terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A FR0NTEIRA ENTRE A POLÍCIA E O BANDIDO! (À Dra. Ínis Matos de Oliveira, da Polícia Civil!)

                             
Manaus, na década de 80, com 633.383 habitantes na capital era governada por José Lindoso. Tinha poucos distritos policiais. O Secretário de Segurança Pública era José de Matos Filho. Era uma cidade ainda tranquila, pacata, com poucos carros nas ruas, crimes para apurar, quadrilhas para prender e muito bem guarnecida de policiais civis e militares. Havia a separação entre as polícias civil e militar, com duas secretarias distintas. Mesmo com poucos crimes envolvendo policiais civis ou militares, a delegada da Polícia Civil do Amazonas, Dra. Inis Matos de Oliveira - a primeira qual conheci e com a qual convivi - em nossos poucos encontros que tivemos nos Distritos Policiais, nos quais raramente comparecia porque escrevia para A NOTÍCIA, sobre os processos saídos das delegacias e remetidos ao Poder Judiciário, onde começava tudo novamente – nunca entendi a razão dessa burocracia processual inútil - me falava com empolgação que tinha iniciado um estudo para delimitar e tentar entender a linha separatória entre a Polícia e os bandidos. Não sei se concluiu porque há muitos anos não tenho contato com ela ou qualquer parente dela. Na época, Inis Matos, considerada o terror dos bandidos. Ela era bonita, feminina, usava cabelos negros compridos, mas também usava revólver nas mãos em nas poucas operações policiais que realizava. A Dra. Inis Matos era temida, competente e não tinha medo de encarar e enfrentar bandidos. Depois outras mulheres fizeram concurso e entraram na polícia civil do Amazonas!

Como perdemos o contato, não sei se concluiu ou não o estudo ou se só realizava pensando em sua aposentadoria que seria breve. Talvez tenha seguido a carreira de psicóloga policial, mas não posso garantir nada. Se tivesse lido seu trabalho, talvez hoje conseguisse explicar com cientificidade a razão do desvio de conduta de vários policiais militares presos e acusados de crimes de homicídios. Mas não seria a prisão de alguns policiais tiveram suas prisões decretadas, que me levarão a afirmar que toda a corporação ficou manchada de sangue.  Ainda existem muitos policiais sérios, competentes e preparados dentro da briosa Polícia Militar, como já fora conhecida e chamada no passado. Se tivesse me dado para conhecer seu trabalho de pesquisa, talvez, agora, tivesse mais condições de entender o ocorrido com os Policiais Militares presos. Segundo me dizia a “fronteira que separa a Polícia da bandidagem é tão pequena que as vezes chega a se confundir e as duas passam a ser quase a mesma coisa. Eu quero estudar e fazer essa separação de forma mais objetiva e precisa”, Naquela época, pouco se ouvia falar sobre policiais civis ou militares envolvidos crimes ou em grupos de extermínio, homicídios e crimes violentos.. Existiam poucos casos desvios de condutas na polícia militar e crimes envolvendo policiais civis e federais. Esses poucos casos que se registravam na época, dentre eles, lembro que  envolveram o policial civil “Souzinha”, o Policial Federal, Francisco Pereira da Silva Júnior, filho do deputado federal Francisco Pereira da Silva e autor do Projeto de criação do modelo Zona Franca de Manaus, implantado dez anos depois e,  mais tarde, na Zona na época chamada “zona do baixo meretrício!,  a policial civil “Pantera”, matara com um tiro uma pessoa que teria reagido a uma abordagem policial, dentro da “Boite Vaga-lume” Esses acontecimentos eram um prato cheio para a imprensa da época.

