sábado, 12 de fevereiro de 2011

CENAS DA FEIRA DA BANANA III

                               - Escolhe uma banana aí bem bonita como se fosse para a tua amante; porque, para tua mulher, qualquer coisa podre ela aceita e ainda agradece sorrindo. Com a minha Joana isso não é assim... Ela é muito exigente!
                        Confesso que já escutara outras frases com o mesmo sentido,  do tipo  “manda aquela cerveja bem gelada que você guardou no frise para sua amante”; “manda aquela que você gelou para sua amante”, instintivamente, olhei para onde vinha a voz e identifiquei o deputado estadual Sinésio Campos como o autor da frase. Ele tomava uma sopa de verdura em uma das várias bancas que funcionam no interior da Feira da Banana!  Até convidou-me para acompanhá-lo na iguaria!
                        Como não sou bobo nem nada, aceitei. Mas pedi que a minha sopa viesse com mais verdura e legumes e pouca gordura. Fui atendido. Puxei a cadeira e começamos a conversar. Disse-lhe que já tinha publicado nos meus blogs duas crônicas de fatos inusitados ocorridos no local. Ele pediu-me detalhes. Disse-lhe que a primeira tinha sido um fato ocorrido dentro do banheiro masculino e o segundo fato tinha se registrado com vendedores de banana.
                        Mas confessei-lhe que essa expressão me era nova e pedi-lhe autorização para publicá-la. Devidamente autorizado pelo deputado, a estou registrando.
                        O deputado estadual Sinésio Campos, originário da cidade paraense de Santarém, veio para o Amazonas com seu pai. Começou a militar em movimentos sociais e posteriormente foi eleito vereador. Continuou na política e se elegeu mais quatro vezes como deputado estadual e hoje é líder do Governo Omar Aziz e já foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Redação, por onde passam todos os projetos de lei elaborados pelos deputados. Hoje, presidente a Comissão de Mineração.
                        Mas voltemos ao início de minha crônica.
                        O deputado Sinésio Campos é um político muito popular e se relaciona bem com todos os feirantes; vez por outra eu o encontro em feiras e mercados municipais.
                        Ele estava adquirindo um cacho de banana pacovão   para sua esposa, que logo em seguida lhe telefonou para saber onde ele estava. Foi atendida por minha esposa, sua advogada, e que trabalha com ele há muitos anos.
                        Joana não reconheceu a voz de quem falava com ela; mas como é comum esse tipo de brincadeira feita pelo deputado ela nem ligou para isso e minha esposa se identificou e contou onde o deputado se encontrava: na feira da banana, tomando uma sopa!
                        Terminou tudo bem!
                        Depois ele pediu uma melancia e usou a mesma frase.
                        O feirante que o atendia, entre um cumprimento e outro do parlamentar, terminou soltando:
                        - Eu conheço esse cara desde que ele veio para o Amazonas. Sabia que ele já comeu muito rabo de jacaré no Estado do Pará?
                        O deputado, brincalhão como ele é, só fez sorrir, cumprimentou os feirantes e continuou o que mais gosta de fazer: conversar e se inteirar sobre as atividades dos feirantes.
                       

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DENÚNCIAS DA REDE GLOBO E BANDEIRANTES: UMA VERGONHA!


