quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

"JORNAL DA SAUDADE - NATAL DO MEU TEMPO DE MENINA"


Quem visita a cidade de Natal de hoje com seus suntuosos prédios à beira mar  abraçando turistas de muitas partes do mundo ou vê se maravilha com prédios de 35 andares que se interligam de uma torre à outra por uma passarela de pedestres, nem imagina o que fora a cidade descrita no livro “Jornal da Saudade – Natal do meu tempo de menina”, da escritora potiguar Nati Cortez, uma autodidata que se fundiu em uma simbiose de pintora, atriz e outras diversas atividades artísticas e culturais na pequena vila de pescadores do século XIX. Nati Cortez nasceu e foi batizada com o nome de Maria Natividade Cortez Gomes, em 8 de setembro 1914. Era autodidata e publicou sua primeira obra aos 57 anos, no dia 20 de janeiro de 1971, com o título “Diálogo com as Estrelas ou o Mistério dos Discos Voadores”, em estilo teatral. Nati Cortez, pela descrição que faz de si mesmo, era intensa em tudo o que fazia.

Deixei-me levar pelas mãos e percorri a Natal do século XIX, com a autora, visitei ruas da cidade potiguar de pouco menos de 40 mil habitantes, becos, vilas e vielas da então vila de pescadores e não me cansei. A caminhada foi linda e suave, com descrições magníficas, com nomes de pessoas. Li que Nati Cortez foi preciosa em detalhes e seus filhos, genros, novas, netos e bisnetos decidiram presenteá-la com a publicação de seu livro “Jornal da Saudade -Natal do meu tempo de menina”, lançado a partir das 17:30 horas, do dia 31 de outubro de 2014, na Academia Norte Rio-grandense de letras, na rua Mipibu, 443, no bairro Petrópolis. Mesmo não estando mais presente entre todos os que lá compareceram, Nati Cortez deve ter ficado muito feliz com a publicação de suas memórias relatando sua infância e adolescência na Ribeira, na década de 1920, quando o bairro era um dos mais importantes da capital. Hoje, a Ponta Negra, com prédios luxuosos substituiu o bucolismo, a tranquilidade e a paz vivida e da vila de pescadores descrita por Nati Cortez. Hoje, o Tirol é um dos mais importantes e ela faz citações sobre ele, também com como parte de uma vila de pescadores. Nem por isso, é um dos locais mais badalados de Natal!

-Ah, tempos saudosos aqueles! Suspira Rizoleta Fernandes, no prefácio do livro, acrescentando que “a infância, época em que a criatura mais desfruta da vida, decorria num ambiente sadio e alegre”! Depois, descreve que “Natividade passou a infância nas ruas da Ribeira e adjacências, com a Sanchet (atual Duque de Caxias), Pe. José Penha, na Praça Bom Leão XIII, próxima à Igreja Jesus, a Dr. Barata, a Silva Jardim e a Rua do Triunfo, com sua Travessa: que das  últimas, ela esbanja memória ao citar, um por um, os nomes dos antigos moradores, seus vizinhos, a que não perdia aos domingos, as brincadeiras de rua, como o “pau-de-sebo” ou o “gato no pote, realizadas na Silva Jardim, onde doces, para amendoeiras forneciam sombra farta  frutos  doces para delícia da garotada”.

No livro JORNAL DA SAUDADE – Natal do meu tempo de menina”, a autora relata, com uma qualidade de detalhes de quem viveu e captou nas lentes fotográficas de sua memória, os detalhes das festas juninas na casa de sua madrinha Umbalina Gonçalves, as brincadeiras com as amiguinhas “cantando e dançando com requebros e meneios de corpo...todas enfeitadas com coroas de plantas silvestres”, como descreve a prefaciadora Rizoleta Fernandes. Devia ser, naquela época, o que se denomina entre os jovens, hoje, de “festa do arromba”.Nati Cortez foi casada com Maoel Genezio Cortez Gomes e teve 24 filhos. Foi descrita com amiga, intensa e uma pioneira na literatura infantil no Rio Grande do Norte. Conhecida no mundo literário nacional, virou verbete no Dicionário Crítico de Escritores Brasileiros de 2001, de Nelly Novaes Coelho, cantora lírica, saudosista e múltipla como também foi Nati Cortez.


