segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

SAUDADES DOS ANTIGOS FESTIVAIS (Ditadura das TVS abertas)


O químico francês Antoine Laurent de Lavoisier, garantiu que “na natureza nada se cria, tudo se transforma” . Charles Darwim,  garantiu que na natureza, tudo sofre  adaptação natural ao meio, na sua teoria evolucionista que foi divulgada na obra “Dos Seres, das Espécies, das Plantas e das Coisas” . Anos depois, o apresentador d de TV Globo, José Abelardo Barbosa de Medeiros, o “Chacrinha” falecido aos 71,  anos de idade, no Rio de Janeiro garantiu “em televisão nada se cria, tudo se copia”. E copia o que de pior existe na televisão mundial.  Toda TV é movida pelo dinheiro imediato e o poder para dominar os telespectadores, emburrecendo-os ainda mais, alimentam os lucros com telefonemas, pensando que estão escolhendo ou eliminando alguém e, o pior, pagando por isso a cada vez que retiram o telefone do gancho e completam a conversa! 

A Rede Globo de Televisão, principalmente, - mas não fui a única -  adquiriu os direitos de transmissão e realizará programas de gosto duvidoso, empurrando-os goela a baixo dos telespectadores, as baixarias divulgadas por câmeras escondidas em toda a casa do BBB ou escolhendo “a menor voz do Brasil”, entre os cantores que participam do “The Voice Brasil”. Agora, já anuncia também o “The Voice Kids”. Esses programas de baixa qualidade e de muito Ibope, rendem audiência e muito dinheiro,  mostrando mulheres no desnudas dentro do BBB em um confinamento, que o jornalista Pedro Bial, os trata como se fossem “heróis” reais, porque produzem brigas, discussões e muitas baixarias e aguentaram passar 90 dias se expondo para câmaras espalhadas por toda casa. Se herói for isso, o Brasil é o quê? Aguenta corrupção política, embates políticos e brigas de bastidores pelo poder, de forma mais ridícula ainda. No caso da “melhor voz do Brasil”, não seria mais lógico retornarem os antigos festivais de música?

Depois da fama no BBB, as mulheres posam nuas para revistas masculinas e tudo desaparece.. Todos se transformam em meros anônimos e são lembrados em poucos eventos, cobrando caches para se fazerem presentes! Os heróis anônimos do Brasil, são o povo, porque aceita tudo calado, inclusive essa baixaria na TV brasileira e, no caso da eleição de políticos que desviam dinheiro público e a culpa é dos eleitores que votam pelo calor do momento e não pela melhor e mais viável proposta de campanha. A maioria pobre do povo brasileiro também é heroi porque não tem condições de pagar mensalmente por uma cara assinatura de TV fechada e ficando obrigada a assistir à ditadura imposta pela chamada “Vênus Platinada” e outras emissoras que também produzem programas adquiridos de outras emissoras. Nem o “The Voice Brasil”, muito menos o BBB ou “A Fazenda”, nada representam em termos de qualidade, não acrescentam em coisa alguma à melhoria do Brasil!


Confesso que, nostálgico, senti falta dos antigos festivais de música realizados pela TV Tupi, no “Maracanânzinho”, que revelaram e se sustentaram  no cenário musical do Brasil,  cantores como Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Geraldo Vandrá, Gesse e tantos outros. Em minha nostalgia, lembrei da letra da música “Desencontros de Primavera”, na qual Hermes de Aquino, garante que “uma andorinha, no céu, passou e disse”, que  da Globo é uma grande ilusão, igual a uma “nuvem passageira”, composta pelo mesmo autor. E o pior é que “não foi embora” e nem irá tão cedo porque agora a Globo começou a anunciou o início do The Voice Kid e um novo BBB para 2016.

