sexta-feira, 20 de maio de 2011

O DIA DO ASSISTENTE SOCIAL


Iniciarei a crônica para falar da “Semana do Assistente Social”, culminada ontem com uma honrosa sessão na Assembléia Legislativa do Estado proposta pelos deputados Luiz Castro (PPS) e Sinésio Campos (PT). No dia 15 de maio, comemorou-se em todo o Brasil, o Dia do Assistente Social, profissão regulamentada há mais de 70 anos.
Como cheguei mais cedo à ALE,  deu tempo para ouvir o fantástico e brilhante discurso da deputada estadual Conceição Sampaio, falando sobre o tema  “Assistente Social” e comentando a passeata promovida pela primeira dama do Estado, Nejimi Azize, com a presença da atriz global Suzana Vieira, em favor da não violência e exploração  sexual de crianças e adolescentes.
Concluindo o discurso, a deputada Conceição Sampaio exaltou a primeira dama do Estado e disse que ela está mostrando para que veio!
Mas, e o que dizer da então primeira dama do já falecido Governador do Estado, Amine Dou Lindoso  que criou e presidiu a Central de Voluntários do Amazonas; que ajudou a implantar a Polícia Feminina, projeto de autoria do então deputado estadual Átila Lins, que tinha uma outra finalidade que não a de hoje?
Tudo bem que a primeira dama Nejimi Azize está fazendo uma cruzada contra os crimes sexuais contra crianças, mas jamais haverá outra mulher guerreira como Amine Dou Lindoso que, mesmo com problemas de saúde,  comparecia e despachava todos os dias na Central de Voluntários do Amazonas, tendo que subir e descer todas aquelas escadas.
Foi ela quem tirou hansenianos das ruas, colocou-os na Colônia Antônio Aleixo; implantou o pagamento de um salário mínimo para que eles não voltassem às ruas; criou as fábricas de tijolos, a “horta comunitária”; desmistificou os hansenianos do preconceito que sofriam e proporcionou-lhes dignidade para quem que antes se sentia excluído da sociedade. Também contratou muitas assistentes sociais!
Embora não fosse Assistente Social, Amine Daou Lindoso, fez muitas intervenções benéficas em favor dos mais necessitados, como deve ser um verdadeiro Assistente Social. Criou e implantou uma Cooperativa para administrar e gerir os recursos com o trabalho em vendas de hortaliças e tijolos por eles mesmos conseguidos!
Ela não fazia “assistencialismo” social; mas Assistência Social, promovendo rifas, bingos etc. revertendo tudo aos hansenianos. Uma pena que nem ela e nem o seu marido, um grande governador, embora omisso em algumas questões mais com visões para outras que ultrapassavam o seu tempo, como a interiorização do modelo ZFM, não foram reconhecidos! Era o período do governador nomeado! Talvez seja por isso!
Desculpe-me, tinha dito que falaria apenas do Dia do Assistente Social e da solenidade ocorrida no auditório da ALE, mas findei falando de outros assuntos, também importantes para o resgate da nossa história recente.
Voltemos ao tema original da crônica!
Quando a presidente do CRESS, Elizabeth Modernel, falou que, embora sancionada no ano passado a Lei que estabelecia 30 horas de trabalho para o Assistente Social, sem redução de salário e mencionou que estava tendo muitas dificuldades em fazer cumprir a Lei, “principalmente nos órgãos públicos”, a Assistente Social Graça Prola, à mesa, representando a Secretaria de Assistência Social, respondeu: “tivemos que fazer um esforço danado, mas já estamos cumprindo a lei”. Tudo em paz!
Em seguida o representante da Câmara Municipal de Manaus,  disse que iria fazer uma recomendação ao Prefeito para que a lei também fosse cumprida em todos os órgãos municipais. Foi aplaudido pelos presentes.
De tudo o que vi, presenciei e confirmei, um documento xerocopiado distribuído pelo deputado Luiz Castro, dizendo apenas “Sim” e “Não” me chamou à atenção: Digo “Sim” ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração de Crianças e Adolescentes; Digo “Sim” ao Dia Nacional de Luta Antimanicomial e em favor da Saúde Mental, iniciados no Estado pela enfermeira Margarida Campos e pelo médico psiquiatra, Rogélio Casado, mas digo “Não” à falta de empenho dos governantes em efetuar a chamada Reforma Psiquiátrica, que se arrasta  desde os anos 80!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

''MORTÔMETRO": UM CONTADOR DE MORTES!


