terça-feira, 18 de junho de 2013

"COM OS QUATRO PNEUS ARRIADOS"...!


Costumava frequentar a Igreja de São Lázaro na adolescência e cheguei até fazer parte do “Grupo de Jovens”. Gostava de comparecer ao local, principalmente durante as Festas Juninas no mês de junho, porque apareciam as “meninas mais bonitas” do bairro. Na verdade, algumas nem eram tão bonitas assim! Mas eu as admirava, principalmente uma que nunca descobri o nome que colocava roupa de couro, usava bota acima do joelho e devia ter uns 14 anos como eu. Morava a duas casas antes do muro da Igreja de São Lázaro e eu gostava de vê-la “fantasiada” para frequentar os arraiais que se desenvolviam local, aos finais de semana.

Durante a semana, o serviço de alto-falante da Igreja de São Lázaro, onde também havia uma quadra de futebol de salão e eu era goleiro no time de futebol do adolescente Adriano Bernardino, filho do empresário Adriano Bernardino, dono dos cinemas que existiam em Manaus, como o Guarany, Ipiranga, Éden, Odeon e Palace, entre outros que se transformaram  depois em lojas, bancos e igrejas pela força do dinheiro.

Não era o dono da bola, das camisas, das chuteiras, como possam pensar. Era tudo oferecido aos adolescentes pelo Adriano Bernardino, filho do dono dos cinemas mais importantes que existiam em Manaus. Eu era apenas um goleiro que gostava de jogar sob as balizas das traves e era mediano no futebol de salão, onde sai depois para agarrar em outros gols, com outras camisas até me tornar semi-profissional e, depois, reserva em alguns times profissionais de Manaus, encerrando a carreira anos depois, ao  quebrar os dois pulsos ao defender um pênalti com a mão aberta durante um jogo treino no campo do Colégio Militar de Manaus. Ficou curado; mas nunca mais voltei a jogar porque perdi a confiança em mim mesmo embaixo das traves!

Voltando à narrativa da crônica, eu gostava de frequentar festas juninas para admirar as garotas que achava bonitas nessas ocasiões. Mas um dia, ao visualizar àquela garota usando roupas de couro, botas longas, me entusiasmei e mandei colocar um aviso no  alto falante da Igreja dizendo assim:

- “A você que está atrás de um carro Kombi, usando jaqueta de couro marrom e bota marrom à altura do joelho, alguém que se  encontra neste arraial também, mas com os quatro pneus arriados por você, precisando de alguém para ergue-lo do chão em sua paixão, lhe oferece essa linda página musical...O rapaz que lhe oferece essa linda página musical  usa cabelos grandes, está usando calça pantalona e está com uma jaqueta jeans”.

O locutor leu meu recado, a música tocou, mas a moça de meus desejos descarados continuou me ignorando, talvez porque eu  fosse muito feio, desengonçado e meio nerd também! Mas fiquei sem saber a real causa da pessoa que fazia bater meu coração mais acelerado, porque ela não apareceu e nem me procurou, nem antes e nem depois do bilhete lido com emoção e impostação de voz...!

Hoje, não sei nem dizer se a quadra ou as festas ainda existem porque deixei de morar no bairro da Betânia, fronteira com o bairro São Lázaro, onde se localizava a igreja, há muito tempo. Mas as lembranças daquela época nostálgica de um momento excelente de minha juventude permanecem vivas dentro de mim, me martelando o coração com saudade!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

"ESTELIONATO RELIGIOSO" DO PASTOR SILAS MALAFAIA!

  
A chamada “reforma protestante” na Idade Média, do século V ao XV, teve como um de seus principais fundamentos, a venda de indulgência com pagamento em dinheiro (perdão dos pecados), pela Igreja Católica. Historicamente, na Alemanha, o monge Martinho Lutero, influenciado pela obra de Santo Agostinho, instituiu 95 teses atacando a venda de indulgência, rejeitando a hierarquia religiosa, o celibato, o uso do latim nos cultos, o conceito de que o pão e o vinho se transformavam no corpo e sangue de Cristo, mantendo-o apenas com um rito simbólico, conservando apenas o sacramento do batismo e da eucaristia. Isso aconteceu em 1527 e estava fundada a que se denominou chamar de “Protestantismo”, ou o “primeira grande Cisma da Igreja Católica”. 