                   Revoltante. Isso é o mínimo que se pode dizer da cena captada e mostrada por uma câmera de rua, e divulgada para todo o Brasil pela rede Globo,  mostrando dois policiais do Feira de Santana, na Bahia, espancando um menor, só porque ele estava sem CNH.  Degradante também foi a prisão de dois policiais militares no Rio de Janeiro, comercializando drogas com um criminoso. Ambas as cenas foram mostradas pela Rede Globo.
                   Onde vamos parar se policiais que deveriam proteger à sociedade são os maiores vilões? Até onde vamos com a degradação dos Serviços Públicos? Em todas as áreas: medicina, segurança, justiça, direitos humanos e tantos outros que são diariamente desrespeitados? Todos foram amplamente mostrados pela Rede Globo de Televisão também. Será que só depois que a Globo denuncia é que são dadas explicações esfarrapadas e tomadas providências?
                   Policiais civis e militares que participam de milícias que controlam a venda de gás e a distribuição de sinal de TV a cabo sendo presos pela Polícia Federal estão se tornando uma rotina. Ou seja, quem deveria oferecer proteção ao cidadão, lamentavelmente passou para o outro lado, o da bandidagem, inclusive ex-chefes da cúpula da polícia civil do Rio de Janeiro, que estavam à disposição do Município do Estado do Rio. Onde vamos parar com a falência de quem deveria nos oferecer proteção?
                   E onde vamos parar com as denúncias feitas todos os dias pela Rede Bandeirantes contra os postos de gasolina? Não vi até agora nenhuma resposta ou explicações convincentes à Rede Bandeirantes – se é que existe como explicar a desavergonhada roubalheira a que somos submetidos  pelos donos  de postos que fazem “promoções” no preço dos combustíveis! Algumas vezes vendendo até mais barato do que eles pagam nas distribuidoras!
                   Será que a Rede Globo, a do “plin-plin”,  tem mais poder que a Rede Bandeirantes? Eu acho que as duas fazem denúncias gravíssimas! E mereceriam respostas!
                   Voltemos ao tema inicial de nossa crônica! O espancamento de um menor no Paraná por dois policiais fardados e a prisão de dois policiais no Rio de Janeiro que comercializavam drogas para um traficante!
                   Os dois policiais do Paraná, flagrados por câmeras de monitoramentos, devidamente identificados, foram afastados! E se não existissem as filmagens? Seria a palavra do menor espancado contra a dos policiais espancadores! Os senhores têm alguma dúvida de quem levaria e melhor nesse embate?
                   Vamos agora falar dos dois policiais militares que estavam comercializando drogas em uma das favelas do Rio de Janeiro! Como eles estavam vendendo drogas na favela se depois eles teriam que invadir essa mesma favela! É o cúmulo da imoralidade!
                   Diante dessas constatações, como pessoas que pagam seus impostos regularmente, só nos resta dizer: “chamem o ladrão! Chamem o ladrão, pois nesse eu ainda confio!”. Como dizia Rui Barbosa em seu célebre pronunciamento: “De tanto ver prosperar a iniqüidade, ainda sentirei vergonha de ter sido honesto!”. Isso, infelizmente, já uma realidade!
                  
                              

A DROGA É UMA DROGA!




                   Infelizmente, graças à omissão dos Aparelhos de Estado incompetentes, o tráfico e o consumo de drogas estão se espalhando por todo o Brasil!
                   Cenas degradantes são o que estamos vendo pelas Redes de Televisão, as quais já estão fazendo parte integrante do nosso cotidiano, como se já fizessem parte de nossas vidas, diariamente!
                   Estamos nos acostumando a ver isso sim, mas essas cenas causam mais revolta do que ficam  se já fossem integradas em nosso imaginário diário!
                   Essa aceitação banal de uma coisa que não é parte integrante de nossas vidas, mais é deveras revoltante, nos torna impotente diante do que vemos! É uma pena!
                   Crianças, mulheres grávidas e mendigos sendo abastecidos de crack por  bandidos, e o pior é que não ouço ou vi até hoje qualquer pronunciamento ou ação política de nossas autoridades para acabar, ou pelo menos, minimizar esse problema! E ele continua crescendo!
                   Se cada Estado investisse efetivamente na Construção de Clínicas de Reabilitação de Dependentes Químicos, ou houvesse uma parceria entre Estado e Municípios no combate a esse mal, de forma efetiva, seria mais útil do que gastar milhões e milhões do erário público em futilidades que servirão apenas para um evento: a Copa do Mundo, por exemplo!
                   Precisamos deixar a letargia e a passividade diante do que nos está sendo mostrado e partir para uma ação efetiva de combate aos males que a droga nos causa.
                   Há outro problema, ainda: quando se vai a uma Delegacia para denunciar um adulto que está vendendo drogas para um menor, somos escorraçados pelo Ministério Público porque o menor só é atendido nesses lugares se ele for autor de ato infracional. Ora bolas, se as delegacias ditas de “proteção” ao menor, já fazem isso, imagine as outras!. Eu que tive um problema desses na família, passei por isso e procurei a Delegacia de Entorpecentes, que deveria, pelo seu ofício, fazer o combate, mas recebi também como resposta do delegado o seguinte: “ah, como se trata de um maior vendendo drogas para um menor, nós não podemos fazer nada!” Ora, quem pode, então, fazer alguma coisa nesse caso?
                   Mesmo eu dando o nome do maior, deixando o endereço, também me senti humilhado mais uma vez porque, mais uma vez a resposta do delegado foi: “ah, não temos viatura para atender uma denúncia dessa natureza!”
                   Diante de todos esses fatos que levantei em minha crônica, diante da inércia dos Estados e Municípios, diante da incompetência do Governo Federal, diante da falência total de nossos Aparelhos de Estado – Ministérios, Escolas, Igrejas! – só nos resta mesmo rezar e rezar muito para que isso não venha a acontecer com a família de meus leitores.
                   Infelizmente, estamos de mãos atadas e não temos mais para quem apelar!
                   Já fiz projetos e os encaminhei a um deputado federal meu amigo para que ele apresentasse uma proposta na Câmara Federal! Sabe qual foi a resposta dele? “Não posso fazer isso, pois somos impedidos de legislar em algo que acarrete despesas para o erário!”
                   Infelizmente, isso é verdade. Mas eu pelo menos tentei fazer a minha parte!

