domingo, 4 de maio de 2014
"O CONTADOR DE HISTÓRIAS" (O FILME)
No Brasil de tantos impostos, o ensino público de qualidade não é uma prioridade. Isso é o que provou a história de Carlos Roberto Ramos, protagonista do filme “Contador de Histórias”, que o conheci quando fomos receber das mãos do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, os prêmios cultural, educacional e de direitos humanos do SCV, quando o Brasil comemorava os 500 anos de independência de Portugal.
Várias comemorações foram programadas no Governo e tive o privilégio de sentar ao lado do Contador de Histórias, e da ganhadora nacional do prêmio de Direitos Humanos do Serviço Civil Voluntário, aluna do Amazonas, Eu, como diretor regional norte do SEST/SENAT, a aluna do SCV e o contador de história mineiro Carlos Roberto Ramos sentamos na mesma fileira e troquei rápidas palavras com o homenageado que receberia em seguida o prêmio Educacional por ter retirado das ruas, com suas histórias, outros meninos que também viviam nas ruas. Projeto Serviço CivilVoluntário -SCV fora um dos melhores projetos governamentais desenvolvidos pelo Governo FHC;
Sentei ao lado de Carlos Roberto Ramos e conversamos por rápidos momentos, quase sussurrando, mas não sabia que a história da pedagoga francesa que o retirou da Febem e o transformou pela perseverança, carinho, muito amor e doação plena a um ideal de transformar uma realidade, também havia sida transformado em filme. Nem imaginava isso e ele também nada falou, mas observei que o “contador de histórias” era um moreno forte, me contou que tinha se formado em pedagogia, falava o francês e tinha pós-graduação, e que também receberia um prêmio por ser contador de histórias no Projeto SCV. Também era bem-falante. uma excelente pessoa e de bom caráter. Trocamos ideias sobre a vitória a nível nacional que a aluna do Amazonas teve no SCV. Me pareceu uma pessoa simples, responsável e centrado. Acreditava como eu acredito que a Educação de qualidade pode transformar a vida do ser humano.
O filme narra um início de difícil relacionamento com a pedagoga francesa, que o levou para morar com ela naquele país, se transformou em uma troca de amor, carinho por uma amizade duradoura, mas a educadora francesa não pode vir à sua formatura como pedagogo também porque sua tutora já havia falecido. Reconstruiu e constituiu sua família, conheceu sua mãe que participara de um assalto a um banco junto com Carlos Roberto Ramos, mas este ficara para trás porque era menor e seria transformado em “doutor” na Febem. Calos Roberto Ramos se transformou em doutor sim, mas não pela publicidade da Febem, mas pelo apoio de uma francesa que o conheceu sendo recapturado mais uma vez e anunciou que fugiria de novo e cumpriu, sendo reencontrado pela pedagoga francesa tomando banho no chafariz, em uma Praça no Centro de Belo Horizonte.
O que mais me impressiona na história de Carlos Roberto Ramos é a certeza de que a educação no Brasil continua sendo negligenciada com péssimas escolas, reajuste do Imposto de Renda que não valoriza o gasto que os pais dos alunos têm para colocar seus filhos, sendo necessário uma pesquisadora da França vir ao Brasil para ensinar que Roberto Carlos entrou na faculdade, se formou em pedagogia e fez carreira como contador de Histórias. Enquanto isso, o Brasil faz propaganda dizendo que o ensino está cada vez melhor, mas como se o ensino de qualidade é caro e não permite ser descontrato no imposto de renda nem em sua metade. Hoje, um curso médio em Escola de qualidade chega a ser mais caro do que um curso superior de razoável qualidade, sem contar com o preço dos materiais didáticos, que estão excessivamente caros. Nada disso, porém, pode ser descontado como despesa educacional no Imposto de Renda, provando que a Educação não é uma prioridade no Brasil!
Já seria uma grande ajuda para todos os que desejam educar seus filhos
quarta-feira, 30 de abril de 2014
HAITIANOS: QUESTÃO SOCIAL E NÃO POLÍTICA OU IDEOLÓGICA!
(CRÔNICA REESCRITA, publicada no blog em fevereiro de 2012)
Muitas informações a favor e contrárias à permanência e aceitação dos haitianos no Brasil circularam pelas redes sociais essa semana. Algumas delas até com certas pitadas de ironia, sarcasmos e até de deboches. Outras, contudo, sérias e responsáveis. Mas a briga que se estabeleceu entre os Estados do Acre, por onde os migrantes ingressam e São Paulo é, no mínimo, ridícula em todos os sentidos, sobretudo no humanitário e social. Os haitianos só querem é viver com dignidade, respeito e honestamente!
A história do Haiti e dos haitianos se divide em várias etapas e momentos. Da “Pérola do Caribe” a um dos países mais pobres do mundo, não demorou muito porque o Haiti enfrentou anos de luta armada, ditaduras cruéis, golpes, assassinatos e deposições de presidentes eleitos democraticamente.
