segunda-feira, 29 de abril de 2013

AUTOR DE “RONDA” PARTIU PARA JUNTO DE DEUS!




O idealizador junto com outros pesquisadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, ativo colaborador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e que ajudou a aumentar a sua coleção de repteis de 1,2 mil para 230 mil exemplares diferentes, Paulo Emílio Vanzolini ou simplesmente Paulo Vanzolini, como era mais conhecido, faleceu e foi morar junto de Deus!

Mas quem disse que um cientista turrão, metódico e exemplar,  também não poderia ser um excepcional  compositor de letras como as que ficaram eternizadas nas vozes de muitos cantores brasileiros como “Ronda”, “Volta por cima” e “na boca da noite”?

Mas não desejo escrever sobre o zoólogo que também trabalhou no Instituto Municipal de Pesquisas da Amazônia – INPA, em Manaus. Mas quero dizer que ontem eu fiz uma ronda pela cidade e tentei encontrá-lo, mas soube que você estava morto.

No meio de olhares desconfiados por ver um homem procurando  outro homem em todos os bares entrei, mas você não se encontrava em nenhum deles. Voltei para casa abatido, desencantado da vida e vi o sonho e a alegria de poder encontrá-lo, abraçá-lo e lhe pedir um autógrafo, se esvair pela ponta de meus dedos  -  que teclavam ágeis a máquina de escrever Olivetti, línea 98, que usava na época de repórter de A NOTÍCIA - porque neles você não se encontrava. Também fiquei triste por saber de sua morte aos 89 anos, vítima de pneumonia adquirida pela idade, o que tirou de mim toda a alegria.

Mas, “ah, se tivesse quem me quisesse/ a esse alguém eu diria/desiste, esta busca é inútil”, mas eu continuaria a procurá-lo porque eu não desistiria. “Porém, com perfeita paciência/volto a te buscar/hei de encontrar...”

E deu na edição do Bom dia Brasil a notícia de sua morte e no Jornal Hoje, mais detalhes sobre seu falecimento. Uma pena! Mas todos nós nascemos e começamos a morrer ainda dentro do útero!

O incrível é que o poeta que embalou gerações com sua bela composição “Ronda”, descrevendo um crime segundo fiquei sabendo – e eu que pensava que você havia escrito “ronda” para uma mulher -, não estava “jogando bilhar” na Avenida São João e, sim, dentro de um caixão e sendo velado.

Vá em paz! Suas composições permanecerão para sempre no imaginário de todos os brasileiros! E, desculpe-me, porque nem lhe pedi autorização para prestar-lhe essa homenagem usando a sua música mais regravada – Ronda – pelos cantores brasileiros. Os que conviveram com você e, mesmo aqueles que nunca o conheceram como eu, porque sempre que desejava entrevistá-lo no INPA, quando trabalhava no jornal A NOTÍCIA, sempre havia algum problema e nunca chegava até o seu local de trabalho. Mas, saiba, todos se lembrarão para sempre de suas canções!

FALTA CUMPRIR AS RESOLUÇÕES 303/304 NO BRASIL...!


 

Foram aplicadas mais de 50 mil multas aos motoristas em Manaus, que deixam seus automóveis parados em vagas especiais, com placas de estacionamentos privados que dependem de cartão de identificação em shoppings e supermercados, por exemplo, mas  também seria importante que os Municípios  brasileiros as fizesse cumprir e implantando estacionamentos em locais públicos como feiras, mercados, escolas etc., ou em locais de grande afluxo de pessoas como igrejas, templos mas, infelizmente, muito poucos, de grande ou pequeno porte, sobretudo os que possuem pouca circulação de veículos, as cumprem, embora tenham sido editadas em 2008. Por que a demora? Será que de uma hora para outra os idosos, usuários de cadeiras de rodas e portadores de deficientes ficaram invisíveis de uma hora para outra? Em Manaus, a ação de multar foi certíssima!