                              

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CONVERSA DE VENDEDORES DE LOJA...

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Conversa de vendedor de lojas é sempre interessante de se ouvir e cheio de revelações também.
Em visita a um Shopping da cidade, ouvi um diálogo entre alguns vendedores  - uma loira, uma meio gordinha, uma outra de cabelos longos, um gay e uma outra que entrou na conversa depois. O diálogo foi mais ou menos assim:
- Eu tenho certeza que uma cliente que entrou em nossa loja roubou vários pares de sapato de nossa loja. Ela entrou com poucas bolsas e saiu com mais de vinte sacolas! – dizia uma.
                        A que ouvia não concordou e respondeu:
              - Ela pode ter adquirido as compras em outras lojas. Aqui não foi. Nós vendemos sapatos e bolsas mais aqui ela só adquiriu quatro pares e saiu com os quatro, em quatro bolsas.
Eu fui forçado a concordar com essa resposta,  pois não significa nada a   pessoa entrar em uma loja, comprar quatro coisas e sair da loja com mais de vinte sacolas! Com quantas sacolas ela já entrou na loja? Isso ninguém disse e eu também não quis saber por que  não queria me meter em uma conversa que não me dizia respeito. Só estava  ouvindo com muita atenção.
A vendedora loira diz para o rapaz:
- Eu sempre quis dar para ele...
Ao que rapaz respondeu de imediato:
- Eu não gosto de aranha; gosto, de cobras...
Depois, o rapaz que deu essa resposta à loira, que ficou sem revidar,  disse para a vendedora gordinha:
- Eu sei tudo sobre sua vida...!
- Sabe nada – respondeu a vendedora gordinha. Nem sabe que depois que me separei do pai do Gabriel nunca mais arranjei ninguém, nem para “ficar”. Você sabe o que eu lhe conto, mas guardo meus segredos que só dizem respeito a mim mesmo!
Ele também ficou calado.
Depois, todos entraram na loja e começaram a limpar com álcool as prateleiras, felizes, alegres, dançando, parecendo até que estavam felizes com os  salários que recebem. Mais isso é outro assunto. Deixo para lá!


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

APARELHO DE ESTADO INCOMPETENTE X BANDIDOS COMPETETENTES!