De tudo isso, porém, o certo é que o Haiti foi destruído por um terremoto de 7.3 na escala Richeter no dia 12 de janeiro de 2010, e viu parte de seu povo formado por 9.719.932 habitantes, procurando reconstruir suas vidas em diversos outros países, incluindo o Brasil e, mais precisamente, nos Estados do Acre, por onde entram e depois seguem em busca de dignidade para suas vidas destroçadas pelo terremoto que devastou o país, mas com dignidade em Estados que os aceitem para reiniciarem suas vidas e, de forma honesta, sustentarem suas famílias, mesmo no país de devastado pelas tragédias humanas e naturais.
Segundo dados da Igreja Católica que os vem acolhendo em São Paulo, existem mais de cinco mil e do Acre e continuam chegando outros milhares, fugindo da instabilidade política, das ditaduras que reiteradamente se sucedem no país, apesar de alguns avanços e retrocessos vividos ao longo de sua história, a partir da eleição para a Presidência do Haiti do padre católico Jean-Bertrand Aristid e, por último, do desastre natural que acometeu o país.
Um homem que procura dignidade e viver com a honestidade de seu trabalho em qualquer país que os acolhe, deve ser recebido humanidade e não com tolas discussões políticas tolas, ridículas, desnecessárias e improdutivas, o bate boca omo se estabeleceu entre os Estados do Acre e São Paulo, porque o primeiro tem poucos empregos e outro, mais desenvolvido oferece mais oportunidades em diversas áreas. Os haitianos, muitos em seu país professores, médicos, administradores de empresas etc., querem apenas emprego em qualquer lugar ou área de ocupação para viverem com a dignidade e sustentar suas famílias que ainda ficaram no Haiti com o suor de seu trabalho!
É uma questão social, humanitária e não tem nada a ver com língua, ideologia, princípios morais ou éticas.
Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do povo haitiano, um país pobre e arrasado do continente americano, por questões políticas, humanas, ideológicas, culturais e tribais.
O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou logo após a tragédia que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti, desde sua criação em 1945.
Deixando um pouco a história de lado, a questão social vivida pela população da ex-prospera e conhecida “Pérola do Caribe”, continua abandonada sim, apesar de todos os esforços humanitários realizados e países que os acolhem em redor do planeta. Esse povo abandonado, explorado e agora também e esquecido procura refúgio em outros países, incluindo o Brasil, que os está acolhendo com dignidade, um pouco de respeito, mas com muitos preconceitos ideológicos em suas entranhas porque são negros, muitos analfabetos ou portadores de HIV etc..
Mas antes de analfabetos, negros, com AIDS, de não falarem português, porque todos esses “problemas” levantados podem ser resolvidos com vontade política e determinação, os haitianos são, antes de mais nada, gentes como todos nós! O que os refugiados pelo azar e tragédias naturais agora estão buscando, é apenas um país que os recebam em paz e que não mais convivam com discriminação e “ditaduras” de quaisquer espécies!
Um lugar para chamar de seu e esse lugar pode ser o Brasil!
Muitas informações a favor e contrárias à permanência e aceitação dos haitianos no Brasil circularam pelas redes sociais essa semana. Algumas delas até com certas pitadas de ironia, sarcasmos e até de deboches. Outras, contudo, sérias e responsáveis. Mas a briga que se estabeleceu entre os Estados do Acre, por onde os migrantes ingressam e São Paulo é, no mínimo, ridícula em todos os sentidos, sobretudo no humanitário e social. Os haitianos só querem é viver com dignidade, respeito e honestamente!
A história do Haiti e dos haitianos se divide em várias etapas e momentos. Da “Pérola do Caribe” a um dos países mais pobres do mundo, não demorou muito porque o Haiti enfrentou anos de luta armada, ditaduras cruéis, golpes, assassinatos e deposições de presidentes eleitos democraticamente.
De tudo isso, porém, o certo é que o Haiti foi destruído por um terremoto de 7.3 na escala Richeter no dia 12 de janeiro de 2010, e viu parte de seu povo formado por 9.719.932 habitantes, procurando reconstruir suas vidas em diversos outros países, incluindo o Brasil e, mais precisamente, nos Estados do Acre, por onde entram e depois seguem em busca de dignidade para suas vidas destroçadas pelo terremoto que devastou o país, mas com dignidade em Estados que os aceitem para reiniciarem suas vidas e, de forma honesta, sustentarem suas famílias, mesmo no país de devastado pelas tragédias humanas e naturais.
Segundo dados da Igreja Católica que os vem acolhendo em São Paulo, existem mais de cinco mil e do Acre e continuam chegando outros milhares, fugindo da instabilidade política, das ditaduras que reiteradamente se sucedem no país, apesar de alguns avanços e retrocessos vividos ao longo de sua história, a partir da eleição para a Presidência do Haiti do padre católico Jean-Bertrand Aristid e, por último, do desastre natural que acometeu o país.
Um homem que procura dignidade e viver com a honestidade de seu trabalho em qualquer país que os acolhe, deve ser recebido humanidade e não com tolas discussões políticas tolas, ridículas, desnecessárias e improdutivas, o bate boca omo se estabeleceu entre os Estados do Acre e São Paulo, porque o primeiro tem poucos empregos e outro, mais desenvolvido oferece mais oportunidades em diversas áreas. Os haitianos, muitos em seu país professores, médicos, administradores de empresas etc., querem apenas emprego em qualquer lugar ou área de ocupação para viverem com a dignidade e sustentar suas famílias que ainda ficaram no Haiti com o suor de seu trabalho!
