quarta-feira, 3 de junho de 2015

PORTO DE MANAUS, UMA VERGONHA


Na capital do Norte, em Manaus morre de inanição um porto morto, maquiado como defunto pronto para entrar em um caixão, com todas as despesas pagas pelos contribuintes se é que se pode ou se deve gastar dinheiro com uma obra-defunta que não resolverá a questão da fluidez do trânsito na área da Manaus Moderna! Com poucos dados históricos sobre a origem do porto de atracação de barcos regionais do Amazonas e considerando que os rios são as Estradas do Estado, supõe-se que esse porto tenha surgido junto com a cidade, com os primeiros navegadores. Talvez por isso, os ingleses decidiram construir um moderno porto, que hoje é destinado aos grandes navios e aos de cruzeiro turístico. Será que Manaus completará 345 anos no dia 24 de outubro, sem um porto decente para poder chamar de seu? Talvez, sim!

Durante a busca pela internet, encontrei o estudo de um Plano Mestre do Porto de Manaus, de 2012, elaborado pela Universidade de Santa Catarina e a ex-Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR)(http://www.portosdobrasil.gov.br/assuntos-1/pnpl/arquivos/planos-mestres-versao-completa/porto-de-manaus.pdf) retomando planejamento do setor portuário brasileiro e destacando suas principais características, com análise dos condicionantes físicos e operacionais, a projeção de demanda de cargas, a avaliação da capacidade instalada e de operação e, por fim, resultando no que foi chamado de  “Plano Mestre XII Porto de Manaus”, discutindo as necessidades e alternativas de expansão para um horizonte de planejamento de 20 anos. Porque esse trabalho não saiu do papel, desconheço, mas posso imaginar!

O Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans), da Universidade Federal de Santa Catarina, cuja primeira fase foi concluída em março de 2012 e atendia ao Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP) , destacava que os investimentos portuários são de longa maturação e dotaria o porto de Manaus para “atender a rápida expansão do comércio mundial, com o surgimento de novos players no cenário internacional, como China e Índia – que representam desafios logísticos importantes, dada a distância desses mercados e sua grande escala de operação –, exige que o sistema de transporte brasileiro, especialmente o portuário, seja eficiente e competitivo”. Esse estudo, se implantado, teria dado um porto decente para Manaus! E completa: “O planejamento portuário, em nível micro (mas articulado com uma política nacional para o setor), pode contribuir decisivamente para a construção de um setor portuário capaz de oferecer serviços que atendam a expansão da demanda com custos competitivos e bons níveis de qualidade”

Plano Mestre do Porto de Manaus, o qual contempla desde uma descrição das instalações atuais até a indicação das ações requeridas para que o porto venha a atender, com elevado padrão de serviço, a demanda de movimentação de cargas e de passageiros projetada para os próximos 20 anos. As operações portuárias em Manaus são bastante peculiares devido ao fato de que a cidade não dispõe de ligações terrestres com outros estados do país, excetuando-se Roraima, de sorte que a capital apoia-se quase que totalmente nas vias hidroviárias para o transporte de cargas e para a locomoção de passageiros de e para outros municípios do Amazonas e estados vizinhos”.

Por que esse projeto foi abandonado desconheço, mas posso entender que também porque se referiam a “resquícios da ditadura militar” e tudo que fosse ligado a esse período negro do Governo Militar, teria que ser apagado da memória dos brasileiros. Enfim, não sei ao certo. Só sei que hoje temos um porto para bailarinos e equilibristas que se aventuram a deslocar aos barcos regionais por cima de pranchas, presas por um pneu amarrado em uma corda, de forma precaríssima e improvisada. Uma vergonha o Porto de Barcos Regionais de Manaus, que não comporta a quantidade de embarcações que diariamente se deslocam à capital e se deparam com uma Manaus Moderna que de moderna só tem o nome e uma pista contornando todo o ex-e lindo igarapé do Educandos e se ligando com o Rio Negro. O que existe de moderno em um aterro e um muro de arrimo no qual os motores atracam e lançam suas cordas ao vento para ficarem presos como se fosse em algemas da incompetência? Nada! Se retirarem as maquiagens, mostrarão o rosto de um porto mais do que morto, assassinado, quem sabe, pelo descaso administrativo que toma conta do Amazonas há mais de 30 anos, com os mesmos políticos de uma velha escola gilbertista se alternando no poder! Depois da Escola Política criada em 1982 pelo Governador Gilberto Mestrinho, nada de novo surgiu, além da mudança de siglas partidárias para iludir os eleitores.

