sexta-feira, 26 de julho de 2013

UM DIREITO SIM, MAS UM "CRIME" PERMITIDO TAMBÉM!


Com a decisão do Ministro do Tribunal de Contas, Raimundo Carreiro, de “corrigir” a idade na certidão de nascimento, “ficando” dois anos mais novo, várias coisas podem ser deduzidas: apego ao cargo; apego ao poder e a incompetência do Estado em se fazer presente em municípios de menor porte.  O certo, porém, é que o ministro Carreira deixará o TCU com mais uma aposentadoria no currículo agora, também, como presidente do TCU. Mas cabe uma pergunta: por que ele só fez isso agora, se teve direito e tempo de essa correção antes, quando passou em concurso público para assumir cargo no Senado?


Direito de corrigir a idade na certidão de nascimento o ministro Carreira tem, mas a pergunta é: por que ele deixou para fazer isso agora, depois de 68 anos de vida e dois anos antes de se aposentar como conselheiro e não como presidente do Tribunal de Contas da União, recebendo uma nova aposentaria, mais recheada de dinheiro?


Também fica claro o quanto era manipulado politicamente o eleitor nordestino!  E pior que isso: como era e ainda é incompetente o Estado brasileiro para se fazer presente com todos seus serviços de cidadania social com médicos, remédios, estrutura hospitalar e serviços judicantes cartoriais, pelo menos!  E a falsificação de “idade” no registro de nascimento, mesmo que para fins políticos eleitoreiros para o voto cabresto, não teria sido um crime, embora consentido? Isso foi autorizada pelo atual Ministro, antes de sê-lo? Ele não sabia dessa falsificação de sua idade? Se soubesse e a corrigiu somente agora não teria existido a figura do crime consentido e continuado?


Talvez não seja para uma pessoa que já se aposentou antes pelo tempo de contribuição pelo Senado Federal. Mas não é o que parece para a sociedade porque o crime de falsidade da idade existiu e o funcionário do Congresso teve tempo e influência política para voltar à idade correta, se quisesse fazê-lo.

Quando eles foram fazer os títulos de eleitor, vocação do voto, aí eles aumentavam a idade das pessoas”, conta a irmã de Carreiro. Quem foram esses “eles”?


O “terceiro” que teria feito o registro o atual ministro aos 16 anos, colocando-o com dois anos a mais só para poder votar, tinha legitimidade para fazê-lo?  Quem teria sido esse “terceiro”? O “terceiro”, comentado pela irmã do Ministro agora, não teria cometido um crime por falsificação da idade, o famoso “gato” que é muito comum no futebol, entre os adolescentes? Entendo que sim! Certidão de Nascimento não pode ser feito sem o consentimento do pai ou da mãe! Ou há 68 anos passados, tudo era permitido? Mesmo para alguém que nascera em uma pequena cidade do interior do Maranhão!


Por somente agora, dois anos antes da aposentadoria compulsória do Ministro, que trabalhou no Congresso Nacional e deu entrada ao processo de mudança de idade, foi concedida e  autorizada a “nova certidão de nascimento” do Ministro Carreira? Em sendo isso correto, fica claro como a Justiça é lenta, demorada e movida por interesses estranhos, mas deu ao Ministro mais dois anos de fôlego para alcançar a presidência do TCU e receber uma nova aposentadoria. O crime cometido pelo antigo funcionário do Senado não existiu e não será punido?


Ao ser perguntado por que demorou tanto tempo para mudar a data de nascimento, o ministro Raimundo Carreiro, disse, por meio da assessoria, que "foi época em que teve a oportunidade para resolver o assunto”.


Ah, está explicado.



Mas seria a prática moral ou imoral - embora um direito – o ministro fazer exerceu direito às vésperas de deixar de ser membro do TCU e ser aposentado apenas como conselheiro?! Estranho, muito estranho!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O MAIS MÉDICOS" E AS DUAS MÚSICAS DA MPB!



O  MAIS MÉDICOS E AS DUAS MÚSICAS DA MPB!