É uma questão social, humanitária e não tem nada a ver com língua, ideologia, princípios morais ou éticas.
Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do povo haitiano, um país pobre e arrasado do continente americano, por questões políticas, humanas, ideológicas, culturais e tribais.
O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou logo após a tragédia que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti, desde sua criação em 1945.
Deixando um pouco a história de lado, a questão social vivida pela população da ex-prospera e conhecida “Pérola do Caribe”, continua abandonada sim, apesar de todos os esforços humanitários realizados e países que os acolhem em redor do planeta. Esse povo abandonado, explorado e agora também e esquecido procura refúgio em outros países, incluindo o Brasil, que os está acolhendo com dignidade, um pouco de respeito, mas com muitos preconceitos ideológicos em suas entranhas porque são negros, muitos analfabetos ou portadores de HIV etc..
Mas antes de analfabetos, negros, com AIDS, de não falarem português, porque todos esses “problemas” levantados podem ser resolvidos com vontade política e determinação, os haitianos são, antes de mais nada, gentes como todos nós! O que os refugiados pelo azar e tragédias naturais agora estão buscando, é apenas um país que os recebam em paz e que não mais convivam com discriminação e “ditaduras” de quaisquer espécies!
Um lugar para chamar de seu e esse lugar pode ser o Brasil!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
SÍNTESE DA HISTORIA DA POLÍCIA FEMININA NO AMAZONAS
Era o comandante da PM no Amazonas, o coronel de Exército Wilson Ribeiro Raizer, religioso convicto, quando passei a registrar os constrangimentos que as mulheres sofriam por terem que ser revistadas por homens da PM no Juizado de Menores, Tribunal de Justiça, Penitenciária Feminina e outros locais públicos que mantinham aquela prática. Registrei tudo em fotos, com minha máquina Olympus Trip 35 que a usava no Jornal como um complemento do trabalho, sem que ninguém percebesse porque ela era pequena, leve e podia ser facilmente transportada em bolsa e servia muito bem para o que me interessava.
Com as fotos reveladas mostrando os constrangimentos sofridos pelas mulheres, principalmente as que visitavam os maridos na prisão da Rua 7 de Setembro, a única e a mais antiga de Manaus, a matéria assinada foi publicada em um domingo, nas páginas de “A NOTÍCIA,”. Na terça-feira, recebi uma carta oficial assinada pelo Secretário de Interior e Justiça, empresário, político e deputado federal, Mário Haddad e pelo seu subsecretário José dos Santos Pereira Braga, do Governo José Lindoso, parabenizando-me pela publicação que fizera. Era a primeira vez que recebia um elogio oficial por matéria assinada que fazia sempre aos finais de semana.
Devido à grande repercussão que a matéria teve junto a sociedade manauara, o então deputado estadual Átila Lins, três vezes presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, apresentou um projeto de lei propondo a criação e implantação da Polícia Feminina no Amazonas, incorporando-a à Polícia Militar, exclusivamente para acabar com os constrangimentos que mostrara na matéria. O então deputado estadual e agora Federal com várias legislaturas seguidas, contou com inestimável apoio da Primeira Dama do Amazonas, Amine Dou Lindoso, que era a presidente da Central de Voluntários do Amazonas e requisitou muitas policiais femininas para ajudá-la em seu trabalho, sendo atendida pelo governador que era um grande humanista.
Ainda lembro com emoção nomes de algumas pessoas que fizeram parte da primeira turma do concurso aberto pela Polícia Militar para selecionar as policiais femininas que usariam sapatos baixos, saias plissadas, cabelos presos por uma toca e não poderiam usar armas e nem compor qualquer batalhão, como as soldados Lambeck, que era irmã do advogado criminalista Miguel Lamgbeck Soares no escritório de quem sempre me fazia presente depois que deixava a redação do Jornal, no Palácio do Comércio, mais as soldados Arlene e Sandra. As duas primeiras colocadas no concurso seriam enviadas para fazer o curso superior de polícia na Academia. Arlene e a Sandra, receberam como prêmio do Governo José Lindoso esse mérito o direito de cursarem a Academia.
Informa o blog do coronel Roberto que “no ano seguinte, a PMM enviou as duas primeiras para enfrentar o curso de habilitação ao oficialato, em SP. Novamente a sargentos Arlene de Oliveira conquistou a primazia de ser a primeira colocada, tornando-se a primeira mulher a alcançar na PMM a patente de oficial (2o tenente). Ela, todavia, não permaneceu na corporação, quando a deixou, foi secundada pela tenente, foi secundada pela tenente Sandra Bulcão que, no corrente ano, alcançou a última parente hierárquica, sendo a primeira coronel da corporação.”. Com a parente de sargentos, as duas foram nomeadas para exercer o comandado da Creche da Polícia Militar, no bairro de Petrópolis.