Durante o período compreendido entre o século V e o XV, a Igreja Católica foi a mais influente e poderosa força do mundo, mas possuía uma estrutura hierárquica rígida e uma organização centralizada.  Era a maior proprietária de terras na Europa e muitas riquezas. Mas, o “Protestantismo”, no século XV, começou a criar as idéias humanistas, que passaram a apontar deturpações cometidas pela Igreja e por alguns papas daquela época. No século XVI, houve a ruptura na estrutura da Igreja Católica Roma, com a publicação das ideias do monge católico alemão Martinho Lutero.

As causas para o rompimento e a criação da cisma na Igreja Católica, foram várias, como o desenvolvimento do comércio pela burguesia, a formulação dos Estados Nacionais, o Renascimento Religioso, com a releitura de textos do Antigo e do Novo Testamento, o que propiciou uma comparação entre os ensinamentos de Cristo e as doutrinas da Igreja Católica, muito apegada aos seus bens materiais, recorrendo muitas vezes a políticas abusivas, como a simonia (comércio de objetos religiosos), a venda de cargos eclesiásticos e a venda de indulgências – perdão dos pecados com pagamento em dinheiro.


De lá para cá, outros cismas aconteceram dentro da Igreja Católica, ela perdeu espaço para muitas outras religiões que surgiram depois, novas igrejas foram criadas e novos princípios foram estabelecidos. Eu até sinto simpatia por algumas dessas Igrejas, cultos ou como possam ser definidos esses novos templos.


Mas o que propôs o pastor Silas Malafaia, de doar parte do aluguel, pagamento das prestações do programa “Minha Casa, Minha Vida” ou, para quem vive de favores na casa dos outros por não possuir casa própria, dizendo que Deus lhes daria à tão sonhada casa própria, já se trata de um novo modelo de “estelionato religioso”, como perfeitamente definiu o bem preparado e viajado advogado Marcio A. M. D.  Moraes, residente no Rio de Janeiro, ao repassar-me o vídeo que circula pela internet!

Se o alemão Martinho Lutero voltasse do túmulo só para assistir o vídeo com a proposta estelionatário/religiosa do pastor Silas Malafáia, por quem nutria uma consideração e não nego que assistia a algumas de suas pregações retornaria para o túmulo mais rápido ainda, tal é o aspecto imoral que fez surgir a doutrina protestante, que respeito muito, principalmente porque está ocupando um espaço social importante em defesa do que fazia a Igreja Católica, até fins dos anos 70 e um pouco mais no Brasil durante a ditadura militar, cuidando da alma e das coisas materiais dos brasileiros.

Mesmo a despeito de alguns comentários não tão elogiosos contra alguns movimentos sociais, o carioca Silas Lima Malafaia, membro da Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, presidente da Editora Central Gospel, é graduado em psicologia, membro do Conselho Internacional de Ministros Evangélico do Brasil, que congrega 8.500 igrejas, mas o a proposta feita ao seus fiéis é imoral, irracional, ilógica e merece todo meu repúdio, apesar de saber que Deus está me mantendo vivo!

Meu mais profundo respeito às Igrejas Evangélicas, mas sabiam que o pastor Silas Malafaia é o terceiro pastor mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares? Mas, tenho certeza que esse valor não é resultado da venda de seus livros ou de seu trabalho como psicólogo, porque ambas as atividades são pouco reconhecidas no Brasil e muito mal remuneradas. No caso da venda de livros, o autor que pesquisou por anos a fio, recebe no máximo 10% do valor de capa de sua obra e o psicólogo sempre foi muito mal remunerado, como também algumas profissões de cunho social.