Na obra, Roberto Lima de Souza, ao descrever “a trajetória múltipla de convivência com gerações”, diz garante que distinguiu em Nati Cortez, “duas etapas crescentes. A primeira eu chamo de fase do conhecimento e contato familiar, que vai da infância à adolescência. A segunda é a fase da convivência intelectual na juventude e já na idade adulta.” Diz que “Nati nasceu Maria Natividade” porque viera ao mundo no dia da “Natividade de Nossa Senhora”. Natal daquela época era uma cidade extremamente religiosa.Nati Corez viveu intensamente tudo o que amava fazer e nos deixou em 1989. “Que pena não ter tido o privilégio de conhecê-la”, diz a prefaciadora e me aproprio da mesma frase para dizer o mesmo! A contracapa do livro é ilustrada com uma pintura realizada no período de infância da autora, cujo trabalho se encontra em Brasília. “Jornal da Saudade – Natal do meu tempo de menina” é parte da coleção de obras publicadas pela União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte, presidida no momento pelo poeta, escritor e cronista Antônio Gosson! “Eu não sabia que doía tanto” fazer essa viagem sem passagem por mais esse túnel do tempo!



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"QUANDO CANTAVAM AS CIGARRAS"


Não as escuto porque há 14 anos, estou sempre dopado  por Gardenal e Hidantal e depois vários outros remédios antibióticos, fingindo que estou matando as bactérias hospitalares incuráveis antes que elas me matem de verdade! 

Elas continuam cantando sim, só que em outras vozes, através de CDs, em rádios FM e não nas antigass rádios AM, “Voz da Baricéia”, Rio Mar, Difusora ou Baré, que tinham suas próprias “Cigarras” e eram disputadas. As “cigarras” e os “cigarros”  cantavam como sabiás, como Katia Maria, o seresteiro Salin Gonçalves, com vozes superafinadas, interpretando serestas inesquecíveis. A “Crônica do Dia”, de Josué Claudio de Souza, no horário do meio dia, era antecedida de uma música que ficou tão famosa quanto à voz do locutor, que abordava vários assuntos. Nesse horário,  minha avô Lucila pedia a todos os meninos que saíssem da água do Rio Solimões, na comunidade do “Varre-Vento”, reforçando a lenda amazonense de que naquele horário “o boto se encantava virava gente e levava meninos e meninas para o fundo do rio, de onde não saíam nunca mais”. Todos saíam, mesmo não sabendo a razão. Desconheço se todos acreditavam na lenda amazonense. Era um boto que usa chapéu e roupa branca, entrava em festas, dançava e fazia sexo com meninas e voltava para o rio! O horário de meio dia, Manaus parava tudo para se ouvir a “Crônica do Dia”. 

Hoje, as “cigarras” não cantam mais como antes faziam, mas permanecem vivas nas memórias dos que tiveram o prazer de ouvi-las e revê-las no documentário “Quando Cantavam as Cigarras”. Que eu saiba, as cigarras pararam de cantar quando o advogado e político da oposição por 26 anos, Francisco Guedes de Queiroz, foi sepultado em 1987, reverenciando-o em sua honradez, seriedade e ética com que exercia duas atividades políticas. Mais tarde, ele virou meu sogro. A cidade de Manaus dos anos 50/60, é destacada em sua música, cinema, teatro, Clube da Madrugada, os concursos de Miss Amazonas, as rádios e mostra as múltiplas funções que exerciam sobre o imaginário dos Amazonenses do passado. Tudo está presente no documentário histórico “Quando cantavam as Cigarras”,organizado, roteirizado e dirigido pelo documentarista amazonense, professor da história, escritor e pesquisador Manoel Callado, com idealização e roteiro de Francisco Callado e José Wellington Ferreira. No documentário, são entrevistados os profissionais do rádio Joaquim Marinho, Gerusa Santos, J. Nunes, Isaac Benerrrós, Francisco Bittencourt, Tenório Telles, Oscar Ramos, Waldir Correa, Ednelza Sahdo, Arnaldo Santos, Carlos Zamith, Edson Piola, Liu Andrade, Kátia Maria, Babby Rizzato, Ronaldson Samuel e Célio Antunes. Todos lembram do passado e referenciaram o que era belo, cada um em sua área de atividade. Liu Andrade, a primeira croner a tocar em uma banda em Manaus, destacou-se porque a cidade ainda era muito machista naquela época.

O professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Bahia,  Umberlino Brasil, cineastra e autor dos filmes “O que eu conto do serão é isso...(1979) e “Lutas e vidas” (1981), garante que o filme documentário pode servir para se conhecer a história, no seu trabalho “O filme documentário como “documento verdade”. Cheguei a Manaus em 1968, para estudar. Conheci e convivi com muitos dos entrevistados no documentário. Do que narraram nos depoimentos, alguns fatos conhecia porque os vivi como jornaleiro nas ruas de Manaus e passei a conhecer outros por pesquisas que realizei depois de formado, mas não cheguei a vê-los e nem vivê-los!

Conheci e convivi com a atriz Ednelza Sahdo e os radialistas J. Nunes, Waldir Correa, o escritor Tenório Tellles. Admirei muito o primeiro apresentador moreno de telejornalismo da TV Ajuricaba, Célio Antunes; o Arnaldo Santos, em seu programa “AS nos Esportes”, que terminava sempre com três dedos à frente da Câmera e dizendo “seja um bom filho, bom aluno e bom de bola”, tocando em cada dedo e baixando-o. Adolescente, sentado em frente a TV na casa de minha madrinha, Natércia Callado, no Moro da Liberdade, ficava intrigado: como poderiam entrar de uma TV, se eram de carne e osso? Mais tarde, como jornalista, também passei a trabalhar em TV e apresentar programa de Rádio na Rádio Baré. Enfim, sem ter máquina do tempo, voltei ao passado literalmente e adorei rever lugares por onde andei, trilhos de bonde que pisei na praça da Matriz, cheia de palmeiras imperais e paralelepípedos. 

No filme documentário revemos coisas que vimos, mas se perderam no tempo, perdendo-o para o progresso. Outras coisas passamos a conhecê-las através desse misterioso túnel do tempo, que não existe, mas se torna real em documentários! 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

BAILE DE MÁSCARA DA SOCIEDADE!


A sociedade brasileira está vivendo um grande baile de máscara, onde ninguém conhece ou reconhece ninguém! 

Esse é um baile de máscara social. O baile, porém, se reflete em toda a estrutura piramidal da vida humana politizada, que cobra ética e moral dos políticos, mas é se vende por prato de comida, promessas de habitação, terreno, telhas, pagamento de contas de água, luz, hoje está na estratosfera ou telefone, que está menos salgada em seu preço. As operadoras de telefonia fixa e móvel, desfilam com No meio do baile de máscaras, também estão desfilam com “pacotes mascarados” com imposição de taxa mínima. Se não existisse essa imposição, os preços poderiam ser menores. Se falhar alguma coisa do “pacote” vendido, como por exemplo, a internet e o “pacotado” comunicar à empresa que o empacotou com a fidelidade de um ano, o não há desconto ao cliente no valor da fatura. O que vale é a informação da operadora: “você contratou um pacote e nada podemos fazer. O preço não terá descontado na fatura”. O Procon não age! A Anatel se omite e tudo continua igual e sem qualquer defesa em favor do cliente.

Na capital Federal, o bloco de mascarados da política se confunde com o bloco de mascarados dos eleitores: os partidos políticos fingem que lutam pelos trabalhadores e fazem outras promessas mirabolantes saídas das cabeças dos seus marqueteiros e os eleitores fingem que votam e elegem políticos sérios, éticos, honestos, incorruptíveis, mas depois se decepcionam e passam a criticar os que receberam seus votos e foram eleitos. Cobram-lhes promessas que não foram cumpridas. Mas o erro primário foi dos eleitores que os elegeu. Essa simbiose difícil de entender, é o principal fator que prejudica o país em todos os campos da vida social, moral, política, ética, representado pelo excesso de corrupção, que acarreta em hospitais não construídos, remédios que não existentes, médicos que só o Governo sabe onde trabalham pela saúde. O “jeitinho brasileiro”, aparentemente inofensivo, que prejudica a todos igualmente. É sempre alguém querendo se dar bem em detrimento de outros! Isso é terrível em um país considerado democrático, mas comparado ao regime bolivariano da Venezuela ou ao comunista praticado em Cuba. Sem ética da sociedade, ninguém pode exigir ética dos políticos!

