terça-feira, 24 de novembro de 2015

ADEUS...MEU UIRAPURU!

Crônica extraída de meu livro “CRÔNICAS COMPROMETIDAS COM A TUA VIDA”, lançado em 1989 e segunda edição em 1990, no Estado do Pará.
A crônica foi originalmente publicada originalmente no Jornal “Diário do Amazonas”, foi reescrita para atender ao momento político atual, cheio de vergonhosas composições políticas em nome de um poder!






(para Francisco  Guedes de Queiroz, tribuno e ex-deputado estadual por 26 anos, falecido em 1987, mas nunca esquecido)



Aí está, meu Uirapuru. Acabou. É o fim. O coração, tantas vezes usado em favor do amor e tanto amor que ele conservou ao longo de todos esses anos, te pregou uma peça e parou. Deixou de trabalhar, te levando do nosso meio. Não cantará mais meu Uirapuru e eu me sento à máquina para te dar este até sempre...e ao teu coração imenso que, há vários dias se tinha rebelado contra si, e, como uma frágil flor em um sol forte, ele não resistiu à mania de querer morrer e morreu.

Acabou, meu uirapuru. Deves descansar em paz e não te preocupes com o silêncio do teu canto. A “Tribuna do Povo” não ficará silenciosa e no Tribunal do Júri, onde tantas e tantas vezes sempre surpreendestes até mesmo os teus mais ferrenhos críticos, ninguém mais esquecerá do teu canto. É assim, meu Uirapuru...

Não sei ao certo quem te chamou pela primeira vez de Uirapuru, mas não esqueço as expressões do amigo Arnaldo Carpinteiro Péres elogiando-te a cada vez que terminavas o teu trabalho no Tribunal do Júri. Fostes, és e serás sempre respeitado, admirado e querido. Eras um guerreiro e não fortes derrotadas. A morte é incapaz de matar os verdadeiros homens. Estes resistem ao tempo e são admirados por gerações. Será assim contigo, meu UIrapuru.

Teu canto, ao longo de tua vida, foi escutado nos mais diferentes locais, sempre afinado, sempre justo e não mudavas nem quando subias os degraus do Palácio Rio Negro para, por horas, dias, assumires o Governo do Amazonas. Eras humilde em tudo e, se rancores guardava de alguém, nunca o permitiu que ele se tornasse mesquinho, frio, calculista...É, meu uirapuru, tu eras assim!

Não fui ao teu enterro meu Uirapuru. Prefiro ter-te como vivo e lembrar sempre de tua presença, entrando em todos os locais e cumprimentando a todos como se estivesses em tua casa. Eu prefiro guardar na minha memória o som de tuas palavras sempre com muita firmeza, acreditando na vida e na honestidade dos homens. Não queria ver-te de olhos fechados. Daqui a pouco eu posso estar ao teu lado e também não quero que meus amigos me tenham como morto. Se vivo não posso ser lembrado, morto não quero sê-lo, meu Uirapuru.

Eu espero que teu coração não te tenhas feito sofrer muito e que a tua morte não tenha sido doída. Que tudo tenha sido rápido como eu sempre sonho e desejo para mim. Ah, coração, o que fizestes ao meu Uirapuru; como agora poderei ouvir o seu canto em forma de palavras? Como ficará a “Tribuna do Povo”? 

Creio ter sido teu excesso de trabalho e tua confiança na vida e em si mesmo que te tenha levado para cantares no Reino de Deus! Terias vergonha de ver no que se transformou o jogo sujo da política de hoje, cheia de artimanhas, negociatas vergonhosas em nome de uma ambição de poder, de mando de comando, mesmo que não seja o mais correto. Como presidente da ALE do Amazonas, pedistes afastamento do teu cargo para ser apurada uma denúncia, voltastes e, mesmo comprovada a lisura de todo o processo, te recusastes a nomear tua própria filha ao cargo de taquigrafa, deixando para teu vice, Homero de Miranda Leão, o fazê-lo. Ele, José Belo Ferreira, Socorro Dutra, Waldir Barros, Samuel Peixoto, Costa de Aquino e muitos outros, merecem meu total respeito.. Os homens de verdade como tu e outros foram  ao longo de suas vidas exemplar,es desapareceram, infelizmente. Hoje, só restam memórias e nada mais! Eras oposição, mas nunca perdestes a ternura e um bom debate de ideias.