Por que será que o apresentar de TV teria afirmado que em TV nada se criava, tudo se copiava e, pior, com péssimo gosto,. Esses programas produzem dinheiro rápido: mas não, cultura ou qualidade, muito menos talento musical perene e com duração até que a morte os leve. Depois de vencerem ou o BBB, o The Voice Brasil ou “A Fazenda”, receberem os prêmios, as mulheres que se destacarem durante os ridículos e pervertidos programas de confinamento, posarem nuas e brilharem por poucos dias e depois ficam esquecidas, mas o excelente jornalista Pedro Bial continua produzindo seus “heróis” de mentira, de pura e erótica fantasia, totalmente fora da realidade. Por que não escutaram o recado deixado pelo apresentador da TV Globo, o “Chacrinha” e voltam a promover os antigos gostosos festivais que lotavam a quadra do Maracanâzinho? Ele próprio, de forma irreverente, revelou vários cantores, que se apresentavam como calouros em sua programa. Muitos recebiam buzinadas porque eram ruins demais! Outros, cantavam até o fim e recebiam os aplausos no final!

Esses ridículos programas possuem audiência com as suas exibições. As TVS, contudo, não ganhariam dinheiro tão rápido com as pessoas ávidas de bisbilhotar a vida alheia. Não telefonariam, não eliminariam e nem decidiriam que seria o “herói” do Pedro Bial. Muito menos poderiam escolher pelo telefone também, “a melhor voz do Brasil” como diz o apresentador Tiago Laifert, ou eliminar ou manter alguém dentro da “Fazenda”.É...Hermes de Aquino, você tinha razão quando compôs a música “Desencontro de Primavera”: “Ai, desacerto que cruza nossas vidas tão  normais/a solidão que vem/é alegria que vai”. E quando será que esse desacerto na programação aberta da TV Globo deixará de cruzar nossas vidas nada normais e continuará produzindo a solidão que veio para ficar e deixar saudades da alegria dos antigos festivais para os que tiveram a alegria de vê-los pela TV ou ao vivo, com os cantores de vozes excepcionais, com letras geniais, se esmerando no palco? Até quando essa “tristeza cortará a alma da gente“? Será que “antes que  a primavera se decida/ à pôr as flores nos campos,/e o verde nas folhas/com o barulho de mar/o sol por sobre a cidade/o vento irá  cessar” e a hipocrisia da TV Globo que não acrescenta em nada de cultura do Brasil, chegará ao fim? Com a letra da música de Hermes de Aquino, que também foi engolido pelo consumismo mediático do dinheiro, concluo essa crônica: 

“Ah! a solidão é uma canoa/navega o corpo e a alma voa/além do céu, além do mar/ Ah! No pensamento a gente voa,/qualquer problema é coisa à toa,/fica tão fácil de se amar...”

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

VITRINES DECORADAS, LINDAS DE SE VER!




Como um atrativo a mais ao comércio no período natalino para impulsionar as vendas que eram fracas naquela época, além das decorações realizadas pela Prefeitura, era gostoso caminhar pela Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, na década de 80, parar e ver o capricho dos logistas em preparar suas vitrines para o concurso que em dezembro no SENAC da rua Saldanha Marinho. 

Na época, o SENAC era comandado pelo empresário José Ribeiro Soares, o diretor da Unidade da Saldanha Marinho era Déo Pimenta. Contava com o auxílio da técnica em educação, Maria Tereza Santos de Oliveira, que coordenava tudo e, talvez, também da pedagoga Ana da Silva Quadros. No dia do evento para a escolha da melhor vitrine, a mais bem decorada, sempre era convidado como jurado ao evento.  

Como estava no auge da atividade como jornalista e recebia convites para diversos eventos que se realizavam na época. Era uma festa! A mesa montada, jurados a postos sendo chamados e fotografados sobre aplausos dos presentes que lotavam o local para torcer pelas suas vitrines. A disputa era acirrada entre os logistas. Todos os inscritos queriam ganhar o prêmio da vitrine mais bem decorada, porque serviria também como publicidade à loja que vencesse. “Fiz a melhor decoração natalina na minha vitrine”, anunciavam na época. Isso era motivo de orgulho aos lojistas!