No bloco dos mascarados, ninguém conhece ninguém e todos se fantasiam como querem. Prometem e mentem como desejam, criam programas belíssimos dizendo que defenderão os menos favorecidos. Quando chegam ao poder, nada cumprem. Todos os partidos, depois de eleitos e chegam ao poder central, passam a defender  seus próprios interesses partidários e esquecem completamente de quem os elegeu! Depois, ainda querem que a sociedade acredite em política e em muitos políticos que se dizem honestos, éticas e programáticos. Defendem o impeachment de Dilma Rousseff, achando que trocando-a tudo mudará. Mas quem precisa mudar é a sociedade, via educação para que forme eleitores mais preparados e saber eleger seus representantes. A solução da corrupção, um dos principais problemas morais da sociedade brasileira e mundial, não será resolvido só pela educação, mas será um bom início. No final, mudando a postura da sociedade, praticando-se uma educação inclusiva e não exclusiva, todos perceberão que os políticos também mudaram para melhor!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O BRASIL SOFRE DE CRISE MORAL!


O Brasil está sofrendo de uma grande crise moral e não será mudando o partido no poder que se resolverá tudo como se fosse em um passe de mágica. Ao contrário do que diz o presidente investigado pelo STF por corrupção, Paulo Pereira da Silva, não será o impeachment da presidente Dilma Rousseff que os problemas do país serão resolvidos e podem até piorar. O que precisa mudar mesmo é a mentalidade dos eleitores para saber escolher os bons candidatos que se apresentam com pouco dinheiro, derrotando os candidatos que têm muito dinheiro para gastar porque estes não conseguirão em um único mandato, recuperar honestamente todos os gastos de campanha que tiveram. Infelizmente, quem manda na política é o dinheiro, o mesmo dinheiro tem o poder de corromper os que se apresentam com muita ostentação econômica.

Enquanto o deputado federal e presidente do Partido Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, investigado por desvios de verbas públicas de convênios, disse e justificou durante o programa institucional do partido, que a solução de todos os problemas do Brasil serão resolvidos com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Isso é uma propaganda enganosa. Nada será resolvido! Pode até piorar o cenário do Brasil. Contudo na propaganda institucional, o PT já conseguiu acabar com a miséria extrema no país, todos estão estudando, a saúde está uma maravilha...As inserções com os figurantes empunhando  bandeiras multicoloridas, dando uma ideia do  multipartidarismo brasileiro,  locutor narra que não é hora de radicalismo, que o Brasil precisa de trabalho, que todos os países passaram e saíram de suas crises, mas suponho que tenha sido em outro país ou que o marqueteiro do partido não viva no Brasil da miséria, do analfabetismo, dos impostos, da corrupção.

Os países que passaram por crises até maiores do que o Brasil e saíram delas, investiram em educação, saúde, habitação, em segurança e, principalmente, na sociedade coletiva que foi recuperando sua autoestima e o princípio de honestidade que lhes faltava, o que não ocorre no país do maior escândalo de corrupção, varrido por vários anos e presidentes para debaixo do tapete do palácio presidencial, o da Petrobras. Portanto, não será o impeachment da presidente, como faz crer o Partido Solidariedade, que resolverão como se usada uma varinha mágica que, com um simples movimento, transformaria o caos nacional na política, moral, ética, educacional, social e financeira, transformando tudo a ser um verdadeiro paraíso. Países que entraram e saíram de crises,até maiores da que passa o Brasil no momento, mantém a educação como base de tudo e a honestidade como princípio da vida pública!

