segunda-feira, 16 de junho de 2014
MINHA VIDA!
Desde 2006, de remédios, me alimento.
Dos efeitos colaterais, meu tormento, mas aguento!
Da vida, um sofrimento.
Dos remédios me alimento
dos efeitos colaterais meu tormento, mas aguento!
Da vida, sofrimento, menos do que Jesus sofreu na cruz!
Dos limões que recebi em forma de bactérias
hospitalares incuráveis,
vou transformando em limonada e oferecendo a todos
Se não gostarem, não tenho culpa.
É só para sentirem um pouco do que me transformei
pela doença, os remédios, as dores que sinto,
os efeitos colaterais que suporto
Não sou maior que Deus, mas só um filho Dele.
não coloca nos ombros de um filho
peso maior do que possa carregar!
domingo, 15 de junho de 2014
"ANTIBRASILEIRO PROFISSIONAL" II - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
“Brasil gasta menos de 1% com estádios do que gasta com Saúde e Educação”. Seria sim, uma excelente pauta de reportagem sugerida pelo cientista social, Marcelo Zero, se esses investimentos tivessem chegados à efetividade social em forma de saúde e educação de qualidade. Não, isso não aconteceu e, por essa razão, me permita fazer alguns reparos em seu artigo, com críticas à imprensa, como segue:
O “ANTIBRASILEIRO PROFISSIONAL” (http://brasilemversos-am.blogspot.com.br/2014/06/antibrasileiro-profissional-por-marcelo.htm), artigo assinado por Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB e assessor legislativo do Partido dos Trabalhadores, garante existir “cidadãos dedicados, 24 horas por dia, a torcer para o Brasil dar errado” e direcionando pesadas críticas contra a imprensa, por divulgar o que ocorre e como ocorre. Essa sugestão de manchete proposta pelo assessor do PT, com a qual abro minha crônica, merece alguns reparos e considerações na questão dos investimentos em educação, e principalmente quando afirma que “distorce-se muito o tempo todo”. A questão não é necessariamente assim e precisa de alguns reparos! Não disse, mas quis dizer que a imprensa e a sociedade distorcem os fatos que divulgam. Nesse ponto, não aceito a crítica contra a imprensa e nem críticas infundadas contra o Governo, mas fatos são fatos, denúncias são denúncias, corrupções são corrupções..
Quem distorce, Marcelo Zero é a imprensa ou a incompetência da área de Comunicação Social da Presidência, que não quer ver além do que o PT oriente a escrever? Não se trata de ser contra ou não, mas de .publicar o que ocorre na sociedade de hoje! Como jornalista/assistente social, não aceito críticas exageradas contra a imprensa e também tudo que não tenha uma efetividade social, nem mesmo contra o Governo Federal, se o que ele se propuser e anunciar em números o que fez ou que vai fazer nos números que anuncia, não se tornar em efetividade social. A imprensa não cria fatos e nem os inventa: só publica o que a já sociedade sabe e quer ler, como também os movimentos sociais – é verdade - se aproveitaram da Copa do Mundo para fazer reivindicações, greves, badernas e protestos exagerados, com vandalismo! É isso que importa à opinião pública. O Governo Federal é que não tem uma comunicação social competente e ágil para fazer a parte do Governo!
Até admito que em muitos casos, a imprensa tem dado mais espaço às manifestações dos Black “Bostas” que usam máscaras, depredam, queimam, enfrentam a polícia, atacam os aparelhos sociais do Estado -como faziam no passado alguns integrantes do atual PT, durante o Regime Ditatorial, que lutavam na clandestinidade para tornar o Brasil uma democracia -,ou como os estudantes marginais mascarados que invadiram a reitoria da UnB, quebraram tudo e nada vai lhes acontecerá porque os advogados não permitirão e alegarão a democracia reivindicatória e o calor dos ânimos para terem feito o que fizeram. A Presidência da República realiza investimentos sociais, sem muita efetividade nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e habitação. Isso é o que a imprensa mostra, prova com fatos e nada inventa, mas quase não os divulga como deveria!