Compareci uma única vez à casa da delegada, no bairro do Japiim, levado pelo jornalista policial de A NOTÍCIA, Luiz Octávio Monteiro, para participar de uma festa de aniversário. Não lembro se dela ou de seu esposo, um motorista de táxi. Luiz Octávio, mais tarde, fora assassinado por policiais e “desovado” em uma vala comum na Estrada da Ceasa. Nunca ninguém foi julgado por esse crime. Como já disse, não sei se a delegada Inis Matos de Oliveira conseguiu concluir seu estudo que me chamou a atenção pelo que se propunha a realizar: separar o que é a polícia do seria a polícia e o bandido, o que considerei fácil de conseguir porque Manaus ainda era uma cidade muito tranquila, pacata, com poucos casos escabrosos envolvendo policiais civis ou militares. Na época circulavam  apenas três jornais em Manaus: A NOTÍCIA, (no qual trabalhava) A CRÍTICA e o JORNAL DO COMÉRCIO e, em todos eles se dizia “desovado um corpo” sobre qualquer cadáver encontrado jogado na rua. Como se fosse uma ironia do destino, quem tanto defendia a polícia, que terminou sendo assassinado por ela! Octávio tinha uma característica interessante: todo final de tarde tinha que conferir se alguma coisa havia ocorrido depois de sua ronda policial e ligava para os distritos e dizia assim: “Arô, é da Puriciiiiaaaa?. Té roooogoooo!”. Na redação, era motivo de risada! Mas a morte do Octávio pela polícia não é importante na crônica. O que é relevante e saber se a Dra. Inis Matos conseguiu ou não concluir e fazer a separação entre o que é polícia e o que é seria o  bandido. 

Na definição clássica, sabe-se que polícia é faz cumprir e impor a Lei e bandido é quem enfrenta a ordem estabelecida e é contrário à ideia da existência da Estrutura de Aparelhos de Estado para regular a convivência social. Diante disso e por não saber se a delegada conseguiu ou não concluir seu estudo científico, deixo algumas perguntas que não me atrevo a respondê-las: teria sido o componente salarial e social os possíveis responsáveis pelos desvios de conduta dos policiais militares presos e acusados de pelo menos 8 homicídios ou seria apenas desvio de caráter e conduta mesmo?

Ah, doutora Inis Matos, a senhora ficará me devendo essas respostas!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

AS TRÊS DIMENSÕES DO AMOR (para o casal Vanessa e Emerson (30.11.2015))


O padre que os casou, definiu as três dimensões do amor como tendo origem nos deuses gregos Eros, Filia e Ágape. Contudo, por puro atrevimento de escritor, defini o amor como  “um contrato social de interesses convergentes” (O HOMEM DA ROSA, de Carlos Costa, Litteris Editora, 1998). Viver a dois, não é fácil, mas é plenamente possível, mesmo no mundo atual cheio de tecnologias e possibilidades de gerar ciúmes e desavenças entre um casal. Todo casamento passa por fases e, cada uma delas, ele se desgasta um pouco. Mas perseverar no amor, que na definição do filósofo grego Platão, seria “...a busca da beleza, da elevação em todos os níveis, o que não exclui a dimensão do corpo”,. Persistir na crença do amor e co casamento é preciso porque como o defini e continuo acreditando que quando duas pessoas se unem é porque existe entre elas o que chamei de  “contrato social de interesses”, com o propósito de perpetuar as gerações, através dos filhos. Com emoção, retornei, 35 anos à Igreja de São Sebastião para prestigiar o casamento dos noivos Vanessa de Carvalho e Émerson Simão. Ela, filha dos aplicadores do Direito, Jéfferson Neves de Carvalho, do Ministério Público e de Ida Márcia Benayon de Carvalho, procuradora da Assembleia Legislativa do Estado. Ele filho de Ernani Nascimento Simão (in memorian)  e de Líbia Corrêa Simão. 

De paletó e gravata, com dor nos dedos do pé esquerdo, inchados devido a trombose que sofri no Hospital Santa Júlia, durante a terceira das 11 cirurgias no cérebro, desde 2006, cruzei a porta agora de vidro da que me recebeu em 1982, para casar com Maria Tereza Santos de Oliveira. Um ano antes,  1981, Yara Queiroz, entrara na mesma igreja e se casara com Ricardo Emanuel Pontes e Souza, tendo como padrinho o hoje prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Da união que durou pouco mais de dois anos, nasceu a hoje psicóloga e cantora Bela Queiroz. Caminhava com dificuldades e lentamente. O carro ficara estacionado na área antes de paralelepípedos de borracha, na lateral do Teatro Amazonas. Cruzamos a Praça São Sebastião, enfeitada com motivos natalinos, atravessamos à Rua 10 de Julho em homenagem ao dia da libertação dos Escravos no Amazonas, três anos antes da Lei Áurea ser assinada e entramos na igreja, que ainda estava sendo ornamentada e por onde entraram os noivos.

