domingo, 5 de janeiro de 2014

FOGOS DE ARTIFÍCIOS, ACIDENTES E CRIMES NO MARANHÃO!




 
O que tem a ver os fogos de artifício que clarearam o Brasil no final do ano, o menor número de acidentes nas rodovias federais em relação ao ano anterior e o elevado número de mortes na Penitenciária de Pedrinha, no Maranhão, com incêndios a ônibus,  morte de inocentes no incêndio, tudo comandado de dentro da prisão, por facções rivais?

Aparentemente nada; para um cronista, tudo!

Dos milhares de fogos que estouraram de norte a sul do Brasil na virada do ano novo, 6.651 foram para tentar clarear a mente dos motoristas irresponsáveis que bebem, dirigem e matam, fazendo manobras proibidas e ultrapassagens em locais sinalizados, mas que não conseguiram fazê-las com  perfeição e, por isso, cometeram acidentes. Em vez de comemorarem com suas famílias, no conforto de seus lares, 6.651 pessoas comemoraram dentro de caixões em necrotérios das cidades junto com mais de 50 detentos que deveriam ser protegidos pelo Estado do Maranhão, mas foram assassinados no interior da Penitenciária de Pedrinha. Depois, mandaram tocar fogo em ônibus e mataram crianças queimadas que, mesmo presos, determinaram queima de ônibus  e mais outros 379 feridos que passaram o início do ano em macas de hospitais, com suas famílias apreensivas se iriam se recuperar ou não!

No ano de 2006, a empresa WT Gomes Outdoors expôs em rodovias uma interessante e curiosa campanha nas ruas de algum Estado brasileiro com dizeres instigantes, intrigantes e provocativos, chamando a atenção para o grave problema que, naquele ano, já afligia a sociedade e se registrava com maior intensidade nas rodovias do país. E a questão da superlotação de presos nas cadeias de vários Estados, denunciada pelo CNJ, quando será resolvida? Nuca, porque promessas as autoridades sempre fazem. Mas só promessa mesmo!

Em 2006, outdoors afixados em rodovias, começavam perguntando “Bebeu e está dirigindo?“ e acrescentavam que o motorista ficaria lindo dentro de um caixão, com uma coroa de flores; que a missa de sétimo dia seria ótima com muitas flores, que o carro pegaria fogo e o condutor seria cremado. Em outra perguntava que bebeu e foi dirigir já teria deixado seu testamento pronto e, por fim, se a esposa do futuro defunto que bebe e depois dirige seria bonita e pedindo desculpa pela intimidade. Depois, arrematava tudo informando que beber é dirigir era suicídio e aconselhava ao motorista: “Não brinque no trânsito”.

Nem esse tipo dramático de campanha, parece ter surtido efeito positivo. Os fogos no céu, então, poderiam ser a solução porque deixaria as estradas mais claras para os motoristas que abusam do álcool, mas também não o foram, porque nem o clarão que produziram foi suficiente para conscientizá-los. É uma tragédia anunciada, combatida com Lei Seca, fiscalizações, campanhas, mas parece que o poder do álcool está cegando os motoristas ou tornando-os mais irresponsáveis. No natal e réveillon do ano passado, 420 pessoas morreram nas rodovias federais. Nesse ano, 379 faleceram. As colisões frontais foram responsáveis por 83 vítimas fatais na hora. Para o coordenador geral de operações da Lei Seca da PRF, Stênio Pires, a redução do número de acidentes nas rodovias deveu-se ao aumento das fiscalizações e de um melhor planejamento da ação. O coordenador concluiu que  não existe um único fator que contribuiu para a redução de acidentes” porque “o trânsito é sempre complexo”.

Ou serviram para clarear as armas utilizadas pelos presidiários de Pedrinha, no Maranhão, ou para tornar os incêndios comandados de dentro da prisão de Pedrinhas, em ônibus da cidade, queimando e matados inocentes. Será que os fogos foram para clarear e encher de amor os corações dos presos que matam e sentenciam condenando quem vai viver ou morrer na superlotação prisional?   Dos 996 motoristas que beberam e foram parados nas rodovias pela PRF, 461 deles viram os fogos estourarem pelas grades de celas das Delegacias policiais, porque apresentavam mais de 6 decigramas de álcool por litro de sangue, mas se recusaram a soprar o bafômetro, mesmo apresentando sinais visíveis de embriaguez.