Vá em paz, meu uirapuru, meu amigo, cante seu canto alegre aos homens imortais  e, meu uirapuru, se voltares a pagar de cantar, mesmo que seja onde estás agora, não me deixes saber. Já foi triste demais eu saber que não mais existia entre nós, meu uirapuru do júri, Francisco Guedes de Queiroz!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"EU NÃO TENHO QUE PROTELAR NADA"!


Não se falou de outro assunto nas redes sociais e nas emissoras de televisão do Brasil, que não fosse essa declaração atabalhoada, estranha, inconsequente e prepotente do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha: “Eu não tenho que protelar nada! Seria verdade ou mentira, se tudo o que fez foi ao contrário do que disse?

“Eu não vou dar admissibilidade num processo contra mim mesmo. Não posso praticar ato a meu favor nem contra mim. Deleguei. Foi uma coisa bem transparente. Foi normal. Eu não tenho que protelar nada. Tem um processo contra mim no Conselho de Ética ao mesmo tempo" 

Diante dessa declaração, se precisa dizer mais alguma coisa? Sim, precisa!

Como parlamentar dissimulado, sem credibilidade, moral e que usa de meios lícitos para procrastinar um processo contra si mesmo, tem coragem de declarar que “eu não tenho que protelar nada” e na mesma declaração acrescenta que “eu não vou dar admissibilidade num (sic) processo contra mim mesmo”. Ele seria digno de representar a Câmara dos Deputados e, em linha sucessória, ser o possível presidente da República Federativa do Brasil em um eventual e improvável processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e seu vice Michel Temer?  Eduardo Cunha, conseguiu, no máximo, ter o apoio incondicional do deputado Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força” que está sendo investigado também pelo STF por desvios de dinheiro de convênios públicos! Paulinho da Força, sem qualquer moral para representar ninguém na Câmara, anunciou que a representação contra Cunha não tinha seguidos os ritos e que o deputado relator teria tido cerceado seu direito de defesa. Eduardo Cunha, por sua vez, prometeu recorrer até o STF para fazer valer seus direitos. Na representação ao Conselho de Ética, o também deputado federal Waldir Maranhão, vice de Eduardo Cunha, também deve perder o cargo, mas não o mandato porque nada existe contra ele.

O deputado federal Eduardo Cunha, estaria envolvido no Escândalo da Lava Jato e teria depositados 5 milhões de dólares em bancos da Suíça, já confiscado pelo Ministério Público daquele país, aguardando o repatriamento para o Brasil. Mesmo assim, o político continua negando que tenha essas 5 contas ou que seja beneficiário de qualquer valor em contas secretas Na entrevista que deu ao Fantástico, assumiu meia culpa, mas continuou negando. Como os seus argumentos foram sendo derrubados pouco a pouco, sentiu um gosto amargo de uma derrota eminente e decidiu usar de seu poder para negar sala para reunião da Comissão de Ética e depois desautorizou o prosseguimento dos trabalhos na casa.

O Ministro do STF, Marco Aurélio de Melo, analisando a bagunça em que se transformou os trabalhos na Câmara Federal, recomentou que Eduardo Cunha se afastasse da presidência, permitindo a completa apuração de tudo e não interferisse em nada. Isso já aconteceu no Amazonas. O deputado estadual do Amazonas, presidente da ALE, advogado Francisco Guedes de Queiroz (MDB). Em 1985, quando sua filha fora aprovada em 1o lugar no concurso de taquigrafo da casa, o  deputado estadual José Costa de Aquino (MDB), denunciara possíveis irregularidades no concurso. Francisco Queiroz pediu afastamento do cargo, deixou o vice Homero de Miranda Leão em seu lugar, até o final das apurações. Apurados os indícios apontados por Costa de Aquino e nada sendo constatado, voltou ao cargo, mas decidiu não nomear sua filha ao cargo, cabendo ao seu vice assinar o documento de nomeação. 