“O De­tran/Am in­au­gurou, um totem eletrônico que exibe a con­tagem de ví­timas fa­tais em aci­dentes de trân­sito em o todo país, inssta­lado no en­tron­ca­mento das avenidas Torquato Ta­pajós e Se­nador Raimundo Par­ente.
No painel são at­u­al­izados, a cada de 15 min­utos com dados na­cionais do Min­istério da Saúde, ref­er­entes aos falec­i­mentos e in­ter­nações de ví­timas.
A me­dida, ide­al­izada pelo movi­mento “Chega de Aci­dentes”  e pre­sente em mais sete cap­i­tais e in­tegrantes das ações da Dé­cada Mundial de Ações de Se­gu­rança no Trân­sito, cujo ob­je­tivo é re­duzir à metade o número de vidas per­didas no trân­sito em 160 países até o ano de 2020”. (WWW.Blog da Floresta). Será que vai alcançar essa meta mesmo em 2020, já que a frota de automóveis nas ruas só aumenta? Naturalmente, a tendência das estatísticas de mortes no trânsito têm que aumentar também. Ou estou errado?
O “Mortômetro”, melhor definição que encontrei para defini-lo - seguindo a mesma linha do “Impostômetro”, instalado na cidade de São Paulo, para contar o quanto os brasileiros pagam diariamente em impostos para o Governo Federal - é, em princípio, uma idéia muito boa, mas não vai resolver nada!
Se­gundo as palavras da diretora do Detran/Am, Mônica Melo,   o “Mortômetro” vai pelo menos tentar  sen­si­bi­lizar os usuários das vias quanto à  correta, respeitosa e civilizada utilização  de uso do automóvel.
Ou pode acontecer exatamente ao contrário do que o Detran pretende porque ou a pessoa dirige e presta atenção ao que está acontecendo no trânsito, ou comete mais um acidente quando vai ler  as informações contidas no painel e fará parte, como sujeito, nas estatística de mortes, também!
Isso em nada melhora ou contribui quanto às pessoas que bebem e dirigem, não usam cinto de segurança, mudam de faixa sem acionar a seta para indicar a nova mão que vão tomar, e outros barbarismos que acontecem todos os dias no trânsito. Isso é que precisa ser combatido com firmeza!
Os acidentes sempre ocasionarão sérios traumas emocionais, físicos e psicológicos às vítimas dos maníacos do trânsito, que  transformam seus carros em armas letais quando dirigem de forma irresponsável!
E depois entram e saem pela porta da frente das Delegacias como se nada houvesse ocorrido dando uma idéia de impunidade à sociedade, porque como diz a Constituição, “ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo”, se submetendo ao teste do bafômetro! Muitos, embora visivelmente bêbados, dizem que estão  bons e o policial de qualquer natureza no máximo pode informar na multa que ele apresentava “visíveis sintomas de embriaguês alcoólica” e nada mais.
Embora o policial tenha fé pública, só isso só não basta! È a palavra do policial contra a palavra do infrator e, no final, o infrator sempre leva a melhor!
At­ual­mente, se­gundo a di­re­tora-pres­i­dente do De­tran-AM, o Ama­zonas reg­istra a média anual de 300 mortes  no trân­sito e, nos primeiros quatro meses deste ano, já foram con­tabi­lizadas 100 fa­tal­i­dades em todo o Es­tado. Desse quan­ti­ta­tivo, 97 acon­te­ceram so­mente em Manaus.
Mas o que tem a ver o “Mortômetro” inaugurado por ela, com a falta de mais investimentos em educação no trânsito? Tudo! O Detran/Am tem uma Escola de Trânsito!
Não seria melhor investir em educação? Educando as crianças, estas cobrarão mais atenção aos seus pais, enquanto dirigem. O Detran faz isso, mas de forma tímida e não atinge aos objetivos que precisa atingir.
Para compensar o trabalho feito de forma precária e ruim pela diretora do Detram/Am, ela decidiu inaugurar um “Mortômetro” para contar as mortes e sem investir mais em educação, em reuniões, em aceitação de pedidos oficiais de audiência.
Lembro-me de ter presenciado em plena Avenida Eduardo Ribeiro há anos passados, uma instrutora de Auto Escola, cujo nome não recordo mais, tentar estacionar um pequeno veículo em um espaço
“que daria para estacionar um trator” e levou mais de 30 minutos  indo para frente e para trás, sem conseguir colocar o carro no local. Um guardador de veículos que olhava a cena, como outras pessoas também que estavam paradas como eu, vendo a mesma solicitou  as chaves, entrou no carro e estacionou no local em menos de um minuto, E ele nem tinha CNH. Imaginem se tivesse!