No chão, chamou-me à atenção, uma área brilhosa, parecendo um grande espelho, que refletindo luzes de baixo para cima. No momento, estavam só refletindo as flores brancas colocadas à entrada dos bancos e os ramos verdes no corredor. Sobre o que poderia ser um provável espelho, meninas de branco entraram e jogaram pétalas de rosas. Dentro da Igreja fui cumprimentado pelo desembargador indicado pela OAB, João Simões, dizendo que parecia mais um judeu intelectual e achei divertido, mas como perdi meu lóbulo do humor, não sorri, apenas agradeci. Em um banco à frente cumprimentei o desembargador Aristóteles Thuri. Mas o achei muito diferente porque há vários anos não o via pessoalmente.

No meu casamento em 82, tive como padrinho Roberto Backsman, pai do então estudante de Direito e hoje delegado da Polícia Civil, Oto Backsman. O desembargador Azarias Menescal de Vasconcelos, todo de paletó branco e a médica Dulce Costa, como sempre muito elegante, a mãe adotiva e outras pessoas que não lembro mais, prestigiaram o casamento realizado pelo Frei Fulgêncio, que se escondia por trás de uma longa barba. Ao final da cerimônia, brincou: “eu só puxei a corda e você se enforcou sozinho”. Na época, sorri muito com a brincadeira do frei, muito divertido e brincalhão. A Igreja ainda não tinha porta de vidro e nem condicionador de ar, mas também não era quente. Durante a agradável missa, o padre se confessou incompetente definir o amor e citou estudo realizado pelo Papa Francisco, que teria achado a resposta a partir nos deuses gregos Eros, Filia e Ágape. A associação deles, definiria o que venha a ser o sentido literal do amor. A origem do amor dentro da filosofia grega como a junção de Eros, Filia e Agapé, também existe em um estudo de Elton Moreira Quadros (file:///C:/Users/Carlos/Downloads/10173-61595-1-PB.pdf ).

Deixamos a Igreja e seguimos da Igreja à festa de comemoração no Diamond Convention Center, na Estrada do Turismo no lado oposto da cidade. O local da recepção estava muito bem decorado. Fiquei sentado à mesa do advogado Índio do Brasil D´Urso Jacob e sua esposa Gilmara Souza. Estavam à mesa também um casal, cujo esposo tinha sido amigo de infância da família de minha esposa no Conjunto Uirapuru. Ele residia em um conjunto de casas antes, no Uirapuru. Relembrou que meu cunhado em sua adolescência era conhecido como por FMI – Feio, Metido e Inteligente. Hoje Rafael de Queiroz Neto, é procurador. Durante a festa, reencontrei pessoas que não os cumprimentava havia muitos anos, inclusive o tio da noiva Vanessa, o advogado David Benayon, o “Davizinho”, como me acostumei a chamá-lo, devido ao seu porte não tão grande e sempre vasta cabeleireira ainda toda negra. 

Encerro essa crônica com um trecho que escrevi em na crônica VIVER A DOIS É UM CARRO EM MOVIMENTO, (http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2014/09/viver-como-e-um-casal-e-e-um-carro-em.html) que escrevi para homenagear minha esposa pelos nossos 17 anos de casados“VIVER A DOIS É COMO UM CARRO EM MOVIMENTO RODANDO EM UMA AUTOESTRADA BEM ASFALTADA: É PERIGOSA E SEMPRE EXIGIRÁ CUIDADO, ATENÇÃO E CORREÇÃO DE RUMOS, RESPEITANDO OS LIMITES DE VELOCIDADE E AS PLACAS DE SINALIZAÇÃO DE VELOCIDADE DA VIA. O CASAMENTO SEMPRE EXIGIRÁ CUIDADO, ATENÇÃO, FREANDO QUANDO NEESSÁRIO, CORRENDO QUANDO PERMITIDO E DEIXANDO A PASSAGEM DE OUTROS AUTOMÓVEIS. LEMBRANDO SEMPRE QUE O CARRO PODE QUEBRAR NA VIA, MAS O IMPORTANTE É CHEGAR A UM FINAL FELIZ, NÃO RECEBENDO MULTAS E COM TODOS OS PASSAGEIROS VIVOS! 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

TODA REGRA TEM EXCEÇÃO, PRINCIPALMENTE NO JUDICIÁRIO!