Isso é transparência, lisura, desapego ao cargo e, principalmente, compromisso com seus eleitores, mas não é o que estamos vendo agora na Câmara Federal. A representação no Conselho de Ética da Câmara, pedindo a abertura de processo por cobro de decoro parlamentar contra Cunha, foi protocolizada pelo Psol e pela Rede Sustentabilidade, no último dia 13. A Mesa Diretora da Câmara usou de manobras legais e regimentais e cancelou todos os trabalhos das Comissões na Câmara. Depois, voltou atrás porque percebeu o mal estar que criou na casa, com deputados que lhe apoiavam virando de costas à mesa dos trabalhos e se deixando o plenário. 

Estranhamente o deputado Paulo Pereira da Silva, investigado pelo STF por corrupção, pertence ao mais novo partido político do Brasil, que promete ser diferente em sua composição e com propostas de plano de trabalho ousadas para enfrentar a crise atual pela qual passa o Brasil, está do lado do também investigado pelo STF e, agora, pela comissão de ética da Câmara, Eduardo Cunha.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TRAGÉDIA DE MARIANA JÁ OCORREU NO AMAZONAS!



Era um novembro de uma noite qualquer da década de 80. As comunicações entre a Mina do Pitinga, a 280 Km de Manaus explorada pela Mineração Taboca S/A, pertencente ao grupo Paranapanema, ainda se davam via rádio.  De manhã, ao chegar para trabalhar, estava em cima de minha mesa uma comunicação inesperada: as barragens de decantação de minério de cassiterita do Pitinga se romperam. Na sexta-feira anterior ao fato, uma forte à chuva de dois dias seguidos caíra sobre a cidade, ultrapassando a cota de 10 anos de estudos geológicos para se construir barragens com certa folga. Todos os jovens com menos de 23/30 anos, talvez desconheçam esse fato, porque nenhum ainda era nascido e os de até 30 anos, tinham apenas 10 anos na época. Eu vivi isso!


Como assessor de comunicação e marketing da empresa, solicitei um avião e segui  para ver a situação da perto e, visualmente, observei que havia sido um estrago grande, mas sem perda de vidas, vilas e isso considerei positivo. No máximo, poderia haver algum problema com os índios Atroaris/Waimiris, porque viviam de c e caça e pesca na reserva preservada Rio Alalaú. O Igarapé Madeira se ligava com o Rio Alalaú – que divide os estados do Amazonas e Roraima. Mas os rejeitos de minérios não o alcançaram porque a empresa agiu rápido na contenção. A Escola da vila do Pitinga Engenheiro José Galvão Fraga, continuava funcionando normalmente e recebendo alunos de funcionários que residiam 15 dias nas vilas de casas Pitinga e Jacutinga. Nada foi afetado na Mina. O Igarapé Madeira ficava em uma área baixa e as construções eram em uma área alta. Se alguém ficou sabendo do ocorrido, foram poucas pessoas do nível de staff como eram chamados todos os que possuíam nível superior na empresa. O nome da Escola foi em homenagem a um engenheiro que falecera de ataque cardíaco se deslocando de carro para Manaus pela estrada Manaus/Boa Vista, antes de barro e perigosa e hoje asfaltada durante o Governo de Amazonino Mendes, mas sem acostamento e ainda muito perigosa.

Sobrevoei a área das barragens rompidas, desci na pista de cascalho e laterítico do acampamento madeira, na Mina do Pitinga e me reuni com os geólogos da Mina, tendo à frente o Waltair Prata Carvalho. Depois de ouvir as explicações técnicas dos profissionais da área, retornei para o escritório da empresa na Avenida Ponta Grossa, no bairro Colônia Oliveira Machado. Trabalhava meio expediente na empresa e à tarde, exercia a função de Editor Geral do Diário do Amazonas. Sai da mina convencido de que seria só mais um problema a ser enfrentado e resolvido. No dia seguinte, a primeira matéria em um jornal da cidade fora publicada com certo estardalhaço. Li, avaliei e decidi que não deveria ser respondida. No outro dia, mais outra matéria e um telefonema de um assessor do Jornal que publicara a matéria com foto colorida na primeira página, dizendo que se a empresa não fizesse uma publicidade explicando o ocorrido, continuaria publicando matérias e especulando fatos. Decidi que enfrentaria o problema e orientei a empresa não pagar nenhuma matéria em nenhum jornal da cidade e fiquei sendo informado via rádio de tudo o que acontecia nas barragens. 