domingo, 15 de maio de 2011

FELICIDADE



Felicidade é como um sol se pondo no horizonte:
Temos que caminhar muito para encontrá-la!
E, quando a encontramos, não sabemos o que fazer!
A verdadeira felicidade verdadeira
Só se conhece  quando se  perde!
Porque ela passa a nos fazer falta e dói no peito!
Felicidade é como uma gaveta misteriosa e mágica:
Quando a abrimos,
Saem de dentro coisas boas e ruins ao mesmo tempo.
As coisas boas, devemos vivê-las bem; 
As ruins;  transformá-las em limonada e a degustamos!

sábado, 14 de maio de 2011

DOIS PLANOS, DOIS PRESIDENTES E QUASE DUAS MENTIRAS

Dois mirabolantes planos; dois presidentes eleitos pelos seus antecessores; duas inverdades e várias mentiras. Todas se misturando e produzindo um angu de caroço.
Primeiro, o ex-presidente Itamar Franco criou, implantou e produziu o “Plano Real”, gestado por vários economistas e entregou o comando, a condução e a opção política ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que o explorou livremente e se elegeu. Está certo que depois de vários planos fracassos para conter a galopante inflação, o “Plano Real” deu certo e FHC foi eleito e reeleito.
Depois de viajar pelo Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, gestou o Plano de Aceleração de Crescimento – PAC, talvez só para eleger Dilma Rousseff.  Ela assumiu a presidência no dia 1 de janeiro e já no dia 19 do mesmo mês, a inflação que tanto preocupou os brasileiros, voltou a dar suas caras por aqui.
Os dois planos serviram para eleger os dois candidatos; mas o “Plano Real” foi o que conseguiu “matar” e “extirpar” de nosso meio o temível “câncer” da inflação, época em que se depositava dinheiro na Caderneta de Poupança com a doce ilusão de que ele renderia bem. Mas era pura ilusão! A Poupança só fazia mesmo repor a inflação do mês, mas muita gente vivia iludida com isso – inclusive eu – porque a inflação chegou a dar em um único mês, mais de 80%. Isso, quase no final do Governo presidencial de Itamar Franco! “Ôba, fiquei rico”, pensaram muitos! Doce ilusão, como já disse.
Ou seja, se aplicava dinheiro à noite, para acordar no dia seguinte pensando nos rendimentos que tivera durante seu despreocupado sono. A inflação era, e ainda é, a grande preocupação de todo brasileiro, que tem mais de 40 anos, porque a viveu em seus 20 anos, mesmo que não percebendo-a claramente.
Dilma Rousseff, com o PAC, que investiu pesado em construção de casas populares, outro grave problema brasileiro, além de duplicação de rodovias, melhoria de favelas e outras construções, foi eleita Presidente da República e subiu a rampa do Palácio do Planalto para substituir “Lula”.
Sentada na cadeira presidencial, decidiu cortar orçamento de sua “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, do PAC que a levou ao poder. Cortaram de outras áreas também, como verbas destinadas às áreas sociais e de segurança pública, só para citar algumas.
Ou seja: foram dois planos apenas eleitoreiros. Com a vantagem de que o primeiro extirpou a temida inflação – os jovens com menos de 20 anos ou até 20 nem sabem o que é isso -, que está voltando lentamente. O outro, o PAC, também eleitoreiro, foi engendrado só para eleger Dilma Rousseff para ocupar o lugar de “Lula”. Ainda está tudo em paz, mais isso não vai demorar muito!