As declarações feitas pela ministra Carmem Lúcia e o ninistro Celso de Melo, por ocasião do julgamento e prisão do senador Delcídio do Amaral (PT/MS), foram fortes, contundentes e foram um recado direto aos corruptos. Infelizmente, porém, não se aplica a todos como fez crer o ministro Celso de Melo, porque quando envolve membros do poder judiciário do Brasil envolvidos em crimes, no máximo, são colocados em disponibilidade remunerada, por pertencerem a uma carreira de Estado,  incentivando à continuidade de atos ilegais, dos mais simples aos mais escabrosos, como crimes sexuais, violências domésticas etc! De onde deveriam vir os bons exemplos à sociedade como um todo, é de onde não vem nada, além de cobrança de mais impostos e taxas! 

Contudo, nem tudo que parece o é de verdade. Nem tudo o que se diz, se esbraveja, o é como parece ser, principalmente quando atinge membros dos aplicadores das Leis Penais no Brasil. Estes são colocados em disponibilidade remunerada, mesmo que com crimes de pedofilia, desvio de dinheiro público, venda de sentenças e até orgias sexuais comprovadas. Diante dessa verdade conhecida pela sociedade, o Ministro Celso de Melo e muito menos a Ministra Carmem Lúcia, tem razão absoluta, embora os tenham sido firmes em seus pronunciamentos contra a corrupção durante a decretação da prisão decidida pelo STF e, pressionados pela opinião pública, o Senado a manteve. Delcídio do Amaral citou que teria influências pessoais com  Ministros do STF. Essa leviandade, usando o nome da mais alta Corte do Brasil, os teria revoltado. 

Por que não ocorre o mesmo procedimento com um membro do Poder Judiciário? Por que a pena que recebem é apenas a colocação em disponibilidade remunerada, sob o argumento que correriam risco de vida se fossem para a prisão? Mas por que a disponibilidade remunerada? Por que o contribuinte tem que sustentá-los com tributos?. Isso é pena! É um prêmio! Ou seriam os dois, uma pena e um prêmio por serem membros da carreira de Estado? Lamentável! Esse comportamento poderia incentivar outras pessoas e possíveis autoridades com distúrbio de conduta, fazerem, o mesmo! Por que simplesmente não são demitidos depois de condenados, dando-lhes o direito ao devido processo legal com ampla defesa.

A ministra afirmou que não tolerará a corrupção e disse textualmente que “na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou que no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades, a impunidade e corrupção. Não passarão sobre os juízes do Brasil. Não passarão sobre as novas esperanças do povo brasileiro porque a decepção não pode  estancar a vontade de acertar no espaço público. Nõ passarão sobre a Constituição do Brasil”. O ministro Corte, Celso de Melo, também declarou que ninguém está acima da lei. “As leis também serão aplicadas no caso de qualquer autoridade que tenha cometido crimes” e acrescentou “quem transgride tais mandamentos, não importando sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõem-se à severidade das leis penais e, por tais atos, devem ser punidos exemplarmente  na forma da lei. Imunidade parlamentar não constitui manto protetor de supostos comportamentos criminosos.”Ah, entendido o recado.

Quer dizer, então, que os senadores investigados pelo STF poderão ou terão o mesmo destino, inclusive todos os que votaram contra a prisão de Delcício? Como ficarão, os 166 deputados federais e senadores investigados por outros crimes que se escudaram no manto da Imunidade Parlamentar, se o ministro Celso de Melo disse que “se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das Leis Penais”? Perguntar não ofende. Talvez machuque e incomode a alguns: por que a severidade das leis penais anunciadas pelo Ministro Celso de Melo, no máximo só colocam em disponibilidade os membros aplicadores das Leis que cometem crimes, abusos de autoridades, usam de suas autoridades para humilhar pessoas consideradas inferiores, como foi o caso do juiz João Carlos de Souza Corrêa que deu uma carteirada na agente de trânsito Luciana Silva Tamburini  ao ser parado por ela em uma blitz da Lei Seca, no Rio de Janeiro? Ou o juiz Antônio Carlos Branquinho, que apenas recebeu como severidade da lei penal, a sua disponibilidade compulsória remunerada depois de ter praticado orgias sexuais com menores na sala do fórum do Tribunal Regional Federal da 1a Região, no município de Tefé, no interior do Amazonas.Ah, entendi de novo! Nem sempre a severidade da lei penal, anunciada com veemência, não atinge a todos! Não precisa ser dito mais nada. Já entendi tudo: no Brasil, alguns são mais iguais que outros no mesmo nível, porque a Justiça, sendo cega, não vê nada e isso é lamentável!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SAUDADES DE ULISSES GUIMARÃES


A prisão do senador Delcídio do Amaral, decretada pelo STF, foi aceita pelos seus pares, depois de uma longa, chata, mas democrática discussão de ideias. O senador Delcidio do Amaral, que era Delcídio Amaral, mas mudou de nome por recomendação de uma numeróloga. Será que a numerológica teria lhe ensinado essas coisas ilícitas?