A TV Manchete esteve na Mina do Pitinga para fazer reportagem, previamente autorizada pelo Samuel Hanam e Otávio Lacombe, quando o geólogo Waltair Prata Carvalho explicou em rede nacional os motivos do ocorrido, bem como os impactos gerados, tranquilizando a população. “Chovera dois (2) dias seguidos, continuamente, o que aumentou a vazão de todos os igarapés, que tiveram seus níveis de água elevados, provocando a flutuação de muitos troncos de árvores, que haviam nas margens das represas ou lagoas de operação, que acabaram indo parar nos vertedouros das barragens, obstruindo(reduzindo) suas capacidades de drenagem, elevando ainda mais o nível de água, que passou sobre o maciço da primeira barragem, erodindo-a em sua saia de jusante, provocando a liberação da água com lama, que foi estourando mais outras quatro barragens abaixo, no mesmo igarapé Madeira. Em uma semana retomamos a operação nestas áreas, já com todas as barragens recuperadas, e com sistema preventivo e ante obstrução por troncos, nos vertedouros.” explicou o geólogo.

De novo, outro telefonema ameaçando que se a empresa não publicasse matéria paga, o jornal diria que os restos de minério do Rio Pitinga poderiam comprometer o abastecimento de água do Rio Negro, em Manaus. Voltei à mina e reavaliei toda a extensão do Rio Pitinga, no recém-criado município de Presidente Figueiredo, resultado do desmembrando parte de Rio Preto da Eva e parte de Novo Ayrão, onde estão localizadas as maiores ilhas fluviais do mundo, as Anavilhanas. Observei que não haveria nenhuma possibilidade de alcançar a tomada de água na Ponta do Ismael, em Manaus, mas o alarde seria grande se o jornal publicasse essa informação. Decidi fazer uma nota explicativa sobre a queda das barragens e enviei ao jornal. Não foi publicada porque cobrariam pela publicação. Informado, fui contra, mas publiquei nos outros da época em Manaus: Diário do Amazonas, A Notícia e no Jornal do Comércio.

E por que estou escrevendo sobre isso, anos depois? Porque acompanho as questões da queda de barragem em Mariana, MG, causando vítimas fatais, destruição de casas e a morte de toda a vida de peixes ao longo da extensão do Rio Doce, que nasce em MG e termina em Santa Catarina. E também porque desejo revelar como  funcionavam os jornais do passado em Manaus: sempre havia um dono e, ao seu lado, um assessor que falava em seu nome de seu dono para pedir dinheiro às empresas com problemas. Durante os mais de 4 anos em que fui assessor de comunicação e marketing da Mineração Taboca S/A, trabalhando diretamente com os empresários Octávio Lacombe (in memorian) e José Carlos Araújo,  (in memórian), - chamado entre os funcionários de “Zé Milionário”, porque nunca era visto - orientava aos assessorados a não aceitarem esse tipo de “chantagem” indireta, em momento de dificuldades! Com o falecimento de seus fundadores, a empresa Mineração Taboca S/A foi vendida à Previ do Banco do Brasil. Há muitos anos só guardo no coração e na memória lembranças e saudades das vezes em que visitei as áreas do Pitinga e Jacutinga! 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

LABORIUM VITA (À poetisa Aldeiza Maria, de Mossoró/RN e ao escritor Rogel Samuel (RJ) e ao pintor Moacir Andrade(Am)


Se tivesse comparecido ao Cemitério São João Batista para conversar com meus mortos, teria sido recebido com a frase “Laborium Vita”, escrita no alto de seu portão de ferro. Como pela primeira deixei de comparecer com minha esposa Yara Queiroz, para rezar pela minha sogra Maria Luíza de Souza Queiroz, sepultada ao lado de seu esposo o advogado Francisco Guedes de Queiroz e, por 26 anos consecutivo, deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro – MDB, na época do bi partidarismo, porque não me sentia bem e fiquei.