Para a capital Manaus, o atual porto da cidade não passa de uma vergonha em uma cidade que se orgulha de ter um Distrito Industrial que gerando milhões de dólares em lucros anuais, mas não consegue pensar em ter um porto decente. Hoje, os bailarinos que se aventuram por sobre pranchas, tábuas, pranchões ou qualquer coisa que possa servir para um deslocamento, devem receber um troféu pela capacidade de equilíbrio que desenvolveram ao longo dos mais de 300 anos que o Porto Improvisado de Manaus funciona no local, dividindo espaço com o Porto da Panner do Brasil (onde pousavam os aviões anfíbios), no bairro de Educandos.

Hoje, Manaus investe em tantas coisas, mas esquece um projeto da época do Governo Militar, que pensava propostas a longo prazo e assim vai vivendo a nossa Democracia que decidiu sepultar tudo o que pudesse  ou fizesse lembrar de um passado que não quero que volte, mas que pelo menos planejava, pensava, estudava e executava. O fracasso da Transamazônica, megaprojeto do Governo Militar até hoje inconcluso, não pode e nem deve ser usado para sepultar as coisas boas que ocorreram durante o período da ditadura militar, que se tirassem a censura à imprensa, a truculência, os embates e tivessem deixado com ordem as coisas, o Brasil poderia estar bem melhor do que se encontra hoje, sem planejamento, com corrupção em excesso, obras abandonadas, investimentos que começam e não terminam porque se descobriu depois que não deveriam ser realizados, enfim....



10 comentários:

  1. Antônio Correia/jornalista3 de junho de 2015 13:57

    A Zona Franca de Manaus foi projetada e executada pelos governos militares. Vão acabar com ela também. Isso me cheira a imbecilidade da grossa.
    Quanto ao novo porto. O local chegou a ser escolhido. A orla da antiga Siderama, com uma ponte ligando Manaus ao Careiro. Mas os amazonenses resolveram colocar no governo um cara que só inaugura obra que o antecessor deixou quase pronta. Anacrônico. Superado. Tai o resultado.

    ResponderExcluir
  2. Indio do Brasil/Advogado3 de junho de 2015 15:55

    Muito bom!

    ResponderExcluir
  3. Rui Heliandro Sá Valente3 de junho de 2015 16:36

    O Porto de Manaus é um Deus nos acuda!

    ResponderExcluir
  4. Enquanto Belém fatura com o antigo Porto , Manaus passa vergonha , diante dos turistas , eu concordo com você amigo Carlos Costa !

    ResponderExcluir
  5. Josê Carlos Martinghi3 de junho de 2015 17:09

    Infelizmente no Brasil tudo se tornou uma vergonha........Já estamos até exportando Bandidos...Marim, Pizzolato etc Enquanto o Porto de Manaus esta um caos, o Porto de Cuba com dinheiro do Brasil vai muito bem...

    ResponderExcluir
  6. Rachele Mascitti3 de junho de 2015 18:01

    BOA NOITE Carlos Costa,
    CONCORDO COM TODAS AS SUAS LETRAS. ISSO É UMA VERGONHA. ABRAÇO!!!!

    ResponderExcluir
  7. Seu texto descreve muito bem a situação do porto de Manaus, como tantas outras obras é só falácia, os responsáveis não fazem absolutamente nada p/mudar essa realidade, você tem toda razão.

    ResponderExcluir
  8. João Batista Filho/BH5 de junho de 2015 17:11

    Mesmo que uma só pessoa pense coletivamente em prol de todos, ele nunca estará sozinho e tem tudo para fazer a diferença!

    ResponderExcluir
  9. Olá Carlos,
    Diante tambem de suas críticas , fico até mais a vontade para fazer as minhas. Realmente acho que Manaus merecia ter uma estrutura bem melhor para os passageiros de seu terminal hidroviário. Observei situações até bem perigosas durante o embarque que fizemos naquela região, inclusive ausencia total de acessibilidade para cadeirantes e pessoas com necessidades especiais, que têm que ficar á mercê da caridade alheia para conseguirem acessar as embarcações.
    Em Belém, ao contraio, encontramos um terminal bem moderno e confortável, digno dos melhores do primeiro mundo, e acho que Manaus, pela importância que a navegação regional tem para suas comunidades vizinhas já poderia ter um terminal hidroviário mais digno da importancia dessa cidade.
    Esta minha opinião , inclusive, é compartilhada por vários passageiros, turistas, que embarcaram comigo na viagem de Manaus a Belém....

    Grande abraço e mais uma vez parabéns pela sua crítica, que se for levada em conta, poderá contribuir quem sabe para alertar seus governantes municipais.

    ResponderExcluir
  10. Rui Heliandro Sá Valente18 de junho de 2015 10:51

    Concordo com você amigo Carlos Costa, a estação rodoviária é outra vergonha a de Santarém da de 10x0 na daqui de Manaus e o porto também.

    ResponderExcluir