O cientista social Marcelo Zero escreve muito bem, mas nunca militou em uma redação de jornal, nunca foi repórter, nunca foi pauteiro, nunca foi além de um mandado do partido, não sabe o que diz e não tem conhecimento de causa do que seja notícia de interesse à opinião pública. Lógico que há por trás de tudo um pouco de exagero, mas culpar a imprensa por tudo o que ocorre no Brasil é querer ir além do que pode e deve! As roubalheiras nos investimentos na construção dos Estádios, Marcelo Zero, não precisam ser provados. Basta que o IR verifique o patrimônio dos prefeitos, governadores e executores dos projetos, o que não faz, embora tenha instrumentos legais para fazê-lo!
A questão, Marcelo Zero, é que você não pode tapar o sol com a peneira, não percebendo que os investimentos em educação, saúde, mobilidade urbana, corredores de ônibus estão estrangulando por asfixia o povo brasileiro, que tem que sustentar os escandalosos desvios de verbas. A imprensa, Marcelo Zero, não cria e nem inventa fatos. A imprensa apenas escreve o que acontece e registra os fatos. Se não faz como o assessor parlamentar do PT deseja que seja feito, passe um dia como jornalista, enfrente os Black “Bostas”, nas ruas, saia de casa com coquetel molotov, canivetes e máscaras contra spray de pimenta na bolsa para ver se você, Marcelo Zero, não virará notícia também. A questão não é o que se publica na imprensa, mas o que está por trás de sua defesa intransigente dos investimentos da presidente Dilma Rousseff anuncia e faz. Ela faz sua parte, mas será que, nas pontas, existem alguns prefeitos e governadores que se locupletam com o dinheiro público dos brasileiros!
A manchete que o companheiro do PT prega poderia ser verdadeira, se não houvesse tanta corrupção, tantos desvios, tantos poderes, tantos partidos, tantas cotas infindáveis (felizmente, a cota para negros em concursos públicos terá prazo definido de 10 anos, como deveria ser para qualquer tipo de cota que proponha integrá-los à sociedade. Os negros não são inferiores; mas se inferiorizam entre si) e uma efetiva chegada a quem precisa de educação, escola, saúde e segurança!
quinta-feira, 12 de junho de 2014
NOSSO AMOR É COMO O "ENCONTRO DAS ÁGUAS"!
À Yara Queiroz, pelo Dia dos Namorados/2014
O nosso amor é como o encontro das águas negras do Rio Negro com as barrentas do Rio Solimões: se digladiam, se entendem, se amam, se abraçam e se afastam por alguns momentos, ficam com raiva um do outro e depois voltam a se encontrar, com mais força e mais fortes. O nosso amor não é perfeito e nós também não somos. Temos defeitos, você tem, eu tenho, nos temos. Os contrários sempre se repelem, mas se unem e se tornam fortes e rumam para um mesmo caminho. Pedaços de suas águas turvas, como o Rio Solimões, invadem partes das águas negras de meu viver; se repelem, formam ondas por um tempo, mas depois terminam se amando, se entendendo e caminhando juntos!
Ah, como gosto de suas águas invadindo as minhas, mais calmas e não tão violentas pela correnteza como as suas, que derrubam barrancos, arrancam árvores e fazem flutuar suavemente sobre o seu leito, como flutuo também com seus carinhos, beijos e abraços!
Muitas vezes brigamos como as águas dos dois rios que se encontram em cores diferentes, em correntezas diferentes, em situações diferentes, mas nos aceitamos na entrega, na cumplicidade, nas diferenças e nos tornamos mais fortes. É assim a vida. É assim também o amor. Nunca poderemos ser sempre iguais porque as diferenças são naturais e seria enfadonho se viver se as forças contrárias não existissem. Elas existem e fortalecem o nosso amor!