Em casa, deitado na cama, pensava em tudo o que via e vivia ao adentrar pelo portão principal do Cemitério, local de descanso eterno para todas as almas.

Lembrei do dia que encontrei o pintor Moacir visitando o cemitério:
- Moacir? Perguntei!
Como estava há mais de 15  anos sem vê-lo, me espantei com sua magreza. Depois que me reconheceu, perguntei:
-O que fazes por aqui, como se já não soubesse a resposta. Mas o provoquei e ele respondeu abrindo seus braços, como costuma fazer. Ele não iria me abraçar, mas apenas é um hábito do meu amigo
- Maninho, tantos amigos meus já morreram e como não sei onde estão sepultados, sempre venho ao cemitério para rezar por todos eles. Eles sabem que eu vim e tenho consciência e certeza que compareci e rezei por todos, mesmo sem ir à sepultura de nenhum deles!

Espero e tenho certeza que o Moacir Andrade não será mais uma personagem do escritor Rogel Samuel. Em seu romance “TEATRO AMAZONAS”, com toda razão, garante que muitos vultos históricos do passado estão sendo esquecidos no presente e alguns, sequer são mencionados em livros de História do Amazonas. Confirmei! O escritor tem toda razão, mas não será o caso do pintor Moacir Andrade, felizmente. Ele está vivo e vendo o quanto é querido por todos e suas pinturas amazônicas são referenciadas no mundo. Há muitos anos, era um professor de pintura na Escola Técnica Federal do Amazonas, largou tudo,  viajou e expôs  no Japão e vendeu todos seus quadros. Dizem que ele esqueceu de voltar e começou a fazer miniatura de suas pinturas e vendê-las no meio da rua para adquirir a passagem de volta, porque tinha perdido a que lhe dera o Japão.

Outra vez, anos quando ainda exercia o jornalismo em A NOTÍCIA, o encontrei na sala de espera do reitor da Fundação Universidade do Amazonas, Octávio Hamilton Botelho Mourão (in memorian). Ele pediu que  intercedesse a seu favor, pediu para me candidatar à presidência da Associação de Ufologia do Amazonas e justificou “o Danilo Du Silvan  (in memorian) não entende nada de ufologia, fundou e é o seu presidente até hoje e você é a pessoa certa para tirá-lo do poder. Não aceitei a ideia porque era amigo do escritor Danilo Du Silvan. Depois, sempre me chamando de maninho, pediu que pedisse ao reitor da Ufam uma passagem para Fortaleza. Consegui a passagem e, dias depois, reencontrei Moacir Andrade na ante sala do reitor e perguntei: “como foi sua viagem à Fortaleza”. Espantado, me perguntou: “Fortaleza, o que eu faria fazer em Fortaleza?”. Lembrei-lhe e ele respondeu: “não é que eu esqueci, maninho!”. Comecei a rir, descendo as escadas que levavam ao gabinete do reitor.

A única certeza da vida é que a morte é certa. Todos morrerão, mais cedo ou mais tarde. Com medicamentos, podemos adiá-la por um tempo, mas a morte será certa. Como não compareci ao cemitério, mentalmente caminhei pelos corredores arborizados do local, ouvi mentalmente o canto dos pássaros e, na cama onde eu permanecia descansando, continuei pensando no intrigante, crítico e verdadeiro livro do escritor amazonense, radicado há muitos anos no Rio de Janeiro e nas palavras que descrevera os bastidores, a corrupção e os desmandos políticos que viveram as figuras políticas do governador Fileto Pires Ferreira, então secretário de obras de Eduardo Ribeiro e um de seus maiores expoentes. Lembrei da citação de trechos da importância estratégica do General Thaumaturgo Azevedo, dos espelhos desaparecidos do Teatro Amazonas e doados ao Atlético Rio Negro Clube, da possível esquizofrenia do Governador Eduardo Ribeiro, de sua possível amante, enfim, fui pensando em tudo isso! Enfim, conclui que Rogel Samuel está correto.

