sexta-feira, 8 de março de 2013

'LILICA", A PROFESSORA E A DONA DO FERRO VELHO...!




Em um “mundo cão” no qual vivemos atualmente, uma cadela nos dá uma lição de solidariedade humana e amor aos outros, mesmo que aos animais irracionais iguais a ela ou a nós todos, animais racionais que estamos ficando irracionais pelo egoísmo,  querer só o  ter; não querer ser e tantas outras verdades que poderia dizer ou escrever a todos!

“Lilica”, a cadela, não queria aprender a ler e escrever com a professora Lúcia Helena de Souza! Talvez até desejasse pela sua extrema inteligência, mas a resposta é não!

A cadela e a professora se uniram e uniram-se à dona da cadela, Neila. Então, o que poderia ter unido a professora, a cadela e a dona de um ferro velho? A solidariedade, apenas! 

A lição de amor e solidariedade demonstrada pelas três é de impressionar, sobretudo em um mundo egoísta como vivemos hoje, quando muitas pessoas não têm coragem de dividir nada com ninguém, ou conhecer o seu vizinho ao lado! Em condomínios, chega a ser, ainda, bem pior.

Em condomínios de casas ou apartamentos, ninguém conhece ninguém, mesmo que more no mesmo bloco, do lado da outra casa e desça todos os dias junto com a outra pessoa. Desconhecemos ou quem reside ao lado de nossa casa, quem é o vizinho de nosso apartamento. É o individualismo exagerado dos seres humanos racionais, o que sobra na atitude da cadela irracional em “Lilica”, da professora racional que não ensinou nada à cachorra e, por fim, a dona de um ferro velho em São Carlos, no interior de SP, dona de “Lilica”, adotada por ter sido abandonada à porta do local!  Ninguém ensinou nada a cadela Lilica. Era nato dela mesma!

No dia 23 de novembro, o Globo Repórter ao Brasil, no dia 23 de novembro de 2013, a história da cadela “Lilica”, abandonada na porta de um ferro velho em São Carlos e terminou por unir Neile, dona do ferro velho e a professora Lúcia Helena de Souza que abdicou do seu sagrado direito de viajar só para dar comida à “Lilica”. Mas ela percebeu algo diferente no animal e decidiu segui-lo por uma estrada longa, escura, cheia de perigos, e com risco de ser atropelado, enquanto ele arrastava e deixava pelo trajeto que fazia, até chegar a um ferro velho, onde eram criados por Neile mais cachorros e outros bichos. Ela entregou tudo o que transportara com a boca, aos animais que lá estavam e todos comeram!

 A solidariedade humana se fez florir como rosas de em um jardim e no coração perfumado da professora e, seguindo a cadela,  conheceu dona Neile, que recolhia e abrigava seus quatro filhos dentro de caixas de papelão que recolhia pelas ruas de seu município São Carlos, prestando um serviço que deveria ser gratificado à limpeza pública!

Com essa decisão surpreendente, “Lilica”, a professora Lúcia Helena e dona Neile, se conheceram e passaram a se entender por uma coisa tão simples e básica à vida humana: a solidariedade. Se cada um desse um pouco do que tem, um tempo que seja um abraço talvez, um aparto de mão, uma rosa que não lhe custe dinheiro, um bom dia ou boa noite ou um beijo solidário, tenho certeza que o mundo seria bem melhor para todos. Um bom dia aos vizinhos que descem no elevador de seu condomínio, sempre apressados, seguido de um sorriso, já seria um bom começo!


quinta-feira, 7 de março de 2013

FLASCH DA VERDEIRA HISTÓRIA DO CARNAVAL EM MANAUS!



(Humberto Amorim, o transformador da folia)

No ano de 1981, o Governo José Lindoso, decidiu oferecer ajuda financeira ajuda às Escolas de Samba de Manaus. Isso, praticamente mudou o que era desfile de “blocos de sujos”, “batucadas” e caminhões com pessoas em cima, subindo e descendo a Avenida Eduardo Ribeiro, para o que é hoje o carnaval de Manaus. Toda essa mudança se deu quando o novo Diretor de Turismo e Promoção da Empresa Amazonense de Turismo – Emantur, Humberto Amorim, foi nomeado Coordenador do Carnaval de Rua de 1980  e conseguiu convencer o Governo do Estado a doar dinheiro para que os grupos, batucadas e agremiações que passassem a ter uma melhor estrutura e se profissionalizar em Manaus. O governador Lindoso, levado por Humberto Amorim, visitou uma a uma as agremiações que existiam. Depois, com a ajuda financeira oferecida também pelo prefeito José Fernandes, o carnaval mudou seu formato, mas isso levou um tempo razoável e penoso para seu coordenador.

Humberto Amorim rígido, mas humano também, comprou briga com a imprensa por causa dessa sua atitude, mas tratou de reunir todos os dirigentes de Escolas de Samba no prédio da Biblioteca Pública do Estado, na Rua Barroso e, entre gritos e ameaças, propôs a criação de ajuda financeira do Governo do Estado para o desenvolvimento e profissionalização do carnaval de rua. Nessa reunião com os dirigentes de agremiações, outras decisões também foram aprovadas, como proibir que os blocos de sujos desfilassem no mesmo dia das batucadas,  desfiles usando roupas tipo maiô foram proibidos, etc., mas na Câmara Municipal de Manaus, o então presidente da casa, vereador Carrel Benevides  acusou Humberto Amorim de ser inimigo da cultura amazonense, ser seguidor do Aiatolá Khomeini por ter criado um dia só para blocos, outro para as batucadas e outro para as poucas escolas de samba que começavam a surgir, muitas originárias de blocos ou batucadas. Humberto Amorim foi até atingido com adjetivos ofensivos a sua honra pessoal.

Mas o carnaval em Manaus começou a mudar definitivamente um pouco antes, em setembro de 1979, na administração do governador José Lindoso, quando Humberto Amorim, foi nomeado como Diretor de Turismo e Promoção da Empresa Amazonense de Turismo e designado por seu presidente da Emantur, na época, Ítalo Bianco, para comandar e coordenar o Carnaval incipiente e desorganizado da cidade. O novo coordenador não mudou o carnaval, sozinho. Ele contou com a participação direta de muitas outras pessoas como o prefeito da época José Fernandes, que também decidiu oferecer ajuda aos carnavalescos. Muitas pessoas participaram direta ou indiretamente da transformação do carnaval incipiente do passado para o que ele é atualmente, como o jornalista Augusto Banega, empresário Marcílio Junqueira, o militar aposentado João Batista, que era dirigente do Grêmio Recreativo Escola de Samba “Em Cima da Hora”, a única que possuía uma quadra de ensaio, construída em um terreno emprestado pela Igreja de Educandos. Era, também, naquela época, a mais estruturada e organizada de todos que desfilavam. Nessa época, quem tinha um bloco de carnaval ou cordão também tinha uma agremiação folclórica.

Naquela mesma época, na Praça 14 de Janeiro, “Tia Lindoca”, já sexagenária e simpática, comandava os ensaios da Escola de Samba “Vitória Régia” em um terreno de 4 X 20. Também tiveram importância na transformação do carnaval, Manoel Alexandre, Ítalo Bianco,  Cézar Luiz Bandeira, primeiro presidente da Escola de Samba “Aparecida”, Aurton Furtado Júnior, Totonho Auzier, Gilson Lima, Maria de Lourdes Israel de Azevedo, Jucelina, Dorinha, Fernando Demasi, Onias Bento, Juscelina e José Sarmanho.