Repudio veementemente a manifestação feita por canal de TV, pelo aludido pastor, por entender que o povo brasileiro precisa se libertar de toda essa propagada religiosa pelos meios de televisão, principalmente quando se ela propõe, de forma imoral, ao perdão Divino com destinação de parte dos pagamentos de seus aluguéis ou pagas à casa própria e etc., chamando praticamente a sociedade de analfabeta, como se não soubesse qual o verdadeiro direcionamento dos valores, embora tenha conhecimento que a Constituição do Brasil seja laica! Tudo o que nunca quis Martin Lutero quando defendeu a reforma protestante!

domingo, 16 de junho de 2013

AFINAL, COMO DEVEM AGIR OS POLICIAIS MILITARES?


Treinada e doutrinada para o confronto e para fazer respeitar a Ordem Pública como órgão repressor do Estado, no combate ao vandalismo em que se transformaram os movimentos ocorridos em vários Estados do Brasil, a pretexto de protesto contra os aumentos das passagens de ônibus, danificando propriedades públicas e privadas, como deve agir de fato a Polícia Militar? Afinal, como devem se portar e comportar os policiais militares que não usam armas letais, mas são recebidos com pedradas, coquetéis, garrafas quebradas, etc. Os movimentos estão sendo integrados por manifestantes enfurecidos, que depredam, picham e destrói tudo o que vêem pela frente – alguns poucos infiltrados, usando de meios não lícitos ou inconfessáveis, como protesto reivindicatório?

Estou me referindo precisamente ao comportamento e à ação que os policiais militares, treinados para garantir a ordem e o direito de ir e vir das pessoas, não lhes entregando flores, mas reagindo na proporção que se façam respeitar na justa medida do ataque! Se agirem e cumprirem o dever coletivo do povo que o Estado lhes outorgou, são truculentos e consequentemente inquéritos militares são abertos para apurar eventuais excessos. Mas se nada fizerem, são considerados e punidos do mesmo modo por omissão na função! Como é possível conciliar esses dois diametrais extremos? Com o diálogo? Como se os integrantes desses movimentos não apresentam essa possibilidade? Inclusive a presidenta Dilma Rousseff chegou a ser vaiada no Estádio Mané Garrincha, antes do inicio do jogo Brasil 3 X Japão 0, o que achei injusto porque ela tem feito de tudo para reduzir a subida inflacionária, inclusive reduzindo tributos federais que incidem diretamente sobre a folha de pagamento das empresas.

Como conciliar a ação policial contra a reação violenta dos manifestantes? Também fui vítima de truculência policial nos idos da ditadura, tanto das Polícias Militar, Federal e até do Exército! É um dilema que precisa ser resolvido e levado em consideração! Quem punirá, agora, os manifestantes enfurecidos e até alguns ensandecidos pelo vandalismo puro e simples que causam? Quem punirá os manifestantes pela destruição dos ônibus e patrimônios públicos, alem de fachadas de bancos? Todos – policiais militares que talvez tenham cometidos excessos e os manifestantes que cometeram excessos, até explodindo bombas caseiras- teriam que ser punidos igualmente!

Não sou contra qualquer tipo de manifestação, mas ela precisa ser pacífica, ordeira, com propostas apresentadas, discussões e não com radicalismo, quer de um lado ou quer do outro, porque o que se viu foi uma verdadeira guerra civil não declarada. De um lado, os manifestantes com “coquetéis molotoves” e bombas caseiras em suas mochilas, também arremessavam pedras, queimavam lixos, jogavam garrafas contra a força policial e, do outro, os membros do Aparelho Repressor do Estado pago para manter a ordem, usando de meios próprios para se defender das agressões, com gás de pimenta, balas de borracha e jatos de água.