Se o amor fosse sempre igual, não seria amor. Respeitamos os espaços um do outro. Como ocorre no “Encontro das Águas” que embelezam Manaus, às vezes suas águas invadem com mais força, minhas águas; em outros momentos, invado as suas. Também, como o Rio Negro, que nasce na Colômbia, como Rio Guainia, conecta-se com o Rio Orenoco, passando a ser o maior afluente da margem esquerda, também você é maior do que eu, sempre. Do Rio, como Negro você, minha esposa é, também, extensa, intensa e o maior afluente de minha vida Eu sou o maior rio negro do mundo, o segundo maior em volume de água, mas sempre corro para seus braços porque você passou a ser minha vida desde 2006. Sou totalmente dependente de você para viver! Sem suas águas, já teria me afogado, talvez em suas lágrimas que choraram por mim quando fiquei em coma! Obrigado, Yara, por não ter desistido de mim em nenhum momento.
Eu, como o Rio Negro, sou brasileiro com ascendência no Ceará, de origem de família Tosta, da Espanha que virou Costa mais tarde. Como o Rio Negro, também fiquei mau humorado desde 2006 e nos encontramos no Amazonas, eu e você casados antes; separados, depois e nos unimos. Somos como o “Encontro das Águas”: brigamos, nos desentendemos, mas não podemos viver um sem o outro, mesmo que queiramos, porque temos que continuar medindo forças contrárias para nos tornarmos mais fortes, unidos e determinados para seguir por um mesmo caminho.
Como disse o escritor Tarcísio Machado, em seu belíssimo livro OS SETE SEGREDOS DO RIO AMAZONAS, (www.reggo.com.br) temos um ideal, um sonho, um objetivo, uma meta de vida e dentro de nós emerge forças que ainda desconhecemos como se fosse uma chama que nunca se apagará. Mas somos humildes e sabemos superar obstáculos, conviver com as diferenças, mesmo com o nosso encontro das águas de amor já esteja um pouco poluído pelas nossas intolerâncias, jamais perderemos nossos objetivos porque quando os obstáculos aparecem para ambos, sempre nos movimentamos mais rápidos e ainda não alcançamos nossos sonhos porque continuamos lutando para chegar ao mar para nos misturarmos com as águas felizes do Oceano.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
O PÁSSARO DE MINHA JANELA!
O que deseja me dizer, passarinho que pousa em minha janela?
Bica desesperado como se fosse uma comunicação
em código morse,
mas não entendo o que você quer me dizer porque já esqueci !
(será que você descobriu que no final da década de 70,
estudei esse código criado por Franklin T. Pope e não por Samuel Morse?)
Apenas me acorda e vai embora,
voando triste não sei para qual local!
não abro minha, nem lhe acompanho
com os olhos por trás dos óculos
que me enganam, sempre!
Tenho medo que você
de tão forte que bica,
quebre seu único instrumento de comunicação!
Adoro quando você pousa em minha janela;
fico triste por ocupar seu antigo habitat!
Meu sabiá, será que você está procurando seu ninho?
Quem saberá: você não entende minha linguagem;
não entendo a sua,
Mas seu pouso em minha janela em qualquer horário
é lindo, ah, isso é!
terça-feira, 10 de junho de 2014
DESOBEDIÊNCIA CIVIL E ANARQUIA GERAL
Mesmo com o fim da greve e a convocação de uma nova AG, agora só para discutir as justas demissões, os metroviários grevistas de São Paulo cometeram uma flagrante desobediência civil ao se recusarem cumprir decisão do pleno do Tribunal Regional do Trabalho de SP. Mas nada lhes acontecerá, embora alguns bens do Sindicato já tenham sido penhorados pela Justiça do Trabalho para garantir o pagamento da multa a que fora condenada a categoria pela não volta ao trabalho. O TRT/SP não terá como executar a sentença imposta aos grevistas, enquanto a questão ainda estiver “sob judice”! Os recursos são infindáveis e os grevistas sabem disso e já estão recorrendo ao TST. Caso semelhante ocorreu no Amazonas, no início da década de 90, também em razão de multa por greve abusiva e dívidas com a Previdência Social. A sede do Sindicato foi penhorada, levada a leilão, mas está sem resultado até hoje. O sindicato que reunia várias categorias em uma só rachou. Novos sindicatos foram criados, a categoria ficou enfraquecido, a sede continua no mesmo lugar e para a mesma finalidade, a dívida das multas nunca foram pagas porque continuam recorrendo até hoje!