Não viram os foguetes brilhando no céu na virada do ano, os motoristas embriagados, mas viram um brilho diferente na cor vermelha e sentiram o gosto de suas irresponsabilidades quando seguiam lentamente para serem enterrados em cemitérios ou seguirem apressados em macas para atendimentos em urgências hospitalares, cheios de sangue.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PONTA NEGRA COMO VI E VIVI - UM MERGULHO NO TEMPO!



 
- Picolé, quem vai querer picolé, gritava caminhando pela Praia da Ponta Negra, no final da década de 70. Recordei esse fato da infância, mas não vi mais as “duas pontas da enseada (...) ornadas de mato”, que formavam a Ponta Negra e a “Prainha” mais isolada, com árvores que beijavam as águas quentes do Rio Negro, nem areia branca e natural do lugar. Ela era fina e quente quando pisava, afundando as sandálias havaianas que usava no passado de minhas lembranças. A definição do historiador Mário Ypiranga Monteiro, desapareceu junto com os casais de enamorados mais isolados entre as árvores e pedras que existiam na  Prainha, para ficar longe dos que  chamavam chamar de “farofeiros”, por levarem galinha assada com farofa de casa em caixas de isopor, para a hora do almoço e também  sanduíches para a hora do lanche. Nada disso existe mais de forma natural! Na década de 70 e início de 80, os farofeiros incomodavam. Na praia, se chegava também por barcos regionais, mas, existia uma estradinha serpenteando por entre sítios com plantios de cajueiros e casebres humildes cobertos de palhas, que fora asfaltada durante o governo de Gilberto Mestrinho (59/63).

Ao abraçar a nova Ponta Negra passei a viver em colóquio sentimental com meu passado e senti orgulho do que vi, feito pela capacidade do homem de mexer com a natureza, mas também senti pena por não terem destinado banheiros públicos na parte de cima para os frequentadores; por terem destruído as árvores que beijavam o rio e de cujos galhos também pulava na água depois que vendia os picolés. Das árvores do passado, dos pés de cajus que existiam, não vi nenhum sinal deles, como também não consigo mais ver nas Igrejas Católicas, confessionários que existiam no passado. Eram tantos! Será que na era da tecnologia, os internautas estão usando a lenta e cara rede para se conectar direto com Deus e não precisam mais de padres para intermediá-los com o Criador? Existem banheiros particulares que cobram 1 real para serem utilizados, mas, pelo menos, ainda estão limpos e conservados. Até quando, porém?! Como os usuários não os conservam, não sei se a cobrança pelo uso será uma solução. Como também não sei se a falta de confessionários para ligar o pecador ao padre e a Deus será possível sem os antigos biombos que ficavam separados, com um padre ouvindo confissões de pecadores. Ou o pecado desapareceu? Ou o pecado teria sido só uma criação da Igreja e a modernidade percebeu que poderia confessar seus pecados direto para Deus, mesmo com a péssima e cara internet? Mesmo que venha a ser possível essa conexão direta com Deus, deveria haver ao menos banheiro público na praia, administrado e mantido pelo município de Manaus e a volta dos confessionários nas Igrejas Católicas porque o pecado continua existindo!

Historicamente, há relatos distorcidos e controversos sobre o bairro mais distante de Manaus. O historiador e folclorista Mário Ypiranga Monteiro, em seu livro “Roteiro Histórico de Manaus”, garante que a ocupação do bairro da Ponta Negra teria se iniciado em 1650, habitada por tribos indígenas. O historiador, antropólogo e artista plástico internacionalmente conhecido, Moacir de Andrade, afirma que uma missão fora fundada pelos jesuítas na área do Tarumã, para proteger a existência dos índios Aruaque e Alófila, mas não sabe ao certo se existe alguma ligação com a Ponta Negra. Mário Ypiranga, em sua obra, define o bairro como “uma via em declive tendo duas pontas da enseada que são ornados de mato”. Historicamente, o bairro Ponta Negra teria também local da tribo de índios Manaós. Há ainda outra versão da história que circula oralmente entre pessoas que se interessam pelo assunto, segundo a qual a praia - ou as duas “pontas da enseada (...) ornadas de mato”, teria sido “descoberta” por um pescador que procurava nas águas negras e quentes do Rio Negro, um local ideal para pescar.