Em 1979, O GRES “Unidos da Selva”, o embrião de todas as outras Escolas de Samba que vieram a ser fundadas depois,  não desfilava mais.  Mas, outras passaram a existir como a GRES “Em Cima da Hora”, fundada por dissidentes da “Unidos da Selva”;  “Batucada Baré”, comandada pelo folclórico Maranhão; “Batucada do Rio Negro”, liderada por Enédio Negreiros; a “Balaku Blaku”; Bloco “Andanças de Ciganos”, comandada por Wilson Benayon (vereador mais tarde); “Reino Unido da Liberdade”, comandada por Bosco Saraiva (vereador e deputado estadual); e “Unidos da Raiz”, comandada pelo radialista José Maria Monteiro (se elegeu vereador).  Todas elas eram as atrações principais no carnaval de Rua de Manaus até 1979, ano do ultimo desfile na Avenida Eduardo Ribeiro, e depois, em 1980 foi transferido para a Avenida Djalma Batista, com uma melhor infra-estruturar.

Um dos mais famosos blocos, o “Clube da Mocidade”, ainda desfilava em cima de um caminhão, com pessoas ilustres da sociedade manauara, comandado pelos irmãos Andrea Limongi e Flaviano Limongi e o empresário português Belmiro Vianez. Nesse bloco desfilavam os médicos Teomário Pinto da Costa/Dulce,  e muitas outras pessoas da mais elevada sociedade de Manaus, além de muitos empresários também. Depois que Humberto Amorim assumiu como Coordenador de Carnaval da Emantur,  esses blocos foram proibidos de desfilar junto com as Escolas de Samba, que ainda eram  incipientes. O Bloco formado por jornalistas bêbados “Liberdade de Expressão”, foi proibido de desfilar exatamente por essa razão: não era no dia das escolas; teria que desfilar junto com os blocos! Mas tinha que ser informado à Emantur, o que não foi feito!

Devido às ameaças, inclusive as da imprensa, de que os blocos de sujo continuariam desfilando, o Coordenador do Carnaval de Rua de Manaus, mandou construir uma porteira na esquina da Rua Pará com a Avenida Djalma Batista e pintar de branco toda a área de asfalto do desfile. O poeta Anibal Beça, os irmãos Lobo, o empresário Kió, o violonista Reinaldo Buzaglo e o economista e pianista Francisco de Assis Mourão, fundaram o Bloco “Sem Compromisso”, o único autorizado pelo governador Lindoso, a desfilar junto e no mesmo dia do desfile das Escolas de Samba, mesmo sem concorrer.

Muitas inovações foram feitas depois que Humberto Amorim assumiu a Coordenação do Carnaval em Manaus: a administração José Fernandes,  a  partir de 1981 nomeou como coordenador do carnaval representando a  Prefeitura, o jornalista Augusto Banega,  que passou a ajudar financeiramente as agremiações, além de mandar construir arquibancadas  na Av. Djalma Batista.

Humberto instituiu a escolha da Rainha e do Rei Momo em praça pública na Praça Francisco Pereira da Silva (Bola da Suframa) um mês antes do Carnaval, em janeiro que chegou  a ter a participação de quarenta candidatas e grande publico. Antes, quando o Carnaval se desenvolvia na Avenida Eduardo Ribeiro, tanto o Rei Momo quanto a Rainha do Carnaval eram escolhidos e anunciados na noite da terça feira gorda durante um determinado intervalo nos desfiles. O corpo de jurados era tradicionalmente formado pelos radialistas das Rádios Baré, Difusora e Rio Mar, que transmitiam o carnaval, cada uma no seu palanque. O Rei e a Rainha só reinavam até o fim do desfile. Foi na gestão do Humberto como coordenador que aconteceu em 1981 a eleição do primeiro “Cidadão do Samba”. Os concorrentes tinham que demonstrar para o júri, suas habilidades com sete instrumentos musicais. Torrado, conhecido sambista e representante da GRES Vitória Régia foi escolhido o primeiro Cidadão Samba de Manaus. No ano de 1982, Maranhão, dirigente da Batucada Baré foi o escolhido o segundo Cidadão Samba da cidade.

Mais inovações foram introduzidas por Humberto Amorim: foi instituída a colocação de cabines separadas na Avenida Djalma Batista separando os jurados; fundada a Federação dos Grupos Carnavalescos do Amazonas, que depois se transformou na Agesma, a Banda Blue Birds era contratada para animar os espectadores que compareciam à Avenida. Foi também criado um regulamento para os desfiles e fundadas as Escolas de Samba Rio Negro, Balaku Blaku, Sem Compromisso, Unidos da Raiz, Andanças de Cigano, Guerreiros do Vinho e Reino Unido da Liberdade.
  
Em 1984, depois de ter revolucionado o Carnaval de Rua de Manaus, Humberto Amorim se retirou para bem longe do brilho e da doce ilusão do carnaval e nunca mais pisou no sambódromo. Hoje, assiste orgulhoso e gratificado os desfiles das escolas pela TV e aproveita para lembrar de muita gente que no passado ajudou a construir o carnaval, dando-lhe uma condição satisfatória para ele prosseguisse depois com suas próprias pernas. Mas foi Humberto Amorim, a pessoa que construiu  a base de tudo que hoje se vê.  

quarta-feira, 6 de março de 2013

EU ESTAVA LÁ...(Diário de um Jornalista)


                         
                            (morte de Hugo Chávez)

Cheguei dias antes ao país, atendendo ao convite dos amigos empresários do transporte coletivo Flávio Willer Cândido, em Manaus e, depois, de Luiz Serão, em Boa Vista para que continuasse minhas férias conhecendo cidades no país vizinho (Luiz Serão é dono de empresa de ônibus em Roraima com uma filial na Venezuela, para cujo país se transferiu definitivamente por questões burocráticas e tributárias no Brasil) e, no dia 4 de fevereiro de 1992 irrompeu uma tentativa de golpe militar liderada por Hugo Chávez, contra Carlos Andres Perez, o presidente constitucional civil. Por conta própria, decidi informar tudo o que ocorria no país vizinho ao Brasil e, imediatamente, me muni de instrumentos de trabalho de todo jornalista da época: uma máquina fotográfica amadora Olimpus Trip 35, uma caneta e um caderno de anotações, que sempre me acompanhavam em viagens!

