segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O MODELO PRISIONAL DO BRASIL MORREU!



O modelo penal faleceu junto com as rebeliões nas prisões do Brasil, foi decapitado, está sendo velado e espera o momento certo para ser sepultado e renascer das cinzas como o pássaro mitológico grego Fénix,  talvez com penas sociais para tratamento contra as drogas dentro das cadeias, por pelo menos três anos. 

Se o novo modelo prisional do Brasil, comtemplar penas para tratamento, talvez seja possível que o Plano Nacional de Segurança Pública consiga cumprir sua ambiciosa meta de reduzir em 15% a população carcerária do país até 2018. Caso contrário, só vai conseguir colocar para fora do sistema, através de mutirões carcerários, os presos com menor potencial ofensivo. Com o tempo e o esquecimento das chacinas, o retorno da e a corrupção, tudo voltará a ser como está sendo: completo caos. Hoje, poucos são os detentos que não fazem uso de drogas nas prisões. Devido a isso,  o Brasil se dividiu ao meio: as facções que mandam e o Estado nacional que obedece sem reclamar nada, como se fosse algo normal!

Implantado pelo Decreto-Lei 2.848 de 7 de dezembro de 1940, com mudanças pontuais registradas em 1951/71 duas vezes em 73/76/77/78/79/86 e 92, com a Lei 8.176, o Código Penal do Brasil, nunca sofreu uma mudança radical em seu modelo. Instituída pela Lei 7.210/94, alterada depois pelas leis 6.049/2007 e 7.627/2011, a Lei de Execuções Penais nunca fez cumprir o princípio da execução da pena de ...”proporcionar  condições para a harmônica integração social do condenado e do internado”. Vários motivos, razões e causas se somam para não cumprimento do artigo 1º da Lei de Execuções Penais. Hoje, é tudo junto e misturado. Não existe espaço e nem vontade política do Estado Nacional em fazer a separação do preso provisório ao do condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, “quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária”. A justiça militar tem suas próprias normas, regras e presídios. A Justiça Eleitoral, não os possui, talvez porque quase sempre não existam presos por desvios administrativos eleitorais e os advogados conseguem transferi-los para as prisões militares.

Em meio a todo o caos, assisti a entrevista do condenado Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”, declarando ao jornalista Roberto Cabrini que existe muita corrupção dentro da PM e não há quem resista a uma oferta de 30 mil reais em dinheiro que ele oferecia aos PMs que o protegiam. Declarou também que se existisse no meio deles algum PM honesto, ele seria executado pelos outros companheiros de farda, com o tiro no meio da cabeça. Dentre as várias outras carreiras de Estado pessimamente remuneradas, a do policial militar ou civil é uma das mais arriscadas: ele troca tiros com bandidos. Contudo,  se mata um bandido. é punido severamente e se morre em troca de tiros, ganha  uma promoção e é enterrado com honras militares. Depois é esquecido.


Segundo denunciou uma esposa de um dos condenados mortos na rebelião do Companj, na Humanizzari, também existiria uma tabela de preços para a entrada de celulares às armas de grosso calibre. Sendo verdade ou não, a denúncia precisa se apurada porque a conivência entre corrupção de empresas privadas e Estado é extremamente danosa  à sociedade como um todo.

sábado, 7 de janeiro de 2017

O TEMPO DESAPARECE! (A CARLOS COSTA FILHO)


Envelheci 19 anos ao lado do meu filho, mas o tempo deixa de existir quando se vive nele e em função de um filho. Mas tudo ocorreu há  19 anos  e tudo parece que foi ontem.

Lembro-me do nosso filho nascendo todo roxo, enrolado no pescoço pelo cordão umbilical e sua mãe Yara Queiroz recuperando-se da anestesia, perguntando-me através de um se bilhete se era lindo e eu respondendo que sim, masque estava um pouco roxo e inchado. Você veio ao mundo pelas mãos do médico Gerson Mourão. Ficamos felizes, mais sua mãe do que eu, ao saber de seu sexo no exame de ultrassom. Desejava uma menina, mas a sua mãe queria um homem. A Yara já tinha uma filha mulher, a hoje psicóloga e cantora Bella Queiroz.