Teria contado a “descoberta” ao professor do Colégio Estadual do Amazonas e, este, amigo do governador Plínio Ramos Coelho o nomeara prefeito do local. Na mesma época, empresário e dono do estaleiro Nilo Tavares Coutinho, também teria sido nomeado prefeito da comunidade de Rio Preto da Eva, hoje município a menos de 80 Km de Manaus. O empresário era avô do administrador de empresas, pesquisador, historiador e escritor Carlos Coutinho, que confirmou a informação. Pode ter sido também o caso da nomeação do professor Thales Loureiro para administrar a Ponta Negra. Se isso é verdade ou não, só confirmo que parte das terras da Ponta Negra é de propriedade da família Loureiro, herdeira do professor, que as loteou, transformou em condomínios de luxo, criou infra-estrutura e começou a vender terrenos para a construção de casas de luxo. Mas a história oficial nada registra desse período. Depois de 64, parte dos atos de nomeações do governador foram tornados sem efeitos pela Revolução Militar.

No colóquio sentimental com meu passado, entrei no túnel do tempo da época que vendia picolé, mas permanecia dentro de um ônibus da empresa Soltur, que explorava a linha só nos finais de semana, seguindo por uma estrada que parecia um caminho asfaltado, sem sarjetas ou infra-estrutura, chegando finalmente ao bairro mais distante de Manaus, a 13 quilômetros do centro da cidade.  Mais tarde, embora não oferecesse muita segurança, a Ponta Negra virou um ponto de reunião da sociedade amazonense, como registra a história. Mesmo com a estrada asfaltada, chegar à praia era uma aventura. O processo de modernização da Ponta Negra começou na década de 70, com o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, prefeito de Manaus que a duplicou e hoje dá nome à Estrada.  

Depois vieram os conjuntos residenciais, sendo um dos primeiros o Jardim Europa, segundo a história. Frequentei a praia por algum tempo, mas agora estava retornando com minha esposa Yara, dirigindo seu carro e me encantei com a nova e artificial praia da Ponta Negra, construída pelos homens, mas com a destruição das antigas árvores, dos pés de cajus que existiam, das pedras que davam a beleza da Prainha e dos galhos das árvores que era a alegria da garotada. Em seus lugares, plantaram palmeiras e outras plantas ornamentais que não são típicas para o clima quente e úmido de Manaus. Mas ficou linda, perfeita e é mais um ponto turístico, um pouco caro em seus preços suportáveis para um aposentado pela Previdência Social que ainda paga Imposto de Renda de 7% ao mês e sem banheiros públicos na parte de cima para os frequentadores. O bom é que destruíram o belo local e construiu uma coisa mais linda ainda, com o fim da beleza rústica e natural, por cujo local eu gritava em meu corpo frágil de pouco mais de 20 quilos:

- Picolé, quem vai querer picolé.

Esse grito não se ouve mais, mas a saudade do que eram a Praia da Ponta Negra e a Prainha, continuará existindo em meu peito como uma marca de faca cortando o coração sentimental que não perde a mania de recordar o passado e projetando que o futuro que seria melhor se essas pequenas coisas fossem ao menos preservadas! Da antiga praia reformada pela mão humana, criando calçadas de ladrilhos hidráulicos e iluminação noturna a vapor de sódio, permanecem as areias finas que existiam com outras areias retiradas do rio e colocadas para aumentar seu tamanho, mas perdendo sua beleza natural. Contudo, se tornou um moderno complexo turístico.