Não era fácil exercer o trabalho em um país estrangeiro com todos desconfiando de todos. Encontrei tanques de guerra nas ruas lançando jatos de águas nas costas das pessoas curiosas como eu; o palácio presidencial vigiado pela Guarda Nacional leal ao presidente eleito e soldados atirando para tudo que era lado. Era uma loucura!  Como sempre gostei de história geral, já havia lido sobre os seguidos golpes na Venezuela, comuns desde primeira tentativa ocorrida em 1835 contra o governo de José Maria Vargas, pelo Congresso conservador de José Antônio Páez e o último contra o próprio Hugo Chávez em 11 de abril de 2002 e a instalação rápida do governo de Pedro Carmona.
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Venezuela, o maior produtor de petróleo na América do Sul, nada produz termos industriais, exceto a boa e fraca cerveja “Polar”, mas já tinha em Simon Bolivar uma espécie de herói nacional com direito a estátuas em praça pública, residência preservada e fotos do “Libertador” na porta dos hotéis da capital Caracas.  Mas nada podia ser fotografado, nem mesmo as estátuas em praças públicas.  Nos deslocamentos de um Estado para o outro, os ônibus eram parados, a Guarda Nacional entrava, pedia documentos dos passageiros e, quando os policiais chegavam ao meu acento, já me encontrava com os documentos em mãos porque eu mais parecia um “hippie”, usando cabelos e barbas longas, mas me identificava com a Carteira Internacional de Jornalista, expedida pela JENAJ no Brasil. Olhavam para mim e diziam: “um!!!! és periodista, então?” Conferiam de novo a foto, olhavam para mim outra vez, pediam meu passaporte e me devolviam tudo, com desconfiança porque eles já não gostavam de “jornalistas xeretas” naquela época, se metendo em assuntos internos do país. Mas me deixavam passar. Com passageiros venezuelanos desempregados se deslocando de uma “cuidad” (Estado) para outra o tratamento era outro: pediam a Carteira de Trabalho. Se não houvesse qualquer registro e o passageiro não portasse e apresentasse uma espécie de “salvo conduto” emitido por um juiz, faziam-no descer pela falta da autorização, revistavam-no,  a pessoa ficava detida para averiguação policial e era impedida de prosseguir a viagem. Vi isso acontecendo muitas vezes, em meus deslocamentos dentro da Venezuela.  No Brasil, se sai à a qualquer hora, inclusive portando sinalizadores, armas, drogas e contrabando e não acontece nada!

Devido ao excesso de soldados à porta, o palácio presidencial  também não podia ser fotografado “por medida de segurança” e o presidente Carlos Andres Perez, não era visto em publico e nem dava entrevista. Havia uma TV, acho que a mais popular na Venezuela, que tinha um slogan nos intervalos de sua programação, dizendo (depois de anunciar o nome da TV, que não recordo mais):  “(...) a televison que si se vê”. Era praticamente impossível trabalhar naquelas condições, com tantas proibições impostas emergencialmente! A tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andres Perez fracassou, mas durou 12 horas. Quatro tenentes coronéis do exército, que a lideraram foram presos, julgados e condenados- Hugo Chávez, Francisco Agias Cárdenas, Yoel Acosta Chirinos e Jesús Urdaneta.  

De ônibus, embarquei em Boa Vista, e rumei por estada ruim dentro do Brasil e cheguei à última cidade brasileira fria de serra em Santa Helena, onde havia uma greve de motoristas que não podiam entrar com seus caminhões dentro do país vizinho, mas podiam baldear a carga de um caminhão do Brasil para outro com placa da Venezuela e registrei esse fato em matéria assinada, publicada em A CRÍTICA, em Manaus. Saindo da capital de Roraima, por uma estrada ruim, ingressei na Venezuela. Logo na primeira cidade do lado venezuelano, observei que em todos os produtos vendidos havia a inscrição PVP, que, mais tarde vim, a saber, que significava “Preço de Venda ao Público” e isso era regra geral. A cerveja “Polar”, a mais popular produzida na Venezuela – acredito que a única também - e que chegou a ser comercializada pelo menos em Manaus, nas várias cidades por onde passava sempre era  comercializada pelo mesmo valor. As estradas venezuelanas eram bem conservadas, com rodovias sinalizadas, torres de petróleo queimando ao lado e tubos de ferro imensos que transportavam  petróleo  e gás também foram cenários registrados em minha retina de um louco viajante. Os comerciantes, com medo de fiscalização da Guarda Nacional, vendiam a “Polar” dentro de sacos de papel para “disfarçar” e serem tomadas geladas após a compra, no balcão, igual ao “jeitinho brasileiro” que adotamos por aqui. Assim, ela poderia ser consumida no balcão dos supermercados e em outros lugares que tinham que ter autorização específica para comercializá-la ao público; mas não poderia ser “bebida no local”.

Passei por muitas cidades lindas e limpas dentro da Venezuela e gravei o nome de algumas por me causarem impacto positivo – Porto Ordaz, Porto La Cruz, Felicidad. As estradas eram bem construídas,  conservadas e sem mato cobrindo as placas em suas laterais. O ônibus subiu morros, serras, cortou cidades até chegar à Caracas, uma capital lindíssima, que me fez lembrar muito o Rio de Janeiro: cercada de morros e favelas por todos os lados.  A capital ficava a mais de 700 metros acima do nível do mar, o aeroporto era em outro distrito, próximo ao nível do mar e se subia ou descia em ônibus, os “buccetas”, observando o contraste que existia entre os lindos prédios e as palafitas disputando espaços próximos. O mesmo se via quando os micro ônibus, ou “buccetitas” que deixavam a Estação “Nuevo Circo”, com uma feira ao lado. Viajavam juntos passageiros, galinhas, patos, porcos e bananas, além de outros produtos que fossem adquiridos na Feira. Fiz algumas vezes esse trajeto micro ônibus, os “buccetitas”, quando me dirigia às praias em municípios ou “ciudad” às margens do mar, no litoral, interligados todos por uma sua via de entrada e saída, pela qual trafegavam carros hidramáticos grandes, velhos, mas conservados, consumidores de muito combustível. Na maioria, eram táxis. Os ônibus que se deslocavam para bairros por onde não andei, eram coloridos e musicais em excesso. O hotel era próximo ao Palácio presidencial e, da janela, se podia avistá-lo, mas os limitados recursos limitados da máquina não me permitiam fotografá-lo.

Todos os golpistas foram levados à prisão e perdoados dois anos mais tarde por indulto do presidente Rafael Caldera. Soltos. Alguns abandonaram o exército e ingressaram na política, mas Chávez foi o único que alcançou o posto máximo de presidente/ditador da Venezuela. Sendo originário de família pobre, investiu pesadamente em marketing pessoal e políticas públicas populistas, mas esse evento mudou e transformou radicalmente a vida política Venezuela e a minha também porque deixei de exercer a Editoria Geral de um jornal em Manaus e decidi ingressar, via vestibular, no curso de Serviço Social, um dos mais difíceis para os outros candidatos e um dos mais fáceis para mim que estava há 16 anos sem estudar, só lendo notícias em jornais para os quais escrevia e em revistas nacionais. Leitura geral, constante e disciplinada é importantíssima também para se enfrentar um concurso, qualquer que seja porque cinco respostas erradas ou três parcialmente certas, eliminavam uma questão certa da prova e tudo tinha que ser somado e o total marcado no gabarito de respostas. Dei-me bem e fiquei em terceiro lugar na turma!

Também registrei um fato que me chamou à atenção: em postos de combustíveis da estatal PDVESA o produto era mais barato do que em postos concorrentes, mas muitas pessoas preferiam abastecer nos posto concorrentes pagando um preço um pouco mais elevado, recebiam de graça a verificação de vários itens no carro como limpeza de vidros, verificação do nível do óleo no motor, água do radiador, etc. Coisas fundamentais para quem está em uma  estrada. E eram quase sempre um posto em frente ao outro. Maracaibo, a “ciudad” que mais produzia petróleo, ficava em uma ilha cercada de mar por todos os lados e queimava literalmente: pelo fogo das torres de petróleo produzindo calor das chamas constantemente acesas, mas havia brisa. Só se chegava à ilha pegando uma balsa e não fui conhecê-la; apenas tive informações de pessoas que a conheciam e trabalhavam na extração do petróleo no local. Detive-me mais em fazer meu trabalho jornalístico e, por alguns instantes, esqueci totalmente que me encontrava em gozo de férias do jornal.

