Luiz Humberto Monteiro, quando chegavam de demoradas e exaustivas audiências no Fórum de Manaus. Eles estavam fazendo prática forense de dois anos para receberem a carteira da OAB. O Ziza´s também era o ponto de encontro dos alunos do pré-vestibular Objetivo, - mais tarde  foi o embrião da Faculdade Uninorte - junto com a cantina da família Cheng.


Luiz Humberto, entrou para a carreira policial e foi nomeado delegado. João de Deus continua na militância forense. Ainda temos contato de vez em quando, mas mudou muito. Eu era  office boy, (menino de escritório) dos advogados. Ninguém ouve mais falar em office boy porque a nova nomenclatura do Ministério do Trabalho, a fez desaparecer, como a muitas outras profissões dignas e honestas que existiam e empregavam os jovens que buscavam uma primeira atividade. Mas voltemos de novo à família Cheng! 


No final da década de 70/80, Manaus estava no auge do desenvolvimento comercial da Zona Franca, principalmente o comércio que vivia a forte febre de uma novidade que impressionava: os pesados, grandes e caros vídeos cassetes. Nesse período, as Ruas Marechal Deodoro, Theodureto Souto, Guilherme Moreira e Dr. Moreira, que formavam o quadrilátero comercial dessa época, se adquiria coxinhas de galinha de macaxeira em muitos comércios da Rua Marechal Deodoro, onde eu vendia jornais. Com a aquisição de três vídeos, que se podia tentar levar escondido da Receita Federal, uma se despachando como bagagem de mão e duas como contrabando mesmo! Chegando ao destino, se vendia por bom preço e, com isso, se podia cobrir despesas de passagens aéreas, hotel e ainda sobrava dinheiro para quem conseguisse passar. 


Mas se a pessoa não conseguisse sair do aeroporto de Manaus, era cana na certa. Muitos contrabandistas compravam cotas de bagagem, pagavam pequeno valor para quem se dispusesse a correr o risco de levar a encomenda, como chamavam os vídeos cassetes contrabandeados que revendiam e ainda pediam que em caso de interrogatório pelos fiscais, não revelasse o nome de ninguém porque a mercadoria seria retirada na chagada no aeroporto de destino por uma pessoa que davam o nome antecipadamente. O maior valor ficava com os contrabandistas.


Na Rua Marechal Deodoro também se poderia adquirir coxinhas de galinha. Se eram ou não fornecidas pela família Cheng não sei dizer, mas que eram iguais, ah, isso eram: tinha dentro carne e o próprio osso de galinha, acompanhado de macaxeira e de uma azeitona verde, marca registrada de todas as que adquirira para os advogados.

Dizem – mas também não sei garantir – que a família Chang acordava todos os dias de madrugada, ralava a macaxeira dentro de uma bacia e depois e  enrolava tudo e as vendia a partir das primeiras horas da manhã. Com isso, teriam colocado seus dois filhos na faculdade e custeado em todas suas despesas para cursarem nível superior, o filho médico ortopedista e a filha medicina, mas não sei em qual especialidade!


O exemplo da família Chang, com seu casal de filhos, ora ajudando-os no balcão fazendo vendas, ora ralando macaxeira para produzir coxinhas, risoles e outros produtos que fazia honestamente, mantinha um comércio na Rua 24 de Maio, em um grande terreno ao lado do Edifício Cidade de Manaus. No terreno desnivelado, a casa da família ficava nos fundos e era ligada ao comércio, por uma longa escada lateral. Dentre os fregueses cativos, lá estava eu para adquirir coxinhas e risoles para os advogados. 


Despertei e percebi que a coxinha de galinha que havia adquirido na Conde era crocante, com recheio cremoso, mas não chegava nem aos pés das que a família Chang produzia com muita dedicação e cuidado higienico, em uma época que não se falava muito sobre o assunto. Mas as que comia eram de  trigo e àquelas eram de macaxeira. Mesmo sem saber, talvez a família Chang, tenha sido a introdutora de todas as outras coxinhas vendidas hoje em muitos locais e que as pessoas as saboreiam como se fossem originais: as originais, eram as que a família Chang vendia. 


Pelo menos eram mais gostosas e saborosas porque eram feitas com macaxeira e não com trigo!

sábado, 8 de março de 2014

MINHA MULHER É ASSIM...


Para Yara Queiroz, minha esposa

Comentários no link do blog: http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2014/03/minha-mulher-e-assim.html