O Brasil está sofrendo de uma grande crise moral, de identidade, honestidade e de falta de cidadania. A sociedade se individualizou demais e todos deverão participar de seu soerguimento. Com o cenário apático do Brasil de hoje, as pessoas se deixaram derrotar antes da derrota. O PT, como partido, é uma parte integrante da sociedade e, como a sociedade apodreceu, o partido também apodreceu junto. Quem faz o partido são as pessoas, quem elege ou derrota os políticos, são os eleitores. Contudo, como existem poucas opções morais na política brasileira, os bons ficam de fora, os ruins e corruptos se elegem e assim vai girando a roda do poder. Diretamente, isso afeta toda a estrutura piramidal da sociedade, infelizmente! 

Em 2018 haverá nova eleição. Que vença o melhor partido, a melhor proposta, ideia e  estrutura moral para acabar e vencer a crise! Insistir no impeachment da presidente Dilma Rousseff, nesse momento, poderá será um tiro no pé dos eleitores porque ela vem cumprindo o que prometeu “mandarei apurar tudo, doa a quem doer”! E está doendo, principalmente no PT, porque é a bola da vez, detêm no poder, como poderia ser qualquer outro partido também que estivesse no poder! 

Uma coisa é ser pedra; outra é ser vidro e só se joga pedra em vidro que reflete a sua própria imagem, como também se arremessa pedra contra árvore que está produzindo frutos, sejam eles bons ou ruins, só se saberá o sabor depois que vier ao chão e for provado! 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O ANO DE 2015 COMEÇOU COMO TERMINOU EM 2015!


O ano político começou no Brasil de 2016 como terminou em 2015! 

Como fato novo e não tão novo assim, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, mais uma vez usou de seu poderes no cargo e conseguiu adiar pela oitava vez seguida, o pedido de perda de mandato feito pelo Procurador Geral de Justiça, Rodrigo Janot. Contra ele, três processos foram abertos e novas denúncias surgiram, além das que já existiam. Enquanto isso, o ex-presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal o Armando Coelho Neto, garante que a operação “Lava Jato”, não está investigando ou combatendo a corrução porque seria apenas uma guerra sem armas contra o PT com seletivos vazamentos de notícias contra o partido. Contra os outros partidos, também envolvidos, nada seria divulgado. Segundo Coelho Neto, por trás dessa manobra estariam estriam pessoas interessadas em tirar a presidente Dilma Rousseff, do poder, mesmo sem ter qualquer denúncia de corrupção contra ele. Contudo, contra a presidente, que corre o risco sim, de ser afastada pelo impeachment, mesmo nada existindo contra ela. Coelho Neto, acusou a imprensa de ser maliciosa. Ou seja, 2015 foi embora, 2016 chegou e as denúncias continuaram iguais. De acréscimos só existe a concreta falta de credibilidade de uma parte da classe política, tanto da oposição quanto da situação. Como oposição e situação não existem mais no Brasil multipartidário e cheio de corrupção, os estatutos da Delação Premiada para pessoas físicas ou da Leniência, para empresas que se envolvem em corrupção segredo entre duas pessoas, agora só pode existir segredo entre duas pessoas se uma delas falecer ou se quem o revelou confia muito na outra, mesmo correndo o risco de ser pego pela delação premiada ou leniência. Caso contrário, deixa de ser segredo e se espalha como um rastilho de pólvora, como ocorre com a investigação da operação Lava Jato, que Coelho Neto diz que não está apurando nada! Tenho dúvidas se não esteja mesmo!

