sábado, 14 de janeiro de 2017

ESCRAVO DO CELULAR!


Quando o aparelho celular  me acorda às 6 horas da manhã, me avisando que tenho que tomar o primeiro remédio,  escuto cantos de periquitos, latidos de cachorros no Condomínio e a voz de minha esposa Yara Queiroz, pedindo para desligue logo o despertador. Ela quer dormir mais um pouco, principalmente nos finais de semana, ouvindo o canto periquitos na árvore e de dois que pousam e canta na grade da área técnica dos condicionadores de ar. Eles são chamados de “meus netos” pela Secretária Maria Joaquina, que lhes alimentam diariamente; chega perto e dá comida no prato e não voam.  Se e faço igual; voam!

Esse comportamento dos periquitos, lembra-me de muito do que outra secretária do passado, também chamada de Maria, que disse como se fosse fofoca que eu teria mais do que amor pela cachorra pastora alemã, “Madona”. Devido parmovirose que matou vários dos oito cachorros que criava, “Madona” passou a dormir no meu quarto e só foi para o quintal depois do sétimo mês, sob orientação e supervisão de meu irmão Mário Alberto Costa, que faleceu antes de se formar na primeira turma de Veterinária da Faculdade Nilton Lins. Quando chegava do trabalho, ela corria ao redor da casa, indo da janela da cozinha à janela do quarto e só parava quando ia falar com ela, perguntando se a dona Maria tinha lhe dado comida, banho e a tratado bem. A tudo balançava a cabeça como se tivesse dizendo que não e isso irritava demais a minha secretária da época. Devido a isso que fazia, inventou que eu tinha tido mais do que carinho pela “Madona”.  Yara Queiroz apenas riu e me contou tudo, embora a secretária tivesse pedido segredo para minha esposa. Rimos juntos depois e a brincadeira continuou até a Dona Maria ter deixado de trabalhar em minha casa.

Tomo café ouvindo mais canto de pássaros e c volto a tomar mais remédio para dormir até 9 horas da manhã e novamente sou acordado com o despertador do celular para mais um remédio. Começo o dia e termino às 22 horas, como se fosse um escravo do meu aparelho celular e dos cinco remédios que passei a tomar desde 2016, vivendo a hipocrisia de fingir que mato as bactérias hospitalares com remédios que não as matam;  elas me deixando viver mais um pouco. Para quem sabe usá-los em todos seus recursos, os celulares só faltam falar.  O resto quase tudo já fazem: recebem e transmitem e-mails, filmam, fotografam, se ligam a redes sociais,  conectado com o facebook, whatsapp, Skype, tuitter, e outras redes  ainda serão criadas. Se bem utilizadas e com responsabilidades, todas são úteis, importantes e livres. Contudo, quando uma coisa se torna viral em quaisquer das redes, a pessoa ganha fama instantânea. Dentro dela, porém,  continua uma pessoa  oca de conteúdo, pobre de conhecimentos críticos e despreparada para emitir opiniões próprias, parecendo mais um ventríloquo, acreditando e tendo como verdadeiras, qualquer notícia que lê nas redes sociais.. A verdade, porém, nunca será uma. Sempre será dividida três parciais: a minha, a sua e a da opinião pública. O que faz gerar a verdade, afinal? Nada!  Toda verdade será sempre parcial, passageira e nunca existirá uma única verdade absoluta e indestrutível, mesmo as científicas. Elas serão totalmente verdadeiras, até que nova pesquisa a desminta e crie uma nova verdade, que também poderá ser destruída. O conhecimento é infinito: um se complementa e se sobrepõe a outro!


Voltemos à crônica e aos remédios que tomo e as broncas  de minha esposa se demoro a desligar o alarme do celular. Virei um escravo do aparelho. Tudo arquivo nele: horários e nomes dos remédios, médicos, data de marcação de consultas, agendas de compromisso. Enfim, me tornei um escravo de uma coisa nunca pensei que existiria. Na minha época, o que existiam eram Radio de Pilha, TV de válvulas que esquentava e quase ninguém imaginava que a tecnologia  produzida no Vale do Cilício se desenvolveria tão rapidamente ao ponto de,  no Brasil,  hoje ser um dos países com a maior quantidade de aparelhos celular nas mãos das pessoas, do que de polícia nas ruas para protege-las contra os roubos de seus aparelhos.

8 comentários:

  1. Ó Messias Ó Messiss14 de janeiro de 2017 14:48

    Muito bom poeta!

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  2. Os animais são naturalmente adoráveis. As vezes o ser humano é quem estraga isso né?
    E que bom que vc vive nesse período de tantos meios de conexão com o mundo !!! Privilégio amigo

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  3. Boa noite meu querido amogo lindo demais Obrigada mil beijos <3

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  4. Palmas! Linda sua descrição de amazónica.

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  5. Maria Hischi/Suiça15 de janeiro de 2017 13:28

    O que achei importante nessa cronica é que voce sabe que sua esposa quer dormir,um pouco mais.Mais,dair enventaram o dispertador.O Estresse do dia,comerca.O Brasil,tem um potencia,estrondosso.E o vale do norte,tem uma explosao em 2017,mais,vido e comentado no mundo inteiro.Levado,para quem nao sabe o possitivo Bip,deste ano,Carajas,Zona Franca de Manaus etc.

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  6. Maria Luiza Martins17 de janeiro de 2017 05:43

    Boa noite Carlos da Costa.
    Imagine que minha filha mais nova me deu no Natal um presente: um celular! um aparelho que abre e fecha adaptado aos idosos ou aos que não gostam de celular. Surpresa, não pude agradecer adequadamente. Vivo criticando o povo nas ruas e em qualquer lugar andando e de cabeça abaixada para o celular nas mãos. Imagino que vão tropeçar a qualquer momento, pois não tiram os olhos e as expectativas dali. Como se dali ouvissem as melhores notícias, ou uma declaração de muito amor, ou que ganharam na sena. mas não é nada não. É que não tem nada a fazer e a esperar da sua vida própria, Ela não é nada, mas o celular é status.
    Um abraço,

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