Pelo blog do coronel PM Roberto, “Catando Letras & Escrevendo Histórias”, dedicado a registrar fatos históricos relacionados à Polícia Militar, sou informado que no Curso Superior de Polícia, foi concluído em dezembro de 1980 e que as PMs femininas do Amazonas, Antônia Arlene Silva Oliveira e Sandra Regina Bulcão Bringel, conseguiram permanecer com os dois primeiros lugares, entre as 32 formandas, também no curso e que, a coronel Janete Ribeiro Fiuza, comandante das policias femininas de São Paulo, se fez presente à solenidade de entrega de faixas às duas aspirantes, com a presença do comandante-geral da PM no Amazonas, o coronel de exército Wilson Ribeiro Raizer.
Também fiquei sabendo que foi o coronel PM Wilson Martins, então Chefe da Casa Militar, quem assinou no dia 17 de abril de 1989 a ordem de fechar e incorporar o efetivo feminino aos Batalhões masculinos, quando as então elegantes e discretas policiais femininas passaram a usar coturnos e armas como os homens, acabando com o “primeiro núcleo das policiais que constituía o Pelotão da P Fem, até o ano de 1986. Com mais efetivo, alcançou o nível de Companhia, constituindo (em) um quadro separado. Três anos depois, no entanto, o comando da PMAM, entendendo que as mulheres deveriam possuir os mesmos direitos e obrigações do efetivo masculino, decidiu incorporá-las ao mesmo quadro. Desaparecia assim a autonomia e, de certa maneira, a essência da Polícia Feminina que, apesar dos entraves, prossegue no contexto geral da PMAM”, garante o blog do coronel Roberto, um em historiador dos fatos da Polícia Militar no Amazonas.
Masculinizadas, embora usando batom nos lábios e uma arma na cintura, acabou o meu encanto pelas Policiais Femininas, mas não meu respeito e admiração por também ter participado do processo de criação da Polícia Feminina, que passou de tantas mudanças desnecessárias e acabou com todo o glamour que existia na época!
Mesmo que com uma matéria apenas, também participei indiretamente da criação da Polícia Feminina no Amazonas, mas o mérito todo foi do hoje deputado federal Átila Lins, que se sensibilizou com os dramas vividos pelas mulheres no início da década de 80 e apresentou o Projeto de Lei!
segunda-feira, 21 de abril de 2014
SINDICATO OU CONSELHO: QUAL A AÇÃO E COMPETÊNCIA DE CADA UM?
De forma didática e perfeita, o Ministro Joaquim Barbosa expôs a diferença entre Conselhos e Sindicatos. Segundo o ministro, os Conselhos “são autarquias autônomas inseridas na estrutura do Poder Executivo, dotadas de competências administrativas específicas e submetidas ao controle ou supervisão de órgãos da Administração Pública do Estado”. Os sindicatos são órgão colegiado de uma categoria e são completamente diferentes das entidades de classe que não podem, em razão de sua precípua função institucional de controle, desempenhar o mesmo papel dos Conselhos, mas “cuidar dos interesses da própria categoria”.
Segundo informa o Sindicato dos Sociólogos, os Conselhos profissionais existem para regulamentar o exercício profissional e os valores de vida, integridade e segurança física e social de pessoas que compõem uma determinada categoria, mas são dependes de iniciativa do Poder Executivo com aprovação pelo Congresso Nacional, por uma lei específica que estabelecerá as diretrizes capazes de verificar as condições e a capacidade para o exercício profissional. O Conselho pode aplicar medidas coercitivas independentemente do Poder Judiciário que terá a função de julgar se a parte punida se sentir com seu direito lesado, protegendo os bons profissionais em seu espaço no mercado profissional e combatendo o exercício ilegal na profissão.
O sindicato, ao contrário, “é uma associação que reúne pessoas de um mesmo segmento profissional e tem representação legal de sua categoria perante as autoridades administrativas judiciais (…) o sindicato defende os interesses coletivos da categoria ou individuais dos seus integrantes (…) participando como parte em processos judiciais ou individuais dos seus integrantes, (…) participando em dissídios coletivos”, ou seja, “os sindicatos defendem os interesses profissionais, sociais e políticos de seus associados, em seu interesse territorial (…) se dedicando aos estudos da área onde atuam e realizam atividades – palestras, reuniões, cursos etc. - voltados para o aperfeiçoamento profissional dos associados.
“Os sindicatos são entidades civis, sem fins lucrativos, com fins de coordenação e representação legal dos trabalhadores” e segundo o Sindicato dos Sociólogos, citando a Lei 201 C, ...“o Estado não poderá exigir autorização para a fundação de Sindicatos, ressalvando o registro profissionais no órgão compete, vedados ao Poder Público, a interferência e a intervenção na organização sindical”, de acordo com a Constituição Federal de 1988.