Sem muita tristeza, ouvi a notícia da morte do presidente/ditador Hugo Chávez. Outros que participaram da tentativa de golpe contra o presidente constitucional Carlos Andres Perez também entraram na política, como Arias que foi eleito governador do Estado de Zulia, depois foi candidato presidencial em 2000 contra Hugo Chávez. Acosta e Urdaneta desistiram de política e tornaram-se críticos das políticas populistas de Chávez, que agora deve se transformar em Deus para os venezuelanos, mesmo destruindo os alicerces do que existia de democracia/política/economia de seu país.
  

terça-feira, 5 de março de 2013

OS ESTADOS SOCIAL, ARRECADADOR E O CORRUPTO: BRASIL!




Existem três tipos de Estado no mundo: o social, que investe na melhoria da qualidade de vida dos contribuintes; o arrecadador que nada investe, mas arrecada muito bem e o Estado corrupto, que sustenta e aceita a corrupção como parte integrante de sua sociedade, investindo com voracidade em suas políticas públicas envolvendo também parte da classe política, com exceções. Todos esses três tipos Estados se fundem em um só: o Brasil!

Como assistente social/jornalista, só entendo e aceito a elevada arrecadação de tributos, se o Brasil devolvesse ao menos uma parte  dos 185 bilhões arrecadados nos primeiros três meses do ano, em forma de investimentos em forma de serviços básicos como saúde,  educação, habitação, saneamento básico e segurança, segundo dados de um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, garantindo que cresceu 17,8% a arrecadação do Governo Federal só nos anos de 2009/2010, quando o ocorreu a desoneração em diversas linhas de produção. Está aqui presente o Estado arrecadador e meu entendimento do que deveria ser um Estado social.

O Estado corrupto também se faz presente porque com tanto dinheiro sendo escoado pelo ralo da corrupção, faltam recursos para investimentos nos setores básicos da vida humana e, quando existem, parte desses recursos não atingem a real finalidade, a que se destinam porque são desviados no meio do caminho por licitações viciadas, compra de remédios super faturados e construção de hospitais e outras obras públicas que, embora pagos, nunca saem do papel e chegam a ser inaugurados. Está aqui presente o Estado corrupto, pesado e difícil de entender porque esse tipo de estado de coisas ainda se mantém se está sendo constantemente denunciado pelos órgãos de fiscalização do próprio Governo e pela mídia.


Concordo que o aumento da arrecadação pela pesada carta tributária teve muito a ver com o aumento do consumo: desonerados, os produtos giram mais rápido nas prateleiras das lojas e os impostos em cascata fazem aumentar a arrecadação do Governo Federal, mas esse mesmo Governo praticamente não devolve ao povo em forma de serviços confiáveis e sem corrupção nas áreas imprescindíveis à vida humana.

Mesmo assim, a tributação no Brasil continua muito elevada e não é uniforme e pesa no bolso de todas as pessoas, como disse a dona de casa Deise Guedes. Em uma cadeia de produção, os insumos já entram com impostos e saem dela com mais impostos ainda. Os impostos que mais contribuíram para o crescimento da arrecadação foram o ICMS, INSS, Confins e o Imposto de Renda, que não baixam nunca! O desodorante, por exemplo, poderia ser até 40% menor se não houvesse tanto imposto embutido.

De forma direta, de centavo em centavo, os Supermercados sobem seus preços, diariamente. Frango, que era um real no início do plano real, já custa em torno de seis reais em média. O tributarista Raul Heider definiu o Brasil, de forma perfeita e precisa, pois para ele, apesar do “aumento” na carga tributária que o Governo faz questão de negar, “infelizmente não houve um crescimento dos serviços e da infra-estrutura que seria necessária para o país, nesse período”


segunda-feira, 4 de março de 2013

MINHA SAUDADE...!



                (Para Yara Queiroz, minha esposa)
                       
Só minha saudade viajará com você.
Irá  até o Rio de Janeiro sentada  ao seu lado, em total silêncio
(não para lhe vigiar ou falar demais)
Apenas viajará a minha saudade (eu sentindo vontade viajar também)...
Talvez para um planeta chamado AMOR...!
Minha saudade, também nada pedirá dentro do avião, ao comissário de bordo! Nem água para tomar remédios pedirá!
Ficará em total silêncio a minha saudade, só para ouvir sua respiração forte no início de seu sono!
O inebriante aumento de sua respiração me confirmará:
- Nesse momento, estará dormindo e eu estarei pensando em você, meu amor! Se você sonhar com alguém, não me conte na sua volta
Viaje em paz. Merece! Afinal, até hoje só tenho lhe dado trabalho, preocupações e destemperos...
Merece viajar, sozinha...
Mas eu ficarei lhe esperando, sentindo saudades da saudade que sentiremos um do outro. É muita saudade!

                               04/03/2013

domingo, 3 de março de 2013

AMAZONAS PODE VOLTAR A SER O ESTADO DO "JÁ TEVE..."!



O inebriante sucesso econômico da Zona Franca, mas sem investimentos sociais em melhoria de vida ou em pesquisas para a utilização de produtos da floresta na produção de remédios, perfumes etc., poderá transformar o Amazonas, no Estado do “já teve” e virar um novo “porto de lenha” não mais de Liverpool, mas no da estupidez política pela falta de visão de futuro, como diz a música composta/cantada por Torrinho e o jornalista e poeta Aldísio Filgueiras, gravada e regravada por cantores regionais e hoje transformada em uma espécie  de  “hino não oficial do Amazonas”. A música “Porto de Lenha” fala sobre um período que vai da facilidade do dinheiro do látex à “Ilusão do Fausto”, do livro da professora e pesquisadora da Ufam, Edinéia Mascarenha Dias. 

Amazonas é o Estado “do já teve”, sempre na frente dos demais Estados – energia elétrica, bondes, a riqueza da borracha ou a “Ilusão do Fausto” (Valer, 1999 - 189 páginas), de acordo com a professora da UFAM, Edinéia Mascarenha Dias, impressionante e preciso ensaio crítico do período compreendido entre de 1890 e 1920, abordando o surto de urbanização da cidade graças à economia da borracha, dividindo-o em dois momentos da história: – “A cidade do Fausto” e a “Falência do Fausto”. Depois desse inebriante sucesso econômico, o Estado amargou profundos outros anos de bancarrota e desânimo.

No livro, a professora discute o processo de exclusão social vivido por setores a população, inclusive pelas pessoas mais pobres de fortuna que eram banidos para bairros distantes só para “inglês ver” que Manaus era uma cidade linda, caiada, com casas cobertas com telhas de barro. Não havia mendigos, pedintes e pobres porque todos viviam na periferia da cidade, em bairros distantes recém criados para recebê-los. Os ingleses viviam em uma espécie de gueto, confinados em um quadrilátero pequeno e não conheciam o resto da cidade, até porque não lhes interessava ter contato com a “ralé”, formada por cearenses e os pobres nordestinos que lhes serviam de mão-de-obra escrava, muitas vezes!