Depois, lembro-me de um enfermeiro dando-lhe mamadeira com o leite de peito.  Na saída do Hospital da Unimed, foi consagrado ao Divino Espírito Santo pela avó Maria Luiza de Souza Queiroz. Ah, que saudades do seu sorriso inocente nos acordando com palmas, sorrisos e música produzida por  brinquedos de cordas  colocados sobre o berço pela sua babá Miraceli Ferreira, que você as puxava com alegria. Ah, como queria que o tempo voltasse só vê-lo criança de novo, acompanhar melhor e mais presente todo seu desenvolvimento. O tempo passa rápido, mas as lembranças ficaram e as guardo em um computador danificado por onze cirurgias no cérebro desde 2006, vítima de empiema cerebral, de origem até hoje desconhecida. O tempo passou para você, Carlos Costa Filho! Contudo, tudo parece que ocorreu ontem e não há 19 anos! Incrível, como as recordações felizes não me abandonam.

É meu filho, queria que você voltasse a ser criança de novo, queria lhe dar mamadeira no colo de novo e queria ver sua avó o consagrando ao Espírito Santo. Queria ver a Mira lhe tirando nervosa da boca da cachorra ou você levando o dedinho rumo à tomada de luz e ela dizendo-lhe que era perigiso. Do seu primeiro ano de vida, também guardo lembranças gostosas: contratamos um clube na Vila Municipal e você estava tão feliz, sorrindo com e para todos os convidados adultos, mas brincando com os filhos deles em um parquinho de diversão. É uma pena que não se lembre de nada disso. Mas ainda estou vivo para fazer-lhe lembrar do que acho que seja importante. Contudo, o que pode ser importante para mim, pode não ser para você, mas um dia será! Você será um adulto também e  se derreterá de alegria e felicidade pelo seu filho que ainda vai nascer, meu neto ou neta, não sei. Não tive a mesma sorte de ter um pai que me fizesse lembrar que nasci nu, pobre e que o estudo e o trabalho de criança infantil me fezeram diferente, responsável e equilibrado.


Hoje, reconstruo os restos da vida que me deixaram para viver, juntando-a com a sua e fazendo uma nova vida junto com sua mãe, Yara Queiroz!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

"ACIDENTE PAVOROSO" OU VERGONHOSO?


Como se fosse uma cobra que depois que comer, hiberna digerindo corpos decapitados com  sangue dos cadáveres do Sistema Prisional Anísio Jobim, de Manaus, o presidente da República, Michel Temer reuniu seus ministros da área de segurança, antecipou o lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública, que tem a ambição de reduzir em 15% da população carcerária do país até 2018, se solidarizou com as famílias das vítimas e classificou de  “acidente pavoroso” o que ocorrera em Manaus. Será que teria sido isso mesmo o que ocorrera ou fora uma tragédia anunciada e sabida por muitos? Sendo uma coisa ou outra, finalmente foram liberados recursos acumulados por 17 anos no Fundo Penitenciário do Brasil para a construção de novos presídios, compra e instalação de aparelhos de Raio X, detectores de metais e outros investimentos necessários à modernização deles, hoje verdadeiros depósitos de seres humanos! Alexandre de Morais, Ministro da Justiça, ao detalhar o a Plano deveria ter anunciado também um Plano Nacional para Tratamento de Dependência Química dos Presos! A quem interessaria mantê-los enjaulados  nas cadeias, sem qualquer tratamento?