Não desconheço que motoristas estavam abusando desses estacionamentos, principalmente em Manaus, com alguns até ocupando as faixas zebradas, destinado ao manuseio da cadeira de rodas. A fiscalização em estacionamentos privados, é apenas um dever da Manaustrans e a aplicação das multas é somente uma consequência desse trabalho para fazer cumprir as  resoluções que regulamentaram artigo do Código de Trânsito Brasileiro e destinaram 5% de vagas exclusivas e identificadas para idosos e 2% para portadores de necessidades especiais, mas desconheço o critério utilizado para a Resolução para só ter destinado 2% aos usuários de cadeira de rodas! Será que eles são tão poucos no Brasil?

Reconheço que a medida foi um grande avanço, mas nem todos os municípios brasileiros implantaram as duas Resoluções, até agora, inclusive o de Manaus. Por que será? As desculpas, em Manaus, foram muitas: falta de recursos, planejamento, reimplantação do Estacionamento Rotativo – ESTAR, mas o certo mesmo é que em locais públicos esses estacionamentos não existem. Só que a essa falta de cumprimento das Resoluções 303/304 não é só privilégio da capital do Amazonas porque muitas outras capitais de porte grande, médio ou pequeno também não as fazem cumprir também. O de Manaus está multando os motoristas e os outros, o que estão fazendo?

Uma solução rápida e eficiente seria as Câmaras Municipais apresentarem projetos de leis definindo que em qualquer obra pública ou construída com recursos de origem pública, já fosse entregue aos usuários com o cumprimento do que determinam as Resoluções 303/304/88. E os Municípios onde essas resoluções ainda não foram cumpridas, seria correrem para fazer cumpri-las integralmente, sobretudo nos espaços públicos como feiras, mercados, escolas etc. Talvez essa fosse à solução prática para amenizar o problema da falta de vagas especiais.

Mas embora a Resoluções sejam do ano de 1988, até hoje o Município de Manaus, com quase dois milhões de automóveis, não implantou nas Feiras da Banana e Feira do Peixe, na Rua Lourenço Braga, de grande afluxo de gente às compras. Hoje, infelizmente, essa obrigatoriedade só se resume a shoppings e supermercados, alguns novos empreendimentos imobiliários e em algumas lojas novas que têm locais para estacionar veículos de clientes, mas nada se cumpre junto aos Municípios que expedem Habite-se para poder esses novos espaços possam funcionar. Mas por que os municípios as fazem cumprir, mas não as cumprem? Não sei!

Toda mudança no comportamento social de uma sociedade que tem costumes enraizados é lenta, demorada e traumática. Mas vai ser assim se quisermos viver em uma sociedade humana, fraterna, justa e com cidadania!

domingo, 28 de abril de 2013

"MÃE ZULMIRA": A MÚSICA, O MITO E UM MEDO!




“Mãe Zulmira, o amanhecer de uma raça”, belíssima composição dos carnavalescos Gilson e Almeron, que ajudou a dar o título de campeã do Carnaval de Manaus a Escola de Samba Reino Unido da Liberdade, em 1979, também ajudou a mudar minha ideia sobre o candomblé. Na adolescência, brincando nas ruas do Morro da Liberdade, onde foi criada a Escola por convicção e determinação de Bosco Saraiva, eu tinha até medo de passar em frente ao Batuque de “Mãe Zulmira” que ficava em frente ao Grupo Escolar Adalberto Valle, onde estudava e aprendia as primeiras lições com as professoras - inesquecíveis Rosa Eduarci Marinho e Aidee, que chegavam sempre para dar aulas num carro karmanguia amarelo conversível do namorado de uma delas. Outras que moravam perto da Escola se deslocavam a pé, enquanto outras chegavam num ônibus da Empresa Ana Cássia, veículos construídos em cima de carrocerias de caminhões, totalmente em madeira e com poltronas duras.