Quanto mais acompanho a prepotência, arrogância e o mal caratismo do deputado presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, mais e mais sinto saudades do ex-presidente da mesma casa, o finado deputado federal Ulisses Guimarães, morto na queda de um helicóptero. O “Dr” Ulisses, como era chamado, conduziu com seriedade os trabalhos da Constituinte e proclamou a Constituição “cidadã” do Brasil e nunca se envolvera em qualquer ato ilícito ao longo de sua brilhante carreira política! Renan Calheiros, presidente do Senado, foi democrático, mas tornou muito cansativas as discussões sobre se o voto seria aberto ou secreto. No final decidiu que o voto deveria ser secreto. Muitos senadores declararam seus votos abertamente pela manutenção da prisão de Delcídio do Amaral, porque queriam dar uma satisfação a seus eleitores e a opinião pública. A cada novo episódio, a classe política se desgasta um pouco mais, embora existam exceções.

Há uma diferença entre o processo para a perda do cargo contra o presidente Eduardo Cunha e os outros 166 parlamentares que ele disse que também respondiam a processos om fórum privilegiado. Ele assumiu a presidência da casa depois de ter comparecido à comissão que apurava atuações da Lava Jato sem ser convocado e mentido aos investigadores. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cada macaco no seu galho ou cada palhaço em seu próprio circo. Uma coisa é a prepotência com que Eduardo Cunha está obstaculizando o processo contra o seu pedido de cassação; outras, são outros parlamentares que conseguiram burlar a Lei da Ficha Limpa e se elegeram para “representar” seus eleitores na Câmara Federal. Ou todos eles teriam cometido os crimes depois de eleitos? Tenho dúvidas!

Com provas de áudio, o senador Delcídio do Amaral (PT/MS), líder da presidente no Senado arquitetou a fuga de Nestor Severó, que cumpre prisão domiciliar, para denunciá-lo como envolvido como beneficiário também no esquema da Lava Jato, quando fora candidato ao Governo em Mato Grosso. O ministro Teori Zavaski, do STF, depois que ouviu as provas de que o líder da presidente Dilma tramava a fuga do delator arrependido da Petrobras, fundamentou sua prisão cautelar pela prática do crime previsto no Artigo 2o Inciso 1o da Lei 12.859/2013. Além dele foram presos juntos um banqueiro, seu chefe de gabinete e seu advogado que está nos Estados Unidos. Todos participaram de uma reunião com um filho de Nestor Serveró, em um hotel. A reunião foi toda gavada. O Congresso Nacional decidiu mantê-lo preso por 59 votos a favor e 13 contrários, depois de um democrático, longo e chato processo de discussão, durante o qual Rui Falcão, presidente do PT, foi chamado de “covarde” pelo senador do Amazonas, Omar Azize, porque divulgou uma nota do partido dizendo que nada do que o senador estava arquitetando teve o envolvimento do PT e não lhe dará apoio. 

A presidente Dilma Rousseff que estava sendo acusada de mandar prender apenas seus adversários políticos, não estava brincando quando disse que mandaria apurar tudo, “doa a quem doer”. E agora, que seu próprio líder está preso na mesma operação lava jato o que seus adversários políticos dirão? Nada, ou talvez criarão outra crítica que se justifique de outra forma. Foi um duro golpe que a presidente Dilma teve que assimilar. Ela, contudo, anunciou que já procura uma pessoa mais íntegra para ser seu novo líder no Senado. Na Câmara Federal, por enquanto, terá que conviver com os 166 deputados que estão sendo processados. Ah, que saudades sinto do eterno presidente da casa, Ulisses Guimarães e de outros políticos sérios, como Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, que foram engolidos pelo poder do dinheiro. Uma pena!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ESTOU AMARGO...MAS SOU DOCE!