"NOIS FALA ASSIM PORQUE NOIS QUE, MAIS QUE NOIS SABE, NOIS SABE"!

“Nois fala assim porque nois que, mais que nois sabe, nois sabe”.  Essa frase foi escrita no quadro negro do Colégio Estadual, para nosso rígido professor de Gramática, nos idos tempos do Governo Militar.
Naquela época, estava sendo comemorada a Festa Junina na quadra da Escola. Falávamos como “caipiras da roça”. O mestre entrou na sala e chamou-nos à atenção. Ficamos meio desconcertados pelo ocorrido e decidimos nos vingar. 
O mestre, como castigo, mandou um de nossos colegas escrever vinte vezes no quadro negro a frase: “nós falamos assim porque nos queremos, mas que nós sabemos, nós sabemos”. Mais a última frase foi esta com a qual iniciei a crônica.  
Foi de propósito, pois fiquei espantado com a decisão do MEC em defender que o aluno não precisa mais seguir as regras da gramática para falar de forma correta!   
Em um livro de português, distribuído pelo Ministério da Educação, o MEC defende que a maneira como as pessoas usam a língua deixe de ser classificada como certa ou errada e passe a ser considerada adequada ou inadequada, apenas.
Então, a frase que iniciou a crônica está corretíssima, afinal, eram os festejos juninos, quando nos transformávamos todos em “caipiras da roça”, e era assim que falávamos. Nosso professor de gramática  errou em ter nos repreendido?
A defesa de que o aluno não precisa seguir algumas regras da gramática para falar de forma correta está na página 14 do livro “Por uma vida melhor”. Por que Ministério da Educação aprovou o livro para o ensino da língua portuguesa a jovens e adultos nas escolas públicas? “Barbarismo, talvez”, responderia meu rígido professor de gramática! Um contra senso, respondo eu!
Ele apresenta a frase: "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado", com a explicação: "Na variedade popular, basta que a palavra ‘os’ esteja no plural". "A língua portuguesa admite esta construção". Acho que emburreci de vez! Onde que a língua portuguesa admite uma expressão dessas?
A orientação aos alunos continua na página 15: "Mas eu posso falar 'os livro'?". E a resposta dos autores: "Claro que pode. Mas com uma ressalva, ‘dependendo da situação, a pessoa corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico’”. Agora, pirei de vez! Socorro! Internem-me em um manicômio! Preconceito a pessoa vai sofrer se não se expressar corretamente e vai ser taxada de burro, analfabeta e outras coisas mais. Nunca vi dizer que falar bem, se expressar bem ou escrever bem é sinônimo de preconceito!
Heloísa Ramos, uma das autoras do livro, disse que a intenção é mostrar que o conceito de correto e incorreto deve ser substituído pela idéia de uso adequado e inadequado da língua. Uso que varia conforme a situação. Ela afirma que não se aprende o português culto decorando regras ou procurando o significado de palavras no dicionário. Concordo. Mas que regras mínimas para se aprender, ah, isso tem! Não é sem regras mínimas que se vai aprender alguma coisa!
O Ministério da Educação, de forma absurda, disse que a “escola deve propiciar aos alunos jovens e adultos um ambiente acolhedor no qual suas variedades linguísticas sejam valorizadas e respeitadas, para que os alunos tenham segurança para expressar a "sua voz"”. Isso nada tem a ver com valores éticos, morais e de cidadania aos alunos!
A doutora em sociolinguística Raquel Dettoni concorda que é preciso respeitar o falar popular, que não pode ser discriminado. Ser chamado de burro, analfabeto não será ato mais discriminatório, ainda? Para suavizar sua justificativa diz que a “escola tem um objetivo maior, que é ensinar a língua portuguesa que está nas gramáticas.” Não podemos, por isso, ensinar como falar besteiras, burrices e achar que está certo!
“Se a escola negligencia em relação a este conhecimento, o aluno terá eternamente uma lacuna quando ele precisar fazer uso disso no seu desempenho social. Nós não podemos desconsiderar que a função social da escola, com relação ao ensino de língua portuguesa, é - em princípio - prioritariamente ensinar os usos de uma norma mais culta”, destacou. O que faltam nas Escolas são ensino Técnico Profissionalizante, cidadania, moral e civismo!
Tudo que se aprendeu, no passado, com horas e horas de sono perdidas pelo professor de gramática para explicar corretamente sobre conjugação de  tempo verbal, pretérito do presente, passado e outras coisas mais serão simplesmente jogados no lixo? Se as Escolas, formadoras dos estudantes, não lhes ensinar gramática, como é que os vão fazer concursos, provas e outras atividades? Se o ensino já está péssimo, o MEC acaba de piorá-lo ainda mais! Só que agora com respaldo oficial! E nossa cultura, originária da Educação, como é que vai ficar?
E o pior é que algumas pessoas ditas intelectualizadas ainda defendem essa forma absurda de se expressar! Quero ver como o professor vai conseguir corrigir uma a prova quando o aluno escrever “nós vai ou nós foi”? Ou quando um aluno de nível superior escrever “senxualidade” como se estivesse copiando a Xuxa, para querer dizer sensualidade em uma prova de graduação!
Já li, vi e ouvi muitas bobagens oficiais, mas essa é a primeira vez que ouço falar tamanha besteira, aceita pelo Ministério da Educação e Cultura!
Que queiram criar a cultura nordestina, o “nordestinês”, com a chancela oficial do MEC, é até aceitável. Mas querer que todos os alunos esqueçam tudo o que aprenderam e passem agora a falar errado, é um absurdo!  Acho que vou dar nota zero para meu professor de gramática porque ele me ensinou exatamente ao contrário do que se deve falar. Ou para ensinar nas escolas vão ter um tipo de linguagem, e para corrigir as provas exigirão outra linguagem ou eu estou ficando maluco e a família nem desconfia?
“Nós fala assim porque nos quer, mas nós sabe, ah, nós sabe!” E fim de papo!