Do fato batido, rebatido e ridículo também, os politicos citados como corruptos negaram tudo, alegam que as “doações partidárias foram legais” e que tiveram suas prestações de contas aprovadas pela justiça eleitoral. O problema, contudo, não reside nesse ponto, do legal ou ilegal, da prestação de contas aprovadas ou não; está na origem ilegal da doação, fruto de corrupção investigada pela Operação Lava Jato e seus vários desdobramentos que apuram desvios na diretoria da Petrobras. Enquanto o trem da corrupção vai passando pela estrada da “Lava Jato” - que começou em um posto de lavagem - continua seguindo lenta mas de forma correta por várias estradas do Brasil, muitas cheias de buracos e outras crateras enormes. O certo mesmo é que o país está cada vez mais se afundando na descrença em sua economia, na irresponsabilidade com a coisa pública, falta de planejamento e derrapagens que o trem dá ao longo do percurso, tudo o que o ex-presidente Coelho Neto, admite que existe no Governo Dilma Rousseff, ressalvando, porém, seu caráter de honestidade absoluta. Quanto mais se lava o trem da corrupção mais fatos novos vão sendo  revelados, sujando de lama, a já desacreditada classe política que se perpetua no poder. Por culpa exclusiva da sociedade coletiva eleitora, a classe política brasileira não se renova : os bons devem voltar e continuar pelo voto. Os corruptos não devem ser banidos da vida política do Brasil. A campanha eleitoral se tornou muito cara e em quem manda é o poder do dinheiro. No Brasil de tantos impostos, quem é honesto, não tem mais dinheiro!

É triste, mas é real e não se pode negar que uma grande parte da classe política brasileira, que deveria ser acima de qualquer suspeita, está sendo investigada pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção. Todos negam e dizem que “todas as doações foram legais e declaradas ao Tribunal Eleitoral”. Os partidos que assim agem, esquecem que a origem primária da doação foi de fonte ilegal e ilícita. Os partidos devem pensar que todos os eleitores são analfabetos.  O certo mesmo é que toda a sociedade apodreceu, está errada. Até programas sociais são fraudadas, as isenções concedidas pelo governo foram transformadas em lucro. Mas contra a Dilma Rosseff continua honesta e correta e tem dado meios para a Polícia Federal trabalhar.

Apesar de tudo isso, ao contrário do que querem fazer crer pelas redes sociais e nas defesas desesperadas dos políticos do PT, no primeiro dia de volta das aulas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não está sendo vítima de perseguição da imprensa. Onde existe fumaça, também existiu fogo antes. Cada vez que o Instituto Lula explica uma denúncia, mais denúncias com provas aparecem. Documentos são mostrados pela imprensa. Esse é o papel da imprensa: informar e não criar ou inventar fatos. Tenho lido em e-mails e comentários pelas redes sociais, de que a imprensa de “direita e marrom” como se dizia no passado, estaria voltado a agir para jogar pedra no ex-presidente, potencial candidato em 2018. Como jornalista e calejado na atividade em várias áreas, garanto que não é verdade e reafirmo que onde existe fumaça é porque existiu fogo, antes. Os bombeiros do Ministério Público precisarão fazer o rescaldo, separar o joio do trigo e enviar à justiça, que fará a denúncia ou não. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

POR QUE A TELEFONIA FIXA COBRA TAXA MÍNIMA?


Com a evolução e barateamento da telefonia móvel, por que as operadoras de telefonias fixas continuam cobrando por pacotes com 200 minutos a um valor fixo? Me perguntei sem obter resposta, depois de deixar a sala da Comissão de Defesa do Consumidor. Estive em audiência contra a operadora de telefonia TLEMAR NORTE LESTE (OI).

Com muita pressa, a advogada que representava a OI ditou a proposta de acordo e disse que a operadora de Telemarketing, Elenise, devia ter se equivocada porque “esse plano nunca existiu com os dois serviços”. Dissera que participara momentos antes de outra audiência, pelo mesmo motivo: a oferta de serviços existentes. A mim, a atendente Elenise, no dia 22 de setembro ofereceu um plano de telefone e Oi Velox a um preço fixo por um ano por 64,90. Me senti enganado mais uma vez pela operadora!

Fui obrigado a aceitar o acordo da empresa, mas me senti enganado mais uma vez pela operadora! Liguei para o telefone 10331 e fiz um novo plano, com telefone fixa e OI Velox. Sem telefone OI, não existe OI Velox, porque os dois andam juntos como se fosse almas gêmeas, o que é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor. É uma venda casada e isso não pode existir. No fim da audiência, me perguntei: como uma operadora de telemarketing oferece o que a empresa não tem? Ao telefonar e me ofertar o plano que não existia, perguntei por três vezes: “está sendo gravada essa ligação”? Respondeu-me: “Sim. Se precisar, é só pedir depois”. Seu nome? “Elenise”. Protocolo da ligação da OI me ofertando um plano inexistente: 20151138604180. Anotei tudo porque minha advogada já processou várias vezes a empresa OI, por outros motivos e, principalmente, por ofertar produtos e serviços que não existem.