Se me lamberem, sentirão na língua o gosto amargo do meu viver. Jã vivi mais de meio século. Não disponho mais de tempo para gastá-lo com bobagens e futilidades desconstitutivas. O tempo anda sempre rápido demais em linha reta. Nos envelhece. Nos desfavorece. Torna-nos mais frágeis, lentos e com dificuldades. Também não gosto mais de ler tudo o que escrevem em grupos de redes sociais. Não que seja amargo ou melhor os outros. Apenas cansei de tantas escritas cifradas, cortando palavras...Isso me tornou amargo demais para ser digerido sem açúcar! Einstein e outros teóricos do tempo dizem que ele tem buracos negros e que se pode voltar ao passado. Contudo, até hoje ninguém conseguiu nascer com 80 anos, casas aos 50, fazer bobagem ao lado de sua esposa e falecer com zero ano. Diante dessa falta de visão, fico com minha infalível verdade: o tempo a ensina a todos, amadurece alguns, envelhece o mundo e depois nos apodrece indistintamente, sem dó e nem piedade!


Agora, disporei meu tempo para coisas mais úteis: amar mais quem me ama, ver o pôr do sol sem pressa, apreciar belezas as da natureza que estão morrendo aos meus olhos por trás de um óculos 7,5 graus bi bocal, que não veem mais muito bem. Ao longe, em meio ao uma mata primária que restou no Condomínio Mundi e em uma árvore atrás da janela de minha cozinha, inda consigo ouvir o canto dos pássaros que, teimosamente, morrem e se reproduzindo de forma frenética como se fosse uma forma de protesto para repor os seus irmãos que ficam em gaiolas, os que morrem, os que são mortos, os que são contrabandeados, enfim. 

Por que isso ocorre, como se fosse um capricho da natureza? Não sei, mas sei que ! 

Todas as manhãs, ouço seus cantos e acordo com eles. Sorrio com o coração e a alma ao ouvi-los. Não os vejo, mas os sei presentes, ainda voando ainda livres leves, soltos e cantando para alegrar meu amanhecer e meu entardecer. Isso é lindo e quero perder meu tempo assim e não lendo palavras cifradas, recortadas, reduzidas que muitos diplomados criando uma nova forma de linguagem, que talvez nem eles mesmo entendam. Se os vejo voando para um lado e para o outro, sei que o mundo e as pessoas não os aprisionaram em seu todo: ainda existem alguns na natureza para minha alegria e minha tristeza. Sei que mais cedo ou mais tarde, será uma questão de tempo o aprisionamento de todos eles! Isso me apavora e me entristece. Não estou mais no tempo de ser triste. Embora, meus dias sejam quase sempre amargos, como amargo também tem sido o gosto de meu viver, vou vivendo um dia a atrás do outro, “matando um leão por vez”. 

Por dentro, contudo, sinto-me feliz e doce porque me sei ainda vivo. Foi um milagre de DEUS me ter dando onze chances, quando dizem que para o gato só teria dado sete vidas. Quando se atinge mais de meio século de vida, perde-se a paciência para muitas coisas. Mas o tempo amadurece o conhecimento porque ele ensina pelo amor ou pela dor! Para que prender-se a valores que não fazem mais sentido nessa altura da vida? As pessoas perdem a paciência comigo, por ser sincero demais e não deixar nada para depois. Mas não me importo. Isso é são detalhes que o tempo nos impõe: a sinceridade, ja objetividade, a chatice, o valar muito, o relembrar tempos bons e já vividos. O que passou e foi bom, o que custa relembrá-lo? 

Estou na fase da vida pronto para amar mais a quem me ama, respeitar mais quem me respeita, querer mais quem me quer, admirar quem me admira e me amar, antes de tudo. Vivendo assim, mesmo infectado por duas bactérias hospitalares incuráveis, terei mais longevidade do que muitos que não me conhecem e dizem logo que me odeiam por não me conhecerem. 

Não me importo: o mundo é como ele é. Se não posso mudar o mundo, mudarei eu. Estou tentando  e conseguindo, aos poucos!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ADEUS...MEU UIRAPURU!

Crônica extraída de meu livro “CRÔNICAS COMPROMETIDAS COM A TUA VIDA”, lançado em 1989 e segunda edição em 1990, no Estado do Pará.
A crônica foi originalmente publicada originalmente no Jornal “Diário do Amazonas”, foi reescrita para atender ao momento político atual, cheio de vergonhosas composições políticas em nome de um poder!