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

PEOFESSOR, PROFISÃO EM EXTINÇÃO?

O que é verdadeiramente ser um professor, na mais profunda acepção da palavra?
Se alguém pensou que é só entrar em uma sala de aula e transmitir  conhecimentos, errou!
Se pensou em planejar, ministrar seus conhecimentos e ser bem remunerado,  também errou!
Ser professor é mais do que isso: é um sacerdócio. Planejar, ministrar aulas e receber bem, influencia e muito, e faz parte desse contexto, mas não é tudo!
Quem não guarda na memória aquele professor que ajudou a conhecer as primeiras letras ou nos despertou a vontade de aprender algo novo? Eu ainda lembro há quase 50 anos passados, quando eram suficientes um caderno “brochurão”,  lápis,  borracha e um apontador para se ir à Escola!
E se aprendia do mesmo modo que se aprende hoje; só que nossos pais gastavam muito pouco ou quase nada, como os meus pais biológicos que, além de analfabetos funcionais, eram também muito pobres!
Sei que como eu, muitos ainda se lembram desses bons anos, quando havia sempre uma palmatória de madeira sobre a mesa da professora de matemática para aplicar os bolos nos alunos que erravam quando havia a famosa “sabatina de matemática”. Era um terror para mim porque sempre a professora pedia para eu perguntar para uma menina que eu paquerava.
Se a aluna errasse, tinha que pegar a mão dela e lhe dar um “bolo”. O lado bom era que eu podia pegar na mão de Claudine, a menina mais paquerada da minha Escola. Mas lhe dava um “bolo” sem muita força. A professora, percebendo isso, aplicava “bolo” nos dois: em mim para aprender a dar “bolo” e, em Claudine, por ela ter errado a resposta. Eu ficava triste nesse momento!
Mas deixarei essas gostosas lembranças para voltar à crônica e a pergunta inicial que fiz: “o que é ser verdadeiramente um professor”?
Já disse que ser professor é ter vocação, preparo, ganhar bem, desenvolver uma boa aula, transmitir conhecimentos, mas tem uma coisa mais importante ainda: é ter amor pelo que faz!
Eu, que já fui professor em uma universidade particular, de pesquisa em Serviço Social, além de outras matérias que meu vasto conhecimento me permitia ministrar, também sempre iniciava minhas aulas contextualizando o porquê dos temas que abordaria em seguida. Ministrava, primeiro, uma aula de filosofia, história e momento político da época para depois entrar no assunto propriamente dito. Embora eu não tivesse qualquer obrigação de fazê-lo.
Acho que era por isso que ministrava minhas aulas sempre com muito prazer, alegria, mas era inflexível na disciplina e cheguei a dar nota zero para uma turma inteira porque passei seis meses ensinando sobre como se elabora um projeto, pois a prova da turma era exatamente a apresentação de um projeto. No dia da prova, recebi dos grupos que formei em sala trabalhos copia de outros trabalhos que conhecia e, alguns, inclusive, eu tinha ajudado a desenvolvê-los.
Quando somos crianças, sempre sonhamos em ensinar aos outros e, na medida que vamos crescendo e conhecendo melhor o mundo, perdemos essa vontade e optamos por várias outras áreas.
O verdadeiro professor, em um futuro não muito distante, não existirá mais. Como também quase todas as outras profissões e carreiras, porque sempre se teve um professor, com paciência, dedicação, carinho para ensiná-las as primeiras letras do A,B,C.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

