terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A INFLAÇÃO DE DOIS DIGITOS TAMBÉM VEIO A MINHA CASA


Acompanhada por fuzis e metralhadoras “amados ou não”, como escreveu Geraldo Vandré, na música “Para não Dizer que não Falei de Flores”, a inflação de dois dígitos bateu a porta de todos os brasileiros consumidores. Antes que a bala perdida  disparada pelos que lhe acompanhavam e fosse registrada em alguma delegacia da periferia como “auto de resistência” como tem sido muito comum nas periferias, lhe abri a porta e permiti que entrasse, olhasse tudo vazio na dispensa e, ao sair, fiquei com uma certeza: como ocorria no passado, nada do que sobe no período de entressafra e baixa mais na safra, como ocorria antes. Não dizer por quanto tempo será assim ou se será apenas sonho de verão ou seria um pesadelo de inverno? Talvez sejam os dois ao mesmo tempo porque no verão, os preços sobem e no inverno sobem também. De centavo em centavo, os reajustes de preços são feitos na cara do freguês. A volta da maquineta de remarcação de preços, que fora aposentada e caiu em desuso por vários anos, a encontrei em um supermercado em Manaus, filmei e postei no facebook. É lamentável! 

Os desmandos do Governo no processo da condução econômica, admitidos pela presidente Dilma Rousseff, também atingiram outros setores da vida social, matando outros valores cotizados da sociedade plural, individualizada por cores, segregada por opção sexual e dividida como se fossem castas indianas. A sociedade ´brasileira é resultante de vários povos, culturas e etnias. Contudo, está sendo esfacelada e dividida, junto com a destruição de outros valores morais, éticos, políticos e sociais. O descaso econômico, atingiu um processo inflacionário galopante, com a volta do temido “dragão da inflação”, derrotado durante o Plano Verão criado pelo Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso e outros pensadores. Uma parte da classe política em esferas mais elevadas, que representam seus próprios interesses mediáticos e não pensam como uma sociedade coletiva, com diferentes pensamentos e tendências ideológicas, como deveria ser. Os grupos, composições e alianças  políticas são formadas unicamente objetivando alcançar o poder e nada mais. A sociedade apodreceu no pé e parece que esqueceu que está agonizante e tende a morrer pela falta de hospitais, escolas, médicos, remédios, habitação, segurança e saneamento ou simplesmente por uma bala perdida que sempre encontra alguma vítima em sua trajetória. “Dragão da Inflação”, era como se chamava no passado o processo inflacionário, que chegou ao patamar mais de 900% ao mês.

Apesar de todos os desmandos econômicos, de degradação moral, ética e política, não sou favorável à volta do Regime Militar e nem o defendo como muitos fazem pelas redes sociais. Não sofri nada físico durante o Regime que depôs João Goulart e tomou posse do Brasil em 64. O vivi, aos 18 anos, a partir de 1978, no tolimento de escritos, quando comecei a trabalhar como “foca”, em A NOTÍCIA, ainda sem ter cursado o primeiro período do curso de Comunicação Social na UA – Universidade do Amazonas e atualmente UFAM. Era a única Faculdade que existia e há 40 anos, abriu a primeira turma do curso de Comunicação Social. Não lembro se foi na primeira ou segunda turma da UFAM que ingressei. Hoje, existe uma proliferação de Faculdades particulares. Algumas, formam muito bem seus profissionais; outras,  expedem diplomas para “analfabetos” de terceiro grau. Essa realidade também é muito triste. Reprovava “doutores” durante as entrevistas para empregos, passando-lhes simplesmente um “ditado” e terminava por escolher pessoas que tinham apenas o  ensino médio completo e que demonstravam querer aprender. Formei uma boa equipe de colaboradores e muitos deles ocupam cargos chaves na instituição que dirigi por 12 anos, até minha aposentadoria por invalidez em 1996, vítima de empiema cerebral, seguido de duas infecções hospitalares incuráveis. Tenho orgulho do que fiz e não me arrependo de nada e faria tudo de novo! Ah, por fim, a inflação foi embora e fui à feira, com minha esposa. Constarei que também não se pode mais se usar a frase que definia o preço baixo de algum produto no passado - “está mais barato do que banana” -. O preço da banana em cacho  também subiu muito, está também pela hora da morte, se é que morte tem hora para vir nos buscar para junto de Deus ou do diabo, dependendo de como se vivemos na terra. 

Mesmo com todos os defeitos de falir um banco em sua reeleição, sinto saudades de quem “degolou o dragão da inflação”, porque parece que não ficou bem morto e  enterrado. O “dragão da inflação” conseguiu emendar sua cabeça e voltou a sobrevoar as lembranças dos consumidores que viveram esse período e atormentar a todos, de novo! Mas não é mudando um Governo que vai se resolver o problema. É preciso mudar a mentalidade da sociedade coletiva!

9 comentários:

  1. "Dragão da inflação"
    " Dragão da incompetência"
    "Dragão do medo da mudança"
    Medo do novo, se é que existe o novo, no aspecto político.

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  2. Afetou a todos nós!

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  3. Vdd temos q mudar nossa mentalidade amigo, mas tem candidato por aí q N trás letreiro na testa! Boa tarde!

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  4. Quando o preço do feijão ficar caro como ficou como a farinha no Amazonas na época da cheiOs, entenderão que caminhoneiros não carregam só o feijão, porém quase tudo depende do transporte rodoviário. Vamos vê se é mentira. Os caminhoneiros estão repassando eu acredito pq o meu esposo é um deles.

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  5. Indio do Brasil D'Urso Jacob12 de janeiro de 2016 15:41

    O Brasil é uma farsa cheios de falsos moralistas vê o país entregue as baratas políticos ladrões ️q deveria ser fuzilados

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  6. Dhiogo Caetano^ Goias13 de janeiro de 2016 02:28

    Bom dia! Que possamos fazer a diferença! Avante!!! Afagos na alma... Sou seu fã!

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  7. Walmor ZimermanParaná14 de janeiro de 2016 07:11

    Amigo Carlos da Costa. A história econômica de nosso país, antes e depois do Plano Real; cujo real mérito o Brasil deve a Itamar Franco, FHS foi o "executor" deste plano econômico. Isto não aprendemos na teria, evidenciamos no dia, pois na época tínhamos uma pequena distribuidora de perfumaria e medicamentos. O país vinha de uma longa cultura inflacionário e por isto foi preciso mudar paradigmas... Lamentavelmente o ciclo do atual governo, gastou demais, quando assumiu a divida pública era de 750 b. de reais... Hoje três vezes mais este valor; os juros que são pagos mês a mês faz falta na saúde, educação etc... Por último é preocupante a inflação de dois dígitos, quem mais está sofrendo é a população mais carente... Parabéns pelo seu texto. Abraços. S

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  8. Então diga pra mim. Você acha que se a sociedade coletiva pudesse dizer que não queria Copa e nem Olimpiada alguém ouviria ? Que não queria que dessem o empréstimo para o Porto em Cuba, alguém ouviria ? Acho que a mente coletiva pensou que o povo que está sem remédios , sem hospital não precisa de um carnaval midiático aonde milhões serão gastos. Basta fechar as ruas e deixar o povo brincar que o povo brinca sozinho. Acho que os ladrões que pararam de ouvir o povo, de ver só vai ver e ouvir uma Intervenção Constitucional e nada mais.

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  9. Ótima crônica e tudo verdade. Sobre Tranquedo Neves, Presidente q o Brasil n teve

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