Mas, afinal, como devem agir os policiais contra a turba violenta que está protestando até por ouvir dizer que haveria reajuste no valor das passagens de ônibus, como ocorreu em Maceió? As reivindicações de desapropriação das empresas de ônibus têm um lado positivo e outro negativo: o positivo é que os elevados impostos pagos poderiam subsidiar os custos: o negativo, é que nada que é de graça serve, como deixaram claro os manifestantes, que destruíram até patrimônios privados como portas de bancos, bancas de jornais e revistas,  vitrines de lojas e outras coisas mais. Mesmo que o Estado desaproprie empresas, mesmo que subsidie tudo para todos da sociedade civil, o transporte coletivo vai piorar e nada mudará e os manifestantes terão outros motivos para protestar porque coisa dada não tem valor, e as pessoas não às sabem valorizar, como ocorreu com as últimas manifestações.


sábado, 15 de junho de 2013

O CANTOR ABÍLIO FARIAS, FALECEU!



O CANTOR ABÍLIO FARIAS FALECEU!


“Que não seja imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure...”

Começo a crônica com essa linda frase do soneto “Fidelidade”, de Vinicius de Moraes, para falar de um amigo Abílio Farias, que quase não o via nos últimos seis anos de minha vida. É...amigo cantor que iria “fechar esse cabaré”, você não teve tempo para esperar a reestréia da novela “Saramandaia”, no próximo dia 24, também nome de um ex-cabaré engolido pelo progresso, onde você costumava  se apresentar enquanto o táxi, que o taxista dirigia para se sustentar,  ficava estacionado esperando algum passageiro só ou acompanhado, mas sempre cambaleantes.

Nas praias de Fortaleza amigo, chegaram a me oferecer um CD com seus maiores sucessos musicais pirateados e o único CD do misto de cantor/locutor e hoje empresário Ronaldo Tiradentes, dono das Rádios Tiradentes/CBN FM, gravado todo com músicas de Roberto Carlos, o seu ídolo preferido! Fiquei revoltado e lhe telefonei na mesma hora, da cadeira da praia em que me encontrava! Não telefonei para o celular de Ronaldo Tiradentes porque tinha perdido o contato com ele depois que se tornou deputado e fora nomeado Secretário de Comunicação no Governo Amazonino Mendes!

Companheiro Abílio Farias, seu taxi e o cabaré “Saramandaia,” onde o amigo também emprestava sua voz para ser aplaudido pelos  colegas taxistas e os frequentadores do  bordel não existem mais, mas sua música existirá para sempre, mesmo você não vivendo mais entre todos os amigos que lhe admiravam, como eu.

O cantor amazonense de estilo brega romântico iniciou sua carreira musical na década de 1960, cantando em bares em Manaus. Mas eu só ouvi cantar mesmo, pela primeira vez, no bordel “Saramandaia”, quando estive lá acompanhando do companheiro jornalista Luiz Octávio Monteiro, barbaramente assinado e jogado em barranco na estrada da Ceasa, em Manaus. Como você cantava e encantava com sua potente voz e já tinha público cativo, foi convidado a gravar um primeiro LP pela “Tapecar”.

Nascido em 1946 em Manaus, foi um dos poucos artistas que se tornou independente, depois que rompeu o contrato com a Gravadora Tapecar, que o lançou para o mundo musical, mas suas músicas continuaram tocando nas rádios de Manaus e do vários Estados do Brasil. Segundo o blog “Música Popular do Brasil” (http://musicapopulardobrasil.blogspot.com.br/2009/01/ablio-farias-mais-um-cantor-popular-que.html) Abílio Farias começou a cantar aos 14 anos de idade, de forma amadora. Já sendo muito conhecido pelo seu potencial de voz forte, pelas ondas da Rádio Baré e tendo um público fiel, Abílio Farias foi levado para o Rio de Janeiro para gravar seu primeiro LP, o que ele próprio o chamava carinhosamente de “meu primeiro bolachão”.  Foi um sucesso imediato porque seguia o mesmo estilo brega romântica de Waldick Soriano e Bartô Galeno, que também gravavam pela Tapecar e já tinha muita entrada no mercado fonográfico do Norte e Nordeste do Brasil.