No máximo, no caso dos metroviários, bens podem ser penhorados e a multa terminará sendo perdoada por ação de ou iniciativa de algum deputado federal que dependa politicamente da categoria para se reeleger. Esse possível deputado apresentará projeto de Lei nesse sentido e todos os parlamentares aprovarão na calada da noite como fizeram contra os usuários dos planos de saúde que eram multados por não cumprirem as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar, felizmente vetado pela presidente Dilma Rouseff, por pressão dos órgãos de Defesa do Consumidor. Nesse caso, um artigo sobre o perdão das dívidas fora colocada em outra Lei que a Câmara dos Deputados discutia sobre esse assunto que nada tinha a ver com a questão!
Decisão de Justiça tem que primeiramente ser cumprida e não submetida a uma “assembleia da categoria”! Depois se discute o que fazer, judicialmente porque sempre cabe algum tipo de recurso, mesmo a greve tendo sido considerada abusiva e causado prejuízo a outras pessoas e à população geral que nada tinha a ver com a greve, mas teve seu legítimo direito constitucional de ire vir, prejudicado. Sou a favor de manifestações, greves, paralisações, desde que realizadas dentro da Lei, o que não foi o caso!
Durante a administração do jornalista Aldisio Filgueiras no Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, como Editor Geral de um jornal no Amazonas, aderi a uma greve da categoria, mas permiti que alguns profissionais permanecessem na redação do jornal para fazer uma coisa condenável que a categoria costuma chamar de “tesoura press” (recortes de jornais com notícias de outros Estados para que os jornais não deixassem de circular). Durante os mais de 15 dias de greve por impasse salarial, ficamos mais esgotados do que os empresários e fiquei sabendo depois de terminar a greve, sem acordo e sem ser declarada abusiva - deixamos a quantidade de profissionais exigidos por Lei trabalhando - que se a categoria tivesse permanecido mais um dia em greve, os empresários dariam o salário que estava sendo reivindicado, na época da inflação galopante, que não queriam sequer repor. Mas não está sendo o caso da greve dos metroviários. Jornal não é uma coisa essencial como deveria ser, mas todos os exemplares que eram adquiridos, continham notícias “frias”, como se costumava dizer.
Os metroviários grevistas de SP, voltando ao trabalho ou não, deixam claro que as Leis Trabalhistas, as decisões da Justiça e as multas não são mais levadas a sério porque pararam sempre haverá uma solução jurídica ou política. Com a presença da Polícia Militar para garantir a Lei a Ordem, poucas estações funcionaram. Mas a questão principal é que não se respeita mais uma decisão judicial, como no passado, porque a politicalha está presente em tudo. O Governo do Estado de SP agiu de forma correta em demitir os trabalhadores grevistas e ninguém pode reclamar de nada, nem reivindicar suas readmissões porque essa greve é “copista”, porque está ocorrendo exatamente na proximidade da abertura da Copa do Mundo e prometem uma nova greve e parar o Estado no dia de sua abertura. De tudo isso, o mais absurdo foi o apoio do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, sendo ilógico associar uma coisa à outra. A greve dos sem teto foi contra o quê? Se conseguirem casas, o que não duvido que necessitem, não terão como chegar nelas porque os metroviários prometem parar tudo de novo na abertura dos jogos. Como irão transportá-los?
Os movimentos sociais estão se aproveitando de um momento que todos os brasileiros apreciam porque o Brasil, nas palavras de Nélson Rodrigues, “é a das chuteiras” para reivindicar. São copistas, porque querem ganhar seus cinco minutos de fama interplanetária e tem o único propósito de gerar baderna e prejudicar a realização e a abertura da Copa do Mundo. Os grevistas não temem mais decisões da Justiça e, principalmente da do Trabalho que começou a existir com as leis espaças sendo reunidas na Consolidação das Leis do Trabalho nos anos 30, durante o Governo Getúlio Vargas.