Na época da diretora Alda Figueira Peres, no início da década de 70, as professoras eram admiradas e respeitadas como não se vê mais nos dias de hoje e nos levavam para passeios em jardins zoológicos e ao melhor balneário público de Manaus, o Parque 10 de Novembro. Os alunos se cotizavam durante vários dias para alugar um caminhão que os transportasse. Todos subiam na carroceria e até a baderna que faziam se transformava em uma grande festa! Quando visitávamos o Balneário do Parque 10, o caminhão só seguia até a fábrica Magistral, na atual Rua Mário Ypiranga, na época só um matagal, e o resto do percurso se fazia a pé, com muito cuidado, por medo de cobras e outros bichos. Concluída “a pesquisa”, a professora Rosa recolhia todos os alunos à carroceria do caminhão e voltavam ao Grupo Escolar Adalberto Valle. Eram passeios inesquecíveis! Pena que foram poucas vezes! E a maior parte deles, era usada a desculpa que os alunos iriam fazer pesquisas que nunca eram feitas, mas era uma grande festa!


Contudo, os alunos – principalmente eu - tinham medo só de ouvir quando os batuques começavam a tocar no terreiro de mãe Zulmira, que ainda se localiza em frente à antiga estação de ônibus da empresa Ana Cássia, de propriedade de Cassiano Cirilo Anunciação, mais conhecido por “Batará”, mas que foi vendida e mudou de nome várias vezes até ser banida do sistema de transporte urbano de Manaus pelo ex-prefeito Eduardo Braga, de forma abrupta, já com o nome “Santa Luzia” e de propriedade do administrador de empresas Francisco Saldanha Bezerra, por questões puramente políticas. O batuque continua no mesmo local; a estação de ônibus e a empresa, não!



- Você viu aquela estátua grande e vermelha que estava lá dentro? Acho que eles pegam santos porque ficam dançando, rodando e tomando uma bebida e depois ficam se batendo toda. Dizem que aquele local não é apropriado para nós!


Eram os comentários dos alunos depois de olharem pelas frestas do barracão de madeira, quando começavam os barulhos de batuque, no terreiro. A construção do batuque da Mãe Zulmira é antigo, mas na década de 70, ocupava todo um terreno cercado de mato. Era grande e cheio de árvores em volta. “Se entrarmos nesse mato, podemos sair nunca mais porque ele tem assombração!”, diziam aos outros alunos e isso se espalhava rápido entre a meninada. Mas sempre alguém mais afoito entrava e saia de dentro do mato e dizia para os medrosos: “não tem nada lá, além de mato mesmo”, mas ninguém se arriscava porque também ouvíamos barulho de animais e pensávamos nas almas dos animais abatidos durante os cultos sagrados do camdoblé – que nunca conseguimos ver – passeavam no local. Diziam que os frequentadores do Batuque da Mãe Zulmira bebiam o sangue dos animais sacrificados! Mas nunca vimos nada disso acontecer...


Hoje, sabemos que o que se praticava dentro do terreiro era uma religião afro-brasileira derivada do animismo (alma) africano, onde se cultuavam orixás, que eram as estátuas, que os alunos viam quando olhava pelas frestas do batuque, igual às estátuas existentes na Igreja Católica. Segundo os registros históricos, a religião foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos para o Brasil, no século XVIII. Embora confinada originalmente à população de negros escravizados, inicialmente em senzalas, quilombos e terreiros, a prática foi proibida pela Igreja Católica. Mesmo assim, prosperou nos quatro séculos seguintes e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Segundo levantamentos não oficiais e publicações sobre o assunto, o candomblé tem seguidores em várias classes sociais com aproximadamente 3 milhões de brasileiros, ou 1,5% do total da população do Brasil, declararam o candomblé como sua segunda religião. Na cidade de Salvador, há registro de 2.230 terreiros registrados e funcionando plenamente, sendo considerada e aceita pelo seu sincretismo religioso.

Mas que dava medo aos alunos, ah, isso dava sim! Mas talvez a música dos compositores Gilson e Almeron tenha ajudado aos alunos – se não a todos, pelo menos a mim – a perder o medo do batuque da “Mãe Zulmira” e, com isso, a Escola de Samba Reino Unido da Liberdade tenha sido campeã do carnaval de rua de 1979, porque os dois afirmaram em um trecho da música que “em seu palácio mostre a liberdade/me dê amor, carinho e proteção”.

sábado, 27 de abril de 2013

MORO...(crônica sobre Manaus)



Moro em um Estado com a maior floresta do mundo, com a maior quantidade de água doce do planeta, mas que não sabe aproveitar o que possui como deveria ser e nem utilizar sua água como poderia ser. Há muito desperdícios, lixos nos mais de 100 igarapés que cortam Manaus e a cidade fica horrível!