Depois da repercussão negativa da classificação que atribuíra à chacina, o presidente explicou a declaração, mas continuou sendo criticado pelas redes sociais. O chefe da nação demorara a se manifestar sobre a tragédia e quando o fez, ainda classificou de mero acidente, como se fosse uma coisa normal!!! O que houve foi perda de vidas humanas, “tragédia  documentada e já do conhecimento das autoridades, desastre  com a quebra muro para introdução de armas de grosso calibre em seu interior, desgraça pelos corpos  decapitados e fatalidade pelo resultado final alcançado. Outros “acidentes pavorosos” já tinham ocorrido antes pelo país, nas Penitenciárias de “Pedrinhas”, do Maranhão e em “Urso Branco”, Roraima. Talvez, todos os “acidentes” pudessem ter sido evitados com liberação mais rápida de recursos do Fundo de Segurança Pública do Brasil, inclusive a última ocorrida na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, em Roraima como se fosse uma retaliação pela matança em Manaus, o que a governadora Tereza Surita ainda não confirma e nem desmente! Manaus, depois da fuga de presos, ficou mais violenta!

O caos no sistema prisional do país é resultado da somatória de muitos interesses políticos, superfaturamentos de contratos e outros problemas correlatos que cegaram as autoridades de fiscalização do dinheiro público, que deveriam ter detectado tudo, principalmente no caso de Manaus, pois o contrato com a empresa Humanizzare  tornou os detentos do Amazonas os mais caros do Brasil. Contudo, só agora, os órgãos de fiscalização do Estado,  exigem o fim do contrato de 17 anos, com a empresa. É claro que os atores dos aparelhos de fiscalização do Estado, principalmente os que deveriam trabalhar para evitar esses fatos na área da caótica segurança pública, erraram! Como se escuta falar muito no Brasil: “o brasileiro só fecha a porta depois de ter sido arrombada”.  Ministros vieram a Manaus. Ocorreu a antecipação de decisões que seriam tomadas mais tarde e o infeliz pronunciamento do presidente da República. Agora,  encontrar um único culpado para o caos da segurança pública como um todo, será quase impossível É melhor prenderem o próprio sistema prisional do Brasil- SPB e o condenarem a cumprir a pena máxima permitida  de 30 anos, não lhe oferecendo tratamento para livrá-lo da dependência química, o deixando criar  regras para impô-las nas cadeias, determinando as vontades, criando facções criminosas e não lhes liberando recursos para comprar aparelhos de raios X, detectores de metais ou assumindo suas responsabilidades e o receberá depois graduado, mestrado e, talvez, até doutorado em novas modalidades de crime, sem qualquer recuperação social!


Será igual ao que declarou recentemente a ex-presidente Dilma Rousseff, “ninguém vai ganhar ou perder, todos vão ganhar e perder” com as tragédias anunciadas que continuam ocorrendo nas penitenciárias do Brasil, comandada pelas facções criminosas e aceitas passivamente pelo Estado brasileiro. Deus não desejará que outras tragédias anunciadas se registrem nas prisões do Brasil. Elas poderão ser  classificadas só como mais  um “acidente pavoroso”!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

BOLA DE SANGUE...!


Enquanto bolas de sangue da chacina ocorrida em Manaus, continuam sendo arremessadas por sobre a rede de voley ou levadas de mão em mão rumo à cesta para fazer mais um ponto de basquete pela incompetência de todos, as autoridades públicas procuram e culpar uma única pessoa matança com tiros e decapitação de corpos na penitenciária do Sistema Prisional Anísio Jobim, em Manaus – Compaj.  

Sim, a chacina precisa ser apurada ouvindo todos os atores envolvidos,  Porém, todos são culpados e inocentes ao mesmo tempo. O problema é mais grave do parece ser. Uma parte dele pode ser atribuída a falta de liberação dos bilhões de reais acumulados no Fundo Penitenciário Nacional, que só agora  começarão a liberar, mas querem encontrar um único culpado para assumir toda a responsabilidade coletiva da falência do sistema! A bola da vez está sendo a empresa Humanizzare, que mantém um contrato milionário com o Governo do Estado, tem culpa pela chacina.  Mas a maior culpa reside, principalmente, no modelo falido de ressocialização de detentos que existe no Brasil, sem uma política realmente de recuperação e tratamento contra a dependência química dos presos.  Dos anos de pena a cumprir, pelo menos três deles poderiam ser destinados à tratamento químico, oferecido pelo Estado..