Isolados e enfrentando dificuldades técnicas, tecnológicas e burocráticas em cidades pequenas dos municípios, talvez só reste aos médicos brasileiros ou estrangeiros, ouvir a letra e a música “Tão longe de mim distante”   gravada pelo cantor Francisco Petrônio em um pequeno radinho de pilha! Ou quem sabe, a música de Chiquinha Gonzaga, “Lua Branca”. Duas músicas clássicas da MPB, que podem muito bem retratar a queda de braço envolvendo o Governo e a classe médica em torno do programa “Mais Médicos”, porque a categoria profissional só exige a criação e implantação de estrutura e a aplicação do “Revalida”, um exame obrigatório para que um profissional estrangeiro possa trabalhar no Brasil. Hoje, já faltam médicos até nas grandes capitais do país, que dirá nas cidades mais distantes, isoladas do mundo em todos os aspectos, só com a estrutura hospitalar “tão longe de mim distante” e com a teimosa “lua branca” surgindo no céu.

Em municípios pequenos em todo o Brasil faltam, além de hospitais bem equipados,  cinema, teatro, internet de boa qualidade e até telefonia celular, impedindo e dificultando uma boa qualidade de vida. Mas isso é um detalhe tão pequeno e sem importância que isso não é tratado pelos diversos Ministérios do Governo Federal como se essas coisas também não fizessem parte do direito constitucional do cidadão brasileiro ou estrangeiro que aqui venha a residir!

Dentre os muitos profissionais médicos, alguns, talvez, até com poesia correndo-lhe nas veias, terão que viver isolados do mundo apreciando somente o céu e as estrelas que ainda teimam em surgir em alguns municípios mesmo poluídos e podem até cantar no violão companheiro dos boêmios ou ouvir se existirem em rádios, a letra da música de Francisco Petrônio dizendo “(...) onde irá, onde irá meu pensamento” , meu conhecimento  e acrescentar: “quisera saber agora (...)  se o Governo lhes oferecerá além dos 10 mil reais anunciados, estrutura de qualidade de vida também.


Como venho escrevendo seguidamente, em alguns municípios que seriam  modelos do Plano Nacional de Banda Larga a 39,90 por mês, sequer possuem antenas para telefonia de aparelho celular, quanto mais internet banda larga por 39,90 por mês! E parece que esse Plano ambicioso do Governo já nasceu morto porque passados mais de dois anos de seu anúncio pela mídia, nada mais se falou sobre ele e o Governo Federal até retirou a propaganda dos canais de TV privados. Talvez seja por isso, que poucos municípios da Região Norte tenham aderido ao programa do Governo Federal.

Volto à letra da música de Francisco Petrônio, “Tão longe de mim distante”: “Quisera saber agora,/se esqueceste, se esqueceste o juramento./Quem sabe se és constante, se ainda é meu,/meu pensamento/Minh’alma toda devora, da saudade, agora tormento”.

É...acho que o Governo Federal esqueceu seu juramento ou promessa não sei, de colocar pelo menos em prática o Plano Nacional de Banda Larga.

Com isso, talvez, mesmo sem as Escolas de boa qualidade,  salário de 10 mil reais anunciado pelo governo federal,  teatro, cinema, a saudade e a desilução dos médicos não se transformassem em um tormento! Talvez não existam rádios, telefones, estrutura, teatro, escola, internet de boa qualidade e os médicos brasileiros ou estrangeiros terão que se contentar em sentar em cadeiras no meio da Rua e apreciar apenas a “Lua Branca”, belíssima composição de Chiquinha Gonzaga, dizendo “vem matar essa solidão/ desce do céu, ó lua branca (...) Dá-me o luar de tua compaixão (...)Ó vem, por Deus, iluminar meu coração(...). Ou apenas cantá-la, se souberem e conhecerem essa música. Ah, se souberem...!


quarta-feira, 24 de julho de 2013

POR QUE SERÁ QUE A OAB-RJ É CONTRA APURAR A AÇÃO DOS "MASCARADOS"?