Por que não extinguem a cobrança do valor mínimo para as contas de telefone fixo?  Por que a cobrança não é feita pelos minutos que a pessoa usa, sem a taxa de cobrança. No passado, um aparelho telefônico era tão caro que se pagava em prestações em carnet! Isso hoje não existe mais, felizmente! Infelizmente, porém, continuam cobrando por taxa fixa de 200 minutos! Justificam que o OI Velox está muito abaixo do valor de mercado, o que é verdade, mas porque existe concorrência.

Por que não reduzem o valor e passam a cobrar sem essa imposição? Não sei, mas desconfio que seja pela pura falta de concorrência para a Telefonia fixa: só a OI opera no Amazonas, lamentavelmente!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

POR QUE NÃO PESQUISAMOS NADA DA NATUREZA?


Comentários no blog http://carloscostajornalismo.blogspot.com.br/2016/02/por-que-nao-pesquisamos-nada-da-natureza.html






Por que nada da natureza é explorado com fins medicinais? Pessoas que a mantém em pé, estão morrendo de fome por não poder pescar ou caçar, nem para garantir seu  sustento? A floresta guarda segredos milenares. Os índios já a usavam para produzir seus remédios naturais! Não havia medicamentos e tudo tinha que ser tirado da floresta para combater as doenças. Por que esses valores foram esquecidos? Com tantas tecnologias disponíveis, os homens brancos do Brasil, não a usam em seu próprio proveito e nem pela vida. Os estrangeiros, conhecem bem a floresta, pesquisam, desdobrem patenteiam e produzem remédios! Os laboratórios os vendem ao Brasil, a preços muitas vezes exorbitantes, enquanto pedidos de parentes para produzir novos remédios “in Brasil”, “mofam” nas gavetas da burocracia que tomou conta do país. Sem propinas para rompê-la, nada anda! Essas perguntas sempre me ocorrem enquanto me observo e não me reconheço à frente de um espelho do banheiro, passando no rosto um aparelho elétrico da Philips, presente de Natal de minha esposa, Yara Queiroz.

Temos potencial e tecnologia, mas falta vontade política e programas de desenvolvimento que se voltem a essa atividade inesgotável que, com certeza, será o futuro do projeto Zona Franca de Manaus: pesquisas de novas formas para desenvolver os produtos naturais! Os segredos da floresta não são pesquisados ou descobertos e patenteados como remédios para serem produzidos por laboratórios brasileiros porque os laboratórios estrangeiros não permitem! 

Retorno ao passado e só me vejo desejando usar barba no rosto. Adolescente influenciado pelas conversas de amigos, esfregava cebola cortada nele e creme de abacate que comprava pelo Correio. Diziam que cresceria forte e grossa. Acreditava! Se foi resultado disso, não sei, mas dos 22 aos 44 anos usei barba no rosto, em todos os tamanhos... As vezes era grande, as vezes pequena, outras vezes me chamavam de “tétrico”, outras vezes de “horrível”, mas nunca me incomodei com isso! Olho-me agora e não me reconheço. Atendendo pedido de minha esposa deixei  a barba crescer. Seria o papai noel dos sobrinhos-netos dela. Depois pediu para tirá-la toda e, agora, sempre que tomo banho, tenho que passar, o aparelho de barba no rosto todos os dias.  Ela cresce rápido demais e me incomoda, coça e espeta.