Também enquanto isso, dois periquitos retornam diariamente desde o dia 31, para comer uvas no pátio da área técnica do apartamento do primeiro andar do Condomínio Mundi, onde resido.  Estressados e com o coração batendo  forte, salvei  cinco da morte por atropelamento. Eles caíram das árvores em que dormiam, assustados com barulho dos  fogos de artifício que estouravam nos céus. Ajudado por amigos, dei-lhes água e os soltei. A natureza, dita irracional, agradece o que se faz por ela. Os humanos, racionais, procuram sempre culpar alguém pela incompetência coletiva.  O ano novo foi recebido com euforia e com os velhos e insolúveis problemas nas Penitenciárias do Brasil, verdadeiros depósitos de seres humanos.

Dois periquitos salvos por mim e os amigos que estavam passando o ano no apartamento, quando lhes dava água direto da torneira sangravam pelo bico e os colocava na fruteira para descansar.   Depois os cinco voaram para a árvore, dois passaram a retornar todos os dias, desfilando garbosamente suas belezas inocentes. Comem e voam para árvore e depois retornam de novo e dou-lhe mais uvas e água. Não tenho certeza, mas suponho que sejam dois que estavam sangravam.  Tenho certeza, porém, que continuam livres e soltos, retornando a árvore quando querem e vindo comer uvas a hora que desejam. Deixei também uma vasilha com água para tomarem quando quiserem, mas nunca os vi bebendo nada! Comendo uvas, já os vi diversas vezes.

Voltando à questão prisional no Brasil, espanta-me saber que enquanto as autoridades arremessam as bolas de vôlei e basquete procurando encontrar um único culpado, Fundo Penitenciário do Brasil possui bilhões em caixa e não os libera para os Estados. Depois da carnificina em Manaus, os recursos existentes serão liberados para à aquisição de aparelhos de raio X, detectores de metais  e outras necessidades estruturais. Mas por que só estão liberando agora e não antes, quando poderiam ter evitado as revoltas nas Penitenciárias de Urso Branco, em Porto Velho e Pedrinhas, no Maranhão? Se não entrar celular e com bloqueios a acesso as redes sociais, os detentos membros das facções criminosas que dominam as prisões do Brasil, não terão a divulgar nenhuma foto de festa, mostrar armas e facões e nem desfilarão de um lado para o outro ligando para todos como se fossem seus escritórios do crime! Os servidores das penitenciárias que também fazem uso de celular durante seus trabalhos, no início também serão prejudicados, mas depois. Poderá haverá protestos, mas  será solucionado com o tempo e passará a ser normal o bloqueio inclusive dos aparelhos dos servidores.

O que não pode e não deve continuar acontecendo é a facção criminosa escolher e indicar diretores de presídios, os governadores os nomearem e acharque tudo esteja resolvido. Essa hipocrisia de mentiras e meias verdades precisa ter um fim, antes que todas as prisões brasileiras recepcionem políticos condenados por envolvimento em Caixa 2,  desvios de recursos públicos licitações dirigidas, obras que começam e nunca terminam e desvios de dinheiro do FUNDEB- Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e da Petrobrás, via contrato com a Odebrechet e outras construtoras envolvidas.

Aí seria o fim da picada!