No momento em que o jornal “Estadão” em seu Editorial do dia 13 de junho classificou os manifestantes de “baderneiros” e “vândalos” e conclamou a repressão, o governador do Rio de Janeiro disse que grupos estrangeiros estariam por trás dos jovens mascarados do Brasil e decidiu criar uma comissão para apurar o assunto, mas a OAB do RJ ameaça entrar na Justiça para barrar a apuração dos fatos alegando inconstitucionalidade e ilegalidade da Lei, por supostamente obrigar quebra dos sigilos bancários e telefônicos dos prováveis envolvidos. Sempre ao final de manifestações pacíficas, jovens mascarados começam a atacar tudo o que vêem pela frente, destruindo, roubando, quebrando, saqueando! O direito de manifestação é legítimo, como se faz legítimo apurar quem são esses mascarados e se tem alguém por trás deles, incitando-os deliberadamente!

Por que será que a OAB não quer que o Governo do RJ apure essas destruições deliberadas? Não seria à hora de união em torno de um assunto tão grave e só agir para resguardar os direitos individuais dos envolvidos em caso de feri-los? Não se pode agir por “achismo” em um momento desses, que causa prejuízo a todos os contribuintes, inclusive aos advogados que também pagam impostos! Por que eu “acho” que vai acontecer quebra de sigilo telefônico, agirei antes só por precaução. Defender direito e permitir manifestação democrática é uma coisa, mas não permitir apurar se existem grupos estrangeiros por trás dos jovens mascarados no Brasil é outra totalmente diferente! É hora de união em torno de uma causa e não de discussões legais, agora. Nos Estados Unidos, após o dia 11 de setembro, foi instituído o chamado “Ato Patriótico” que, na prática, suprime os direitos civis e permite investigar tudo em nome do país. Não seria o mesmo caso no Brasil, agora?

Em sendo confirmadas as palavras o governador do RJ, Sérgio Cabral, de que grupos estrangeiros estariam instruindo os baderneiros mascarados, seria mais do que uma simples declaração indignada do governador, mas um ato contra a Segurança Nacional porque seria tão ou mais grave do que a denúncia feita pelo ex-agente da CIA que tornou público o processo de espionagem americana no Brasil, episódio exaustivamente explorado pela mídia internacional. mas a OAB não pensa desse mesmo modo, em nome de uma questão jurídica e tudo pode deixar de ser apurado para se chegar à verdade!

Há sem dúvida, alguém orientando os “mascarados” que se infiltram nas manifestações pacíficas contra o Governo do Rio de Janeiro, só para depois arremessar coquetéis molotov, bombas caseiras e pedras contra os policiais, vidros de lojas, bancos, roubando,   saqueando e destruindo tudo o que vêem pela frente. Como alguém pode carregar em mochilas tantos artefatos de destruição e dizer que foi apenas participar de uma passeata pacífica? Que o Brasil já não aguenta mais é tanta corrupção, falta de serviços básicos em diversas áreas da educação, habitação, segurança pública, com os elevados impostos que os contribuintes pagam e não tem retorno!

Não me pareceu estranha a declaração do governador Sérgio Cabral!  A OAB carioca, contudo, ameaça recorrer a Justiça alegando inconstitucionalidade da Lei, em vez de apoiar a apuração para conhecer quais grupos estrangeiros estariam orientando os “mascarados”. Será que o Estado do RJ deixará de agir para por um basta na baderna, sempre provocada ao término das manifestações pacíficas!? Essa passividade e provável discussão jurídica em torno da comissão, que apenas estabelece prazo para as prestadoras de informações as dêem à Comissão, não fará com que os baderneiros continuem agir? Não seria melhor haver uma união de todos os Poderes para se acabar de uma vez por todas as badernas e saber se realmente  grupos estrangeiros estão por trás das manifestações ou é uma absurda e cômoda condição de não querer agir para conter as badernas, permitindo  a máxima do quanto “pior, melhor”. Mas melhor seria para quem?