Moro em uma capital que ainda não faz implantar as Resoluções 303/304 do Contran em locais públicos e não define ou demarca espaços nas vias, espaços para os estacionamentos exclusivos e privativos destinados aos portadores de necessidades especiais, idosos e usuários de cadeira de rodas...

Resido em uma capital com calçadas estreitas e esburacadas, não permitindo que um usuário de cadeira de rodas exerça plenamente seu direito e cidadania plena de ir e vir com faixas de pedestres que só funcionam se a pessoa pedir passagem com o braço, isso quando estão pintadas e visíveis, mesmo se estando com o pé em cima dela.

Mas já foi bem pior, eu sei! Ocorre que precisa melhorar ainda mais. Mas ainda faltam muitas passarelas, e onde elas existem, a população não a usa por estar com pressa e coloca sua vida em risco em nome de uma pressa que pode levá-la à morte. Mas tudo já foi muito pior!

Não entendo isso como viver, mas apenas ocupar um espaço dentro de um corpo desrespeitado, machucado e sem cidadania...Moro em uma capital que também não está preparada para receber compulsoriamente usuários da Justiça, dependentes químicos para tratamento contra o crack porque faltam estruturas apropriadas para recebê-las. Convênios pelo Estado até existem, mas só para internação voluntária!

Enfim, moro ou ocupo um espaço dentro de um corpo em um país no qual os adolescentes continuam matando livremente, cometendo crimes cada vez mais bárbaros, mas continuam protegidos pelo ECA recebendo uma pena máxima de três anos de afastamento do convívio familiar e social, mesmo por crimes hediondos, mas sem tratá-los da forma que precisam, com médicos e em clínicas compostas por equipes multidisciplinares, tendo a elevação de escolaridade ou ensino profissionalizante, como parte obrigatória da pena. Lógico que, se isso não vier junto com a atualização do Estatuto, todos voltarão a exercer o mesmo ofício: matar, roubar e destruir famílias para sustentar o vício.

Moro em o Brasil que seria melhor não sê-lo porque tudo que se faz nesse país deixa rastros de corrupção, inclusive o programa mais ambicioso do Governo Federal, “Minha Casa, Minha Vida”, que passou a ser também o “Meu problema” por não funcionar direito e sendo foco de muitas denúncias corrupção, irregularidades, superfaturamento de projetos, rachaduras em casas já entregues...É um Deus nos acuda, se é que Deus tem alguma coisa a ver com isso, mas desconfio que não tenha e nem compactuará jamais com esses gananciosos que só desejam ficar mais ricos à custa da miséria dos mais pobres!

Ah, querem saber? Eu não moro em lugar nenhum, pois apenas ocupo um corpo físico que foi gerado no momento errado, na hora errado e no mundo errado também! Por falta de planejamento e a pobreza de meus pais agricultores, tive o prazer de nascer no Brasil e morar no Amazonas e, apesar de tudo isso, amar e defender essa  terra!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A MORTE DA DRA. CINTHYA!




Ah, doutora Cinthya Magali Moutinho de Souza, a senhora que cuidava dos dentes e do sorriso das pessoas, teve seu corpo queimado ainda vivo porque só tinha R$ 30 reais em conta bancária. Os bandidos queriam o quê? Não sabem que os “profissionais do sorriso” são mal remunerados? Revoltados com o pequeno valor que a senhora possuía com seu trabalho honesto, os bandidos lhe tacavam fogo no corpo usando álcool e a senhora morreu!  Se a senhora tivesse tido o direito de escolher entre sua vida e ou enfrentar uma violência sexual, teria preferido a segunda opção, embora também lhe pudesse ser traumática a experiência. Mas a senhora não teve direito a essa escolha e foi queimada viva dentro de seu consultório odontológico, com a participação também de um menor violento, mas protegido pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.