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

DEZ ANOS...! (aos os médicos que me mantém vivo e produtivo até hoje)


Dez anos já passaram...E como diz a música “Diez Anos”, composta por Rafael Hernendez e gravada no Brasil por Gal Costa, com o título “Dez Anos”,  em uma versão em português de Lourival Faissal. Dez anos já se passaram desde quando procurei o Dr. Dante pela primeira vez em março de 2006. Estava fraco, quase sem poder andar, com uma cor amarela na pele e uma fístula aberta na cabeça, resultado das duas primeiras cirurgias realizadas uma depois da outra, em um prazo de 20 dias pelo Dr. José Vieira. Das onze a que já fui submetido até hoje, duas ocorreram na Beneficência Portuguesa, em SP. As outras 9 foram realizadas pelo senhor, todas em Manaus.  Ele disse que teria que ser reinternado imediatamente para  uma terceira cirurgia de urgência. Meu caso era grave! Fiquei em coma por dez dias e pensei que tivesse sido apenas um. Dr. Dante Luis Garcia Rivera, peruano de nascimento, mas brasileiro e amazonense de coração, o senhor lembra que tentou retirar as bactérias de minha cabeça, na terceira cirurgia que era submetido e a primeira que fez em mim? Foi em uma cirurgia de várias horas e entrei em coma por dez dias e pensei que tivesse sido apenas um. Na Faculdade em que lecionava, disseram que tinha morrido. O senhor comandava uma equipe de  vários médicos. O mais constante e que participou da delicada cirurgia, foi o Dr. Carneiro, “Carneirinho”, porque era baixo, entroncado, sorridente e parecia feliz. Ele me visitava quase todos  para saber como eu estava. Sei que tiveram outros, cujos nomes não os decorei, mas a todos lhes sou grato, igualmente.


Com receita do médico José Vieira, fiquei três dias em casa tomando remédios e encharcando travesseiros e lençóis durante o sono. Não parava de sair líquido amarelo pela fístula aberta, da qual havia espirrado o mesmo líquido no dia em que o médico assinou minha alta, depois de uma segunda cirurgia  da cabeça no hospital Prontocord, onde fui infectado por bactérias hospitalares, só descoberto na terceira cirurgia, no Hospital Santa Julia. Travesseiros e colchas ficavam com uma cor amarela e fedia muito. Minutos antes de receber alta médica, o amigo Reginaldo Murilo que me visitava dia sim e no outro também, socorreu minha esposa Yara Queiroz. Tudo aconteceu minutos antes de o médico me conceder alta hospitalar.  Na primeira consulta, enquanto o Dr. Dante, o novo médico que preenchia a guia verde da Unimed e a entregava a minha esposa, fiquei pensando se teria que passar por tudo de novo: internação demorada. Teria que passar por tudo de novo? Se  era para melhorar,  resignei-me, principalmente porque  senhor  me inspirou confiança ao abrir seu computador pessoal e me mostrado  tudo o que  desejava saber sobre minha doença que ainda hoje me intriga não saber a origem dela, ao contrário do médico José Vieira que me operou duas  vezes.  Sempre que me visitava no leito, lhe informava sentia líquido na cabeça, como se tivesse um mar dentro dela.  Tranquilo e calmo, dizia que era impressão minha, que seria ar que ficara dentro dela depois da cirurgia e  que pararia com os remédios que passara. Não passou! Um dia, puxei seu estetoscópio do pescoço, coloquei na minha e balance a cabeça. Ao escutar o barulho do “mar”, mandou que parasse e decidiu operar-me de novo, para retirada do resto do líquido.


Da primeira vez que estive em seu consultório até hoje, já envelhecemos dez anos, mas não sentimos! O tempo é invisível e só causa  lerdeza no corpo. Também não atinge igualmente a todos.  “O senhor leu o resultado de uma pesquisa que levou 80 anos para ser concluída, respondendo a pergunta de psicólogos: PARA VOCÊ, O QUE É FELICIDADE?”  perguntou-me o Dr. Dante, quando recebeu-me para uma nova avaliação clínica! “Não”, respondi. “Dinheiro e fama” foram às primeiras respostas à pergunta dos psicólogos. O resultado final da pesquisa conduzida por profissionais de psicologia por seus filhos, netos e outros profissionais que decidiram continuar com a ambiciosa pesquisa. Surpreendeu e mostrou que em cada geração, o conceito muda muito e a conclusão à pergunta inicial, foi: ter amigos, frequentar igrejas e ter família sólida e estruturada!