Para o contribuinte nunca seria porque no final as destruições têm um custo e esse custo é pago por todos, indistintamente!

terça-feira, 23 de julho de 2013

"OS SETE SEGREDOS DO RIO AMAZONAS"



LINK: http://www.youtube.com/watch?v=vbUyBip8MhY (entrevista com o autor)

Tenha um ideal, um sonho, um objetivo, uma meta de vida’  -  emergirá de dentro de você forças que ainda desconhece como se fosse uma chama que jamais se apaga” (…) “Seja humilde’ – a humildade é um ato de coragem por dar trânsito livre em qualquer situação (...);Saiba conviver com as diferenças”. Diferença não é contrário, é complemento (...) “Jamais perca seu otimismo’. Um rio está sempre correndo.(...); Mesmo poluído pela ignorância (...)Eu não ando para trás. Não me fixo no passado.  Eu faço remanso. O remanso é uma avaliação (...);”Quando os obstáculos em meu caminho aparecem, eu me movimento mais rápido – eu não discuto, não me oponho a eles, eu os acolho (...)’; Quando eu alcancei o meu sonho, cheguei ao mar e me misturei às águas do oceano eu não perdi minha individualidade ou consciência.

Eis os “Os Sete Segredos do Rio Amazonas”(www.reggo.com.br) (uma visão transpessoal): na vida e para a vida toda manter sempre um ideal e um objetivo, uma meta a ser alcançada; ser humilde para alcançar essa meta sabendo conviver e respeitando as diferenças, não perdendo nunca o otimismo,  sabendo enfrentar obstáculos e, por fim, continuar sendo consciente e responsável! Essas são as lições de vida e para uma vida feliz! Com Deus no coração, sempre!

Tarcísio Machado, com uma linguagem suave e simbólica, nos conduz pela mão em sua impressionante jornada,  desenvolvendo-a e desvendando-a com ensinamentos e críticas, uma  viagem da nascente ao mar para o qual segue o Rio Amazonas, como se fosse saída da alegoria do “Mito da Cavarna”, do filósofo Platão,  nos encaminhando pelo mundo misterioso cheio de sombras e alegorias filosóficas na qual muitas pessoas ainda vivem.

O autor se apresenta como um psicanalista clínico e nos conduz simbolicamente pelas mãos pelos segredos do Rio Amazonas, que ele conhecera quando desempenhara suas funções na FAB, na década de 70s quando chegou ao Amazonas com a missão de conhecer o rio, construir aeroportos e viver seus mistérios e lendas e se encantara pelo que vira e anos mais tarde decidi descobri-lo de sua nascente e até seu final e nos narra seus mistérios.

E descobriu. E mostrou, nos contou e nos fez conhecer a todos os mistérios, não só do Rio Amazonas que lhe intrigara tanto na década de 70 quando era só um membro da antiga COMARA. Com magistral conhecimento psicológico da vida humana, usando uma linguagem direta algumas vezes, indiretas dialogou com Ajuricaba, as Guerreiras Amazonas, a Yara, a mãe d’água, enfim. De forma brilhante, depois de contar os segredos do rio que parece um mar conclui  que para “Deus tudo pode”, relembrando um fato de sua infância ocorrido em uma Escola na sua cidade originária de Pentencostes, no Estado do Ceará, quando Tarcísio Machado recebera de sua professora uma pequena muda de árvore por ter respondido todas as questões que lhe foram dirigidas, no dia 21 de setembro, “O dia da Árvore”.

Como o Rio Amazonas, concluiu o autor dos SETE MISTÉRIOS DO RIO AMAZONAS, que Deus se apresenta em milhões de formas. Ele é força. Ele é grandeza. Ele é sucesso em toda a amplitude de suas revelações, assistindo ao espetáculo que Ele produziu e a os humanos cuidaram de poluí-lo, destruí-lo. O livro é filosófico, político, crítico e humano demais! Recomendo!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

MEU SAPATO PRETO ARTESANAL DE AULA!


Se tivesse “apurado” dinheiro suficiente da venda de picolés que fazia pelas ruas de Manaus ainda calma, tranquila, com pouco trânsito, pegaria o ônibus de madeira da empresa “Ana Cassia” e seguiria até o bairro de Educandos, entraria em uma loja que vendesse material para confeccionar sapatos e, depois, seguiria até um sapateiro para mandar confeccionar o meu artesanalmente. Sempre pedia fazê-lo um pouco maior do que meu pé calçava porque tinha que servir para o ano todo e o que folgava, eu preenchê-lo-ia com jornal ou qualquer coisa que fosse possível introduzir dentro dele. Essa era uma obrigação que cumpria com alegria e prazer porque já trabalhava e estudava naquela época.