Agora, de forma discreta e quase sem festas, o Amazonas comemora os 46 anos de existência perene da ZFM que,  ao longo dos anos,  arrecadou milhões e milhões de dólares em pagamento de impostos mas, sem que isso, tenha representado melhorias na qualidade de vida, com  investimentos públicos, gerando retorno social  em forma de mais habitação, segurança pública, saúde ou saneamento, essenciais para uma melhoria na qualidade de vida da população. Só entendo riqueza socialmente justa, se todos  tiverem acesso a ela de forma equitativa, com a aplicação de impostos arrecadados nesses setores sociais imprescindíveis. Ah, isso sim!

E tudo está se repetindo como na época da “Ilusão do Fausto” em forma de embelezamento da capital, com a “destruição dos igarapés” pelo Prosamim, de belíssimos balneários antigos, mas inesquecíveis como os do Parque 10, a Cachoeira Grande e a Pequena do “Tarumã”, além de desaparecimento de todos os balneários que existiam e funcionavam aproveitando as águas brancas e despoluídas do Igarapé do Mindu. Hoje, nada mais existe.

Manaus poderia ser hoje mais uma nova Veneza brasileira, se a cidade tivesse  preservado seus igarapés e os governos estaduais e municipais que se sucederam pós Arthur Reis, tivessem trabalhado unidos, impedindo novas invasões das águas. Bastaria, para isso, decisão e determinação política de querer fazer como o fez o governador visionário do passado que teve a coragem de impedir a continuidade da “cidade flutuante”, iniciada em 1967 e que tomou “quase todas as águas do litoral da capital amazonense, se tornando uma das mais importantes e originais expressões de viveres urbanos” como registram os livros “Cidade Flutuante” de Manaus: rediscutindo conceitos” do pesquisador Leno José de Souza, publicado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em revista indexada. e “Assistência aos Desassistidos de Manaus”,  TCC da professora da Ufam Iraíldes Caldas Torres”, citado no livro O CAMINHO NÃO PERCORRIDO – A trajetória dos assistentes sociais masculinos em Manaus, de Carlos Costa (Imprensa Oficial, 1986).   

Segundo registros históricos, a cidade flutuante fora formada por imigrantes nordestinos (op cit. Iraildes Torres Caldas) depois da falência do ciclo econômico da borracha, mas também podiam ser encontrados ingleses, franceses, judeus, gregos, portugueses, italianos e espanhóis que desenvolviam ofício de comerciantes. Contudo para receber as pessoas que residiam na “cidade flutuante”, o governador teve que praticamente abrir um novo bairro, edificando casas dando origem ao hoje bairro da Raiz, para receber os ribeirinhos. Se houvesse essa preocupação há muito mais tempo, os igarapés que cortavam Manaus, os balneários que existiam e outras relíquias da história poderiam continuar existindo e não teria sido necessário a aterramento dos igarapés para a construção que embelezaram Manaus sim, mas tudo isso poderia ter sido evitado!


O que aconteceu durante o que descreve a professora Ednéia Mascarenha Dias, em seu excelente trabalho crítico, pode voltar a se repetir mais uma vez se a verdadeira vocação para o desenvolvimento econômico não for desenvolvida no Amazonas, buscando sua biodiversidade existente voltada à pesquisa de remédios e outros produtos originários da floresta. O Estado já perdeu a riqueza da borracha, que bem ou mal, produziu melhorias quando retornava em forma de investimentos do Governo Getúlio Vargas; o governador Eduardo Ribeiro os investia em obras de embelezamento da capital com a construção do Teatro Amazonas, pontes de ferros trazidas da Inglaterra e montadas em Manaus, tudo para “inglês ver” e viver bem, como se ainda vivesse em Liverpool e não em uma densa, exuberante e sofrida floresta!  

Não discuto se foram úteis e necessárias essas obras, mas sei que aterrar igarapés para embelezar Manaus, em um momento em que o Amazonas necessita de investimentos em educação, saúde, habitação, jamais será considerada prioridade emergencial; mas politiqueira apenas!

sexta-feira, 1 de março de 2013

MEMÓRIAS DO GETÚLIO VARGAS


                        MEMÓRIAS DO GETÚLIO VARGAS

                                               Francisco G. Queiroz, crônica escrita pelo meu sogro em 1966 (1)

                        I – INTROITO

                Memórias de ex-presidente? Nada disso, leitor. São retalhos de fatos e impressões que me fizeram na retina, corroídos durante o tempo em que estou internado no hospital que possui o nome do grande estadista brasileiro.
                Geralmente, o hospital, ou o cárcere, ou do exílio são motivações férteis de memórias, através das quais o simples cidadão, ou o político caído em desgraça, ou o pensador banido de sua pátria por circunstâncias inconjuráveis, exprime para si mesmo ou para os outros, a sua angústia física ou moral, o clamor dos seus protestos irreprimíveis e a fé de suas convicções inerradicáveis.
                Em meu caso, a necessidade de matar a monotonia do tempo, que me entedia a alma, o desejo de olvidar as misérias da politicorréia, o anelo de tornar públicas, com sinceridade e sem outro sentimento subalterno, as deficiências do novo hospital, é que me convenceram a rabiscar estas linhas, quando o alento rebrota em meu ser, que se esgotaria pela dor lancinante, longa e tenaz, que quase se faz chegar ao stress, para usar o têrmo do cientista austríaco HANS SELYE.
                               Getúlio Vargas, 30 de abril de 1 966.