Os Sindicatos têm formação piramidal/vertical – Sindicatos, Federações (5 Sindicatos no mesmo território podem fundar uma Federação) Confederações (12 Federações podem fundar uma Confederação) – e as Centrais Sindicais têm outro tipo de formação, mas é livre e a vinculação de Sindicatos a qualquer Central Sindical. Depois de fundados e registrados os Sindicatos, podem solicitar registro a uma Federação, se já existir em sua área Territorial.
domingo, 20 de abril de 2014
UM MERGULHO NO MEU PASSADO
Do beco que me viu nascer, do bairro que me viu crescer correndo pelas suas ruas sem asfalto, da catraia que me transportou para pegar água do outro lado do Igarapé do 40, do depósito de açúcar onde apanhava a água em uma torneira colocada aos moradores, nada mais existe. O Beco São Benedito, no qual chorei pela primeira vez, o bairro por cujas ruas andava puxando carrinho imaginário compactador com meu amigo de infância João Couto da Silva, a catraia lenta e colorida que ligava os bairros Morro da Liberdade a Cachoeirinha foram, agora, substituídos por uma ponte, prédios, quadras, parques de diversão e o Igarapé do 40 foi quase aterrado e por ali só trafegam carros velozes. Não reconheci quase nada, apesar do motorista que me levava à Escola de Samba Reino Unido da Liberdade, Carlinhos Pucú fosse me dizendo “isso ficava aqui”, “aquilo ficava ali”, mas nada reconheci, exceto o antigo depósito de açúcar que ainda existe e resiste, mas também não é mais o mesmo. Era inútil o brincante da Escola ir me dizendo “isso ficava aqui, aquilo ficava ali”, porque pouca coisa eu reconhecia. Olhei para a casa de meus padrinhos, no início da Rua São Benedito, depois virei o rosto para ver se ainda conseguia ver a casa do Leônidas ou do João Couto da Silva, do outro lado da Rua, mas nada existia e tudo havia sido “engolido” pelas obras de melhorias sociais do Prosamim e cedido lugar a um progresso que constrói e destrói também!
O Beco São Benedito, agora é o “Beco dos Pretos”, a casa de muitos quartos, que depois da morte de meus padrinhos Natércia e Januário Calado, virou Escola, agora foi demolida e cedeu lugar às obras do Programa Prosamim - Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus que, aos poucos, vem matando por sufocamento os mais tradicionais e importantes braços de rios de águas negras que cortavam minha Manaus, principalmente o Igarapé do 40. Para cruzar o antigo igarapé de minhas recordações, existe uma ponte ligando os dois bairros. Dentro do táxi, tocava uma música suave de uma banda regional de Itacoatiara. Eu escutava o excelente CD que o Carlinhos Pucú me disse o nome, mas esqueci, mas lembro de seu cantor porque já o vi no passado tocando. São muito bons todos os músicos. Escutava a suave música de uma banda regional de Itacoatiara e me admirava por não terem atingido o mesmo patamar de outros grupos que cantam com a “bunda” como dizia o deputado federal Clodovil Hernandez.
Da ponte, avistei as obras do Prosamim, e o Carlinhos Pucú continuava me dizendo “isso ficava aqui, aquilo ficava ali”, mas eu estava perdido em minhas lembranças do passado quando atravessava do Morro à Cachoeirinha para apanhar água, no depósito de açúcar do outro lado. Eu me perdia nas lembranças e recordava os bonequinhos correndo para um lado e para o outro como doidos, quando a TV em preto e branco de válvula era ligada para aquecê-las e esperar surgir a imagem na tela. Era uma época difícil, mas quem possuísse uma TV em casa, já podia ser considerado um rico porque os aparelhos eram muito caros, A sala na qual lembrava era toda pintada de azul com um lustre bem no centro, oval, simples e pequeno.
Emocionado por rever e não reconhecer mais o bairro que me viu nascer e correr por suas ruas empoeiradas, desci do táxi de Carlinhos Pucú e fui recebido por Ivan de Oliveira, ainda com poucos cabelos brancos, talvez menos dos que os meus aos 54 anos e embranquecidos rapidamente por onze cirurgias no cérebro desde 2006, para tratar de um empiema cerebral. Deixei o hospital presenteado com duas bactérias hospitalares incuráveis, mas controláveis com antibióticos. Acho que sambar lhe fez bem ao amigo Ivan de Oliveira, e os medicamentos que me mantêm vivo fazem mal para mim, ou me deixam os cabelos rapidamente mais brancos! Estava retornando para conhecer e participar das festividades pelos três anos de existência do Instituto Reino do Amanhã, criado por Jairo de Paula Beira-Mar e presidido pelo advogado e funcionário do Tribunal de Justiça do Amazonas, Neilo Batista, de cuja união com Rita Castelo, lhe resultaram duas filhas, Maria Vitória e Maria Eduarda, que também integram os quadros da Escola, que estavam presentes na ocasião.
O ex-policial civil que trocou tiros com bandidos, Jairo Beira-Mar, decidiu também trocar sua arma e suas balas por canetas e livros, incentivando um programa de apoio à leitura em parceria com escolas públicas do bairro, como o meu Adalberto Valle, que me viu cruzar de sandálias ou sapatos que mandava confeccionar no bairro de Educandos, seus portões de ferro por quatro anos seguidos, a Escola Paula Ângela e outras que aceitaram o desafio de incentivar crianças ao hábito de leitura através do projeto social “Samba Lê-Ler”, implantado por Ismar Machado, sócio proprietário da Escola e aposentado pela Petrobras. Projeto reconhecido internacionalmente pela UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência e divulgado nacionalmente pela Rede Globo no projeto Amigos da Escola, mas, desconhecido, inclusive por mim, que comecei a trabalhar profissionalmente como jornalista aos 19 anos e muitas vezes recebi Ivan de Oliveira, no Jornal A NOTÍCIA para divulgar ensaios na Escola. Hoje sou assistente social, formado há 17 anos e não tenho desculpa e nem perdão por não conhecer, mas apenas reconhecer que esse projeto social de cidadania existe há pelos menos 32 anos, retirando das ruas através da música, leitura, capoeira, bateria mirim, crianças e adolescentes em risco social.