Será que a partir de agora todos os assaltantes vão querer tocar fogo no corpo de suas vítimas que, como a senhora não possuía dinheiro em conta bancária que satisfizesse aos bandidos? Então terão que se ampliados os tamanhos de dos cemitérios do Brasil, porque o brasileiro só vive pendurado ou no cheque especial ou no cartão de crédito. E sabe por que isso ocorre? A população do país está vendo crescer a classe mais pobre e desaparecer completamente a antiga classe média!

O Brasil está invertendo seus valores, sem demérito nenhum para os mais pobres, mas fica complicado para a classe média viver hoje com tantos impostos e compromissos! O ajuste de tudo vai ocorrer, mas levará um tempo para ser assimilado!

É lamentável, doutora Cinthya, o que fizeram com a senhora! Um crime bárbaro. Devido sua honestidade, jogaram-lhe álcool, riscaram o fósforo e queimaram seu corpo, não lhe dando a menor chance de defesa!  Uma de suas pacientes ficou em outro cômodo com a cabeça coberta, ouvindo tudo, mas não podendo fazer nada pela senhora! Ela nada sofreu, graças a Deus!

E o pior é saber que durante esse assalto, um menor protegido combalido e criticado ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente também participou desse crime. Agora, sabe o que vai acontecer com esse menor? Não saberá por que já faleceu, infelizmente! Mesmo assim vou lhe contar: ele pegará no máximo anos de medida sócio-educativa e depois deixará apreensão com sua ficha corrida limpinha, totalmente limpa, embora tenha lhe matado sem lhe oferecer direito de se defender. O sofá onde a senhora permaneceu sentada enquanto outros bandidos que lhe assaltaram, inclusive o menor que lhe ajudo a matar, também foi queimado, dentro de seu consultório!

Horrível ver essa cena! Mas fique tranquila doutora, pois a senhora residia em um país no qual a segurança pública não acompanha em tecnologia, armamento e fiscalização, a mesma velocidade com que os bandidos se armam e, em um Estado que viu aumentar a violência em pelo menos 82% de 2012 para 2013, o número de estupros contra mulheres cresceu 8% do mês de fevereiro para março, com 311 casos, enfim...

Doutora Cinthya, a senhora, infelizmente, foi só mais uma vítima dessa violência toda. Melhor seria se a senhora tivesse pelo menos sendo estuprada. Assim, ao menos, preservaria sua vida para continuar tratando os dentes de seus pacientes para permitir aos seus pacientes mais sorrisos, o que falta muito nos dias de hoje entre as pessoas com dentes ou sem dentes!

Como disse sua mãe, tristemente,  sua vida se resumia na dela e de sua irmã especial. Mas seu sorriso com o qual acordava pela manhã para cuidar de sua irmã será a maior e melhor lembrança que a senhora deixará nesta vida...

Infeliz e lamentavelmente teremos que aprender a viver sem a senhora.

Mas espero que sua trágica morte não tenha sido em vão e algum proveito se tire disso tudo para fazer ver à sociedade que é urgente  adequação  do ECA aos novos tempos, pois o Estatuto já cumpriu sua missão por quase 23 anos de existência! Agora precisa ser adequada, queiram ou não os contrários à elevação da maioridade penal para 16 anos...



quinta-feira, 25 de abril de 2013

"O PROBLEMA DOS BURACOS É QUE ESTÃO TODOS DE BOCA PARA CIMA"




Não é o caminhoneiro, o motorista, muitas vezes estressado, quem coloca a carga dentro de seu caminhão ou carreta. Diante dessa verdade, não pode ser atribuída unicamente ao motorista o excesso de cargas, porque o Governo Federal, o Denit e outros órgãos responsáveis ou irresponsáveis pela fiscalização nas estradas sem balanças para medição de peso, com péssimos ou nenhum pavimentos das estradas vicinais precárias e cheias de lamas, têm responsabilidades diretas e indiretas no problema!

Não, ah, isso não! Todo excesso de cargas começa dentro das empresas e estas também precisam se conscientizar sobre o prejuízo que causam as suas frotas pela manutenção preventiva que têm que fazer. Reconheço que em alguns casos de acidentes estão presentes a negligência ou a imprudência, fruto de erros humanos  em ultrapassagens feitas em locais proibidos e mal sinalizados, mas querer atribuir aos profissionais do volante a culpa pelos buracos nas estradas também, já é demais!