(para Francisco  Guedes de Queiroz, tribuno e ex-deputado estadual por 26 anos, falecido em 1987, mas nunca esquecido)



Aí está, meu Uirapuru. Acabou. É o fim. O coração, tantas vezes usado em favor do amor e tanto amor que ele conservou ao longo de todos esses anos, te pregou uma peça e parou. Deixou de trabalhar, te levando do nosso meio. Não cantará mais meu Uirapuru e eu me sento à máquina para te dar este até sempre...e ao teu coração imenso que, há vários dias se tinha rebelado contra si, e, como uma frágil flor em um sol forte, ele não resistiu à mania de querer morrer e morreu.

Acabou, meu uirapuru. Deves descansar em paz e não te preocupes com o silêncio do teu canto. A “Tribuna do Povo” não ficará silenciosa e no Tribunal do Júri, onde tantas e tantas vezes sempre surpreendestes até mesmo os teus mais ferrenhos críticos, ninguém mais esquecerá do teu canto. É assim, meu Uirapuru...

Não sei ao certo quem te chamou pela primeira vez de Uirapuru, mas não esqueço as expressões do amigo Arnaldo Carpinteiro Péres elogiando-te a cada vez que terminavas o teu trabalho no Tribunal do Júri. Fostes, és e serás sempre respeitado, admirado e querido. Eras um guerreiro e não fortes derrotadas. A morte é incapaz de matar os verdadeiros homens. Estes resistem ao tempo e são admirados por gerações. Será assim contigo, meu UIrapuru.

Teu canto, ao longo de tua vida, foi escutado nos mais diferentes locais, sempre afinado, sempre justo e não mudavas nem quando subias os degraus do Palácio Rio Negro para, por horas, dias, assumires o Governo do Amazonas. Eras humilde em tudo e, se rancores guardava de alguém, nunca o permitiu que ele se tornasse mesquinho, frio, calculista...É, meu uirapuru, tu eras assim!

Não fui ao teu enterro meu Uirapuru. Prefiro ter-te como vivo e lembrar sempre de tua presença, entrando em todos os locais e cumprimentando a todos como se estivesses em tua casa. Eu prefiro guardar na minha memória o som de tuas palavras sempre com muita firmeza, acreditando na vida e na honestidade dos homens. Não queria ver-te de olhos fechados. Daqui a pouco eu posso estar ao teu lado e também não quero que meus amigos me tenham como morto. Se vivo não posso ser lembrado, morto não quero sê-lo, meu Uirapuru.

Eu espero que teu coração não te tenhas feito sofrer muito e que a tua morte não tenha sido doída. Que tudo tenha sido rápido como eu sempre sonho e desejo para mim. Ah, coração, o que fizestes ao meu Uirapuru; como agora poderei ouvir o seu canto em forma de palavras? Como ficará a “Tribuna do Povo”? 

Creio ter sido teu excesso de trabalho e tua confiança na vida e em si mesmo que te tenha levado para cantares no Reino de Deus! Terias vergonha de ver no que se transformou o jogo sujo da política de hoje, cheia de artimanhas, negociatas vergonhosas em nome de uma ambição de poder, de mando de comando, mesmo que não seja o mais correto. Como presidente da ALE do Amazonas, pedistes afastamento do teu cargo para ser apurada uma denúncia, voltastes e, mesmo comprovada a lisura de todo o processo, te recusastes a nomear tua própria filha ao cargo de taquigrafa, deixando para teu vice, Homero de Miranda Leão, o fazê-lo. Ele, José Belo Ferreira, Socorro Dutra, Waldir Barros, Samuel Peixoto, Costa de Aquino e muitos outros, merecem meu total respeito.. Os homens de verdade como tu e outros foram  ao longo de suas vidas exemplar,es desapareceram, infelizmente. Hoje, só restam memórias e nada mais! Eras oposição, mas nunca perdestes a ternura e um bom debate de ideias.

Vá em paz, meu uirapuru, meu amigo, cante seu canto alegre aos homens imortais  e, meu uirapuru, se voltares a pagar de cantar, mesmo que seja onde estás agora, não me deixes saber. Já foi triste demais eu saber que não mais existia entre nós, meu uirapuru do júri, Francisco Guedes de Queiroz!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"EU NÃO TENHO QUE PROTELAR NADA"!


Não se falou de outro assunto nas redes sociais e nas emissoras de televisão do Brasil, que não fosse essa declaração atabalhoada, estranha, inconsequente e prepotente do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha: “Eu não tenho que protelar nada! Seria verdade ou mentira, se tudo o que fez foi ao contrário do que disse?