Usava um cabelo grande, cacheados. Quando molhados, esticavam e alcançavam à o meio das costas. Hoje, a careca é a calvície é minha marca registrada. O cabelo e a barba, os tratava muito bem. Eram meus dois tesouros. Devido a uma gastrite aguda erosiva decidi cortar aos poucos. Era editor geral no Jornal do Comércio, em Manaus. Primeiro, cortei o cabelo. Depois a barba. Mudei a posição dos móveis, a cor do carro foi mudada. Mudei de emprego. Passei a trabalhar no Diário do Amazonas, como Editor Geral. A psicóloga, disse que sofria de psicossomatismo e transferia da mente para ao estômago as dores que sentia por saber de corrupção dentro e não poder denunciar nada devido à censura na imprensa, quer direta, quer indireta na época da censura militar; quer pelo poder financeiro. 

Depois de me achar curado da gastrite, passei a sangrar na costa da mão. Parecia uma micose, mas não era. Estive várias vezes em consulta com o dermatologista, Dr. Carlos Alberto Chirano. Não sabendo mais o que receitar de pomadas e cremes, pediu um exame de fungos, realizado somente no laboratório do INPA, em Manaus. Fiz, mas o resultado não foi conclusivo e novas pomadas e cremes foram passados. Fiz tudo que a psicóloga recomendou e fui melhorando aos poucos. Um dia, visitando o sítio do meu pai, Paulo Costa, olhando para minha mão que sangrava e me perguntou: “quer ficar bom disso?” “Quero!”. Foi ao lago, trouxe-me uma semente de uma fruta que se parte ao meio quando está madura. Mandou que raspasse e colocasse sobre o que parecia ser uma impinge. Disse-me que iria doer e doeu mesmo, mas aguentei. Nunca mais procurei o Dr. Carlos Chirano para novos exames e remédios. Fiquei curado da gastrite e da mão. Também não sei dizer se foi a semente que raspada que me proporcionou a cura; fiquei totalmente bom!

Por que estou narrando isso? 

Não tenho dúvidas que a natureza é pródiga em produtos que, se explorados cientificamente, curariam muitas doenças. Acompanhando o presidente Sarney, sua esposa Marli e comitiva em uma visita à chamada “Cabeça do Cachorro”, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Depois de uma hora de voo, fomos recepcionados pelas freiras com maionese no almoço e ficamos hospedados em um hospital, especialmente preparado para todos da comitiva. Os índios, estranhando tanta gente e tantos aviões na pista, ficaram olhando e rindo pelas janelas teladas, a cada vez que um jornalista se virava na cama. Achando tudo muito engraçado, não dormiram, velando nosso sono. No dia seguinte todos estavam com diarreia e procuramos o banheiro: havia uma fila imensa! Um dos colegas, mais grave e desidratado, ficou tomando soro no hospital. O piloto também passou mal e não conseguiria voar por uma hora. Não existia banheiro no avião. Vendo o aperreio de todos, um índio veio a margem da pista recomendou:  “mastiguem a folha mais nova da goiabeira, o broto, engulam o sumo que se formará na boca e podem embora sem problemas”. O índio nos deu a folha de goiabeira para mastigar. Voltamos tranquilo até São Gabriel e depois até Manaus e ninguém foi ao banheiro. Intrigado com, solicitei ao químico, Dr. Shubert, pesquisador e dono da empresa Farmakus da Amazônia, que acreditou e investiu no desenvolvimento da biotecnologia no Amazonas. O pesquisador não prosseguiu não me deu resposta do poderia existir de propriedades no sumo da folha mais nova da goiabeira, o chamado broto!

E por que comecei escrevendo sobre passar cebola no rosto para endurecer os pelos da barba, misturei com outros assuntos e terminei falando de goiabeira? Porque tenho certeza que temos uma das maiores fontes de produtos naturais na Amazônia e não a exploramos: o Instituto de Biotecnologia nunca funcionou e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia foi extinga pelo Governo José Melo. Até quando vamos viver acabando com o que era bom e investindo no que é ruim para o futuro da ZFM? Até quando desprezaremos o nosso potencial em remédios e permitindo que estrangeiros pesquisem, patenteiam e vendam os produtos a partir das na Amazônia para o Brasil e o mundo, ficando cada vez mais ricos com as patentes que desenvolvem. Enquanto isso, um remédio leva muitos anos esperando um despacho na Anvisa pelo deferimento ou indeferimento de sua parente. 

No mínimo, isso é muito estranho!