Não havia muita burocracia: bastaria o logista produzir a vitrine, inscrevê-la e informar que gostaria de concorrer, junto com outros lojistas que participavam. Os jurados previamente selecionados, tinham o compromisso de observá-las, ver detalhes, criatividades dos decoradores, entrevistar um ou outro para saber como haviam concluído e projeto de decoração, que era livre e, no dia, comparecer ao SENAC, compor a mesa de trabalhos e escolher a melhor delas, obedecendo vários critérios pré definidos. 

No dia do evento, eram apresentados os trabalhos de hotelaria dos alunos, que  caprichavam nas apresentações dos pratos que seriam capaz de fazer, razão de eu ter escrito que talvez a pedagoga Ana da Silva Quadras, gerente de hotelaria do SENAC, participasse do processo. Mais tarde, Ana da Silva Quadros foi contratada para ser Coordenadora de Desenvolvimento Profissional no SENAT e hoje é diretora da Unidade da instituição em Macapá! A Hotelaria não era selecionada, mas deveria ser!

Na vida o homem é resultado do que deixa do SENAC foi substituído na presidência pelo empresário Hélio Nobre Malagueta, a direção da unidade mudou, os técnicos mudaram e, com o tempo, essa tradição foi desaparecendo até que deixou de ser promovida. Mas que a cidade ficava mais bonita, com caprichos incríveis de decoração de vitrines e os comerciantes conseguiam vender mais, isso não tenho dúvidas.

Uma pena que tudo acabou e nada mais é feito para melhorar e incentivar o comércio que está em crise a vender mais. Mas as lembranças ficaram e entrarão para a história!  

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

UM SACO CHEIO DE PROBLEMAS EM 2016, NOS ESPERA!


Com um saco cheio de problemas não digeridos politicamente até o recesso parlamentar dos “deputados federais” e “senadores”, como falta de moral política, ética, projetos na área administrativa, esses bons exemplos que se esperava de quem é eleito para nos representar no parlamento maior do país, além de recessão econômica, desemprego em massa, fechamento de empresas etc, Papai Noel chegará e sairá das casas dos contribuintes sem deixar todos esses indesejáveis e os rançosos presentes que trará em sua sacola vermelha. Seu tradicional “rôrôrô” será substituída pela palavra “corrupção, corrupção e corrupção”. O seu sino que faz blém, blém, blém, continuará fazendo a mesma coisa a cada vez que se praticar um ato de corrupção no Brasil, em qualquer esfera dos poderes e ensurdecerá os ouvidos dos contribuintes. 

Depois, virá o ano novo, carregando às costas mais problemas difíceis de serem digeridos e que não foram não resolvidos na esfera política. Todos foram deixados pelos parlamentares que ousam se proclamar representantes do povo e não de seus próprios interesses, como é o caso do fisiológico PMDB que nunca foi governo, mas sempre esteve no centro da base de qualquer Governo. Começaremos de novo um ano velho porque o novo ainda não apareceu! 

É uma pena que tenhamos que viver no ano de 2016, os mesmos e mais outros problemas investigatórios resultantes da continuidade e desdobramentos das investigações da “Operação Lava Jato”, que já prendeu alguns políticos e outros poderão perder seus mandatos e sair da Câmara Federal direto para a prisão da Polícia Federal, no Paraná. 

De novo teremos que ver o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, usando sua “tropa de choque” para continuar protelando o julgamento do pedido de sua perda de mandato. De novo, teremos que ver a instabilidade econômica, política e institucional do Brasil, pela total inercia de debates das questões relevantes para serem discutidas em favor do país, com o objetivo de tirá-lo do marasmo moral em que foi medido pela administração de um partido que, em resumo, é o resultado do que vive hoje a sociedade coletiva,  individualizada,  cotizada, empobrecida e se fez horrível!