“Eu não vou dar admissibilidade num processo contra mim mesmo. Não posso praticar ato a meu favor nem contra mim. Deleguei. Foi uma coisa bem transparente. Foi normal. Eu não tenho que protelar nada. Tem um processo contra mim no Conselho de Ética ao mesmo tempo

Diante dessa declaração, se precisa dizer mais alguma coisa? Sim, precisa!

Como parlamentar dissimulado, sem credibilidade, moral e que usa de meios lícitos para procrastinar um processo contra si mesmo, tem coragem de declarar que “eu não tenho que protelar nada” e na mesma declaração acrescenta que “eu não vou dar admissibilidade num (sic) processo contra mim mesmo”. Ele seria digno de representar a Câmara dos Deputados e, em linha sucessória, ser o possível presidente da República Federativa do Brasil em um eventual e improvável processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e seu vice Michel Temer?  Eduardo Cunha, conseguiu, no máximo, ter o apoio incondicional do deputado Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força” que está sendo investigado também pelo STF por desvios de dinheiro de convênios públicos! Paulinho da Força, sem qualquer moral para representar ninguém na Câmara, anunciou que a representação contra Cunha não tinha seguidos os ritos e que o deputado relator teria tido cerceado seu direito de defesa. Eduardo Cunha, por sua vez, prometeu recorrer até o STF para fazer valer seus direitos. Na representação ao Conselho de Ética, o também deputado federal Waldir Maranhão, vice de Eduardo Cunha, também deve perder o cargo, mas não o mandato porque nada existe contra ele.

O deputado federal Eduardo Cunha, estaria envolvido no Escândalo da Lava Jato e teria depositados 5 milhões de dólares em bancos da Suíça, já confiscado pelo Ministério Público daquele país, aguardando o repatriamento para o Brasil. Mesmo assim, o político continua negando que tenha essas 5 contas ou que seja beneficiário de qualquer valor em contas secretas Na entrevista que deu ao Fantástico, assumiu meia culpa, mas continuou negando. Como os seus argumentos foram sendo derrubados pouco a pouco, sentiu um gosto amargo de uma derrota eminente e decidiu usar de seu poder para negar sala para reunião da Comissão de Ética e depois desautorizou o prosseguimento dos trabalhos na casa.

O Ministro do STF, Marco Aurélio de Melo, analisando a bagunça em que se transformou os trabalhos na Câmara Federal, recomentou que Eduardo Cunha se afastasse da presidência, permitindo a completa apuração de tudo e não interferisse em nada. Isso já aconteceu no Amazonas. O deputado estadual do Amazonas, presidente da ALE, advogado Francisco Guedes de Queiroz (MDB). Em 1985, quando sua filha fora aprovada em 1o lugar no concurso de taquigrafo da casa, o  deputado estadual José Costa de Aquino (MDB), denunciara possíveis irregularidades no concurso. Francisco Queiroz pediu afastamento do cargo, deixou o vice Homero de Miranda Leão em seu lugar, até o final das apurações. Apurados os indícios apontados por Costa de Aquino e nada sendo constatado, voltou ao cargo, mas decidiu não nomear sua filha ao cargo, cabendo ao seu vice assinar o documento de nomeação. 

Isso é transparência, lisura, desapego ao cargo e, principalmente, compromisso com seus eleitores, mas não é o que estamos vendo agora na Câmara Federal. A representação no Conselho de Ética da Câmara, pedindo a abertura de processo por cobro de decoro parlamentar contra Cunha, foi protocolizada pelo Psol e pela Rede Sustentabilidade, no último dia 13. A Mesa Diretora da Câmara usou de manobras legais e regimentais e cancelou todos os trabalhos das Comissões na Câmara. Depois, voltou atrás porque percebeu o mal estar que criou na casa, com deputados que lhe apoiavam virando de costas à mesa dos trabalhos e se deixando o plenário. 

Estranhamente o deputado Paulo Pereira da Silva, investigado pelo STF por corrupção, pertence ao mais novo partido político do Brasil, que promete ser diferente em sua composição e com propostas de plano de trabalho ousadas para enfrentar a crise atual pela qual passa o Brasil, está do lado do também investigado pelo STF e, agora, pela comissão de ética da Câmara, Eduardo Cunha.