sábado, 11 de fevereiro de 2017

ZFM 50 ANOS, PARA QUE SERVIRAM?



Os 50 anos do modelo de Zona Franca de Manaus serviram para quê, além de produzir uma ilha de riqueza cercada de miséria na periferia de Manaus? Quase nada!

Tirou o Amazonas e a Amazônia do isolamento em que vivia pós-Fastígio da Borracha ou “Ilusão do Fausto”  como afirma a professora  da Ufam, Edneia  Mascarenhas Dias. Também  criou  um “exército de reserva” mal remunerada e deixou a Floresta em pé,  mesmo à custa da miséria de seus verdadeiros guerreiros guardiões, os homens que vivem no seu interior, isolados, pobres e muitos deles sofrendo com a falta de políticas públicas que as alcancem. Vivem sem luz, água, sem arco e flechas como os índios do passado viviam, hoje quase extintos.

Depois do Governo José Lindoso e o também  já falecido superintendente da Suframa, Ruy Alberto Costa Lins, decidiram criar Leis e oferecer incentivos fiscais às indústrias de eletrônicos instaladas no Distrito Industrial, para que desenvolvessem novos projetos e investimentos no interior do Amazonas, aproveitando o potencial que já possuía, surgiram  projetos de Dendê, em Tefé, de Palmito, em São Gabriel da Cachoeira e, mais recentemente  o “Terceiro Ciclo”, no Governo Amazonino Mendes! Contudo, não a tirou totalmente do isolamento. A BR-174,  do Governo Militar, nunca chegou a ser concluída inteiramente em pouca coisa foi útil. Durante todo o período da ZFM, não usaram recursos para investir em pesquisas biotecnológicas e a solução cabocla idealizada por Jeovan Barbosa de ligar o município de Itacoatiara ao Estado do Pará e  ao resto do Brasil e do mundo por pontes, rodovias  encontra resistências políticas. A Superintendente da Suframa, Rebeca Garcia, agora sinaliza na busca de investir em pesquisas biotecnológicas e encontrar sua verdadeira vocação, como já ocorreu no passado.  

Logo no seu início da implantação de suas primeiras fábricas,  os jornais de Manaus diziam que a ZFM seria um modelo que poderia “ser desmontado e transportado em uma pasta para qualquer lugar” como se fosse um produto descartável, principalmente próximo do fim dos seus primeiros 30 anos previstos no decreto 288/67.  Contudo, a Federação da Indústria do Amazonas,  Associação Comercial do Amazonas e o Centro da Indústria do Amazonas, lideranças empresariais que existiam na época e eram fortes no Amazonas lutaram  e conseguiram, em 1997, que o Governo Militar  o prorrogasse por mais tempo. Depois, na Constituinte, o político amazonense Bernardo Cabral, incluiu outro tempo para que o modelo continuasse existindo e, no Governo Lula, a ZFM ganhou mais 50 anos de fôlego para  respirar e viver, mas sem investir em pesquisas e encontrar sua verdadeira vocação que está na sua biodiversidade.

50 anos depois, porém, a Zona Franca resiste e transformou a cidade de Manaus em uma ilha cercado de problemas sociais por todos os lados, fazendo surgir vários estudos científicos. Um dos que mais me marcaram como aluno de Serviço Social, foi à publicação de “Zona Franca de Manaus: os filhos da era Eletrônica, pesquisa realizada por Edila Arnaud Ferreira Moura et, alii, publicada pela Associação de Universidades Amazônicas, Universidade do Amazonas, Universidade Federal do Pará ( 1993, 141 páginas, integrante da série “A pobreza e o Meio Ambiente na Amazônia, vol 2), que contou com a participação do médico e pesquisador amazonense José Maria de Castro Santana. Na pesquisa, “se procurava apenas compreender a realidade das populações pobres da Amazônia e desnudar o fato de que as crianças são os seres mais afetados pelo impacto das visões desenvolvimentistas que se impuseram na região, nas últimas décadas”.



50 anos depois, quase nada mudou e em alguns itens sociais, até piorou, porque a Zona Franca não investe em pesquisas para se tornar independente e encontrar na sua biotecnologia abundante, seu único e verdadeiro modelo de desenvolvimento sem depender do Governo Federal com suas constantes e até abusivas medidas econômicas que, uma vez tomadas no calor dos debates políticos, afetam diretamente ao modelo de desenvolvimento do Estado.

7 comentários:

  1. Muito boa sua crônica sobre a ZFM parabéns

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  2. Carlos, li e reli a tua crônica sobre a ZFM. Reputo-a superficial e injusta, sei que podes elaborar algo de melhor qualidade; nessa não ultrapassaste o nível sofrível.
    A ZFM veio num momento crítico da Amazônia e em consequência do lema " integrar para não entregar". O governo revolucionário, de saudosa memória e apreço perene, com o DL 288/67, sancionado deu uma oportunidade a Manaus, que era uma cidade enexpressivel com parcos recursos econômico
    -finsnceiros e capital social básico quase nulo. Imprimindo um governo de seriedade, eis que Manaus conseguiu alavancar-se e montar um PIN de respeito, a par de se transformar numa bonita cidade. E mais: os militares infraestruturaram ao máximo que podiam. A BR 174 foi construída para integrar a Amazonia ao restante do Brasil; ficou praticamente pronta; os governos democratas não a psvimentaram e ainda a deixaram abandonada, fruto de pouca inteligência e de espirito público.
    No que tange à periferia de Manaus, grande e desorganizada; carente e suja, não é culpa da ZFM, as causas sócio-econômicas são outras, de cunho educacional.
    Finalizando, digo que os governos civis, ratazanas de esgoto, inclusive prefeitos do interior são os responsáveis por isso e não a ZFM. Quando se pensar o desenvolvimento da região sistemicamente, tudo vai melhorar!.

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    1. Meu nome é Maria Hirschi.Gostaria de saber se a burrocracia na Zona franca de Manaus,impede ou facilita as firmas do exterior?

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  3. Palmas!
    Parabéns pela analise social da Zona Franca

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  4. Mais um projeto que começou bem e acabou como tantos outros, na falencia, infelizmente..

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  5. Maria Hirschi/Suiça12 de fevereiro de 2017 06:55

    Parabens!
    Excelente cronica

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  6. A Zona franca de Manaus,esqueceu de Manaus.Todos aproveitaram,fizeram e refizeram,e nada foi feito na infra-estrutura de uma cidade.Ha pouco,queria comprar uma Motor tipo Harley.Nao comprei pque tinha que pagar em Sao Paulo.Por que? se a montage é feita em Manaus.Sao feito os teste em Manaus.Foi uma decepçao.Para onde foi o nosso dinheiro,nosso trabalho suado por uma Zona Franca,que o Brasileiro,nao deu Valor.Nao mudou nada mesmo Carlos,nossa sabedoria do cabloclo,foi pro beleleu,e os outros mamando,tranquilamente.Parabens Carlos.

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