Do passado que o menino picolezeiro guarda na retina de seus olhos e em seu coração melancólico, nada restou e, do futuro, pouco se saberá, porque dependerá dos permissionários zelarem pelo local que já serviu para o funcionamento de bares que incomodavam com som alto os vários prédios que surgiram na praia. Esses, também não existem mais! Como herança da antiga praia da Ponta Negra só restou mesmo os vendedores de coco, com suas barraquinhas cobertas com telhas de barro e padronizadas!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FELIZ ANO DE 2014 AOS LEITORES DESSE BLOG

A todos os 85 mil leitores que já acessaram o blog em 46 países, lembro-lhe que todos os dias, são dias de mudanças porque a vida seria muito chata se tudo fosse exatamente sempre igual, como uma repetição monótona de uma constante vida sem graça! Seria muito desinteressante.
Como um dia não se repete sempre igual ao outro anterior, não somos todos os dias os mesmos. 
Felizes mudanças para todos em 2014. Felicidades e muito obrigado a todos, também pelos comentários que recebo, mesmo os mais críticos, respeito a todos porque não posso ter a pretensão de opinião unânime para todos. 
Tenho consciência de minha responsabilidade, respeito e consideração que tenho por todos os que leem o que escrevo.
 
Carlos Costa

"OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS" TAMBÉM NO BRASIL?




Enquanto não existir uma perfeita e unida sincronia entre a polícia que prende, a justiça que manda soltar, o ministério público que dá parecer favorável à soltura, um Estado que invista no social e a sociedade civil que fiscalize, olhe, cobre, aponte, denuncia e exija melhorias, muitas vezes até com excessos, o Brasil vai continuar mostrando vereadores em fila seguindo para a prisão, corrupções descaradas e sempre cometidas por pessoas que dizem através de advogados que são inocentes, escolas se transformando em autênticos BBB,s, longos processos que não acabam nunca “Amarildo’s da vida” desaparecendo dentro de UPP, tiroteios em favelas pacificadas etc.

Será que o Brasil vai precisar se unir e criar uma “Operação Mãos Limpas” para colocar na cadeia, pelo menos parte dos autores ativos e passivos de corrupção, de bandidos mais organizados e armados que os policiais montando escritórios do crime, via celular, de dentro das cadeias? Estamos vivendo igual aos italianos na década de 80, com o Comando Vermelho e máfias dominando tudo! Já temos máfias, milícias e grupos extremistas nas ruas destruindo tudo, mas nada acontecendo contra ninguém. Só falta  sequestraram alguém! Temos tudo aqui!

A Itália, país que viveu um período negro em sua história, com máfias organizadas enfrentando o poder do Estado Social e se achando acima da Lei, decidindo que deveria morrer, matando juízes, promotores e cometendo atentados. Mas a sociedade se organizou, uniu todos os atores sociais e implantando a “Operação Mãos Limpas”, com a finalmente colocar na cadeia os principais chefes das máfias que agiam na clandestinidade. Não estou afirmando o Brasil de hoje é a Itália de ontem e também que  será fácil resolver o problema principal do Brasil, que é corrupção pública, mas o Estado brasileiro precisará fazer um pacto entre os Estados que compõem o país para resolvê-los ou minorá-los pelo menos. No Brasil, não temos “Brigadas Vermelhas”, mas temos o Comando Vermelho e o PPC que mandam nas prisões usam telefones e transformam as cadeias em seus domínios territoriais.

Temos os torcedores revoltosos, as badernas democráticas promovidas pelos “rebeldes sem causa” nas ruas que quebram, destroem e tocam foco em tudo, mas não dizem o que querem nada apresentando de reivindicação. Temos impostos pagos que estão sumindo pelo ralo da corrupção, quadrilhas de funcionários públicos “inocentes” sendo presos e soltos por “erros processuais” e excessos de recursos permitidos.

Será que o Brasil terá que criar sua própria “Operação Mãos Limpas” para por fim a tudo que está errado? Espero que não! Basta a união da sociedade e o desejo político de mudanças profundas. Para quem é jovem e não sabe sobre o que estou escrevendo, a Operação Mãos Limpas ou Mani pulité em Italiano, (enciclopédia livre Wikipédia) foi uma profunda e grande investigação realizada na Itália para esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990, na sequência do escândalo do Banco Ambrosiano  em 1982, que implicava a Máfia, o Banco do Vaticano e a Loja Maçônica P2.