Da Bateria Mirim saíram para a Bateria Principal, Igor Emanuel, Ricardinho e o Branner, tocadores de cavacos. Nada disso eu sabia, por isso não mereço ser perdoado! Como eu poderia desconhecer um projeto social de tamanha importância, criado há 32 anos dentro da Escola Samba Reino Unido da Liberdade, dedicado à infância, adolescência e juventude que tem tirado das ruas e vem transformando em cidadãos plenos, inúmeros meninos e meninas em situação de risco social e reconstruindo famílias? Como eu poderia desconhecer que o projeto recebera reconhecimento internacional da UNICEF?
Perguntei por alguns amigos de infância, como o moreno forte Leônidas, “O Leão”, como era conhecido, que protegia meus 28 quilos distribuídos em um corpo esquelético até meus 12 anos de idade. Soube que ele era sócio da Escola, mas não se fazia presente no local. Perguntei por dona Rosa, esposa de seu Raimundo Cunha que chegou a ser presidente do Olaria Esporte Clube, um clube social no bairro que se rivalizava de forma sadia com o Libermorro, outro clube que existe no bairro. Soube que Dona Rosa falecera como falecerei um dia, mas soube também, que seus filhos, Wiliam e Williana, com os quais estudei, casaram e deixaram de morar no bairro. O Ronaldson, que estudava com meu irmão Roberto Costa, hoje contador e professor universitário como já fora um dia, era o único que ainda morava, mas não pude vê-lo como gostaria! Talvez nem me reconhecesse mais porque não tinha muito contato com ele, mas o admirava muito quando passou a ser jogador profissional do Libermorro Futebol Club. O campo do Olaria, o Barirí, não existe mais. No local funcionam serviços médicos e sociais e um Clube de Mães. Também procurei ver a delegacia de polícia, mas nada consegui encontrar. Funcionou nos anos 80, inaugurada pelo Secretário de Segurança José de Matos Filho, no Governo José Lindoso. Fui apresentado a Clênio Franciné, filho da minha professora do Grupo Escolar Adalberto Valle, Célia Franciné, proprietária de uma das primeiras padarias existentes no Bairro do Morro da Liberdade. Agora, Clênio Franciné, também aluno da Faculdade de Direito, é compositor da Escola de Samba. Perguntei por Almeron e soube que o autor do Samba Enredo “Mãe Zulmira, o Amanhecer de uma Raça”, que deu o título de campeã à Escola em 1989 falecera há três anos aproximadamente, deixando de presente um verdadeiro hino ao Reino Unido, sobre a raiz negra do candomblé, a resistência da raça e suas tradições e cultura encentrais.
Jairo de Paula Beira-Mar ficou emocionado ao receber a camisa de “Presidente de Honra do Instituto Reino do Amanhã” e contou que me via subindo a Rua São Benedito, com caixa de picolé no ombro ou um tambor de cascalho e um triângulo nas mãos, com uma sandália havaiana nos pés. Lamentou que o Beco São Benedito, onde minha mãe disse que nasci, ter sido engolido também pelo projeto Prosamim e ser conhecido hoje como apenas “Beco dos Pretos”. Tenho certeza que ele possa ter visto mesmo porque era policial civil e deveria trabalhar na Delegacia do Morro, em cuja frente sempre tinha que passar todos os dias para cumprir meu ofício porque não queria ser apenas mais uma boca na casa de meus padrinhos, já tinham numerosos filhos como o Doca Calado, Chaguinha Calado, Gonzaga Calado, Emanuel Calado e muitos outros que o tempo me fez esquecer de seus nomes. A Delegacia do Morro, ocupou um pedaço do campo de futebol do Olaria, o campo do Barriri, em cujo local, nos finais de semana, assistia a muitas partidas de futebol com times uniformizados que se duelavam por uma bola e vibravam quando faziam um gol, em uma trave ou em outra. Eu estava na mesa com o diretor da Escola, João Tomé Mestrinho e sua esposa Kátia!
Deixei o Morro com sentimento de orgulho pelo trabalho social que o Instituto Reino do Amanhã realiza, mas frustrado quando o Neilo Batista cobrou do atual governador do Amazonas, José Melo, a promessa que o seu antecessor Omar Aziz fizera, exigindo que todas as Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus também desenvolvessem trabalho igual ou parecido de resgate social em suas comunidades, mas seu Secretário de Cultura Robério Braga, que mandou tecnocratas visitarem as Escolas de Samba de Manaus, disseram que no local não teriam condições de desenvolver nada, sendo excluída. A Escola de Samba Reino Unido da Liberdade terá uma nova sede, está em construção, com salas de aula e terá condições de desenvolver um excelente trabalho social e prosseguirá o que já realiza em silêncio há 32 anos. A sede e as salas de aula ficarão em uma área do Prosamim na antiga margem do Igarapé do 40, que engoliu uma parte de meu passado também. Meu sábado, dia 12 de abril, cheio de emoções fortes foi concluído prestigiando o lançamento do livro de Jan Santos, “Evangeline – Relatos de um mundo sem luz”, no Centro de Convivência da Família, Magdalena Arce Dou, em Santo Antônio. Posso garantir que foi um sábado perfeito, do jeito que costumava acontecer antes de 2006.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
O POETA, O CANTOR NACIONAL E A GOZAÇÃO!