Com as músicas “Ciganinha Feiticeira” e “Vou Fechar esse Cabaré”, de LPs distintos, Abílio Farias surgiu para o mundo da musica, mas mudou de gravadora, passando a gravar pela Continental, pela qual estourou nas paradas musicais e se manteve por alguns anos.  Rompeu seu contrato, retornou a Manaus, passando a gravar e vender de forma independente seus novos CDs. Sempre quando o encontrava pelos corredores da Assembléia Legislativa, falava de seus novos projetos musicais, shows que faria em outros países e de sua vida também. Dizia que amava demais sua esposa, como eu também amo a minha!

Gostava de quase todas as músicas de Abílio Farias e as ouvia com alegria e felicidade com o amigo e admirador Claudionor Santos, na pérgula da piscina do Florença Residencial Park, por saber ser uma pessoa de Manaus, que rompeu as fronteiras fechadas da música e despontou com muitos sucessos. Mas, de todas as músicas, a que mais gosto é “Coração Indeciso”, composição de Domingos Lima, talvez por ser a letra com a qual mais me identifico. “Velocípede Velho”, me faz lembrar a infância pobre e do primeiro presente que recebi na vida, um boi de couro que Dona Zizi, “avó adotiva”, mãe de “minha mãe adotiva”, Dra. Dulce Costa, adquiriu na Bahia e me ofertou por tirar seguidas notas  altas, além das que supunha eu poder conseguir no Grupo Escolar Adalberto Valle.

Mas Abílio Farias gravou também as músicas “Que Pena”, “Vou fechar o cabaré”, “Fica Comigo esta noite”, “Muita Maldade”, algumas compostas só por Bartô Galeno e, outras com sua participação ou versões de boleros em espanhol. Abílio começou a cantar profissionalmente aos seus 25 anos e a música “Vou Fechar o Cabaré”, suficiente para a consagrá-lo como artista popular até os dias de hoje (http://musicapopulardobrasil.blogspot.com.br/2009/01/ablio-farias-mais-um-cantor-popular-que.html).



“Mulher difícil o homem gosta”, composição do próprio Abílio Farias, deveria servir de exemplo para muitas “mulheres fáceis demais”.  Mas, por não gostarem desse estilo musical, nunca a ouviram.  Vá em paz, amigo guerreiro Abílio Farias, que teve a coragem de romper com uma gravadora no auge de seu sucesso e voltar para sua terra e comer jaraqui de novo, porque um dia nos encontraremos, com certeza!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

SOLIDÃO...

... é um estado de contemplação do espírito; não é só se sentir só; mas sim estar com várias pessoas em sua volta...mesmo sentindo-se sozinho!

...é o momento perfeito para conversar consigo mesmo, meditar, reclamar de suas dores, dos amores que você teve e falar mal  de seu próprio coração.

...é um estado de espírito contemplativo. É quando você tem a certeza de que Deus existe...nos ventos, no sol, nas estrelas, no ar que respira diariamente, enfim, em todas as coisas que existem.

...é a maior certeza de que você não está só; está com Deus, da forma que você o entender e apenas com seus próprios delírios, pensamentos, angústias, desesperos, incertezas e porque não dizer, certezas também?

...é a certeza do encontro de seu ser com o seu não ser! É um instante mágico quando todo seu ser entra em um estado meditativo para encontrar apenas o “eu” que está dentro de você mesmo.  É uma coisa que surge rápido, mas passa rápido também; não é uma doença!

...é a qualidade e a capacidade que se adquire para viajar em pensamentos, idéias, projetos e certezas...Os escritores, cronistas, poetas, enfim, necessitam desses momentos do eu sozinho! Ah, que felicidade é se sentir só!

...é a verdadeira realidade de seu ser, a mais profunda certeza de que há algo ao seu redor!

...não é um estado depressivo, nem melancólico, nem difícil de sua vida; mas um momento em que você fica só com Deus, conversando com ele, ouvindo-o atentamente.

Ah, solidão, como defini-la?  Defino-a como um momento mágico, um instante, um segundo;  a solidão passa. Não confunda solidão com estar só porque se pode viver na solidão com muitas pessoas em sua volta.

...solidão, ah, como defini-la? É melhor não tentar porque solidão é apenas um instante reflexivo de cada um que, se perdurar, se transformará em tristeza e virará uma doença.