Apesar de tudo isso, desejo aos meus leitores um feliz Natal e um melhor Ano Novo. O Natal, sei que não será bom, mas esperaremos que tenhamos um ano novo melhor do que foi o ano que terminará logo e que o novo ano comece para continuarmos sendo obrigados a ver esse circo de horrores em que se transformou a política brasileira na atualidade!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A VIDA CAMINHA COM A MORTE (ao general Thaumaturgo e ao médico Almério Filho e ao ex-senador e advogado Evandro Carreira)


Como se fossem duas crianças travessas brincando, a vida e a morte caminham juntas, de mãos dadas, beirando à margem de uma estrada ou de um trilho de trem, uma empurrando a outra: ora é a vida que empurra a morte. Ela volta e empurra a vida, até, em algum momento, que a vida tropeça, cai e não consegue mais voltar e morre. Já nascemos morrendo e o ser racional é o único que tem consciência dessa realidade imutável. Se caminhamos para o céu ou o inferno, isso é uma discussão infindável. O certo mesmo é que todos morreremos, mais cedo ou mais tarde. Uns vão cedo demais; outros demoram mais para partir. O que fizeram na vida é o que importa para a vida que viveram e nada mais! Em uma semana de dezembro, três pessoas queridas faleceram. 

De forma diferente, convivi com fodas elas, por razões e coisas diferentes  Uma foi o general amazonense Thaumaturgo Sotero Vaz, do Exército brasileiro, que recebeu honras militares como deveria; outros foram o médico pneumologista Almério de Souza Pinto Filho, que faleceu vítima de AVC em um sítio que possuía no município de Presidente Figueiredo e o advogado amazonense ex-senador da República, Evandro Carreira, do qual recebi, na redação de A NOTÍCIA, os seus pronunciamentos na coleção “Recados Amazônicos”. O general e o ex-senador, internados há alguns dias, faleceram pela pneumonia. Quem sabe todos não se encontrão em algum lugar? O Dr. Almério  curará o general Thaumaturgo e cuidar do ex-senador Evandro Carreira, que nos deixou aos 88 anos! É, quem sabe? Mesmo não os trazendo de volta, sentirei saudades de todos, cada um pela sua importância!

Por que a morte os tirou de mim, de minha vida, tão cedo? Não poderiam esperar     eu morresse primeiro,  já que vivo há 13 anos infectado, para irem depois? O general amava a Amazônia e chorava sempre ao final de palestras que fazia sobre o tema! Como diretor da Unidade Manaus “Francisco Saldanha Bezerra”, negociei todo o processo que resultou em um convênio, permitindo a inclusão dos militares aos ensinos profissionalizantes na área de transportes ministrados à distância pelo SEST/SENAT, com a distribuição de antenas parabólicas, sem custos às empresas e ao Exército, a não ser as de manutenção para que funcionassem. Uma dessas antenas doadas, vi instalada no Município de Tefé e eu exigia relatórios frequentes da técnica, Anatália Oliveira: “o relatório de cursos de Tefé, não veio esse mês?” “Ainda não recebemos, Dr. Carlos”, respondia. “Cobre de novo”. “Já cobrei, Dr. Carlos, mas dizem que mandarão e não mandam”.

Passei em frente a Guarnição Militar do Exército e vi a antena instalada no Batalhão do Exército no município de Tefé. Como teria que cumprir uma agenda de trabalho, só olhei, mas não sei se estava sendo usada e funcionando. Quando me dirigia ao CMA, para tratar do convênio,  o general exercia uma função na anti-sala do gabinete  do comandante. Era sempre recebido com um aperto de mão e um sorriso e me conduzia à sala do comandante que, como se fosse uma obrigação, ficava de pé e me cumprimentava também com um aperto de mão. Hoje, só guardo lembranças desse general e desses fatos. Sei que exerceu uma Secretaria Municipal no Município de Presidente Figueiredo, mas não sei qual era.