Caso não tivesse dinheiro, seguiria a pé mesmo até o bairro, um dos mais populosos na época e onde existiam excelentes sapateiros artesanais que confeccionavam sapatos de excelente qualidade. Essa nobre profissão hoje não existe mais. Os sapatos artesanais foram substituídos pelos sapatos produzidos em fábricas, em linhas de produção e o preço ficou mais barato, felizmente. Nesse trajeto, usava minha sandália havaiana, se fosse a pé, caminhava sozinho porque queria fazer surpresa aos colegas em sala de aula.

Para mim, menino observador demais, era motivo de orgulho ver os sapateiros utilizando seus instrumentos de trabalho: facas afiadíssimas para cortar o couro do solado, a “napa” do sapato e depois batendo pregos em cima da bigorna ou os sapatos sendo costurados em uma rústica máquina, algumas vezes. A máquina era diferente da que minha mãe possuía em casa e não sei se era de uma das duas marcas conhecidas na época:  Elgin ou Sínger. Não sei!

Era início da década de 70 e eu cursava as quatro primeiras séries do antigo curso primário no grupo escolar Adalberto ale. Todo início de ano letivo, a diretora Alda Figueira Pérez entrava pessoalmente em cada sala de aula e dava um aviso: “vocês terão de hoje a um mês para comparecem com todo o fardamento completo”. Geralmente o prazo era de 30 dias, no mínimo; mas prorrogado depois somente para aqueles que não haviam conseguido mandar fazer todo o fardamento, quando era liberado excepcionalmente para frequentarem as aulas, sem farda ou apenas usando sandálias de borracha, mesmo.

Já sabia: o fardamento completo seria a camisa, um bolso pintado pela Escola que se comprava na direção, calça azul e sapato preto. Eu já tinha providenciado meu sapato e estava ansioso para pegá-lo, contanto os dias que restavam nos dedos das mãos. Pronto, chegara o dia e, de novo, de ônibus ou a pé, rumava até o bairro do Educandos e apanhava a encomenda em uma oficina de sapatos, como se conheciam na época esses lugares. A calça azul e a camisa branca minha mãe Josefa já as tinha confeccionado em sua máquina Singer pé duro como se conheciam na época as máquinas de costura não elétricas.

Antes do prazo definido pela diretora, eu seguia para a Escola todo feliz e os colegas me olhavam assustados:

- Já mandou fazer o seu sapato?

- Sim, como sei que todos os anos são sempre a mesma coisa e o mesmo prazo, nunca deixo para amanhã o que posso fazer hoje. Trabalhei muito, vendi muitos picolés e adquiri todo meu material escolar! Esse “todo” era uma tabuada, régua, lápis, borracha, um caderno de caligrafia, outro de desenho e mais um para fazer cópia,além do livro “CAMINHO SUAVE”, de Branca Alves de Lima, no qual aprendi a ler e, mais tarde, a escrever também. Essa obra já está  em sua 131º Edição. No lanche se faz fila para receber em um copo plástico um copo plástico um mingau de aveia ou leite horríveis.


Hoje, os alunos recebem tudo de graça, alguns vão à escola só para comer a merenda servida com qualidade de um almoço e ainda reclamam da educação. Ah, saudade de quando não havia nada disso e todos aprendiam sem reclamar de nada!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

PT NÃO É O ÚNICO CULPADO: CORRUPÇÃO NO BRASIL É HISTÓRICA!