OS DOIS LADOS DA MESMA EDUCAÇÃO!


Em Juazeiro do Norte, a Câmara Municipal, que trabalha só dias por semana, aprovou um corte de 40% no salário dos professores que estão todos os dias em salas de aulas, cheias de alunos violentos, sujeitos a agressões e até mortes como ocorreu em Natal, que um aluno matou o outro, tudo em nome da Lei de Responsabilidade Fiscal! Mas será que isso não é ilegal porque pelo menos arbitrário,  foi com certeza!

Mas seriam mesmo os pobres e mal pagos professores, os únicos culpados ou seriam também os vereadores que trabalham pouco e não reduziram seus salários, em nome da mesma Lei de Responsabilidade Fiscal, os responsáveis por ganharem muito e trabalharem pouco? Os vereadores - que em alguns casos poderiam ser substituídos por membros não remunerados da comunidade para gerir os destinos da cidade, como ocorria na Grécia, com seu modelo de democracia que serviu para o mundo - deveriam ter dado o primeiro exemplo em nome da mesma Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas por quê e para quê só culpar os pobres professores?

De acordo com o Sindicato dos Servidores Municipais, dois mil bravos e destemidos professores devem ter os seus salários reduzidos em R$ 650 reais, muito abaixo até do que o próprio salário mínimo, tudo porque ocorreram mudanças nas regras do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração! Oram venhamos e convenhamos, os vereadores também deveriam dar o exemplo e cortar seus próprios salários porque os professores não têm qualquer culpa no “cartório” porque só se limitam a transmitir seus conhecimentos, que provavelmente alguns vereadores do município sequer assistiram às aulas!

Do salário determinado pelo MEC de R$ 1.547,00, além de gratificações que totalizavam um valor de R$ 2.193 reais, dois mil professores pelo menos passarão a ter uma redução de R$ 650 reais no valor que recebiam. De acordo com o a CLT, não pode haver redução de salários, mesmo por lei que também aumentou a carga horária dos professores.

Diante de tudo isso, qual é mesmo o sentido da palavra educação?


Encontrei algumas respostas no site o que é educação?

De acordo com o site, Educação é, em princípio, “o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transformados de uma geração para outra geração seguinte”. Com isso o conceito de educação engloba o nível de “cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e sua capacidade de socialização”. Em um sentido mais técnico “a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo”.

Diante dessas definições, o acesso ao ensino escolar formal deveria fazer parte de um processo de educação dos indivíduos e um direito fundamental do ser humano que deve ser garantido pelo Estado. Deveria, mas não é! No processo educativo de ensino, os comportamentos e habilidades deveriam ser transferidos para as crianças, jovens e adultos, sempre com o objetivo de desenvolver o raciocínio intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade, mas também isso não ocorre.

Enquanto o Governo festeja positivamente o ingresso de mais alunos nas escolas e faculdades (uma verdade incontestável).  Mas, por outro lado, para os professores que estão em salas de aula, estressados, nervosos e mal remunerados, é diametralmente  o oposto. Se de um lado as cotas raciais proporcionaram o ingresso de anos no nível superior, na outra ponta as faculdades e os professores foram forçados pela busca de uma qualidade melhor no ensino, de se adequar a uma qualidade inferior de ensino para atender ao excesso de alunos - desconheço qualquer tipo de proposta que venha a limitar o número de alunos em sala de aula em no máximo 30 ou 35. Não que as cotas raciais tenham causado esse regresso, mas à falta de investimentos em mais Escolas e novas Faculdades Públicas ocasionou o surgimento de inúmeras faculdades particulares nem sempre de boa qualidade e isso ocasionou uma regressão total.

O governo festeja a quantidade. Os educadores comemoram a qualidade!  O governo propaga o aumento de vagas e os professores e educadores comprometidos com a Educação têm que enfrentar salas super lotadas, alunos violentos, universitários sem saler ler direito, interpretar textos. Além de suportar sem reclamar consumo e tráfico de drogas no entorno das Escolas e até dentro das salas de aula.