                        II – A OPERAÇÃO
               
                Sou um homem marcado pelo azar, pois nunca fui feliz nas operações a que fui obrigado a fazer. Por mais que seja competente e experimentado o profissional, sempre algo me acontece durante a convalescença. Hoje em dia, a apreensão que me assalta  o espírito, não é mais quando entro na sala operatória, em juízo completamente lúcido, ou já sob o efeito pré-anestésico, e deparo com aqueles vultos brancos, uniformizados com a sombra da morte. O mais terrível para mim, enchendo a mente de reações as mais estranhas, é o despertar do estupor anestésico, ainda sob a ação das dores.
                Agora me submeti a uma apendicectomia, cuja convalescença, adentrando pela semana santa, foi uma verdadeira via crucis, alanceado repetidamente pelas seringas de injeções, acurvado pelo madeiro das dores cruciais, tendo ao meu lado a imagem verônica de minha esposa condoída (*): um quadro triste e terrível para mim, a quem só faltou a excruciação no cimo do Calvário.
                Internado à meia noite do dia cinco, só fui operado às duas horas da tarde do dia seguinte, completamente em jejum e tomado de uma fome pantagruélica, por causa da demora do anestesista, que deveria estar entretido em outro trabalho operatório.
                A nossa Capital (pasmem os leitores!) só tem dois anestesistas: o  Dr. DONÁDIO, que é o mais antigo, e o Dr. MIRANDA, os quais, incansáveis e indormidos, passam os dias e as noites como autênticas lançadeiras, correndo de um hospital para outro, a fim de atender reclamos inadiáveis.
                O meu operador, Dr. ARLINDO FROTA, que está calejado na cirurgia, extirpa, em condições normais, um apêndice no espaço de cinco minutos. No meu caso, a extração foi difícil e demorada, tendo levado cerca de meia hora para completar o seu trabalho, porque o meu apêndice, segundo suas próprias palavras, “era um apêndice grande, sub-ceroso, retro cecal e látero interno”: em outra linguagem de gente, isto quer dizer que aquela excrescência ileocecal, com que todos nós nascemos, era de tamanho anormal, revestida por uma membrana patológica e de posição irregular.
                Concluída a intervenção cirúrgica, que foi mais longa do que se esperava, fui conduzido para uma sala grande, chamada sala de recuperação, que fica perto do centro cirúrgico e não muito distante do necrotério, na qual, sob um sono mais pesado do que a pedra de um túmulo, atravessei a tarde e a noite inteira.
                Alertadas pelos outros antecedentes pessoais, as enfermeiras do centro de recuperação, naturalmente cumprindo ordens médicas, me tiveram sob observação constante, aplicando injeções de morfina, a fim de prolongar o meu estupor.
                Durante a noite, vários carapanãs famintos se cevaram, num festim azucrinante que eu não ouvi, nas partes descobertas do meu corpo insensibilizado, bebendo quase todo o sangue que me haviam dado em transfusão durante o ato operatório.
                Quando senti, no dia sete, a vida renascer em mim, com a suave madrugada invadindo a ampla sala, trazendo o cheiro frescura da mata circunjacente, também senti dores estranhas no corpo e os pulsos amarrados; desembriagado um pouco, virei a cabeça em vários sentidos, e vislumbrei  rostos marcados pela expressão de dor, com bagas de suor orvalhando a fronte macerada, ou então pés hirtos, saindo dos lençóis imóveis como orelhas de alimárias; e no ar, meio ininteligível, o rumor de vozes femininas.
                Os meus sentidos se aguçam ainda mais. Uma mulher morena, entre um gemido e outro, olhava para mim, com uma expressão de solidariedade no olhar, e eu, entre uma reclamação e outra, perguntava a mim mesmo: “Quem será esta senhora?”       
                Horas depois, era eu levado para meu apartamento, onde dormí com a cara batida pelo sol, que entrava pela janela, trazendo a sensação dos beijos quentes, que a autora guardara para mim, com a paixão desvairada das amantes diante da angústia da morte.
                Sempre fui e ainda sou um enamorado contemplativo das alvoradas, que desabrocham nos abismos do infinito com as tintas do arrebol e a grinalda das nuvens transparentes, que lembram o encanto das noivas felizes ou o feitiço das mulheres fatais.
                O crepúsculo, seja rubro ou sombrio, se carrega sempre  de um suplício tantálico de uma melancolia envolvente, da expressão agônica de um ser que morre inundado no sangue que se esvai do seu próprio corpo, até a noite velar-lhe o rosto com a sua mortalha negra.
                A noite é um dossel frouxamente iluminado por círios estelares, sem o incenso dos turíbulos, a fragrância das flores e a imagem piedosa dos deuses.
                Por isso, sinto horror à hipótese de morrer estupidamente sobre a mesa operatória, durante o traumatismo cirúrgico, ou à luz mortiça de um entardecer cinzento, ou então com as trevas rolando sobre o mundo ou a alma, gritando como GOETHE:  “Luz! Luz! Mais luz”.
                Gostaria de expirar com a tranquilidade espiritual de SÓCRATES, agasalhado nos braços de minha família, levando nos olhos desiluminados a pletora de luz e tintas, ouvindo a mensagem derradeira da primeira brisa matutina, sentindo, em suma, o deslumbramento evocativo da manhã nascente, que é a angélia de minhas quimeras, a egéria de minhas inspirações, a deusa do meu culto panteísta.
                               Hospital Getúlio Vargas, 1º de maio de 1 966

                III – A VIA CRUCIS DA CONVALESCENÇA

                Operado no dia seis, três dias depois, fui posto em pé e consegui fazer a primeira micção, longa, torrencial e escaldante, que estava prestes a estourar a bexiga.
                O meu suplício não parou aí. Em conseqüência do choque traumático da cirurgia, tive uma retenção intestinal, acompanhada de uma distensão gasosa aguda, que, afora as dores de rotina, estendendo-se pelo peito e as costas, forçava dolorosamente os pontos do ferimento operatório. Inutilmente aplicaram a sonda retal. Debalde tentaram, durante dois dias, o clister. Outrossim  à noite, só conseguia dormir sob ação entorpecente de tolantina. E o estranho mal prosseguia, esgotando as minhas energias combalidas.
                À tarde do dia onze, extenuado e angustiado ao mesmo tempo, fiz um apelo comovido ao médico e ao amigo, para libertar-me daquele padecimento insofrível. Ele me olhou nos olhos, leu o tormento que se refletia nos mesmos e respondeu secamente: “Hoje você vai dormi sem dores.”  E das palavras passou à ação: fazendo-me várias visitas sucessivas, submeteu-me a uma medicação intensa, que ia desde à aplicação amiúde das injeções até a ministração do sôro e do permiplas através das veias. E, à meia-noite, já mais calmo, entrava a dormir sem o auxílio dos entorpecentes.
                A minha ilusão, porém, foi passageira. No dia doze, começava a manifestar-se outra sensação de dor, que me aguilhoava sem cessar a região da cisão no ventre. Os leigos me ouviam meio aturdidos. As enfermeiras, que me algozavam furando a torto e a direito, pareciam não dar importância às minhas lamúrias.
                No dia seguinte, o profissional, meio desconfiado, confessou: “Isto deve ser um problema de parede.” – De parede? Isto é problema de paredon!” – repliquei de mau humor. Examinando a barriga, o facultativo substituiu a faixa original, que se achava frouxa, por outra meia nova, na qual me apertaram tanto, que me sentí como se estivesse sendo esprimido dentro de um tipitití.
                Horas mais tarde, quando andava a mesmo dentro do apartamento, dobrado pelo sofrimento, a superação veio a furo, enchendo o ar de um cheiro nauseante. Cientificado do imprevisto, o médico (este carrasco que se tem de abençoar sempre) entrava alta hora da noite em meu quarto, com uma expressão de cansaço no rosto, um olhar mais piedoso e uma auréola na cabeça...Seria mesmo uma auréola ou a minha imaginação sobre-excitada?
                Depois a assepsia...o corte dos pontos...a espremedura da incisão...a mecha embebida de metiolato...os gritos de animal ferido...são momentos que jamais esqueço, não só pela pungência do tratamento feito a sangue frio, como pelo alívio que passei a experimentar a partir de então.
                Hoje, quando me sinto restabelecido, pouco a pouco, cresce minha gratidão por esse esfoledor de carne, insensível como uma rocha, frio como um iceberg, calado como o caboclo e corajoso como um herói, que é o Dr. ARLINDO FROTA.
                A minha estremecida genitora, que testemunhou o meu padecer, sente-se tão grata pelo desvelo que ele vem revelando pelo seu filho, que vai dar-lhe uma novilha e, não sei porque, pressinto que esse escorchador de gente acabará, em sua velhice, transformado em fazendeiro, curando bicheiras, diarréias de bezerro, raiva bovina, “mal triste” e recebendo, dos seus novos clientes, coices em vez de salários...
                O Dr. PLÍNIO RAMOS COELHO, no início de sua vida pública, era um homem visceralmente político, que vivia da política para a política. Depois rebentou nele a paixão atávica dos seus troncos cearenses pela agricultura. Dizem que agora, despojado dos seus direitos políticos, o ex-governador se acha no interior de São Paulo, conformado com os azares da sorte e entretido na criação de porcos e, ao que parece, está tão empolgado por essa nova atividade que, outro dia, escrevendo a um compadre seu, falava com tanto entusiasmo dos seus suínos, esparramados na pocilga, que os achava mais limpos do que certos amigos que deixara aqui.
                O senador ARTHUR VIRGÍLIO, desencantado com a política, pretende dedicar-se à avicultura em Brasília.
                Por que então estranhar que o esculápio troque o bisturi pela  corda de laço e a sala operatória pelo curral?
                                Hospital Getúlio Vargas, 2 de maio de 1 966.