Há mesmo muitos nomes históricos esquecidos ou ignorados na história do Amazonas! Em todo local que corre muito dinheiro e muito poder, há sempre corrupção meio político. No Amazonas, na época da borracha, não foi diferente! Hoje, talvez por falta de nomes melhores, existem o bairro Braga Mendes, junção dos nomes de Eduardo Braga, prefeito e Amazonino Mendes, governador. Para conseguirem permanecer na área invadida, homenagearam de uma vez só o prefeito de Manaus e o governador do Amazonas. Quem foi Braga Mendes na história política do Amazonas? Duas pessoas diferentes! 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MEDO DE TUDO

Enrolado em uma toalha, nosso filho deixou a sala de banho, dizendo “não vou tomá-lo aqui porque está cheio de bichos” e se dirigiu a outro banheiro. Decidiu que também não tomaria banho, porque também tinha muitos bichos voando. No dia seguinte, entrei no banheiro e vi que os “bichos” descritos pelo nosso filho, não passaram de cupim que de asa que sempre aparecem e se proliferam rápido depois de uma chuva. No dia anterior e na hora que nosso filho se dirigiu ao banheiro, chovia muito.

Do dia seguinte, ao ver “os bichos”, mortos na parede, imediatamente comecei a rir sozinho na sala de banho e lembrei como o Carlos Costa Filho tinha medo de muitas coisas quando era pequeno: de borboleta, de folhas etc. Tudo para ele era “bicho, pai”.

Com pouco mais de um ano de idade, decidimos levá-lo pela primeira vez para cortar seus lindos cachos que lhe alcançavam a altura dos ombros. Tivemos o cuidado de explicar-lhe que o cabelo cortado lhe cairia nas costas, mas que não deveria se assustar porque eram apenas seus cachos sendo cortados. Ele repetia sempre: “não tem bicho lá, não, né, pai”. “Não, meu filho, não existirá e eu, sua mãe e a ”Mira”, vamos acompanhar-lhe” .

Carlos Filho parecia um anjo: todo cheio de cachinhos e com sorriso que lhe não saia do rosto, do acordar ao dormir. Tudo era motivo para risos! 

Todo confiante e cheio de si, seguiu feliz ao barbeiro. Foi colocado em uma cadeira que imitava um carro Ferrari de fórmula 1. Ele Sempre gostava de assistir corrida de fórmula 1, deitado em meu obro. Era uma cena linda: ele deitado em meu braço e assistindo corrida pela televisão na época de Aírton Senna como piloto. Carlos Filho não entendia muito de corrida  e eu lhe explicava, sempre que me perguntava.

Contudo, quando começou a cortar seu cabelo, gritava a cada vez que o cabelo lhe  caía em seu ombro e, olhando para mim e para a mãe e para a Mira, gritava “bicho, pai, bicho mãe., “Mia!”, como se estivesse pedindo socorro. Sua babá Miraceli Ferreira, a sua “Mia”, dos primeiros anos tirou-lhe do carro e o agraçou, parando o choro. Nos olhávamos um para o outro, apenas.

A sua babá “Mia”, ou a mãe 2 como era conhecida nos consultórios pediátricos porque a mãe biológica nem sempre podia fazer presente, que não saía de perto dele, vendo que nada faríamos e percebendo  o desespero do Carlos Costa Filho dentro do carrinho, retirou-o sem pedir permissão para que ele parasse de chorar. Estava com pena por vê-lo e gritar  a cada vez que algum dos seus cachos cortados lhe caia sobre os ombros. Retirado, parou de chorar e a “Mia” conversou muito com ele para convencê-lo a voltar ao lugar de onde fora retirado.

Também tinha medo de folhas, que dizia serem  borboletas. 
Carlos Costa Filho, também tinha pavor de borboletas! 