Tenho certeza que o motorista Clodoaldo que foi preso pela polícia rodoviária federal com a carteira falsa, multado por furar um sinal vermelho e transportando quinhentos quilos a mais de pedras em seu caminhão, foi da empresa que o contratou para fazer o transporte, mas a culpa por ele estar usando uma CNH falsa e o avanço ao sinal vermelho, foi totalmente culpa dele. Mas, mesmo a CNH falsa poderia ter sido evitada pela empresa se ela exigisse na contratação de seu funcionário, que fosse pedido mais informações sobre o profissional ou se existisse alguma forma de se consultar a CNH do profissional via internet, o que não existe, lamentavelmente.

Se todas as rodovias possuíssem balanças para medir o peso das cargas na passagem do caminhão sem necessidade de pará-lo  e se existisse uma barreira mais à frente para pará-lo por estar transportando excesso de cargas, poderia ser a solução do problema. Mas isso depende de investimentos do governo, tecnologia e logística, o que o Brasil nunca tem. Todas as vezes que escuto falar nesse problema – e não é de agora, sempre alguém apresenta uma idéia que parece ser a melhor, mas nunca é colocada em prática.

Na verdade, o que falta para solucionar a maior parte dos problemas dos buracos não é apenas tapá-los; mas investir em tecnologias para que eles não voltem ou demorem um pouco mais de tempo para acontecer novamente, seria melhor.  Mas, hoje, não adianta o Ministério dos Transportes fazer remendo em rodovias se não adquire balanças para pesar o excesso de cargas dos caminhões, sem gerar longas filas em postos de pesagens. Com isso, talvez os caminhoneiros deixassem de serem os vilões responsáveis pelas buraqueiras e, quem sabe, passassem a serem vistos como seus protetores e o Governo teria que encontrar um novo bode expiatório! Contudo, só escuto promessas e soluções que nunca chegam a ser cumpridas de forma definitiva e duradoura.

Não é de hoje que escuto falar em buracos, matos, falta de placas de sinalização nas rodovias, além de outros problemas menores, que me fizeram recordar de um episódio engraçado envolvendo um ex-prefeito falecido de Manaus, João de Mendonça Furtado que, em plena reunião informal de seu secretariado que analisava as críticas da imprensa na época, reclamou: “O problema dos buracos é que todos estão de boca aberta para cima. Se estivessem emborcados, seriam chamados de lombadas”. Todos riram inclusive eu, que o assessorava na área de comunicação social, diante do seu acertado e irônico comentário, em uma época que nas ruas da capital do Amazonas foram catalogados mais de quatorze mil buracos em pesquisa realizada pela Prefeitura de Manaus. Os buracos, todos de boca para cima, como ironizou o prefeito, causavam transtornos aos motoristas que trafegavam pelas ruas de Manaus, na época ”tábuas de pirulitos”.

Eu trabalhava contratado pela CLT, na Assessoria de Comunicação do prefeito João de Mendonça Furtado, indicado pelo ex-vice-governador do Amazonas e ex-presidente do Banco do Estado do Amazonas, Manoel Henriques Ribeiro e fui demitido 30 dias depois pelo prefeito nomeado Amazonino Mendes, que criou a Secretaria Municipal de Comunicação Social e nomeou outro secretário. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CORRUPÇÃO CONFESSADA E DESCULPAS ESFARRAPADAS!



Há quem goste e aplauda; há quem não goste e repudie, critique e reclame. Mas, uma coisa ninguém pode negar: ao contrário de seu antecessor, que nada via ou sabia e não se comprometia com nada, a presidente Dilma Rousseff está lutando ferozmente contra o processo inflacionário que ameaça sua popularidade e de seu Governo, mas não consegue derrotar o tigre da inflação, embora tente com pequenos ajustes econômicos, mas não decida realizar uma completa reforma fiscal e econômica que, talvez, viesse a inibir  a luta de titãs entre os Estados, a disputa por quem oferece mais incentivos fiscais, a redução dos impostos de ICMS cobrados nas contas de luz, telefone, cesta básica, pontos basilares dos clamores da sociedade.