Almério Filho era uma figura impagável! Foi meu médico sem cobrar nada em alguns momentos por dores que sentia nas costas. Como passara vários dias, internado na adolescência com princípio de pneumonia, resultado de uma gripe mal curada, no hoje desativado e abandonado Hospital Santa de Misericórdia de Manaus, segundo vim saber depois, sempre tive muito cuidado com meus pulmões, embora nunca tenha fumado. O Dr. Almério de tanto me atender, nos tornamo amigos e passou a frequentar minha casa com a sua então esposa, a médica Dra. Norma. Começou a trabalhar durante a noite, no Hotel Tropical e, sempre sorrindo, me contava que tinha comprado um carro Opala velho e conseguia a dar suas “escapulidas e desculpas convincentes”, à Dra. Norma, chegando de manhã em casa com o jaleco branco todo sujo. Justificava à esposa. “O deu prego na estrada coronel Jorge Teixeira, vindo do tropical”. “Furou o pneu quando estava”. “Acabou a bateria, não consegui ligar o carro e precisei trocá-la para chegar em casa”. Depois de um certo tempo, a Dra. Norma  decidiu dar-lhe um carro novo de presente:

- Taí, Almério! Agora, quero ver você encontrar desculpas para continuar tendo problemas no seu Opala velho. Tempos depois, soube que tinham se separado. Perdi o contato com os dois, mas guardo na memória esses momentos de descontração. Da morte do Dr. Almério Filho, soube de seu falecimento e a causa, através do amigo Luiz Celso Santos de Oliveira, advogado que reside em Brasília.  filho do jogador de futebol do Amazonas e delegado de polícia, Dr. Itagiba Ramos de Oliveira. Da morte do general, vi pela TV as merecidas honras militares que lhe foram prestadas pelo CMA. Do Dr. Almério Filho, nada se noticiou. Ah, como a vida é ingrata! Do advogado e ex-polêmico senador pelo Amazonas, Evandro Carreira, que nos deixou aos 88 anos, soube por uma pequena notícia na TV; Ele estava internado em um hospital, A notícia, não deu à dimensão da importância que teve na política do Estado e do Brasil e na defensa da ecologia com seus famosos “Recados Amazônicos”.

Ah, que saudades me deixarão! É sempre assim, para morrer basta estar vivo, como disse o advogado Luiz Celso. Eu acrescento: já nascemos morrendo! O caminho rumo ao destino de todos, pode ser longo ou curto, dependerá das brincadeiras traquinagens entre a vida e a morte! Como no Brasil de hoje, na hora da morte não haverá separação entre as classes, cotas ou outras coisas que inventaram. Na morte e na vida sempre seremos todos iguais. O que nos diferenciará entre riqueza, pobreza ou miséria absoluta, será apenas o caixão, com mais ou menos adornos e coroas de flores que receberemos e nada mais! 

O resto é tudo igual! 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NÃO É O "FIM DO CAMINHO"


inspirado na música Águas de Março, de Tom Jobim.


É pau, é pedra, é o fim do caminho”. Isso é o que diz a letra da música escrita por Tom Jobim e gravada por vários cantores brasileiros. Seria mesmo que é o fim do caminho a crise política, econômica, ética e moral do país, como diz o verso da música “Águas de Março”? Não acredito que haja “nem pau, nem pedra” e não seja o “fim do caminho”. Mas tudo ficará para março de 2016. O recesso parlamentar terminará em fevereiro. Em seguida virá o carnaval. Brasília e o Brasil param de novo e a vida política e, financeira, ética e moral do país só recomeçará em março, com ou sem o impeachment, ou da presidente Dilma Rousseff, do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha ou presidente do Senado, Renan Calheiros, contra quem ainda não tramita nenhum processo por perda de mandato, mas uma investigação no STJ, ou de ninguém. Mas só saberemos a partir de março de 2016, a menos que tudo termine em pizza: nenhum cassado ou perdendo mandato, o que seria uma vergonha para o Brasil, porque contra Cunha tramitam 4 processos no STJ e mais um pedido de perda imediata de mandato, do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Mas tudo ficará para março do ano que vem, porque o STJ também entrou em recesso.