Só não tinha medo de levar seu dedinho rumo à tomada de energia, olhando para sua “Mia” e dizendo “não pode, né Mia, neném pega choque”. Como continuava levando o dedo rumo à tomada, Miracelli dava uma palmada na mão dele e dizia que não podia. Mas nosso filho era reimoso. A cachorra  pastora alemã “Madona” era mansa, dócil e não fazia mal nem a uma mosca, mas pulava e pegava passarinho que voava baixo no quintal de nossa casa. O Carlos Costa Filho não tinha medo de abir sua boca e enviar a cabeça dentro dela. 

A “Mia”, corria desesperada para socorrê-lo!




sábado, 14 de novembro de 2015

TERROR DO ESTADO ISLÂMICO!


Chorar, lamentar e rezar sobre o sangue derramado de pessoas inocentes, no atentado cometido pelos terroristas do Estado Islâmico, na França, é o máximo que se pode fazer agora. Nada além disso. Nem mesmo saber quantos morreram, porque morreram, como agiram porque tudo isso só será importante para as investigações do atentado terrorista.

O certo é que os terroristas decapitadores de cabeça no deserto estão conseguindo desmoralizar as potências bélicas mundiais porque cobram com sangue de inocentes, o preço pela morte de terroristas sanguinários.

O terrorista morto era o que sempre que cortava a cabeça de alguém, proferia discursos e desafiava o poderio dos Estados Unidos.

Em represália à morte pelos americanos que usaram um drone para disparar torpedos e destruir seu automóvel de um dos mais cruéis decapitadores de cabeça no deserto, sempre usando capuz para não ser identificado, foi cobrada  em dobro com o cruel atentado que matou mais de 100 pessoas que se divertiam na casa de show “Bataclan”, foram metralhados sem dó nem piedade pelo poder do terrorismo. 

O mundo se está voltando a um estado de barbárie sem precedentes. Os terroristas do autoproclamado Estado Islâmico, mais perigoso do que os  da Al-Quaeda, a quem são atribuídos diversos atentados a alvos civis e militares na África, no Oriente Médio, na América do Norte, deseja implantar um Califado na Síria. Os terroristas da Al-Queda (A Celula), tiveram como fundador e financiador e representante, Osama Bim Ladem, assassinado pelos americanos, depois de desafiá-lo diversas vezes.  A Al-Quaeda, se notabilizou quando derrubou as torres gêmeas em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001.

Depois do assassinato de Osama Bin Ladem, Ayman al Zawarin ainda liderou atentados na França contra a redação do jornal francês Charlie Habdoo, matando todos seus principais chargistas. Agora, surge e de novo se volta contra os Estados Unidos, o Estado Islâmico que decidiu vingar a morte de uma das pessoas que nem era um de seus líderes mais importantes. Imaginem se fosse, como não teria sido?

Até onde isso vai? Não sei! 

A única coisa que sei é que o Estado Islâmico está desmoralizando todas as potências bélicas mundiais, inclusive o poderio dos Estados Unidos, embora não seja uma guerra declarada, mas uma guerrilha, apenas e, guerrilha, o poderio militar americano não tem qualquer experiência, porque já foi derrotado no Vietinã!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"COMO UMA ONDA" OU "PODRES PODERES"


Mesmo que acordos de bastidores políticos livrem-no da cassação, o deputado Federal Eduardo Cunha não terá mais credibilidade para permanecer comandando a Câmara Federal. Acordos nos bastidores da política, a descaracterizam-na na essência do que venha a ser política  voltada aos interesses colativos da sociedade. Nem tudo o que parece, o é de verdade. Surpreendem aos menos acostumados em analisá-los. Esses possíveis acordos podem ou não envolver o impeachment da presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer e até de Eduardo Cunha, do PMDB. Mesmo se ninguém venha a ser punido ou cassado, a presidente da República e o presidente da Câmara, sofrerão pressões, desgastando-os pouco a pouco. Dilma, a “Coração Valente”, não renunciará. Eduardo Cunha também não e tudo poderá se transformar em uma grande pizza! O tempo dirá, mas espero estar errado com relação ao presidente da Câmara. A presidente Dilma Rousseff tem como superar as dificuldades atuais, mudando os rumos e corrigindo a rota de voo, antes em “céu de brigadeiro” e agora, em tempestade de raios e trovões, transformando tudo em "podres poderes"!