Dr. Dante, depois de dez anos vendo seu rosto sorridente, conhecendo meu cérebro mais do que eu próprio, ouvindo os problemas de saúde que lhe conto, pedindo-me novos exames de controle e entregando-me receitas de remédios que passei a tomar para manter-me vivo e produtivo, sou obrigado a concordar com o senhor, Dr. Dante! Amigos virtuais os tenho muitos;  presenciais e constantes, conto nos dedos das mãos e ainda me sobram dedos para ter novos amigos!  “Tenho família sólida,  poucos amigos com os quais convido e frequento igreja com a família” Contudo, sinto-me feliz escrevendo, mesmo não ganhando dinheiro com o que faço e nunca ter recebido dinheiro com as obras já publicadas. Doava à instituições filantrópicas,   os 10% do direito de capa que recebia pelas suas vendas!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O "CONTRATO SOCIAL" FOI RASGADO!


A rebelião ocorrida no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e em outras falidas prisões de todo o Brasil, revela que o Contrato Social firmado pela sociedade no século XIX, permitindo a transição da época da barbárie para o Estado de Bem Estar Social, foi rasgado pela incompetência dos aparelhos de segurança dos Estados, por diversas causas, razões e motivos.

A ordem dada pela inexistente facção Família do Norte para a reabertura da centenária e desativada cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa, para receber presos da facção rival e aceita pelo Governo do Amazonas, além de demonstrar fragilidade do Estado, também é uma prova de que há problemas no Estado  de Bem Estar Social, além de ele  estar contaminado pelas facções criminosas. Respeitar os Direitos Humanos é preciso, mas a FDN,  se é que existe, luta pelo  comando e controle  da venda de drogas. A imposição, jamais poderia ter sido aceita pelo Governo do Estado. Elas, a FDN e o PCC, são duas facções criminosas,  organizadas com estatuto, porta voz e acesso livre às redes sociais. Contudo,  conseguem ter mais força e poder do que o Estado de Bem Estar Social. É um mistério social que precisa ser estudado em todos seus aspectos. Essa relação misteriosa e pecaminosa entre o crime e o Estado, afeta diretamente a outros complexos interesses sociais e gera a instabilidade social, moral e psicológica do junto da população. Nesse meio de campo, as redes sociais voltam a atacar o governador José Melo, o acusado de ter recebido apoio financeiro e logístico das duas facções durante a campanha de reeleição.  Verdade ou não, isso é um assunto para a Justiça investigar e resolver.

Contudo, diante da imposição da tal de FDN ao Governo do Estado determinando a reabertura da desativada e centenária  prisão,  o “casarão da avenida 7 de setembro”  voltará a funcionar só  para separar as presos das facções. A aceitação pelos Aparelhos de Estado da Segurança Pública, dessa imposição dos criminosos condenados  permitirá que a sociedade coletiva também volte a fazer justiça pelas próprias mãos e tire do Estado à competência única para fazê-lo em seu nome. Com isso, a sociedade poderá voltar a agir como se vivesse de novo,  no século XIX, na época da barbárie, julgando e matando a qualquer um,  sem receber punição do Estado!!

Ah, como sinto que saudades de Henrique Medina, diretor da única penitenciária que existia em Manaus na década de 80. Lá, pelo menos, existia e funcionava biblioteca para presos, eram realizados casamentos e de lá também saiu Wilton Sampaio,  um dos frequentadores mais assíduos da Biblioteca que funciona na parte superior da frente do presídio, o único de Manaus. Wilton Sampaio, já advogado, foi assassinado por outro advogado, filho de um juiz. Ele era um profundo conhecedor de direito e processava advogados, juízes e desembargadores por motivos que justificava nas petições, junto ao então Conselho Nacional da Magistratura. O baixo e entroncado advogado, também era o pavor dos aplicadores do Direito!