Onde o Estado não se faz presente com todos os seus aparelhos – Assistência Social, Habitação, Segurança, Educação, direitos elementares garantidos na Constituição de 88, tida  como “social” , os bandidos, os roubos de carros, motos, os assassinatos, os tiroteios, o tráfico e outros males “sociais” tendem a se apossar.
         Não haveria necessidade nenhuma das comunidades do Rio de Janeiro ter sofrido a intervenção as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora se o Estado, desde o início, tivesse reprimido a bandidagem e cumprido o seu papel social. Hoje, todos vêem as dificuldades de se retomar um morro!
         Também o Estado da Bahia não precisaria ter um crescimento de 50% no índice de criminalidade se o Estado também tivesse a competência de investir nas questões sociais.
         Estive visitando a Rocinha. Lá, um bandido fazia as vezes do Estado, distribuindo dinheiro, ranchos, dinheiro tudo em troca de “proteção” e “segurança”, exatamente dois elos de uma frágil do Estado. Sem falar que o bandido também distribuía internet, gás e mandava na comunidade como se fosse um verdadeiro rei! É demais para se ver isso tudo sem se indignar.
         Onde estavam nossos governantes? Onde estavam os nossos administradores públicos? Se o Estado não cumpre sua obrigação, os bandidos fazem a pare deles, mesmo que de maneira desonesta.
         A presidente Dilma Russeff comandou um plano de Aceleração do Crescimento que de aceleração de crescimento, até hoje, só temos algumas notícias de construções bem sucedidas no Nordeste, onde o Governo Lula mais investiu?
         E o resto do país, não conta?
         É uma pena que a  Constituição, votada e considerada uma das melhores Constituições Sociais do mundo ainda não saiu do papel! Muitos artigos ainda estão por ser regulamentados, inclusive os Artigos que tratam sobre o teto máximo de juros em 12% e a que fica normas para a greve no serviço publico! Isso é imperdoável 23 anos depois de uma Constituição considerada moderna! Agil! Dinâmica!
         É preciso haver força e vontade política para tirá-la do marasmo em que se encontra, com muitos artigos ainda por regulamentar.
         Uma coisa é o que está no papel. Outra coisa é a organização de Comunidades, não como forma de bagunça, para que a Constituição Cidadã saia do papel e vire coisa prática.
         Mas voltando ao tema inicial de minha crônica, onde o Estado é incompetente para cumprir suas obrigações, os bandidos e as drogas são competentes para cumprir o seu papel!
         É uma pena que isso ocorra, ainda 23 anos depois. Acho que está na hora de o Congresso Nacional desengavetar vários projetos de regulamerntação dos artigos constitucionais em vez de senadores e deputados ficarem recebendo uma fortuna às custas do erário público para pouco ou nada fazerem!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

UNIVIVERSOS GAYS, LÉSBICOS E HETEROS DA UOL...


                 As salas tidas como de relacionamentos da UOL, de gays, lésbicas, héteros, trans são o cúmulo do ridículo.
                   Durante mais de 30 dias visitei diariamente essas páginas. Encontrei mulheres lindas, que nada têm de lésbicas, se expondo em poses mais do que herética; homens sarados, bombados, malhados de academia, em poses homossexuais. Sei que alguém só entra nestas salas se quiser, mas eu quis pois sou um pesquisador. Em salas de lésbicas, entrei com nick de mulher; em sala de gays, com Nick de homem mesmo.
                   Além de receber muitas mensagens, também recebi mensagens e cheguei a falar com muitas mulheres em salas reservadas. Sempre sem mostrar meu rosto.
                   É o fim!
                   Sei que ninguém é obrigado a ver nada. Nem mesmo o BBB de Pedro Bial. Mas quem não tem curiosidade que atire a primeira pedra!
                   Quando entrava em salas de lésbicas, com Nick geralmente de pessoa menor de idade, inocente, querendo aprender, não me faltaram conselhos, inclusive que estava ma expondo demais em minhas informações provocativas. Quando entrava em salas gays com nome de homem mesmo, a pergunta mais comum era: “o que você faz?” Eu respondia: “tudo!”. Aí o papo rolava!
                   Não fiz isso para causar constrangimento a ninguém, nem mesmo a minha família, mas precisava pesquisar esse universo, afinal sou pesquisador e essa minha veia profissional – embora não exerça mais a profissão há cinco anos, ainda me acompanha!
                   Infelizmente o que vi foram homens bombados, sarados, malhados de academia sendo gays e mulheres lindas, geralmente loiras, em poses de lésbicas. Aonde vamos parar?
                   Isso é a exposição de todos ao ridículo!
                   É por isso que hoje falam uma máxima: “está faltando homem no mercado e os que ainda são homens, já são casados; se existe algum homem ainda solteiro com mais de 30 ou 40 anos é porque ele é gay”.  Acho que isso é certo!
                   E o que dizer das mulheres? A mesma coisa! Se existe uma mulher bonita, solteira, é porque ela é lésbica!
                   Essa foi a conclusão a que cheguei depois de analisar por mais de 30 dias essas salas de bate-papo! Causei até um problema por isso com minha família. Meu filho e minha mulher, quando vasculharam meu computador, me chamaram de gay! Eles sabem que não sou, mas não poderia perder a oportunidade de pesquisar esse universo! E não perdi! Paguei um elevado preço, é verdade! Eles não sabiam o que eu estava fazendo e se assustaram. Mas fazer o quê? Outras pessoas já passaram por isso também! Eu não seria exceção! Eu fui apenas mais uma vítima! Uma colega minha, da Faculdade, fez uma pesquisa de Conclusão de Curso na área de lésbicas e pagou um elevado preço também! Eu não vou ser nem o primeiro e nem o último!
                   Não sou contra quem tem essa opção e até respeito em função de minha profissão de Assistente Social, mas defendo um maior controle das mídias ditas sociais para evitar a proliferação dessas exposições extremas!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"CENAS DA FEIRA DA BANANA II"