Depois que o dissidente Vladimir Vukovski trouxe dos arquivos de Moscou e apresentou provas de que  praticamente toda a imprensa social-democrata da Europa tinha sido financiada pela KGB, a polícia secreta russa, durante toda a década de 1980, praticamente foi extinta a chamada Primeira República Italiana, fazendo desaparecer muitos partidos políticos porque alguns parlamentares e industriais cometeram suicídio quando os seus crimes foram descobertos. Antes da solução final, muitos morreram inclusive um Primeiro Ministro, Aldo Moro, líder do Partido Democrático Cristão sequestrado e assassinado pelo “Comando Vermelho”.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O TEMPO QUE NÃO EXISTE ESTÁ FICANDO CURTO DEMAIS!




Criança, na comunidade do Varre-Vento, no município de Itacoatiara, via o tempo passar, mas não sabia por que tempo teria que passar só um ano chegar ou em qual momento aconteceria o envelhecimento do tempo; se tudo deixaria de existir e tudo começaria novamente com mais bombas, tragédias pelas secas e pelas cheias que são constantes e históricas, novas formas de desvios de dinheiro público e mais impostos para assegurar a roda do poder que guiam os caminhos do Brasil pelo clientelismo, bolsas,  conchavos políticos e os apadrinhamentos por cargos, enfim.

Aos nove anos, em Manaus, morando na casa de meus padrinhos Januário Calado/Natércia, no Morro da Liberdade, continuava a ver o tempo passando mais rápido e imaginava que seriam só duas pessoas, um velinho se apoiando em sua bengala, carregando  tragédias de um tempo que não entendia às costas saindo para morrer no horizonte e outro, ainda garotinho e de fraudas, entrando para envelhecer no lugar do que saíra. No caminho, os dois não se encontravam e nem se falavam, parecendo nutrir imensa raiva um pelo outro. Assim imaginava que fosse a troca do ano velho pelo ano novo como a troca de guarda em um quartel!

Depois, como jornaleiro, vi em “A CRITICA”, uma charge de João Miranda, um dos mais perfeitos e completos chargistas de Manaus reproduzindo e reforçando a ideia que existia dentro de mim, da  troca de guarda em um quartel, com um velho se indo com sua bengala e um garoto novo vindo substituí-lo. Mas, como? Será que minha ideia havia sido copiada pelo Miranda? Não, apenas ele pensava como eu! Nada mais natural porque muitas crianças, sem muitas tecnologias na década de 70, também pensavam como eu!

Anos depois, como jornalista, novamente voltei a ver no jornal A CRÍTICA, a mesma charge de Miranda, reforçando minha fixação: eram só duas pessoas mesmo! Uma velha, com um saco às costas cheio de problemas do ano que estava se encerrando,  transportando tudo, se apoiando em uma bengala e um outro, garoto de fraudas, pronto para substituir o ANO VELHO PELO ANO NOVO! Estava concluída a ideia que tinha da troca de ano! Mais tarde, na Faculdade, passei a entender que o tempo não existia e que teria sido criado para poder contar a história das besteiras e sandices que o homem produz  durante um determinado tempo, em nome da fé, religião, extremismo, ganância e falta de amor no coração. Depois dos 50 anos às costas, já descendo a escada da vida rumo à morte, passei a entender que o tempo  começou a passar cada vez mais rápido e que as 24 horas de um dia se tornaram poucas para se fazer tudo o que desejamos ou planejamos e que nem os 365 dias e 6 horas de um ano não bissexto, serão suficientes para tudo o que o homem pretende fazer,

Hoje, concluo que o ser humano deixou de ter lugar para DEUS, para os amigos, para cumprimentar e desejar felicidades a alguém,  agradecer pelas boas coisas que lhe aconteceram durante a vida e as ruins para serem registradas, enfim...O tempo se tornou curto demais e passou a transformar pessoas em escravos dele, embora   não exista de verdade e seja só o resultado de uma convenção aceita por todos e cobrado pelos ponteiros dos relógios que não param quando acabam a bateria ou a corda, se é que ainda existe algum relógio mecânico, como os de antigamente! O ser humano esqueceu que as coisas básicas para se ter uma vida quase perfeita são: HUMILDADE, AMOR, TOLERÂNCIA, COMPREENSÃO, PERDÃO, PACIÊNCIA, PERFUME DE ROSAS  PELO CAMINHO, NATUREZA PRESERVADA E DEUS NO CENTRO DE TUDO.