Depois que o “resto de toco e um sonho sozinho”, e antes que um “caco de vidro” corte o “sol” de desenvolvimento ético,político, econômico e moral do Brasil novamente, os eleitores terão  o tempo de uma “noite”, de uma “morte” e, ao acordarem do porre ou retornarem do funeral do país, deverão fazer uso de um “laço e o anzol” para fisgar e riscar pelo voto do mapa do país, os políticos corruptos e desonestos que prometem e não cumprem o roubam dinheiro público. O eleitor deve fazer igual a grande perseguição religiosa ocorrida no século XV e que teve seu apogeu nos séculos XVI a XVIII na França, Inglaterra, Império Românico e Suíça e, em menor escala na Escandinávia, Península Ibérica, Itália e Império Habsburgo, conhecida na história como o período de “caça às bruxas”. Devem fazer isso, antes da “perda do campo” para a corrução e de um novo no novo “no na madeira” da economia paralisada. Se a período de “caça às bruxas”, demorou do século XV ao XVIII, tenho esperanças que a consciência de coletividade dos eleitores  não demore tanto tempo assim e deverá ficar conhecida na história como o período de “caça aos políticos corruptos do Brasil”. Porém, a formação de uma consciência crítica nas Escolas se faz urgente e necessária para que esse processo de mudança político da sociedade não demore 3 séculos. O Brasil é para ontem e estarei morto e com meu corpo em decomposição e não sei se ficarão pelos meus ossos para contar um pouco de minha revolta pela falta de consciência do todo e não só de poucos!

Ao contrário do manual “Martelo das Feiticeiras”, elaborado com interpretações da Bíblia, no Alcorão e na Torah, os eleitores brasileiros deverão utilizar o somente o “Manual da Ficha Limpa” para impedir que  políticos corruptos se elejam e reelejam, mesmo tendo ficha mais suja do que pau de galinheiro. Esses políticos continuem praticando corrupção e enriquecendo à custa da miséria humana, da falta de escolas, hospitais, remédios, obras iniciadas e não concluídas ou desvios da merenda escolar das crianças. No século XX, a expressão “caça às bruxas”, ganhou conotação ampla e passou a se fererir a qualquer movimento político ou popular da perseguição político-arbitrária com o objetivo de poder, “muitas vezes calçadas no medo e no preconceito” (Wikipédia) a que submetem a maioria no que hoje poderíamos chamar de terrorismo, como ocorreu, por exemplo, durante a guerra fria entre Estados Unidos e Rússia, que que perseguiam toda e qualquer pessoa que julgassem ser comunista, fosse por causa  fundamentada e comprova ou não, por medo do terrorismo. O Brasil, felizmente, ainda é uma democracia e, ao contrário do que muitos afirmam ser pelas redes sociais, principalmente, não é um comunismo, muito menos uma república bolivariana. É, sim, ainda um país coletivo, uma sociedade coletiva, mas age como se fosse uma empresa privada, submetendo os eleitores ao grande desilusão porque o país só começará a funcionar para tudo, a partir de março, infelizmente. 

Até março, nada acontecerá contra ninguém e tenho dúvidas que a presidente Dilma Rousseff venha a ser cassada, como algumas redes sociais desejam e defendem abertamente. Se o país fosse uma ditadura ou uma república bolivariana, tenho sérias dúvidas se todos falariam abertamente nas redes sociais o que pensam sobre a presidente da República! Tudo deve terminar em uma grande pizza, para desespero de uma minoria que quer vê-la fora da presidência e uma grande maioria que depositou suas esperanças no voto que a reelegeu para um segundo mandato.  Mas que ela acabou com a credibilidade do PT, isso é uma realidade e se constatará nas urnas, nas próximas eleições. Talvez um ou outro deputado ou governador que trabalhou sério, seja reconduzido a um novo mandato. Mas presidente da República, o PT não fará tão cedo, até que as águas de março, limpem o pau, a pedra e acenda uma nova luz no “fim do caminho” para que o eleitor brasileiro não se sinta um “pouco sozinho” como escreveu Tom Jobim, na letra da música que usei para escrever essa crônica

domingo, 20 de dezembro de 2015

POEMA DA UTOPIA SOCIAL!


