quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"DE VOLTA PARA MEU ACONCHEGO": VARRE-VENTO!


Como diz a composição da letra da musica, de Elba Ramalho, também decidi voltar à comunidade do Varre-Vento que me viu menino olhando para um mundo estranho e tentando descobrir  o que  significaria para mim mais tarde. Enquanto esperava esse mundo que não vinha,  observava “Cidades Flutuantes” - como passei a chamar os navios da Enasa, Augusto Motenegro e Lauro Sodré, - iluminando os meus olhos, piracemas descendo, pescando pela janela da casa do meu rio Armando Costa,   a mãe caniçando sardinha e pacu e outros peixes no mar-mar que continua invadindo e roubando terras desbarrancadas,  destruindo casas....Para rever esse cenário de minha infância até meus 8 anos,  depositei os hoje, meus 56 anos de idade dentro de uma lancha, entupido de remédios  e zarpei às 10h30mim da manhã do porto de Itacoatiara. Foi uma volta inesquecível ao meu passado!

Seguia para “meu aconchego”, com o presidente  JUMAM – JUNTA DE CONCILICIAÇÃO E ARBITRAGEM DO AMAZONAS,  empresário itacoatiarense, Jeovan Barbosa, - e um dos primeiros a implantar uma indústria no início da Zona Franca – essa volta às origens interioranas, embora tenha nascido em Manaus.  Também estava acompanhado pelo leitor e amigo,  Dr. Alberto Valério, graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense no RJ e doutorado em Sociologia do Desenvolvimento  pela Universidade de Studgard, na Alemanha e proprietário da empresa de consultoria empresarial “Samaúma”. Depois de 2 horas e meio dentro de uma lancha de 40 hp, desembarquei eu e o Jeovan Barbosa em terra firma para conversar com alguém, na comunidade que tanto desejava rever. Sem conhecer-me, entrei logo na casa de um COSTA, mas não sei se venha a ser meu parente: Pedro Costa.

Durante a ida, registrava com meu celular sinais de alagações em árvores que resistiram ao chamamento do rio-,ma,, em casas, imensos troncos de árvores  tombados  como suas raízes expostas  parecendo um pedido de socorro aos homens, muito mato descendo e a continuidade do desbarrancamento de tudo - um fenômeno natural produzido pelas águas sempre impiedosas e igual como já vira no passado. Durante um desses momentos de contemplação, o Dr. Alberto Valério pergunta: “Alguém saberia me dizer quem é o maior ladrão de terras do Amazonas? Jeovan Barbosa que ia ao lado do piloto e eu respondemos “não”. O autor da pergunta respondeu: “É esse rio que rouba nossas terras e as deposita no Golfo do México,  assoreando-o”.  

Comendo bolachas e sentindo o vento feliz de minha volta batendo em meu rosto, o Rio Ladrão de Terras recebeu de presente o chapéu que voou da cabeça do Dr. Alberto Valério e ele permitiu. Paramos em uma casa ao lado de uma Igreja e desembarcamos. Fomos conversar. A casa de Pedro Costa já possui  luz elétrica, parabólica, vindas do município do Careiro da Várzea,  um pouco mais distante. Ele nos ofereceu água, contou que a casa dele alagara na última enchente e que o “Rancho Grande”  de propriedade do coronel de barranco Valdomiro Lustosa, ficava mais  uma meia hora depois. Decidimos voltar, revendo as mesmas coisas da ida – não tinha mais bateria e nem sinal no meu celular - e, de repente, um boto cor de rosa pulou da água como se despedindo de nós!


Durante a ida e na volta, observei grandes navios carregados de madeira em toras, containers, cheios de britas retiradas do leito da água doce do rio, cobiçado pelo mundo e desconhecido pelos amazônidas! Na ida e na volta, em uma comunidade maior, registrei a construção de uma ponte de ferro para permitir a passagem pedestre e constarei que, 48 anos depois, pouca coisa mudara. Mas, quem sabe um dia visite o Golfo do México e lá reencontre pelo menos os restos mortais dos pés de cacau e as folhas da plantação  de tabaco para consumo próprio em do meu avô, ou, quem sabe,  até pedaços da sepultura da minha irmã Ivete Costa, falecida em tenra idade de uma febre e enterrada em caixão simples no quintal da casa pelo pai Paulo Costa..  Foi uma viagem inesquecível ao lado dos amigos Jeovan Barbosa e do Dr. Alberto Valério. Matei a saudade e revivi a emoção porque estava “de volta ao meu aconchego/,trazendo uma mala bastante saudade...”,  como escreveu a cantora e compositora Elba Ramalho.

11 comentários:

  1. Uma Vigem inesquecivel Com o Escritor Amazonense Carlos Costa a comunidade do VARRI VENTO acompanhado do Dr. ALBERTO VALÉRIO que ali estava para confirmar que o Rio Amazonas na que local é o que temos de melhor no mundo em Navegação de grandes portes.

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  2. Poética e eternecedora a crônica. Evidencia-se a alma de um genuino escritor amazonense cujo o pulsar da veia literária explode em seu cândido vernáculo. Parabéns.

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  3. Parabéns pelo seu retorno à meninice e parabéns pela ex excelente crônica nareativa

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  4. dificilmente leio um texto longo, mais esse não sei o porque foi interessante acho pelo o contexto de uma saudade daquilo que te fez feliz

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  5. Parabéns, Carlos Costa

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  6. Eliane Kwiatkowski4 de agosto de 2016 10:59

    Linda e emocionante crônica de uma época passada, presente e poderá ser futura também.

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  7. Parabéns Sr. Carlos, moro em Itacoatiara, conheço a comunidade do Varre-Vento, belo lugar assim como Ita, lugar pessoas de coração bom.

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  8. Parabéns e palmas para sua "Olá ao seu aconchwgo"

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  9. Que bom que você matou a saudade deste lugar que ficou marcado em lembranças da nossa infância. Deste rio que e também ladrão não só de terras como de vidas, meu irmão Tico que foi levado por ele e nunca encontrado, mas quem sabe um dia podemos acha-lo junto ao um pé de cacau levado por este rio.

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  10. Olá Carlos!
    Procurando sobre a história de varre-vento, vi seu post e decidi dar uma olhada. Fiquei impressionada porque "acho" que podemos ser parentes...rs
    Ainda possuo parte da família por lá e o seu Costa, faz parte da minha vida também.
    Quem sabe...
    Contudo, quero agradecer pelos textos muito interessantes.
    Obrigada pela leitura.

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  11. Ola Carlos.
    Muito linda e emocionante cronica,é bom sentir o cheiro da terra natal.Parabens.

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