O ano, não lembro mais. Mas década era início dos anos 80.
Eu, escritor iniciante e apenas com um livro de poesias publicado, (DES)Construção, em 1978, mas com certo prestígio na mídia local; o poeta nacional Jorge Tufic; o cantor amazonense lançando seu primeiro LP, Edney Sander; o cantor Odair José, que fazia muito sucesso naquela época e mais o Ronaldo Tiradentes, então Secretário Estadual de Comunicação e hoje empresário de comunicação estávamos dentro de uma pequena aeronave nos deslocando do “Eduardinho” com destino à terra do Guaraná, a convite do então prefeito de Maués, Carlos Esteves. Fomos convidados para a “Festa do Guaraná”, mas antes teríamos que compor uma mesa e participar como jurados em um evento cultural.
Dentro da aeronave com vários paletós brancos sob o braço, Edney Sander, em sua primeira apresentação na famosa festa do município, começou a perguntar à atração nacional Odair José, como fazia para manter sua voz sempre em forma. Entrando na onda e pensando que fosse apenas uma mera brincadeira de cantor principiante e empolgado, Odair José respondeu:
- Gargarejo com água morna.
- Mas isso dá certo mesmo?
- Lógico que dá e se eu fosse você, começaria a praticar agora mesmo!
Edney Sander se levantou, entrou no banheiro da pequena aeronave, colocou água fria na boca, “iniciando” sua tarefa para fazer sua primeira apresentação. Dentro do avião eu, Jorge Tufic, Odair José e Ronaldo Tiradentes começamos a rir. O Jorge Tufic riu tanto que passou a sentir dor nas costas e o Edney Sander, fazendo gargarejo no banheiro da aeronave, não sabia de nada, principalmente que o cantor de quem Edney Sander também era fã, estava tirando sarro dele. Depois de mais de 30 minutos gargarejando com água fria mesmo, o cantor amazonense saiu e voltou a perguntar ao cantor Odair José:
- Será que eu gargarejei o suficiente? Acha que preciso praticar um pouco mais, afinal, vai ser minha primeira apresentação! Por isso trouxe esses doze paletós brancos. Você que já é um cantor famoso, acha que serão suficientes? Odair José olhou para os paletós e nada respondeu, mas ficou com olhar de desaprovação.
- Acho que não! Melhor o amigo continuar fazendo seu gargarejo, afinal, o cantor se apresentará antes de mim e não deve fazer feio e nem pode ter problemas de voz – aconselhou o cantor Odair José, agora tirando sarro de Edney Sander.
Descemos no Aeroporto. Um jipe do prefeito foi nos apanhar. Eu, Jorge Tufic, com certa dificuldade devido a dor nas costas, Ronaldo Tiradentes e o cantor Odair José entramos no jipe. Edney Sander, com seus paletós brancos no braço, disse que não entraria, pois outro carro deveria vir buscá-lo. Como isso não aconteceu, o cantor amazonense foi até hotel reservado na orla de uma praia da cidade, na Ponta da Maresia, caminhando a pé mesmo. Chegou cansado e suado!
O hotel era de um ex-garimpeiro que ficou rico no então Garimpo Santa Rosa e foi construído com uma escada lateral para quem decidisse subir para o segundo andar, mas sem qualquer cobertura. De noite, o Ronaldo Tiradentes decidiu preparar uma panela de caipirinha, construir uma barraca para pescar tucunaré e dormiu na praia, mas não fisgou nenhum peixe. Amanheceu com o rosto muito vermelho e com cara de resseca.
No hotel, o poeta Jorge Tufic perguntou se havia alguém na cidade que viesse fazer uma massagem nele. Apareceu uma enfermeira. Ao final, Jorge agradeceu, dizendo:
- Nunca fui massageado por uma enfermeira tão gentil antes!
- Também nunca havia massageado um poeta tão famoso – respondeu a enfermeira!
Na hora do show musical, a praça lotada à espera da atração nacional Odair José, que cantaria depois, Edney Sander entrou no palco com seus paletós brancos no braço e começou a cantar. Conseguiu errar até letas de música de seu próprio LP, sendo aplaudido de forma discreta. Depois ovacionado por gritos, assobios e palmas, entrou no palco quem todos queriam ver: Odair José. Depois das apresentações, um jipe, mais uma vez, foi nos apanhar e novamente o cantor amazonense se recusou a entrar no carro com seus paletós brancos. Entramos eu, o poeta, o cantor nacional e o secretário de comunicação.