Quem há de saber e conhecer o 
que nos oprime?

Quem há de saber, entender e explicar o 
que nos deprime?

Quem há de aceitar que a sociedade individual seja
culpada pelos erros que cometemos coletivamente, 
em nome de todos?
(pelo voto “democrático imposto”)

Ah! Sei...
(Como  é difícil aceitar essa verdade absoluta!)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

36 ANOS DEPOIS...(A Carlos Costa Filho, com muito amor! (17.12.15)


Acompanhado pela minha esposa Yara Queiroz, que estava radiante e linda mais do que já o é naturalmente, trinta e seis anos ter vestido uma calça e de camisa social, comprada com dificuldades para participar da minha festa de conclusão do curso de, 2o Grau do passado, entrei nervoso com alguns colegas e membros da família, no Clube “Sambão”, na avenida Joaquim Nabuco. Agora, emocionado e mais nervoso ainda do que a 36 anos passados, ingresso no auditório do Ducila’s Festa, na Estrada Jorge Teixeira, usando paletó, gravata, sapato social e um gorro de croché na cabeça, para disfarçar os mais de 70 pontos que tenho na cabeça de um lado ao outro. Deliciar-me-ei e na festa de Formatura do Ensino Médio, pela Escola Literatus. Como no passado ao concluir o magistério, meu filho também tem 17 anos. Só que para ingressar no mercado de trabalho, terá que fazer dois anos de curso pós técnico, se quiser trabalhar. A felicidade estampada no rosto de meu filho me fez tomar um porre de felicidade apenas com água Ele e eu, nunca fomos reprovados nos estudos. O gorro que uso para disfarçar os mais de 70 pontos na cabeça resultado de 11 cirurgias no cérebro desde 2006, vítima de empiema cerebral. Depois disso, passei a viver infectado por duas bactérias incuráveis e tomando remédios! Quando Carlos Filho foi transferido da Alfabetização no “Floresta Encantada” para o Instituto Batista Ida Nélson- IBIM  já ingressou no primeiro ano do Ensino Fundamental, após testes de conhecimentos. Como tinha 6 anos de idade, reclamou que não conseguia acompanhar os colegas, pedi e fui atendido que retornasse à alfabetização 3 para depois seguir para o primeiro ano do Ensino Fundamental. Tania Mara, a diretora, reconheceu-me como minha ex- colega no Ginásio Dorval Porto, mas não sei em qual das séries do ensino de 5a a 8a séries da época.

Ao entrar no auditório do Ducila's, senti-me subindo as escadarias do Instituto de Educação do Amazonas, com passos largos e apressados, entrando na Secretária da Escola e requerendo a “Declaração de Conclusão de Curso de Magistério, com habilitação de 1a a4a séria”, no mês de outubro de 1979.  Naquele época, o aluno era obrigado a escolher um curso profissionalizante. O primeiro ano do antigo segundo  grau com matérias gerais, poderia ser cursado em qualquer escola que tivesse o segundo grau. Cursei o primeiro ano no Colégio Estadual do Amazonas, voltado à cursos de biologia. Conclui magistério no Instituto de Educação do Amazonas e logo comecei a lecionar. A hoje advogada Yara Queiroz, cursou “Secretariado” no Sólon de Lucena e passou de primeira em um concurso para taquigrafa da ALE/Am, sem dificuldades. No passado, os cursos profissionalizantes eram para os jovens ingressarem logo no mercado de trabalho. Hoje foi criado o Pronatec!