Mesmo que nada ocorra, o Brasil, pós tempestade de denúncias de corrupção, não será o mesmo. Estará sofrendo com o pessimismo econômico, a falta de ética, da irresponsável defesa do indefensável, enfim. Contudo, o mesmo Brasil que sofre está mostrando novas possibilidades e iniciativas de negócios, com investimentos de pessoas que perderam seus empregos e decidiram seguir carreira solo em seus próprios negócios. Depois que essa onda passar, inclusive a política que não se desenrola e fica cada vez mais enrolada com os conchavos políticos, nem sempre confessáveis, o Brasil será do “jeito que já foi um dia”, como diz a música de Lulu Santos. 

O “Zem-Surfismo”, da canção gravada em 1983, composta em parceria com o escritor e jornalista Nélson Mota, incluída no álbum “Ritmo do Momento”, usada na trilha sonora do filme “Garota Dourada”, do cineastra Antônio Calmon, não poderia ser melhor para definir o Brasil de agora, do momento. No momento, está passando por uma onda de pessimismo econômico, político, moral e ético, causando frustração nos eleitores. Mesmo assim, a última PINAD divulgada mostrou que aumentou o número de pessoas alfabetizadas, se contrapondo ao aumento do número de pedintes infantis. Resta saber se houve aumento também na qualidade do ensino. Mas como escreveu o filosófico Eráclito de Éfeso - “ninguém entra em um mesmo Rio uma segunda vez, assim como as águas já serão outras”,  espero que os futuros novos servidores públicos nomeados pela presidente Dilma Rousseff ou por outros presidentes que virão depois dela, sejam menos corruptos. A Lava Jato da Petrobras mostra que, quando mais investigam e se aprofundam, mais óleo cru e podre escorre, decepcionando eleitores e criando uma massa de manobra de fora para dentro com o propósito de defender o impeachment contra a presidente da República.

Como as águas, a política está sempre em movimento, com um dinamismo e  velocidade que muitas vezes surpreendem aos menos cautelosos e apressados em suas análises. Porém, depois da punição ou não dos culpados excluídos os inocentes, tudo será diferente, para melhor ou para pior, dependendo do que acontecerá com o relator indicado para conduzir o processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar do deputado federal Eduardo Cunha. O parlamentar continua negando a existência de contas no exterior, justificando o que está caindo por terra. Também nega que seria diretamente o beneficiário dos 5 milhões de dólares nelas depositados e já bloqueados pela justiça da Suíça. Muitos mistérios existem nos bastidores da política e eles ainda estão por ser revelados nos próximos capítulos da novela de podridão da política brasileira, envolvendo pessoas que estavam acima de qualquer suspeita, que se escondiam por trás de seus mandatos eletivos para comandarem quadrilhas que empreiteiras, empresários, doleiros e deputados e ex-deputados federais, que estão sendo condenados pelo rigoroso juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal do Paraná. Começo a sentir cheiro de pizza e gosto de coca cola nesse amaranhado de teias de acordos e desacordos, feitos e desfeitos nos bastidores dos podres poderes, como já escreveu e cantou Caetano Veloso.

O relator do processo contra o deputado Eduardo Cunha, é o deputado do PRB de São Paulo, Fausto Pinto, de 38 anos, formado em direito. Ele já se declarou independente e garantiu estar preparado para “pressão” que receberá de todos os lados e partidos e para os acordos de bastidores. Ele foi escolhido em uma lista tríplice para conduzir o que será o mais rumoroso caso de cassação na Câmara Federal, em tempos democráticos mais recentes. Nunca antes na história desse país, como costumava dizer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um presidente de Câmara teve seu mandato cassado no exercício da presidência. Será uma vergonha para Eduardo Cunha se ele for cassado ou vergonha para o Brasil e os eleitores brasileiros se ele não for cassado.