O Partido dos Trabalhadores não é o único culpado pela corrupção no Brasil! De acordo com registros históricos, o Brasil está sendo construído por corrupção, levantes, golpes e manifestações violentas nas ruas, mas sem a implantação de qualquer tipo de planejamento ou estrutura   em longo prazo. Na publicação Geo Mundo, com o título “500 anos de Corrupção” em texto de Mouzar Benedito, também no blog “Boitempo” (blogdaboitempo.com.br/category/colunas/mouzar-benedito-colunas/) , garante que na carta que o escrevente da esquadra de Pedro Álvares Cabral, Pedro Vaz de Caminha enviou a Portugal relatando a descoberta do Brasil, também teria pedido ao Rei a volta de seu genro, degredado na África por ter roubado uma igreja e espancado um padre. (www.geomundo.com.br/sala-de-aula-10117.htm)

O autor garante que segundo os historiadores, Portugal era famoso pela burocracia e desvio de verbas públicas. De acordo com a publicação no Geo Mundo, uma corrente de historiadores acredita que a corrupção no Brasil está associada ao emprego de degredados na nossa colonização inicial. No século 16, pessoas que cometeram crimes em Portugal eram condenadas a cumprir suas penas aqui, forma utilizada para povoar com portugueses o Brasil e outras colônias lusitanas. De fato, só com Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, vieram 400 degredados.  Contudo, o escritor, jornalista, pesquisador e historiador Eduardo Bueno, citado no mesmo artigo, ressalva que se precisa tomar cuidado com generalizações, porque o problema “não está no degredado e sim nos que tinham o poder de enviar degredados para o Brasil”. Segundo ele, a corrupção brasileira começou antes do descobrimento, nos impérios português e espanhol.

A publicação do Geo Mundo garante que a corrupção não é um fenômeno tipicamente brasileiro, pois ela já existia “muito antes do descobrimento do Brasil (...) e sempre esteve presente em muitas nações em vários momentos da História”. O excesso de Leis criadas no país, segundo historiadores, geraria a “oportunidade para o surgimento de pessoas e ações (...) de especialistas para decifrá-las e intermediar processos e ações (...) são pessoas que conhecem o caminho das pedras, sabem quem decide e como manipular as decisões. Esse emaranhado de leis, muito apreciadas por certos políticos, traz embutido o velho método de criar dificuldades para vender facilidades”. Outro problema para a corrupção seria também culpa do subdesenvolvimento, porque existiriam além do tradicional abuso de poder, outros quesitos institucionais que favoreceriam a prática, com o excesso de regulamentações.

No brilhante e esclarecedor texto de Mouzar Benedito, “500 anos de corrupção” o autor garante que o “ataque aos cofres públicos não é um fenômeno exclusivamente brasileiro, mas nos acompanha desde o dia de nosso descobrimento” e lança uma embaraçosa pergunta que teria sido feita pelos militares decepcionados após o golpe de 1964 no Brasil, para supostamente espantar o “fantasma do comunismo” e com o propósito de “acabar com a corrupção”, quando começaram a pipocar casos de corrupção envolvendo gente da cúpula do governo nos anos 70 e 80: “Foi para isso que fizemos a Revolução?”


Diante disso, em parte concordo com o artigo publicado em um jornal de Londres pelo ex-presidente Lula, dizendo que a juventude que está reivindicando reformas nas ruas não viveu o período da ditadura militar, nem de inflação – e isso é verdade. Mas o problema estrutural do Brasil ainda precisa ser resolvido porque nada pode andar e mudar tão rápido sem uma solidez em sua base estrutural. E isso não aconteceu!


É verdade que o ex-presidente Lula melhorou as condições sociais dos mais carentes com seus diversos programas sociais de transferência de renda, mas é verdade também que tanto na ditadura como na democracia, a corrupção pública continua a mesma, a falta de estrutura continua precária, os recursos públicos para investimentos continuam sendo feitos sem projetos por menores que sejam e a excessiva quantidade de leis atrapalha mais do que ajuda ao desenvolvimento do Brasil, um dos países com mais leis no mundo e 59º colocado entre os mais corruptos, que começa com os menos corruptos. Estão no topo da lista a Finlândia, Haiti e Bangladesh, pela ordem, entre os países mais corruptos do mundo.


