quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"A UNICA ESPERANÇA - encontre o real sentido da vida"



Das muitas coisas que recebi ao entrar no Cemitério São João Batista, em Manaus, no Dia de Todos os Santos ou Dia Internacional do Homem, como também  foi chamado pelas redes sociais o feriado do Dia de Finacos  - panfletos de igrejas evangélicas, propaganda de empreendimento imobiliário pronto “Concept” e diversas outras coisas que me entregavam,  também recebi o livro A ÚNICA ESPERANÇA – encontre o real sentido da vida.  Os encontrei meus pais Josefa e Paulo Costa. Deles tomei a bênção, abracei e os beijei. Meu pai não sei se me reconheceu. Ele está com mania começando a esquecer das coisas, não ligando nome à pessoa, como já ocorre comigo também. Mas falou comigo pelo nome e me abraçou também.

Paulo Costa estava sentado em um banco, usando uma bengala e lia  livro que recebera à porta de entrada, como eu também  recebi, escrito do pastor, conferencista e roteirista Alejandro Bulón, autor vários outras obras, entre elas “O Terceiro Milênio” e “Conhecer Jesus é tudo”,  editadas  pela “Casa Publicadora Brasileira”, em Tatuí-SP. Meus pais estavam acompanhados da irmã Ivone Costa, seu ex-esposo Edson Paixão e de filhos.  Tinham comparecido para visitar as sepulturas de meus parentes, lá sepultados.  Depois, iriam visitar a sepultura do irmão Mário Alberto, no Cemitério Parque Tarumã, do outro lado da cidade. Mário Alberto Costa faleceu há muito tempo, antes de concluir o Curso de Veterinária, sua grande paixão desde criança quando o fotografei agarrado ao pinto que criava. Compareci acompanhado da esposa Yara Queiroz, que acenderia velas,  colocaria flores e choraria de saudades na sepultura de seus pais, advogado e tribuno  pelo partido MDB – Movimento Democrático Brasileira, Francisco Guedes de Queiroz e sua mãe, Maria Luíza de Souza Queiroz, falecida anos depois, enquanto rezava. Meu sogro foi político por 26 anos e o seguro habitacional que pagava embutido nas prestações, quitou a casa dele adquirida pelo SFH no extinto BNH – Banco Nacional de Habitação.  

Do livro “A ÚNICA ESPERANÇA – encontre o real sentido da vida”, a frase introdutória da obra afirmando “a vida é como um palco. Você afasta  as cortinas e vê os dramas, os conflitos e a procura incessante dos seres humanos” , me chamou a atenção. Folhei rapidamente e cheguei à conclusão que dizia: “viver é avançar. É aprender adentrar em águas profundas e desconhecidas e acrescentava: “você encontrará respostas para os mais sérios questionamentos do ser humano”.  Não busco respostas e nem tenho dúvidas, mas lerei o livro com calma para degusta-lo e sentindo todo o seu sabor das palavras, mesmo usando óculos 8,5 graus e com perda da lateralidade da visão, que me deixou sem CNH.  DEUS me permite respirar e construí minha própria felicidade.

Nem reencontrar meus pais visitando seus falecidos, rever e relembrar que minha família também vende  flores e velas na calçada da Indústria Amapoly, passagem obrigatória para se chegar  ao Cemitério Santa Helena, no Morro da Liberdade, foi tão importante, do que ter recebido o livro “A ÚNICA ESPERANÇA – encontre o real sentido de sua vida”, de uma moça dizendo que era de graça – se fosse pago não teria como compra-lo porque esqueci minha carteira em casa -.. Ver meu pai lendo-o também foi maravilhosamente gostoso e o lerei totalmente, com calma. No cemitério, enquanto rezava para minha sogra Maria Luiza,  minha esposa chorando e colocando flores e acendia velas aos seus pais, com as suas fotos coladas em uma pedra de mármore, folheava o livro que recebi.

A Rua São Benedito, na época, era sem asfalto, com paralelepípedos. Em frente a Amapoly, terminava o calçamento e começava a pista de barro. Na adolescência, gostava de sentar na última cadeira do ônibus de madeira da empresa “Ana Cássia”, para pular também junto com o coletivo, quando deixava o paralelepípedo e entrava para o barro!


Josefa Costa se aposentou pela Indústria Amapoly, na calçada onde vendeu velas e flores para sustentar a família!

13 comentários:

  1. Fabiano Nascimento2 de novembro de 2016 13:46

    Emocionado...
    Acho que tanto o livro quanto seu texto indicam o sentido da vida... Que é transmitir conhecimento. ...

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  2. Você é brihante amigo Carlos Costa. Emociona esse texto, redigido de maneira ímpar, excelente cronista, abraços e meus parabéns.

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  3. Joaquim Antonio de Almeida2 de novembro de 2016 13:52

    gostei muito-obrigado amigo Carlos Carlos Costa por sua atenção.

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  4. É tudo maravilhoso, Carlos Costa é simplesmente extraordinário.
    Amo quando me envia e me marca nas postagens.

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  5. Adorei seu texto,voltei um pouco no tempo e relembrei meu amado pai,que me deixou há um e pouco, homem íntegro,honesto até demais. Vendo o tempo muito quente, lembrei da piada dele, que sempre dizia, para não deixar acender vela na lápide dele no dia dos mortos, se o tempo estivesse quente. Como não sou de Manaus, liguei para minha família e perguntei como estava o tempo. Ainda bem que todos lembraram do pedido dele.

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  6. Linda cronica, amigo, Carlos Costa.
    Parabéns!

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  7. Emerson Vasconcelos2 de novembro de 2016 17:30

    Lindo depoimento, amigo, Carlos Costa.

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  8. Adorei a crônica.Obrigada amigo!

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  9. Indio do Brasil D'Urso Jacob2 de novembro de 2016 19:56

    Eu cresci comendo a comida que minha mãe podia colocar na mesa, sempre respeitei minha mãe e as pessoas mais velhas... Tive TV com 3 canais e não mexia para não quebrar, e antes de sair para escola arrumava a minha cama...
    Fazia o juramento à bandeira na escola, bebia água de torneira, andava descalço, tênis barato e roupas sem marca, não tive celular, nem tablet e muitos menos computador...
    Ajudava minha mãe nas tarefas de casa, e não achava que era exploração infantil, tinha horário para dormir.
    Quando tirava boas notas não ganhava presentes, porque não tinha feito mais que minha obrigação. Notas baixas era castigo, apanhava quando aprontava e isso era apenas um corretivo e não caso de polícia!!
    E não sou revoltado, não faço analise em médico, e não falta nenhum pedaço em mim.
    Menos frescura e mais disciplina para essa geração!!!! É disso que o mundo e as crianças estão precisando!
    Ordem, Respeito, Disciplina, Bondade, Educação, Obediência e Amor...
    Por um mundo onde não haja só direitos.

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  10. Texto bastante interessante, engraçado e descontraído. Trouxe um pouco da nossa história, quando se refere, p.ex., ao antigo MDB. Parabéns, Carlos Costa!!!

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  11. Amigo Carlos, você me fez lembrar o fato: Eu militar, candidato a vereador. Eleições marcadas para 15/XI. Só no dia 1°/XI, o quartel, me liberou para fazer campanha. Não perdi tempo, peguei meus santinhos e fui distribui-los nas portas dos cemitérios, exatamente junto com os evangélicos.KKKKKKKKKKKK.

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