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                        - Quem disse que boneca não anda. Anda sim!
                        Era um feirante da “Feira da Banana”, construída às margens  do caudaloso Rio Negro,  que parece mais um rio-mar, um oceano  menos um rio, pois tem mais de 3,5 Km de extensão um lado a outro. O feirante em questão estava  falando a um outro feirante ao seu lado, enquanto uma moça muito bonita passava por entre um vão e outro da venda aos cachos de bananas.
                        O outro a quem o primeiro se dirigira, quase quebra o pescoço a olhar para a linda moça que passara entre os dois e que já seguia um pouco distante, acompanhada de uma senhora também muito bonita, provavelmente  sua mãe. E assim estava eu vendo mais uma “cena da feira da banana” , onde já presenciei e registrei  outras coisas curiosas também.
                        Lembrei-me, então, da época em que visitei o Rio de Janeiro. Nas praias de São Conrado, próximo onde ficamos hospedados em um apartamento  no Edifício Pedra Bonita, encontrei coisas curiosas também. Vendedores que eram doutores em marketing de vendas, pois de tudo inventavam para que as pessoas adquirissem seus produtos.
                        Um deles, vendedor de picolé, que lá eles denominam como sorveteiro,  fazia mais ou menos assim: “psiu, psiu, sorveteiro!”. E assim  chamava a atenção da garotada, inclusive de meu filho na época com seis anos de idade. O vendedor  ficava rodeado de crianças na idade de meu filho! Mal ele fazia “psiu”, todos já sabiam que era o vendedor de picolés!
                        Outro vendedor quebrou o silêncio com um grito estridente rasgando a quietude e a monotonia da água do mar batendo na arrebentação e assustou minha esposa que tranquilamente descansava na areia da praia em frente à saída da Rocinha, na Praia de São Conrado. “Impressionante, impressionante, senhores!!! Eu não paro de vender!!!”. Ele ainda não tinha vendido nada, mas não deixava de ser uma estratégica de marketing inteligente para chamar a atenção dos incautos banhistas. Minha esposa e eu nos assustamos pensando que tinha ocorrido alguma coisa grave.
                           O vendedor repetiu de novo: “impressionante senhores, eu não paro de vender”, embora ele continuasse sem vender algum picolé. Devido ao grito e a forma inusitada de fazer propaganda na praia, decidimos comprar picolés dele, um para mim, outro para meu filho e um terceiro para minha esposa. E ele continuou repetindo a mesma técnica de marketing.
                        Fiquei pensando na época em que eu fazia das minhas também, quando vendia jornais nas ruas da cidade. “Incêndio na caixa d’água´;  “moça bonita não paga, mas também não leva” e outras bobagens que inventava sobretudo quando havia sobra de jornais e teria que devolvê-lo ao X-9, a pessoa que me fornecia os jornais para a venda.
                        Criei muitos bordões desse tipo, mas jamais chegarei aos pés dos vendedores de praia do Rio de Janeiro e muito menos à criatividade inventiva dos vendedores da “feira da banana”. Ah, isso não!
                        Que bom seria se todos os vendedores tivessem a criatividade dos vendedores que encontrei nas praias de São Conrado!