Mais uma vez Edney Sander não entrou no carro e foi andando até o hotel, com todos seus paletós brancos no braço, porque ele só usou o que estava vestido. Chegou hotel cansado, suado e todo sujo de lama.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
INCONSTITUCIONAL SIM. IMORAL, NÃO!
Está na hora de o Governo Federal passar a legislar tudo concomitantemente com os Governos Estaduais e, estes, com os municipais, para evitar tantas ações de inconstitucionalidades, como é o caso do desespero de algumas autoridades municipais que decidiram criar leis próprias instituindo toques de recolher para jovens e adolescentes reforçando o determina o Estatuto da Criança e do Adolescente – o ECA porque os Governos Estaduais e Federal se omitiram para fazê-lo cumprir. E, quando o Estado se omite no cumprimento de seu dever constitucional em proteger crianças e adolescentes, as autoridades municipais ficam desesperados em busca de soluções e terminam criando leis próprias que são sim inconstitucionais. Mas, imorais, elas não são.
Foi o caso de Guarapari, em Santa Catarina e outras cidades brasileiras que decidiram criar legislações para proteger seus jovens e adolescentes das drogas, das bebidas, mas restringindo os seus direitos de ir e vir, em determinados horários em bares, boates, bordéis etc. Enquanto esse desespero ocorre, a Câmara Federal rejeita reformas no Estatuto da Criança e Adolescentes para adequá-lo as realidades de hoje. O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, foi instituído pela Lei 8,069/90, mas já cumpriu sua meta inicial e precisa ser reformulado e adaptado aos novos tempos.
Em algumas cidades menores, fácil de controlar, juízes de menires, delegados de polícia e alguns poucos tribunais instituíram o inconstitucional, mas não imoral, conseguiram certa eficácia, um toque de recolher e experimentaram momentos de paz e tranquilidade por um certo tempo. Conseguiram controlar a presença de menores em bares adquirindo bebidas alcoólicas, cigarros, drogas, envolvendo toda a comunidade e estabelecendo multas para que descumprisse as Leis estaduais, agora contestadas judicialmente e consideradas inconstitucionais, mas a violência envolvendo jovens e adolescentes e a prostituição foram reduzidos, mesmo que por leis inconstitucionais e que se se faziam cumprir e eram respeitadas. Por que o Governo Federal não experimenta legislar concomitantemente com os Estados?
Será que já não seria o momento de o Estado Nacional flexibilizar aos Estados-membros algumas atribuições para legislar sobre problemas específicos que lhes são pertinentes e ficar só com as questões maiores? Será que isso feriria alguma coisa, além do que fere toda a sociedade a falta de descumprimento das normas que o Estado Nacional se impõe, mas não tem condições de fazer cumprir?
Em todas as leis, o Estado Nacional poderia estabelecer que o Estado-membro também teria o direito de legislar concomitantemente sobre o mesmo assunto, respeitando a Lei macro e deixando o micro para que cada Estado-membro pudesse decidir livremente, se deveria endurecer ou flexibilizar mais a mesma lei, mas respeitando o princípio nacional estabelecido? A inconstitucionalidade, nesse caso, só poderia existir se um Estado-membro instituísse algo que contrariasse a Lei maior. Com isso o juiz de menores teria mais liberdade para punir com penas de tratamento aos usuários de drogas em tratamento compulsório em fez de ressocialização com afastamento do convívio familiar, até livrá-lo da dependência química. Será que não estaria na hora de acabar com a hipocrisia de dizer que prisão recupera condenados? Será que não estaria na hora de parar de se levar até a corte constitucional do Brasil, até roubo de galinha, entulhando a Suprema Corte com coisas puramente sociais que poderiam ser resolvidos com a ação de um profissional de Serviço Social?
Será que não estaria na hora de se tratar problemas sociais com assistentes sociais e não transformá-los em Boletim de Ocorrência e enviá-lo ao Poder Judiciário? Será que não estaria na hora de se repensar toda a constituição do Estado brasileiro, da Educação, da Segurança, da Habitação ou falta dela, saneamento básico? Será que não está na hora de o Governo Federal mandar fazer um levantamento em todo o seu patrimônio em prédios, recuperá-los e distribuí-los ao povo carente e só depois de concluir isso criar o programa Minha Casa Minha ]Vida para atender aos que não foram contemplados só com os prédios federais restaurados e distribuídos?
Quanto tempo mais teremos que continuar vivendo em um Estado que todos sabem que é voraz para cobrar, mas péssimo para distribuir benefícios sociais? Será que teremos que continuar vivendo em um Estado que prefere construir prisões para encarcerar ladrões de galinhas, viciados em drogas e vítimas de problemas, alguns puramente sociais, que o próprio Federal se impõe, mas não possui estrutura nos Estados para fazer cumprir e os Estados-Membros não se interessam em fazer cumprir. Leis Federais existem, mas não existe vontade de fazer cumpri-las!
As leis criadas em várias cidades do Brasil, especialmente em Camburiu, em SC, podem ser inconstitucionais, mas imorais elas não são e apenas resultaram da incompetência dos Governo Federal e Estadual em fazer cumpri-las! Se o Governo Federal cria uma Lei, tem que criar também estrutura para que os Estados e os Municípios a cumpra.
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