O que era para ser positivo se tornou negativo. E, para piorar ainda mais a situação, os bravos e destemidos professores enfrentam também redução de seus salários por uma Câmara Municipal de Juazeiro, no Ceará, que  talvez desconheça o verdadeiro significado da palavra educação.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O SERVIÇO SOCIAL E OS EVANGÉLICAS


Muito embora historicamente, a gênese profissional tenha se originado como resultado do conflito capital X trabalho durante a Revolução Industrial, na Inglaterra, (O CAMINHO NÃO PERCORRIDO – a trajetória dos assistentes sociais masculinos em Manaus, in Carlos Costa, 1985) a profissão de Serviço Social, foi iniciada com as “damas da caridade” dentro da Igreja Católica na época da Revolução Industrial na Inglaterra do Século XIX e, embora não possa ser considerada uma atividade vinculada às mulheres, também não pertence mais à uma só religião. E verdade que ainda existe a predominância da Igreja Católica em suas atividades; mas outros ramos religiosos estão também ocupando uma parte dessa fatia de trabalho social, sobretudo as Igrejas Evangélicas.

Essa constatação de pesquisa realizada em sala de aula, como parte das disciplinas Metodologia do Serviço Social e Pesquisa em Serviço Social que ministrava na Faculdade Nilton Lins. Na pesquisa, ficou confirmado que 53,7% dos alunos que se declarou professar outras religiões que não a católica.

A mensuração no resultado da tabulação dos dados coletados em sala de aula, não deixou de me causar surpresa porque, na realidade, só pretendia demonstrar como se fazia e se delimitava uma pesquisa de campo e usei a própria sala de aula para demonstrar na prática como poderia ser feito o trabalho!

Na pesquisa, como a questão religiosa fora formulada de forma fechada e de marcar, sem maiores informações: “qual religião que você professa? A) Católica (  ) B) Outras(  ). Devido  isso, fiquei sem identificar quais as outras igrejas ou religiões que os alunos frequentavam porque a pesquisa não possuía outro propósito que não fosse o de exemplificar como se poderia delimitar um trabalho de pesquisa científica e a realizei em sala de aula, apenas. Mas poderia  explicando que o mesmo se poderia fazer e servitr em outros locais e sobre outros assuntos, também.

Os obtidos em 2006,  foram confirmados pela Prefeitura de Manaus, com a divulgação de seu cadastro de pedidos de Alvarás de 2012,  através de seu Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano. Mais da metade das licenças para construção de pedidos concedidos o foram para a construção de  templos evangélicos. Só nos meses de janeiro, fevereiro e março deram entrada em 15 pedidos de licença contra somente 14 no mesmo período do ano passado. Informa, ainda, que a área da cidade mais procurada para a construção de novas instituições evangélicas é a zona norte, uma das mais carentes de Manaus.

Como pesquisador de fenômenos sociais aposentado precocemente,  os dados divulgados  do ano de 2012 não me surpreenderam, porque já os tinha detectado em sala de aula, em 1986. Detectei, ainda, que 28% dos alunos de Faculdades particulares provêm do Ensino de Jovens e Adultos; que outros tantos são originários de supletivos e outros que escolheram à carreira por se considerarem “bons de espírito” e com o propósito de ajudar aos necessitados. A estes, os aconselhava a estudarem muito porque a profissão exigiria mais do que serem “bons de espírito”. Deveriam ter, ainda, desprendimento e é quase uma entrega total às atividades técnicas da profissão.

Hoje, segundo dados da Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas, no Estado existem 870 mil evangélicos, dos quais 630 mil só na capital, Manaus. De acordo com a doutora em geopolítica Carolina Silva, que pesquisa a expansão e o nível de influência das organizações religiosas em áreas carentes da zona norte, sua avaliação a Igreja é a única opção de convívio social e cumpre também o papel de escola, recreação, assistência social porque até a década de 1970, segundo a doutora Carolina, a Igreja Católica se fazia presente na periferia, mas hoje, esse papel é exercido pelas Igrejas Evangélicas do mundo todo!