OXI ESTÁ NO INÍCIO, MAS CADÊ POLÍTICA PÚBLICA?


Notícias de apreensão de Oxi, droga produzida à base de cocaína, combustível e cal virgem, uma versão ainda mais corrosiva do que o crack, já está sendo comercializada também no interior de Estados brasileiros, inclusive o do Amazonas, mas não vejo políticas públicas para combatê-la. Se existe alguma, é das Igrejas Católicas e Evangélicas, mas não dos Governos, em todos os seus níveis!

Mercadoria também recém chegada à cracolândia, maior pólo de usuários de drogas do Brasil, em São Paulo, o Oxi é considerado por especialistas em dependência química como uma “versão pirata do crack”.

Nem mesmo a notícia da apreensão em poucos ou grandes volumes de Oxi, em vários Estados, parece que sensibiliza as autoridades públicas para a criação e implantação em todo  território nacional, de clínicas públicas para tratar, recuperar, e permitir um retorno digno ao convívio social dos usuários.

Segundo informações veiculadas, até agora 1% da clientela atendida pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras drogas, revelou ter consumido a nova droga ao mesmo tempo em que usava  o Crack, uma pedra feita com a mistura de pasta base de cocaína refinada com água e bicarbonato de sódio.
Ou seja, o Oxi ainda está em seu estágio inicial, e ainda dá para ser combatida. A Polícia Militar pode fazer cumprir sua competência institucional que é a de prender os traficantes e apreender os usuários de Oxi, normalmente menores de idade, mas o Governo Federal precisa fazer também a sua parte, que é criar um Programa Nacional de Combate às Drogas Ilícitas, porque, embora o álcool, o cigarro e outras drogas sejam considerados lícitas  perante a Lei, não deixam de ser droga também e, se alguém desejasse, poderia fazer tratamento nesses Centros, de forma gratuita, para abandonar o vício considerado “legal”.
E como ele pode fazer isso? Liberando recursos financeiros aos Estados e Municípios para a implantação de Centros de Tratamentos, compostos de médicos, psicólogos, assistentes sociais e todos os outros profissionais necessários às atividades burocráticas. Hoje, infelizmente, só quem investe nisso são as Igrejas Evangélicas. E a maior parte delas cobra, deixando o pobre, maiores vítimas desses problemas, sem possibilidade de conseguir tratamento por falta de dinheiro para pagar!
A inércia dos Governos Federal, Estadual e Municipal tem dado um ar de legalidade a todas essas coisas! Já disse e repito: é preciso uma política pública de Governos para combater o Crack, o Oxi e todas as outras drogas consideradas ilícitas e lícitas.
O Ministério da Saúde obrigou à Souza Cruz, a maior fabricante de cigarros no Brasil e a que mais recolhe impostos ao Governo Federal,  colocar nas carteiras de cigarros fotos dos malefícios  que “a droga lícita” pode ocasionar às pessoas que os usam, como se desejasse mandar um recado a todos e eximir-se de qualquer futura culpa: “eu avisei, não tenho qualquer culpa”! Mas é positivo; não basta! É preciso a implantação de política pública para combater e tratar o dependente químico. Sem isso, não se vai muito longe. E acreditem: o Oxi está só começando! Ainda vai piorar, e muito!