Até quando irão as ações dessas pessoas que zombam das instituições que existem para gerir os destinos da sociedade civilizada? Seria o início da desobediência civil e da anarquia generalizada no Brasil, em nome de uma democracia? Espero que não!
segunda-feira, 9 de junho de 2014
"O PALHETA ESTÁ PRECISANDO DE AJUDA"
- O Palheta está precisando de ajuda, disse-me o advogado Hildeberto Dias, despertando-me para um quadro pintado pelo Palheta e desligando seu celular, que estava mandando moldurar. “Acabei de falar com ele”. Nosso “encontro” se deu no interior da Loja Art's Quadros, na avenida Getúlio Vargas. Confesso que não o reconheci de imediato, porque esqueço mais facilmente do que consigo lembrar, mas percebi que sua voz me era familiar. Depois de cumprimentá-lo, me vi recebendo de presente, em 1988, a primeira caricatura feita pelo Palheta, imortalizando-me com meus óculos redondos, estilo John Lennon, um relógio no braço, um gatinho com interrogação e segurando uma garrava de cerveja na mão, mas não estava revendo. Tinha eu 18 anos e fiquei maravilhado com a homenagem e, anos depois, decidi colocá-lo moldura e colocá-lo em meu quarto, de frente para mim, só para eu lembrar de como eu era com barba negra, cabelo meio encaracolado, sentado em uma cadeira. Foi tudo criação do Palheta, porque ele era incrível quando fazia caricatura e sempre presenteava aos amigos com seus trabalhos, imortalizando-os na forma que ele imaginava, no Bar do Armando. Naquele momento, H. Dias, moldurava lindos quadros surrealistas do artista plástico Palheta.
Refeito do primeiro impacto do encontro e da notícia de que “o Palheta está precisando de nossa ajuda”, H. Dias se despediu de mim e saiu. Fui invadido por lembranças daquela época que nunca voltará e emocionado pelo reencontro e lembrei das vezes que entrevistei H. Dias. O reconheci pela sua voz inconfundível e seus óculos! Meu amigo disse-me que “o Palheta está precisando de ajuda”, e isso ficou martelando em minha cabeça. Não me disse a causa e nem a razão de “precisar de nossa ajuda”. Depois que saiu da loja, fiquei olhando quadros lindos. Fitei e admirei uma palafita de palha, pintada em detalhes precisos em meio a um lago, com reflexo da casa e das palhas na água e o dono da Loja, Sr. Ailson de Souza Araújo me trouxe outros quadros do mesmo artista plástico Freire, do Município de Itacoatiara, e mostrou-me no seu celular, pinturas do mesmo artista que pareciam mais retratos, tal a perfeição. Minha esposa me chamou a atenção para dois quadros de Freire, em alto-relevo, um no meio do Encontro das Águas, com uma cobra devorando uma mulher e outro, no mesmo estilo, mostrando um jacaré nadando em um lago para devorar um índio que estava deitado em uma canoa. Meus olhos, porém, não saíam da pintura da palafita de palha, talvez porque me remetesse à lembranças de minha na Comunidade do Varre-Vento, local em que via muitas casas iguais, em lagos que frequentava como contra peso na canoa de meu pai. Embora os dois quadros em alto relevo de Freire fossem lindos, as fotos que vi no celular do Sr. Ailson fossem perfeitas pinturas também, imaginava a imaginação do artista itacoatiarense para criá-los porque percebi que ele pinta com a alma, sentimento, paixão e com conhecimento da vida e dos sentimentos, inclusive outros quadros que o Sr. Alison me mostrou sobre o balcão da loja, sobretudo o que o pescador que jogava uma tarrafa em um lago..
Depois que H. Dias deixou a Art's Quadros, ainda sai atrás dele, porque pensei que a pudesse falar-lhe um pouco mais e saber porque “o Palheta está precisando de ajuda”. Não o encontrei mais e minha esposa Yara Queiroz reclamou dizendo “ele já foi”. Mas mesmo assim, respondi: “vou ver se o encontro, ainda”. Mas não o encontrei.