                IV – O PROBLEMA DA DOR

                Além de complicada a intervenção cirúrgica, a minha analepsia foi uma série de acidentes imprevisíveis, sobre cuja causa fico matutando em minhas horas deslassantes.
                Alguns amigos atribuem tudo isso à fraqueza de minhas defesas orgânicas; outros; outras lembram ainda, como fator preponderante, a minha natureza nervosa.
                Qualquer que tenha sido o verdadeiro motivo desses percalços, que, uma vez e outra, surgem após as operações, tive agora a prova provada de que sou, caracteristicamente, um tipo vulnerável à dor, que não se apresenta a todas as pessoas com os mesmos sintomas.
                Já quando estudante de Medicina Legal, na nossa Faculdade de Direito, aprendí, durante uma das aulas magistrais do Dr. OLAVO DAS NEVES, que a dor é um fenômeno subjetivo,  que varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com a raça, a idade, o sexo, o grau de cultura e a natureza nervosa.
                Confesso, sem nenhuma vaidade, que não sou o que chamam de “frouxo”, na gíria: ao contrário, já enfrentei, a peito aberto e intremulamente, em minha vida pública, várias vezes a morte, colocada diante de mim, cara a cara. Mas, infelizmente, não tenho a analgesia, que LOMBROSO atribuía à constituição psico-somática dos malfeitores.
                Não chego a encarnar o “doente imaginário” de MOLIÉRE, que é, na vida prática, o aborrecimento de todos os discípulos de HIPÓCRATES; mas tenho o que, em medicina, se chama de hiperalgesia ou hiperalgia: qualquer que seja ela, suporte-a calado ou gemendo, a dor me mina as energias físicas, desmantela o meu sistema nervoso e me alarma todo o instinto de sobrevivência.
                Esses tipos hiperalgésicos, que são mais encontrados entre os nervosos e os intelectuais, são os piores clientes dos médicos, quer pelas preocupações constantes que inspiram, quer pelas reclamações que estão sempre fazendo. E nem sempre os médicos sabem proporcionar a assistência psicológica indispensável, serenando as tempestades do espírito, dissipando os receios infundados, preferindo, não raro, ditar pelo telefone a adoção de novas drogas.
                O meu médico, comprovadamente competente, é um homem atarefadíssimo nos hospitais, onde sua presença é reclamada quase a todo instante, para salvar vidas, manipulando o bisturi ou a lanceta, pinças e tesouras: é um cirurgião consumado, que só age e só pensa como cirurgião e, por isso mesmo, não faz uso de nenhuma técnica psicológica para relaxar a tensão nervosa do paciente.
                Inconformado com esse procedimento, que é natural em todo cirurgião, eu lhe pedí, no auge da crise, que me tratasse como médico e como amigo. Respondeu-me que ficasse tranquilo, porque cumprindo o seu dever. Eu não tinha dúvida sobre a sua competência profissional, mas só isto, naquela altura, não me bastava, porque o amigo, em casos tais, vai além do cumprimento do dever e chega à dedicação extrema.
                A esse respeito, trago bem viva na memória uma confissão que me fez o senador ARTHUR VIRGÍLIO FILHO. Falando, de uma feita sobre políticos e outros bichos, que proliferam atualmente no Amazonas, o bravo senador amazonense me revelava que, embora separado politicamente de GAMA E SILVA, jamais poderia obscurecer a gratidão imorredoura ao pediatra que, em momentos bem graves de doença em qualquer de seus filhos, pernoitava na casa dos pais do menor adoentado, esperando a reação do organismo à ação dos remédios ministrados. “Não era só o médico – acrescentava ele – que tinha que presente à cabeceira do leito do doente: era também o amigo desvelado, solidário à aflição da família e incansável na vigília comum”.
                Gratidão semelhante tenho pelo Dr. WALDIR MEDEIROS o qual, em momentos dramáticos, já atendeu à minha esposa, com tanta solicitude e desinteresse pecuniário, que hoje tem a admiração e a amizade eterna de toda minha família.
                        Hospital Getúlio Vargas, 3 de maio de 1 966