Na década de 80, Wilton Sampaio cumpria  pena por crime de estelionato. Hoje, cheque ou dinheiro são coisas raríssimas de se ver na carteira de alguém. É tudo no cartão de crédito! 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

MENTIRAS E VERDADES NA REBELIÃO NO COMPAJ!


Mentiras e verdades existem e precisam ser ditas no caso da decapitação de presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus,  no primeiro dia do ano novo, manchando de sangue as mãos das autoridades prisionais. A primeira e grande verdade são as mortes dos presos. Também, é a certeza de que não há controle de entrada de armas ou detectores de metais para proibir aparelhos de celulares dentro das cadeias!. Se houvesse e fosse eficiente, como revolveres e facas teriam entrado no sistema prisional e usadas na decapitação dos corpos dos presos mortos com tiros? Como teriam batido selfs com armas de grosso calibre e divulgadas em redes sociais. A verdade é que não existe qualquer controle de armas ou vistoria em celas com detectores de metais.

Também desconheço a instalação de  bloqueadores de celulares nas prisões do Amazonas ou do Brasil. No primeiro dia do ano passado na Penitenciária de Pedrinhas, no Estado do Maranhão, ocorreu chacina semelhante, também com muitas mortes e decapitações de presos sob custódia do Estado. Como isso pode ocorrer se não for pela incompetência de quem deveria gerir a vida dos presos e devolvê-los totalmente  à sociedade, com educação e totalmente prontos para enfrentar os desafios de viver fora da prisão?  Na maioria dos Estados, presos escolhem e indicam diretores de prisões e os governadores os nomeiam. Depois impõe o que desejam e os recebem em forma de regalias!.

Em Manaus, detentos tiraram fotos e postaram em redes sociais  propagando as barbaridades que fazem com seres humanos! Como conseguem fazer isso? Essa é outra verdade: fazem porque nada existe para bloquear sinais de aparelhos celulares. Os presos também fazem divulgação de selfs empunhando  armas de grosso calibre, afrontando e desafiando as autoridades penitenciárias do Brasil e do Amazonas também.  O pior de tudo, ainda, é que são repercutidas pelas redes sociais, em nome de uma liberdade de expressão irresponsável. Uma coisa é fazer jornalismo sensacionalista; outra, diferente, é promover apologia ao crime pelas redes sociais, divulgando ameaças  em nome de uma suposta facção FAMÍLIA DO NORTE, que não existe. Como pode?

Essa suposta facção FDN foi o título da matéria escrita na década de 80, pelo repórter policial investigativo e ex-deputado estadual  por 4 mandatos consecutivos, já falecido, Wallace Souza, publicada  no Diário do Amazonas. Como envolvia crimes   em série e quase todos insolúveis até hoje,  de grande repercussão em Manaus, titulei a matéria como FAMÍLIA DO NORTE IMPÕE TERROR EM MANAUS. O texto da matéria envolvia policiais civis, militares e empresários que financiavam pistoleiros de outros Estados para promover terror em Manaus.  Depois retornavam tranquilamente para seus Estados, como se nada tivessem cometido em Manaus. Essa é a verdade sobre a facção FAMILIA DO NORTE, que teria dominado os presídios em Manaus, criado estatuto, nomeado líderes, indicado porta voz de suas ousadas ações.

Contudo, FAMÍLIA DO NORTE também pode ser a incompetência das autoridades que cuidam da administração penitenciária no Amazonas, envolvendo todos os atores, que sabem de tudo há muito tempo e nada fazem para retomar o controle das prisões falidas e superlotadas de detentos.