Vendo minha preocupação com o Palheta, o proprietário da Art's Quadros, Ailson me deu o número de um celular que tinha, mas não consegui falar que foi citado em meu romance de ficção CAUSA MORTIS: OCITOCINA DE AMOR...! quando descrevo um por um, os 28 quadros de pinturas de várias partes do Brasil e alguns do exterior, que mantinha na parede do apartamento de 196 m2 em que morei e tive que alugá-lo depois de minha aposentadoria. Tentei várias vezes falar com o Palheta, escrevi uma mensagem e ele não recebeu. Eu o citei pela caricatura que mandei moldurá-lo e o mantenho em meu quarto, em minha parede, abaixo de um diploma que recebi da ALE, pelos serviços que prestei à sociedade como profissional de Serviço Social.
O Sr. Ailson disse-me que o Palheta era um grande artista – e eu concordei com ele, porque vi sua capacidade de criação em uma pintura abstrata colorida que estava sendo moldurada pelo Dr. H. Dias. O Palheta foi um dos primeiros artistas plásticos do Amazonas a fazer uma caricatura minha em 1988 e a ser convidado para fazer retrato falado para a Polícia Civil, na época que eu era apenas repórter de A NOTÍCIA, escrevendo assuntos do judiciário, mas já gostando de entrevistar intelectuais que se reuniam no Bar do Armando, onde se dizia, por pura maldade e irreverência da Banda Independente da Confraria do Armando - BICA que se “reuniam intelectuais, juízes, promotores e outros vagabundos” para beber e jogar conversa fora.
Enquanto admirava outros quadros que receberiam moldura e ficariam mais lindos ainda, o proprietário da Art's Quadros trouxe-me fantásticas pinturas do artista plástico do município de Itacoatiara, Freire e os abriu em cima do balcão para que eu as admirasse. Embora tenha me mostrado pinturas excelentes desse artista plástico itacoatiarense Freire, de grande talento e nenhuma fama, algumas pinturas coloridas que pareciam mais fotos de tão perfeitas em detalhes que mostravam, meus olhos deixavam de fitar o quadro do autor que retrava uma palafita toda de palha no meio de de um lago, isolada, sozinha, refletindo-se no espelho da água. Nem mesmo os excepcionais quadros em alto-relevo que via, fantásticos igualmente, como o de uma cobra engolindo uma mulher no meio do Encontro das Águas e uma outra de um jacaré em um lago nadando para pegar um índio que deslizava suavemente em cima de uma jangada, ambos grandes e em alto-relevo. As duas obras tinham detalhes magníficos, chegando quase à perfeição, algumas pinturas coloridas do artista, pareciam mais retratos de tão perfeitos que eram. Contudo, a casa de palha com reflexo surgindo no meio da água, continuava sendo para mim a mais bonita e perfeita do pintor. Nem mesmo a pintura pescador arremessando uma tarrafa, a outra de um lago e mais outras do mesmo artista que sr. Ailson, nada substituirá o carinho que tenho pela primeira caricatura do Palheta, feita no Bar do Armando, em 1988, quando estava no início de minha carreira de jornalista, moldurada também na Art's Quadros.
Mas fiquei sem saber porque Palheta estava precisando de “nossa ajuda”, como disse o Dr. H. Dias, porque me empolguei tanto com o encontro, que esqueci de perguntar o número que tinha ficado gravado no número do advogado. Ele estava com pressa e me deixou só com lembranças e saudades de minha vida anterior a 2006, quando fui operado pela primeira vez vítima de empiema cerebral e passei a viver infectado desde então. Mas parece que o Palheta está fazendo hemodiálise, mas não tenho certeza se foi isso mesmo que aconteceu. Só sei que os quadros do Palheta, que estavam sendo moldurados pelo H. Dias, eram belíssimos, como também eram lindos os quadros do artista plástico Freire. É uma pena que não o conheci e talvez nem o conheça porque eu e o Palheta, estamos caminhando rápido rumo à morte, por mais não queiramos esse encontro inevitável do destino!
