quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

"URUBUS DAS ALTURAS" (HOMENAGEM AOS INTELECTUAIS DO CLUBE DA MADRUGADA)


Sentado na varanda do apartamento no Mundi, olhando para a piscina azul onde ontem era uma mata virgem, observo agora pontos pretos na sua água clorada, de pássaros voando alto em busca de seus espaços. Ao subir o olhar, vejo mais pássaros despejados de seus habitats naturais sobrevoando alto, em busca de suas antigas árvores que se transformaram em torres de concreto. Dentre eles, observo ainda muitos urubus sentindo o cheiro da podridão da corrupção política do Brasil, em busca de alguma carniça do povo que fica sem educação, saúde, saneamento e, pasmem, no Rio Grande do Sul, de pessoas que adquiriam unidades autônomos pelo programa “Minha Casa Minha Vida”, foram despejados pelos traficantes que se apossaram do local, continuam sendo obrigados a continuar pagando suas prestações porque são pobres e não querem ter seus nomes sujos na praça, porque são o único bem verdadeiro que possuem na vida! Nome sujo na praça? É melhor continuar pagando para que os traficantes ocupem seus apartamentos construídos com o dinheiro público.

Enquanto os urubus aparecem como pontos pretos na água azul da piscina, outros misturam-se a eles, mas dos quais só se ouve o som estridente em busca de seus lugares, me perco em pensamentos que me levam a concluir que o Brasil continua sendo movido pela corrupção, mas que a presidente Dilma Rousseff poderá vir a ser conhecida na história por tê-la enfrentado em todos os níveis, lembrando apenas que a corrupção é histórica e tem raízes profundas e que não começou agora, no governo atual. O Brasil cria controles para combatê-la, mas os corruptos, sempre apoiados por políticos que os indicam, se multiplicam e multiplicam-se em cargos importantes e em escândalos cada vez maiores no país, apadrinhados por políticos que os reconhecem  frágeis e mais facilmente corrompidos, com desvios, em um jogo imoral de “toma lá dá cá”, que destrói os alicerces da governabilidade, a democracia e oprime a sociedade porque a corrupção não tem rosto, não tem escrúpulos e não escolhe pessoas para prejudicar. Os urubus voam suavemente aproveitando as correntes de ar, planam com tanta graça até encontrarem a carniça que buscam para devorá-la: os corruptos em cargos indicados por políticos, reconhecidamente pobres em fé e mais fáceis de apodrecerem! Os outros pássaros, não! Apenas voam e cantam um pouco mais barulhentos! 

Dentre eles, estão os periquitos asa branca que faleceram envenenados ou não, que mereceram apenas uma placa do IPAAM na Avenida Efigênio Sales informando a presença deles, em um trecho pequeno da rua. A placa está sustentada e afixada no chão e por trás dela, vê-se dois pedaços de madeira, formando uma espécie de cruz . Será que é pelos periquitos asa branca falecidos? Será que é só isso que merecem os bravos periquitos por lutarem inutilmente por seu espaço? Por que o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas não divulgou até hoje, os laudos das Universidades de Pernambuco e MG. Por que? Eles não merecem? Ou deverão apodrecer na lembrança das pessoas para que os urubus os devorem, como devoram o dinheiro público? Não! Tenho esperança que não!

Hoje, na pressa das pessoas, quase tem tempo para apreciar o voo dos desesperados periquitos asa branca que cantam em protesto, muito menos ficar olhando para o céu ou para a piscina azul do Condomínio Mundi apreciando silhuetas negras correndo sobre a água cheia de cloro, parecendo um céu de verão amazônico! Quanta pressa, para quê? Para a morte, talvez!  

Ah, como sinto saudades de ver um Brasil honesto, incorruptível, sério e sincero. Talvez isso mude, mas o país terá que mudar também como eram e desejavam os escritores Arthur Engrácio, Anthistenes Pinto e o irreverente poeta do azul, Ernesto Penafort e aos demais integrantes do sexagenário Clube da Madrugada, falecidos ou vivos que, irreverentes, fundaram um clube sem estatuto  ou sede. Fui ao Clube levado pelas pela espada do falecido intelectual, padre Nonato Pinheiro, empossado junto com o médico Simão Araaão Pecher, à sombra do pé de mulateiro, na Praça Heliodoro Balbi, com muita honra! 

Os integrantes do Clube da Madrugada lutaram pela redemocratização do Brasil e agora lutam pelo fim dos urubus que sobrevoam o país, procurando novas carniças para devorá-las, meu reconhecimento e meu abraço sincero.

7 comentários:

  1. Infelizmente só sobraram as saudades e as boas lembranças do tempo que o Brasil era um País de futuro promissor

    ResponderExcluir
  2. lutar é vencer os dias ...

    ResponderExcluir
  3. Também sinto saudades do que ainda não vivi, mas luto muito para ver.Abraços!

    ResponderExcluir
  4. Araí Santos/Escritora16 de janeiro de 2015 15:57

    Oi amigo Carlos! Esta sua crônica dá um xeque mate nesses urubus vigilantes só do lado deles. Um pouco forte, mas as verdades devem ser ditas doa a quem doer. Abraços, Araí

    ResponderExcluir
  5. Li a Cronica e quero dizer q tenho saudades do outro Brasil.
    E que a corrupção é uma vergonha em nosso País.

    ResponderExcluir
  6. Li a Cronica e quero dizer q tenho saudades do outro Brasil.
    E que a corrupção é uma vergonha em nosso País.

    ResponderExcluir
  7. "Hoje, na pressa das pessoas, quase tem tempo para apreciar o voo dos desesperados periquitos asa branca que cantam em protesto, muito menos ficar olhando para o céu ou para a piscina azul do Condomínio Mundi apreciando silhuetas negras correndo sobre a água cheia de cloro, parecendo um céu de verão amazônico! Quanta pressa, para
    quê? Para a morte, talvez!"
    Carlos Costa.

    ResponderExcluir