Trinta e sete homens da Base Aérea de Manaus, que estava se implantando no Amazonas e poucas mulheres que trabalhavam no Distrito Industrial, formaram a minha turma. Eu era um dos poucos não militares na época. Hoje, tudo mudou! Como lembro e sinto saudades de meus colegas! Por onde andam e porque me abandonaram? De vez em quando encontro algum na rua e diz que foi meu colega em algumas das Escolas por onde passei, mas não lembro e eles também não. Todos mudaram. Eu mudei, enfim, nada é mais igual como fora antes. Nem mesmo o ensino, que mudou para pior porque retirou das salas de aula “cópia”, “ditado”, “OSPB”,  “Educação Moral e Cívica” e “Ensino Religioso”, que não reprovavam por notas. Mas por falta, sim!

Quando Carlos Filho foi chamado para receber um tubo sem nada dentro, me senti recebendo a Declaração assinada por Maria Sidney das Dores V. Seixas, chancelada pela diretora do IEA Maria de Nazaré Pessoa Torres. Essa declaração, guardo-a até hoje em uma pasta preta, como se fosse meu tesouro porque dentro dela está minha vida. Mas voltemos à formatura de meu filho no Ducila”s. Sentei no auditório e revivi tudo o que não tive na minha formatura: cerimonial e muitos fotógrafos. Cada movimento dos alunos era uma nova foto. Da minha formatura, guardo uma foto colorida, na qual aparecem membros de minha família, algumas colegas que não lembro mais pelo nome e Jorge Lopes da Silva que, embora não fosse formando, foi convidado por mim, como meu filho também convidou seus colegas não formandos, os irmãos Felipe e Hanna. Durante os discursos, professores, e alunos se revezaram em pronunciamentos, choros de agradecimentos e juramentos. Nada disso houve na formatura de 36 anos passados, nem entrega de um tubo vazio como se lá dentro tivesse o diploma.

Durante a formatura, depois do professor Tavares, paraninfo da turma, que se disse  emocionado por ter sido escolhido pelos alunos em votação para representar todos os outros professores, dois discursos me chamaram à atenção, pelo profundo conteúdo filosófico que os compunham. Um deles, foi do professor de história Rafael Pereira, fazendo uma interessante e perfeita analogia da sua matéria com o desenvolvimento dos alunos que estavam se formando, ao longo dos anos, comparando-os com as épocas da pré-história, na alfabetização e foi passando por outras fases históricas  sempre comparando-os  a cada uma delas, até o momento em que estavam chegando. Disse que teria início a fase mais difícil de suas vidas porque estavam prestes a chegar à Idade da Luzes, com todos tendo que  decidir por uma carreira e pensariam com mais clareza.Outro pronunciamento foi o do professor de biologia Jonas Zaranza. Usou uma frase dizendo que “o pior naufrágio é não querer deixar o porto com medo de naufragar”. O naufrágio pode acontecer, porém, no próprio cais do porto se os alunos não objetivarem e lutarem pelo que desejam. 

Carlos Costa Filho, que o pegava em casa as sextas-feiras no ano de 2006 e o levava  como “meu professorzinho” na Faculdade. Ele ria e assistia as aulas sem interferir, sempre sentado em uma das primeiras carteiras da sala. Gostava de entrar em sala carregando minha pasta e entrar junto comigo. Na sexta-feira, só  lecionava três tempos de aula e voltava mais cedo para casa com ele. Meu filho,  não importa a profissão que você venha seguir na Idade das Luzes, porque desejo que uma delas que venha a escolher a exercer a pratique com muito amor, dedicação, ética, empenho, honra, dignidade e caráter no que fizer, porque isso nunca me faltou em qualquer das profissões de nível superior que exercer.

É...meu filho,  educação, conhecimento é a única herança que lhe deixarei para que você não “naufrague no porto”, como disse o professor Jonas Zaranza, por ter medo de dar um passo adiante.