Concluo a crônica com uma frase do analista Mouzar Benedito: “de novo o velho desencanto, o triste espetáculo de ocupantes de altos cargos públicos saindo de suas funções bem mais ricos do que quando entraram” e se mostrando surpreso com a volta do ex-prefeito de Porto Alegre, Olívio Dutra, ao seu antigo cargo de bancário ao terminar seu mandato eletivo em 1987 e mais surpreso, também, pelo fato de uma grande parte do eleitorado aceitar políticos que “roubam, mas fazem”, onde a sonegação de impostos por empresas é quase uma obrigação e onde até a Igreja chegou a contrabandear usando santos ocos cheios de pedras preciosas” na época do Império.

terça-feira, 16 de julho de 2013

EXPLICANDO O POETA (para o porta Jorge Tufic)

 Do livro (CRÔNICAS COMPROMETIDAS COM A TUA VIDA, 1982 in carloscostajornalismo.blogspot.com) 

EXPLICANDO O POETA

(para o poeta Jorge Tufic)


Deveis saber, senhora, quão difícil é penetrar no coração de um poeta apaixonado. Ele baila, dança, foge, corre, ama e desama em fração de segundos, mas permanece fiel à sua musa, à sua paixão, e jamais se permite a amores levianos, senão para satisfazer a curiosidade de seu dono. O coração de um poeta apaixonado, senhora, é como o coração de uma criança, está sempre pronto para ser infantil o suficiente para sorrir ao mundo e maduro o bastante para ter um legítimo amor, mesmo que só por baixo de seu imenso bigode que ostenta.

Não estranheis, senhora, quando o poeta se perder, por segundos apenas. E que seu pensamento vai mais além do que vossa sensível imaginação. Não interpreteis, portanto, à risca, essa fuga repentina. Ele volta e volta rápido, porque o poeta apaixonado é uma criança fácil de domar; basta dar-lhe um pouco de carinho, atenção e momentos felizes, mesmo que só por debaixo de seu imenso bigode.

Entendeis, gentil senhora, que o poeta ama a tantas pessoas quando o for a sua vontade de amar, mas somente a uma ele dedica amor, carinho, permanência, respeito e profundo e afeto real. Às outras, senhora, o poeta dispensa atenção apenas, não passando mais do que isso.

Fostes vós, senhora, a eleita para ocupar a parte maior do coração do poeta de bigodes fartos. Não haverá outra a tomar o vosso lugar porque não há lugar para dois amores; apenas, para um. Deveis saber senhora, quão realista e, ao mesmo tempo, realista e imaginativo é o poeta. Ele parece estar presente ao vosso lado, por alguns instantes. Isso ocorre senhora, mas é o momento em que o poeta dá vida a sua imaginação.

Lembreis, senhora, do que um dia recebeis do poeta uma flor; não ganheis dele uma flor apenas, mas uma porção de rosas representadas por uma só. O poeta é assim. Ele parece pequenino, mas é grande em seus gestos, em suas ações.

Uma rosa, gentil senhora, é o maior símbolo para o poeta campista. Depois vem a lua, sua musa inseparável. Ah, senhora, esqueci de dizer que a lua vos rouba meu poeta, sempre, e leva o poeta e passar horas pensando na luz, imaginando quão bela é sua eterna amante, ela cravada no céu e ele parado na terra, sem poder abraçá-la ou tocá-la.

Mas, senhora, não penseis que o poeta de bigodes fartos, parecendo uma andorinha que ele comeu e esqueceu de limpar as penas depois, vive só de imaginação; ele é realista, sabe encarar os problemas, sabe enfrentar a vida, principalmente, quando possui ao seu lado vosso infinito amor.

Aconselho-vos, senhora, a aceitar o amor de meu poeta. Afinal ele só é diferente dos outros por ser mais puro e mais difícil de ser penetrado. Se vós conseguirdes isso, tereis para sempre um poeta do vosso lado; não para fazer versos e amar a lua. Tereis para sempre um poeta ao vosso lado não para fugir sempre e se deixar roubar por amores outros, não para se perder entre as noites; mas sim, para somente um homem comum, um homem com um farto bigode e um grande gentleman.

Ame um poeta, senhora, e tereis sempre uma vida de amor!