MINHA MULHER É ASSIM…
Para Yara Queiroz, minha esposa

Minha mulher assim: igual a todas as outras;
Mas diferente porque é minha mulher!
Eu amo com seu sorriso largo, a raiva explosiva, mas
colocando o amor sempre em primeiro lugar...
Minha mulher é assim: 
mãe, anjo que me socorre, guia de meus olhos, protetora em minhas muitas besteiras
 - igual a todas as outras que amam e são amadas;
Mas diferente de todas porque é minha mulher....
Defeitos viram virtudes
e se transformam em qualidades...
Minha mulher é assim: sensível que
chora com cena triste de novela,
ou quando relembra de seus pais falecidos,
(e diz que em minhas veias não corre sangue)
Mas tem um sorriso alegre que se expande 
Pelos corredores do ICHL 
e mais forte na Faculdade de Direito, onde se formou!
Minha mulher é assim:  
Notívaga, mereceu poema de Pojucan Bacellar 
 “MEU NOME É FIM DE SEMANA”!
Mas eu a amo em suas qualidades e defeitos, 
Afinal, ela é minha mulher!
E quem ama a mulher não consegue encontrar defeitos;
Todos se transformam em virtudes, 
qualidades e se fundem em um só: AMOR
Minha a mulher é assim:
- igual a todas as outras, mas diferente porque é só minha!

quinta-feira, 6 de março de 2014

"NOSSO POSTE DE LUZ"

Eis a primeira crônica que escrevo depois da pressão na cabeça muito forte que senti na segunda-feira. É um fato real que ocorreu e sempre rio pelo canto de minha boca ao relembrá-lo.


Para Jorge Lopes da Silva, meu amigo!

Ele chegou como quem chega do nada. Nada falou, nada perguntou, mas passou a se escorar em um canto, ocupando o poste de luz da antiga Companhia de Eletricidade de Manaus – CEM que, nos anos 70, era de “propriedade” de todos os adolescentes que corriam serelepes, sob a proteção da luz da lua e das estrelas que ainda se podiam avistar no céu, em brincadeiras de manja, barra-bandeira, trinta e um alerta e outras inventavam na hora, sem maldade. Tudo era muito inocente entre os adolescentes naquela época e eu sinto saudades da inocência infanto-juvenil da juventude!

Como testemunhas, a luz, as estrelas e a escuridão da noite de uma lâmpada pública pendurada no alto do poste, mas que pouco adiantava porque clareava pouco. Essa era a principal razão de o rapaz procurar ficar sempre naquele local meio escuro, protegido pelo manto sagrado da escuridão. Jorge Lopes da Silva, que se tivesse nascido em outra época poderia ser hoje o orgulho futebolístico do bairro da Betânia, por ter sido na infância e adolescência, um boleiro fantástico durante o dia, mas se transformava em uma espécie de organizador das brincadeiras noturnas também, sob a luz pálida da rua ou sobre a lua preguiçosa que teimava em embalar os sonhos infantis dos que sonhavam, como eu.  O Jorge não sonhou, não lutou, pouco estudou, casou cedo, constituiu família e hoje é um agente de portaria em uma fábrica do Distrito Industrial; mas é meu amigo.

O  rapaz elegante, bem vestido, cheirando a perfume de lavanda barata, com roupa de seda,  estava lá, grudado em “nosso” poste! Como tirá-lo de lá? Todos querendo brincar sob o manto sagrado da noite e o rapaz elegante lá, fumando um cigarro atrás do outro, esperando a namorada chegar. E como ela demorava.  Devia residir longe, coitada, porque ninguém da rua a conhecia! E olhem que conhecíamos muita gente na avenida Adalberto Valle, onde a maioria morava ou moravam por perto.

- Vamos espantá-lo, sugeriu um.

- Vamos passar tinha vermelha no poste! – sugeriu outro.

- Não. Vamos fazer melhor do que isso – disse o Jorge Lopes, se dirigindo com passos curtos e apressados até seu quintal, onde pegou uma vara comprida, amarrara na ponta um pano o embebedara de fezes de seu sanitário cavado no quintal, como eram os de quase todos, empurrara a vara até ao fundo de seu sanitário e voltara com um sorriso malicioso.

- O que você pretende fazer com isso, Jorge?  Perguntei quando o vi chegando com a vara na mão, com um chumaço em uma ponta. Mas eu não sabia que tinha vezes!

- Calma você já vai ver!

O Jorge era um rapaz forte, entroncado e, valendo-se de seu porte físico contra um franzino, esguio, tipo “engomadinho”, começou uma discussão com o rapaz que continuava escorado em “nosso” poste da CEM.

- Vem, vem, dizia o Jorge e empurrando e puxando a vara no rumo do rapaz desconhecido, com roupa de seda branca, sapato branco e preto, com salto elevado, tipo cavalo de aço, que era moda na década de 70, calça boca de sino, relógio no pulso e cordão no pescoço. Ele não se mexia!

- Sai daqui, moleque, não quero brigar com você, só estou aqui esperando minha namorada chegar! – respondeu o desafiado.

- Vem, vem me enfrentar se você é homem! – continuou o Jorge e empurrando a vara na mão, sempre empurrando-a e a puxando rumo ao rapaz que não se mexia do lugar, calmo como uma pedra!


O desconhecido fez um movimento de que iria aceitar a provocação e o Jorge Lopes empurrou a vara com o pano na ponta. O desconhecido a segurou e o Jorge puxou de volta, deixando, o chumaço embebedado na mão do rapaz. Ele fiara todo lambuzado de fezes e todos correram rindo do resultado alcançado! Mas, nunca mais, o desconhecido voltou a ocupar “nosso poste de luz”. E todas as brincadeiras recomeçaram!