                V – A OUTRA FACE DA TRAGÉDIA HUMANA

                Apesar do rigor estabelecido para as entradas, eu tenho a satisfação de receber a visita e a mensagem de pessoas amigas, desde o ministro WALDEMAR PEDROSA, o senador ARTHUR VIRGÍLIO FILHO, o desembargador JOÃO REBELO CORRÊA, o Secretário de Saúde, deputados e médicos, aos administradores mais simples que vivem anônimamente na capital e no interior, homens e mulheres que me vêm trazer, no aperto de mão, o calor da amizade sincera, sem ressaibos de hipocrisia.
                Narram as tragédias que têm chocado a opinião pública. Transmitem o noticiário lacônico dos rádios. Recontam as manchetes dos jornais. Tem-se até a impressão de que o diabo se libertou das mãos de ADEMAR DE BARROS, que se gabava de tê-lo seguro pelo rabo e anda agora solto por aí, espalhando a morte, a maldade, a vilania e a miséria.
                Gosto de ouvir fatos pitorescos, porque me ajudam a desopilar o fígado intoxicado pelos antibióticos, e sinto náuseas quando me falam sobre a suinaria que chafurda e refocila no estrumal da politicalha.
                Quem está aí fora não toma conhecimento do que ocorre dentro do HOSPITAL GETÚLIO VARGAS. Aqui também se registram casos, uns cômicos, outros trágicos, que escapam do faro sherloquiano do repórter mais ousado ou perspicaz.
                Dentre os fatos impressionantes, ocorridos neste sanatório, nenhum me comoveu mais do que a tragédia de MARIA ESTRELA, que, ensandecida por uma desordem mental, tentou suicídio queimando todo seu corpo, de rara beleza e manchado pelo pecado do amor.
                Recolhida a esta Casa de Saúde, o administrador, nos dias de visita, foi obrigado a colocar um soldado da Polícia Militar, perto de seu leito, a fim de evitar a aglomeração sufocante de curiosos que desejavam ver o rosto de múmia, os braços descarnado,  e o corpo desfigurado daquela mulher, que fora nova, linda, tentadora e acendera muitas paixões nos corações humanos.
                Dias volvidos, falece a mulher desventurada, que é  um removida para  necrotério, e ninguém aparece para dar-lhe um enterro condigno. Depois de várias horas, é que surgiu uma parenta, para derramar uma lágrima triste e sem testemunha sobre o corpo embrulhado da infeliz, que morreu como uma estrela cadente, destruindo-se nas chamas da loucura do amor.
                O genial poeta francês já pedia: “ne zombez, jamais d’une femme que tombe!”.
                Outro fato, que ainda não consegui esquecer, é o de uma criança que talvez não tenha ainda um ano de idade, com os olhos apagados pelo câncer, segundo diagnóstico médico especializado.
                Mergulhada na escuridão eterna da cegueira, é uma criança branca, linda, trêfega, cabelos escuros, que tem audição aguçada: a qualquer som de voz, ela estende os braços, em movimentos nervosos, em direção à pessoa que fala; quando a mãe a beija, ela passeia as suas mãos tenras pelo rosto materno;e às vêzes, um lampêjo  de alegria ilumina-lhe o semblante com luz de um sorriso espontâneo.
                Em sua inocência completa, não sabe do terrível dilema, a que está condenada pela ciência extirpar os olhos agora, ou morrer mais tarde, com o progresso da enfermidade incurável.
                A irremediabilidade do mal, a minha condição de pai, o amor que alimento pelas crianças, me inundam o coração de angústia ao pensar no futuro dessa criatura inapelávelmente desprovida do principal sentido, que, nas crianças, lhe povoam a imaginação dos mais lindos sonhos, desde o encanto das bonecas louras à beleza das paisagens naturais.
                Faça ou não a operação, ela não verá, durante o tempo de vida que lhe resta, a face horrenda das tragédias, o estígma da traição, a expressão de ódio, o ricto do despeito e a máscara da covardia, estampados nos rostos dos semelhantes. Adivinhará a alegria da vida nas risadas sonoras que cascatearam nas gargantas. Pressentirá o sol do amor, embriagando de venturos outros corações. Somente a noite da cegueira e a tristeza infinda lhe farão companhia, como a sombra silenciosa do seu próprio corpo. Jamais experimentará durante a sua ansiedade torturante, uma nesga de felicidade bruxolear em seu espírito atormentado, porque rareia, hoje em dia, o milagre de HELEN KELLER, a qual, sendo cega, surda e muda, conseguiu chega a um progresso intelectual que falece ou míngua em muitos que têm olhos perfeitos ou vêsgos, orelhas compridas e vozeirão de cabaretier.
                A medicina tirou a última esperança de cura a este rebento de vida, tão inerme como um lírio amarfanhado pela lufada do temporal desfeito. Mas será que a Santa LUZIA, que fêz o supremo sacrifício, despojando-se de seus próprios olhos para manter a pureza de sua alma, não fará o doce milagre de acender a vida e a luz nos olhos opacos desse pequenino ser malfadado, de coração virgem de qualquer maldade e alma pura como a neve das montanhas alterosas?
                Criança inocente, pobre e sofrida! Se a Providência não conceder esse milagre, ou tirar-te cedo deste vale de lágrimas, eu peço a Deus, com todas as veras de minha fé, que te dê,  no outro mundo, repleno de flores, esplendores e delícias, tudo aquilo que o destino cruel te negou aqui na Terra – a luz das estrelas, alegria dos vergéis floridos, a bem-eventurança dos mártires e a festa eterna do Paraíso!
                Quem se lembrará ainda daquele empregado do Departamento de Águas, um negro alto, forte, espadaúdo, que era sempre visto nas ruas com uma chave pesada sobre os ombros? Pois bem, no dia dezenove do mês passado, eu o vi entrar neste sanatório, arrasado pela tuberculose, que reduzira toda aquela montanha de atleta robusto, toda a massa do negralhão respeitável, a um fantasma, a um espectro, a um espantalho de gente.
                Antes do fim do mês, a sua carcaça de gigante, que parecia querer desconjuntar-se sob a tosse de tísico, foi removida para o sanatório ADRIANO JORGE, onde deve estar sonhando com a sua fortaleza e a sua saúde, que dissipou na bebida e na fome.
                E o rapaz que se acidentou com um tiro no rosto? Internado há vários dias na sala de recuperação, que fica no andar térreo, até hoje não foi operado pelo fato do projétil haver se alojado numa região delicada do cérebro.
                Falou-se em fazê-lo embarca para Brasília, onde  havia mais possibilidade de tentar uma operação com êxito; ainda hoje, porém, continua neste hospital, bem aliviado do seu tomento inicial.
                Nas primeiras semanas, ele vivia sob a ação de morfina e outros remédios, que lhe devolviam a paz, a calma e o sono. Quando voltava a si, durante à noite ou o dia, o meu coração se confrangia ao ouvir os gritos lancinantes ou as blasfêmias desesperadas, que soltava com todas as forças, contorcendo-se como um epiléptico, apesar de ter membros precavidamente amarrados na cama em que se achava prostrado.
                Às vezes, como se estivesse delirando, invocava o nome de Deus ou da mãe (será que ele ainda tem mãe?) numa expressão tão compungitiva, que tem a impressão de que chama o nome – não de uma mulher – mas de uma santa, que estaria curvada, como um anjo de asas espalmadas, sobre o seu corpo cansado.
                “A lágrima – já me disse um amigo dileto – é uma pequena lente através da qual se enxerga Deus”.
                E o nome da mãe, nesses transes pungentes, é o bálsamo que suaviza a dor, é a gota do orvalho que reviceja a flor emurchecida, é a chuva que refresca a terra comburida.
                Que magia! Que talismã! Que mistério profundo! Se encerra nessa palavra tão pequena, tão doce, tão pulcra e tão intraduzível ao mesmo tempo, que se celebra no mesmo mês das flores.
                Poetas nacionais e estrangeiros cantam e ainda têm cantado, em versos e têm sortilégio de preces, o mundo maravilhoso e imenso que se entesoura no coração das mulheres e quem Deus concedeu o milagre da maternidade. A meu ver, porém, nenhum vate suplantou RUDYARD KIPLING que, em pouco mais de seis versos singelos, sintetizou a candura de santa, o amor sacrossanto, a devoção sem limites e o sacrifício extremo da mãe!

                        Hospital Getúlio Vargas, 4 de maio de 1966

                                 Francisco Guedes de Queiroz.(1)                `
(1)– advogado, político com 26 anos de mandatos pelo MDB – Movimento Democrático Brasileiro (só um de vereador pela mesa legenda quando uma representação do então governador, coronel João Walter de Andrade, o impediu de se lançar à reeleição para Deputado Estadual) . Coincidentemente, faleceu em julho de 1987, em mesa de cirurgia, em SP, sob os cuidados da equipe do renomado cirurgião Dr. Zerbini.  
Na época dessa crônica, transcrita na linguagem original, Manaus possuía (dados do IBGE), uma população de 173.713 habitantes. Como a taxa de crescimento populacional se acentuou somente após a implantação em 1967 da ZFM. Em 1970, a população de   Manaus (dados do IBGE) era de 311.622 habitantes.
É factual se imaginar, por hipótese, que no ano de 1966 quando foi escrita a crônica, a população de Manaus girasse em torno  de 180 mil habitantes, no máximo.

(*) Maria Luiza de Souza Queiroz, com quem foi casado durante 30 anos, até sua morte, deixando os seguintes filhos: Dr. Raimundo Rafael de Queiroz Neto, advogado da Petrobrás; Yara Marília de Souza Queiroz, advogada e assessora jurídica da ALE; Vera de Souza Queiroz Marques, assistente social da Prefeitura de Manaus, Amanda de Souza Queiroz, funcionária pública e Adriano de Queiroz Sobrinho, professor e dono de Escola de Informática.