sábado, 7 de junho de 2014
ODE AO PROFESSOR!,
Ilmo. Sr. Juiz de Direito da do Primeira Vara Civil e Criminal do Município de Tobias Barreto/SE Dr. Eliezer Siqueira de Souza Júnior:
“JULGAR PROCEDENTE ESSA DEMANDA É DESFERIR UMA BOFETADA NA RESERVA MORAL E EDUCACIONAL DESTE PAÍS (Processo 20133850015200)”
CARLOS COSTA, brasileiro, casado, cidadão, assistente social, jornalista, professor de Serviço Social aposentado por invalidez, venho requerer a Vossa Excelência que continue assim: duro quando tem que ser, contra qualquer pai de aluno que decida pedir indenização por danos morais contra qualquer professor que tome aparelho celular de aluno dentro de sala de aula, na frente de todos os colegas. O pai do aluno tomou a decisão de processar o professor e pedir dele indenização porque o seu filho teria sido constrangido em sala de aula, como se o professor que ganha pouco, que se esforça, que perde a voz muitas vezes, também não ficasse constrangido quando um aluno está falando alto, usando celular, navegando em redes sociais e conversando paralelamente, nada tendo a ver com a aula que o mestre está lhe transmitindo!
Se todo mestre decidisse processar pais de alunos que desobedecem ordens dadas por eles pedindo que prestem atenção ao que está sendo explicado em sala, muitos já estariam ricos. Mas não o fazem! Sabem a razão? Porque o professor ainda acredita nos princípios de respeito e dignidade ao mestre.
Não tenho procuração dos professores para representá-los, mas com fundamento no Código de Processo Civil, data vênia, solicito cinco dias para apresentá-las, se as assinem para mim; ou decorrido o prazo, Vossa Excelência pode considerá-la deserta à minha gratidão e arquivá-la por ilegitimidade da parte, mas quero que V. Exa. tenha conhecimento de minha profunda gratidão por ter reposto a educação no patamar do respeito da qual jamais deveria ter saído.
Vossa Excelência, entendeu que não existiu abalo moral que justificasse o pedido de indenização contra o professor porque “o aluno não utiliza o celular para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade”. Entendeu o nobre e digno magistrado que “julgar procedente esta demanda é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os “realitys shows”, a alienação, a ostentação bullyng intelectivo, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.
Se Vossa Excelência me conceder a palavra, devo dizer-lhe que como professor desde meus 18 aos 46 anos, do antigo ensino primário à Faculdade, sinto-me honrado com suas brilhantes palavras. No antigo ensino primário, tinha problemas com conversas paralelas em fins da década de 70, quando conclui o curso de magistério de primeira a quarta séria, no Instituto de Educação do Amazonas e fui estagiar no famoso Gaia.
Meus olhos lacrimejaram com a magnífica homenagem aos professores do Brasil proferida ao final de vossa brilhante, perfeita e tecnicamente correta sentença:
“No país que virou as costas para a educação e que fazem apologia ao hedonismo inconsequente através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro herói nacional, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu “múnus” com altivez de caráter e senso sacerdotal: O PROFESSOR”
Ante todo o exposto, venho requerer a Vossa Excelência que:
1.Mantenha sempre vossa postura ética, moral e social e decida sempre a favor e não contra a cultura moral da sociedade, tão avacalhada por cotas, escândalos, desvios, falcatruas e corrupção.
2.Se V. Exa. entender que não sou parte legítima para representar os professores que o aplaudem de todo o Brasil, por ter colocado no patamar que merecem os educadores que se matam para repassar aos alunos, conhecimentos que lhes são inerentes e repor o pai do aluno em seu devido lugar, pode arquivá-la ao final com despacho que lhe sugiro: “mais um herói nacional sem causa, um professor que não sabe o que diz. Arquive-se.” Mas não esqueça de datá-la, por favor, Excelência.
N. Termos
E. Deferimento
CARLOS COSTA.
Professor aposentado de Serviço Social
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