Enquanto isso, a revista semanal “Fantástico”, apresentada pela Rede Globo de Televisão está investigando os principais gargalos do Brasil e já mostrou que bilhões de reis estão sendo desperdiçados nos principais setores que impulsionariam a economia do país se os recursos públicos liberados pelos Ministérios do Governo Dilma, fossem bem investidos e não houvesse compras superfaturadas, esquemas, falcatruas, obras que começam e nunca terminam e  terão que ser refeitas por pura falta de projetos, planejamentos e outros vários outros assuntos relacionados e, tudo isso, é um custo Brasil que os contribuintes têm que pagar. Como sempre escrevo: “tudo que entra fácil sai mais fácil ainda” dos cofres públicos  para cumprir “acordos de campanha” e “compromissos inconfessáveis”.

Mesmo assim, o Congresso discute e talvez aprove a PEC 37 que tira o direito do Ministério Público de investigar essas falcatruas. O pior é que se aprovarem a PEC 37, o Brasil dependerá unicamente da imprensa para divulgar os escândalos. Mas como já tentaram amordaçar a imprensa uma vez, não duvido muito que tentem fazer o mesmo contra a Rede Globo, retirando do ar o bloco “Brasil, quem paga a conta é você”...Ferrovias, portos, aeroportos, hospitais, transposição do Rio São Francisco, dentre outros problemas, sem contar casas inteiramente com vícios estruturais de construção do programa “Minha Casa, Minha Vida”, que acrescentei por conta o nome de “Meu Problema”. E a culpa não é só da presidente Dilma Rousseff, que tem repassado verbas aos municípios. O problema está com os prefeitos que contratam empresas, não as fiscalizam e nem acompanham as obras que não existem, não executam, deixam tudo por fazer e, no final, quem paga a conta somos todos nós, os contribuintes.

Como mostrou o programa Fantástico, de tudo que se compra 20% é só impostos embutidos porque as estradas    que deveriam escolar toda a produção estão em precárias, às rodovias não funcionam e não existe qualquer tipo de planejamento a custo, médio ou a longo prazo para investimentos e o Brasil não é um país economicamente confiável para receber novos investimentos porque tudo é feito à toque de caixa, tudo que começa para e o TCE tem que designar fiscalizações e recomendar ajustes, o que poderá também não mais ser realizado se o Congresso aprovar a PEC 37.

Um exemplo do que digo é a super safra de grãos que não pode ser escoada porque as estradas vicinais nos centros produtores estão sempre em precários Estados. Isso encarece o valor do transporte pelas constantes manutenções que obrigatoriamente têm que ser feitas nos caminhões e carretas que transportam essa carga, sem contar que os portos não têm estrutura adequada e eficiente para exportação, além de o frete da lavoura mais do que triplicou, chegando a ser considerada uma situação absurda. Mas, diante das câmeras, todos têm soluções para tudo, só que ano após ano tudo volta a ser igual como sempre foi antes.

O Brasil ainda não entrou nos trilhos e mais de 700 km entre os municípios de Palmas, no Tocantins, e Anápolis, em Goiás, não podem nem ser chamados de ferrovias, mas o país já investiu 5,1 bilhões de reais para uma caminhonete percorrer esse trecho, enquanto o trem não aparece porque ele continua apitando atrás dos montes e avisando que muita obra já entregue terá que ser totalmente refeita, a custa de mais impostos que todos os brasileiros pagam com muito sacrifício, pois tudo o que entra muito fácil é gasto mais fácil ainda com esses arroubos de construção que nunca terminam. O que está faltando para o Brasil é gestão pública porque dinheiro e a corrupção pública não param de crescer!

Mas, enquanto isso o Congresso discute a PEC 37, para a alegria dos administradores públicos corruptos e, principalmente, das empresas corruptoras que vivem de “esquemas inconfessáveis” porque saberão que nunca serão descobertas! Lamentável...